O primeiro dos dois dias do seminário Árvores Monumentais — Importância e Conservação, no passado dia 25 de Junho, foi dedicado a um conjunto de intervenções que se centraram sobre as árvores e as florestas, em diferentes perspectivas.
A primeira palestra ficou a cargo de Jorge Paiva, botânico, que numa intervenção onde aliou o rigor científico à emotividade, conseguiu cativar a atenção dos presentes para a importância das plantas, e das árvores em particular, bem como da importância de preservar a biodiversidade que as florestas comportam.
Particularmente esclarecedoras foram as imagens, da autoria do próprio, de destruição da floresta amazónica e dos perigos que a mesma comporta para o equilíbrio do planeta.
De seguida, Laura Alves e Serafim Riem resumiram o trabalho de ambos no levantamento dos castanheiros monumentais do concelho do Sabugal.
Um trabalho que tem permitido descobrir um imenso património natural e cultural, dada a importância ancestral desta espécie na paisagem e economia do interior das Beiras, como é o caso do concelho do Sabugal.
Os autores deste projecto enumeraram alguns factores que colocam em perigo a sobrevivência deste património, bem como apontaram possíveis medidas para o valorizar e defender.
A palestra que se seguiu, de minha autoria e do Miguel Rodrigues, resumiu o trabalho de três anos e de milhares de quilómetros percorridos na procura de árvores monumentais, nos distritos de Faro e Beja.
Foram explicados os objectivos que norteiam o nosso trabalho, incluindo uma reflexão sobre os métodos de selecção das árvores incluídas no blogue Árvores Monumentais do Algarve e Baixo Alentejo.
Por outro lado, mais do que identificar e enumerar factores que afectam a preservação deste imenso património, quisemos salientar a importância de o proteger e, sobretudo, de o divulgar como forma de envolver as comunidades locais na sua preservação.
Seguidamente, o engenheiro Campos Andrada, da Autoridade Florestal Nacional (AFN), fez um resumo das medidas de protecção à floresta e às árvores, ao longo da história do nosso país.
Deste modo, foi interessante descobrir que em 1914 foi promulgada uma lei que criava a Associação Protectora da Árvore, com o objectivo de criar um catálogo com as árvores notáveis do país, as quais deveriam ficar, posteriormente, sob a guarda do Estado.
Se, por um lado, é verdade que a Associação Protectora da Árvore acabou por não ter continuidade, por outro lado pode considerar-se que os objectivos que criaram esta associação acabaram por ser os mesmos que inspiraram, posteriormente, a elaboração do Decreto-Lei n.º 28 468, de 15 de Fevereiro de 1938, o qual, ainda hoje, regulamenta a classificação de árvores ou conjuntos de árvores.
Por último, o engenheiro Campos Andrada proferiu ainda algumas reflexões sobre a necessidade de proceder a algumas actualizações no referido Decreto-Lei n.º 28 468.
Antes da pausa para intervalo, a engenheira Susana Domínguez Lerena teve ocasião de descrever o extraordinário projecto Árboles, Leyendas Vivas, coordenado por si, e que tem promovido a recolha de dados sobre as árvores monumentais de Espanha.
A palestra foi abundantemente ilustrada por imagens de exemplares notáveis distribuídos por toda a geografia espanhola.
Por outro lado, Susana Lerena apresentou alguns motivos que justificam a necessidade de existência de uma lei de defesa da árvore, comum a todo o território espanhol, que unifique a diversidade de legislação existente ao nível das diferentes autonomias.
Por último, Susana Lerena falou dos prémios Árvore e Bosque do Ano de Espanha, criados com o objectivo de valorizar o esforço de todos os que protegem e cuidam do futuro das árvores.
A palestra do Ted Green e da Jill Butler não foi centrada na monumentalidade da árvore em si ou na importância destas como elementos ornamentais, nomeadamente nas cidades, mas antes na relação ancestral entre as árvores e os seres humanos.
Deste modo, a estes investigadores britânicos interessa, sobretudo, mais do que o valor de uma árvore por si só, o valor da paisagem e do sistema (agrícola, florestal, …) no qual essa árvore está inserida.
Para Ted Green e Jill Butler são particularmente importantes os montados de Quercus sp. da Península Ibérica, pela biodiversidade que suportam e, sobretudo, porque os mesmos se têm revelado sustentáveis ao longo do tempo.
Para eles, a palavra-chave é mesmo sustentabilidade pois, no seu entender, este é o único motivo que poderá levar os políticos europeus a adoptar leis que financiem e suportem a preservação deste tipo de paisagens, baseadas na co-existência entre as árvores e as actividades humanas a elas associadas, como a agricultura ou a pastorícia.
A palestra destes investigadores britânicos ajudou a reflectir sobre a importância das “árvores de produção”, como os sobreiros dos nossos montados ou os castanheiros dos nossos soutos.
As palavras do Ted e da Jill ajudaram a compreender a enorme importância de muitas destas “árvores de produção”, sobretudo dos exemplares com centenas de anos, pela biodiversidade que encerram em si (líquenes, fungos, insectos e outros invertebrados, pequenos vertebrados, etc.) e importância cultural que possuem para as comunidades onde estão inseridas.
Este primeiro dia de palestras deveria ter concluído com uma intervenção do Paulo Araújo, nosso colega da Associação Árvores de Portugal e um dos autores do blogue Dias com árvores e que, recentemente, editou o livro A Árvore de Natal do Senhor Ministro.
Infelizmente, tal acabou por não suceder fruto de um erro lamentável da organização.
