Seminário Árvores Monumentais — Importância e Conservação: Saída de Campo

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O segundo e último dia deste semi­ná­rio, 26 de Junho, foi ocu­pado com uma visita mati­nal a alguns dos cas­ta­nhei­ros monu­men­tais do con­ce­lho do Sabu­gal.
Uma opor­tu­ni­dade para ouvir his­tó­rias em vários idi­o­mas, tendo a árvore como deno­mi­na­dor comum.

Ted Green, Jill Butler e Susana Lerena mostraram-se mes­tres de ceri­mó­nia à altura do acon­te­ci­mento.
Curi­o­sa­mente, o ponto de par­tida para mui­tas des­tas his­tó­rias teve por base um rei ou rai­nha de Ingla­terra ou de Espa­nha, o que cul­mi­nou no relem­brar de alguns epi­só­dios his­tó­ri­cos, como o caso da der­rota da Armada Inven­cí­vel (o que muito diver­tiu os ingle­ses Ted e Jill por opo­si­ção ao desa­lento da espa­nhola Susana).

Jill Butler, por outro lado, não per­deu a opor­tu­ni­dade de con­tar algu­mas his­tó­rias rela­ci­o­na­das com o rei Wil­liam I que, no século XI, con­tri­buiu para a arbo­ri­za­ção de vas­tas áreas de Ingla­terra, as quais são hoje das flo­res­tas mais anti­gas do país.