Seminário Árvores Monumentais — Importância e Conservação: Resumo das Palestras
O primeiro dos dois dias do seminário Árvores Monumentais — Importância e Conservação, no passado dia 25 de Junho, foi dedicado a um conjunto de intervenções que se centraram sobre as árvores e as florestas, em diferentes perspectivas.
A primeira palestra ficou a cargo de Jorge Paiva, botânico, que numa intervenção onde aliou o rigor científico à emotividade, conseguiu cativar a atenção dos presentes para a importância das plantas, e das árvores em particular, bem como da importância de preservar a biodiversidade que as florestas comportam.
Particularmente esclarecedoras foram as imagens, da autoria do próprio, de destruição da floresta amazónica e dos perigos que a mesma comporta para o equilíbrio do planeta.
De seguida, Laura Alves e Serafim Riem resumiram o trabalho de ambos no levantamento dos castanheiros monumentais do concelho do Sabugal.
Um trabalho que tem permitido descobrir um imenso património natural e cultural, dada a importância ancestral desta espécie na paisagem e economia do interior das Beiras, como é o caso do concelho do Sabugal.
Os autores deste projecto enumeraram alguns factores que colocam em perigo a sobrevivência deste património, bem como apontaram possíveis medidas para o valorizar e defender.
A palestra que se seguiu, de minha autoria e do Miguel Rodrigues, resumiu o trabalho de três anos e de milhares de quilómetros percorridos na procura de árvores monumentais, nos distritos de Faro e Beja.
Foram explicados os objectivos que norteiam o nosso trabalho, incluindo uma reflexão sobre os métodos de selecção das árvores incluídas no blogue Árvores Monumentais do Algarve e Baixo Alentejo.
Por outro lado, mais do que identificar e enumerar factores que afectam a preservação deste imenso património, quisemos salientar a importância de o proteger e, sobretudo, de o divulgar como forma de envolver as comunidades locais na sua preservação.
Seguidamente, o engenheiro Campos Andrada, da Autoridade Florestal Nacional (AFN), fez um resumo das medidas de protecção à floresta e às árvores, ao longo da história do nosso país.
Deste modo, foi interessante descobrir que em 1914 foi promulgada uma lei que criava a Associação Protectora da Árvore, com o objectivo de criar um catálogo com as árvores notáveis do país, as quais deveriam ficar, posteriormente, sob a guarda do Estado.
Se, por um lado, é verdade que a Associação Protectora da Árvore acabou por não ter continuidade, por outro lado pode considerar-se que os objectivos que criaram esta associação acabaram por ser os mesmos que inspiraram, posteriormente, a elaboração do Decreto-Lei n.º 28 468, de 15 de Fevereiro de 1938, o qual, ainda hoje, regulamenta a classificação de árvores ou conjuntos de árvores.
Por último, o engenheiro Campos Andrada proferiu ainda algumas reflexões sobre a necessidade de proceder a algumas actualizações no referido Decreto-Lei n.º 28 468.
Antes da pausa para intervalo, a engenheira Susana Domínguez Lerena teve ocasião de descrever o extraordinário projecto Árboles, Leyendas Vivas, coordenado por si, e que tem promovido a recolha de dados sobre as árvores monumentais de Espanha.
A palestra foi abundantemente ilustrada por imagens de exemplares notáveis distribuídos por toda a geografia espanhola.
Por outro lado, Susana Lerena apresentou alguns motivos que justificam a necessidade de existência de uma lei de defesa da árvore, comum a todo o território espanhol, que unifique a diversidade de legislação existente ao nível das diferentes autonomias.
Por último, Susana Lerena falou dos prémios Árvore e Bosque do Ano de Espanha, criados com o objectivo de valorizar o esforço de todos os que protegem e cuidam do futuro das árvores.
A palestra do Ted Green e da Jill Butler não foi centrada na monumentalidade da árvore em si ou na importância destas como elementos ornamentais, nomeadamente nas cidades, mas antes na relação ancestral entre as árvores e os seres humanos.
Deste modo, a estes investigadores britânicos interessa, sobretudo, mais do que o valor de uma árvore por si só, o valor da paisagem e do sistema (agrícola, florestal, …) no qual essa árvore está inserida.
Para Ted Green e Jill Butler são particularmente importantes os montados de Quercus sp. da Península Ibérica, pela biodiversidade que suportam e, sobretudo, porque os mesmos se têm revelado sustentáveis ao longo do tempo.
Para eles, a palavra-chave é mesmo sustentabilidade pois, no seu entender, este é o único motivo que poderá levar os políticos europeus a adoptar leis que financiem e suportem a preservação deste tipo de paisagens, baseadas na co-existência entre as árvores e as actividades humanas a elas associadas, como a agricultura ou a pastorícia.
A palestra destes investigadores britânicos ajudou a reflectir sobre a importância das “árvores de produção”, como os sobreiros dos nossos montados ou os castanheiros dos nossos soutos.
As palavras do Ted e da Jill ajudaram a compreender a enorme importância de muitas destas “árvores de produção”, sobretudo dos exemplares com centenas de anos, pela biodiversidade que encerram em si (líquenes, fungos, insectos e outros invertebrados, pequenos vertebrados, etc.) e importância cultural que possuem para as comunidades onde estão inseridas.
Este primeiro dia de palestras deveria ter concluído com uma intervenção do Paulo Araújo, nosso colega da Associação Árvores de Portugal e um dos autores do blogue Dias com árvores e que, recentemente, editou o livro A Árvore de Natal do Senhor Ministro.
Infelizmente, tal acabou por não suceder fruto de um erro lamentável da organização.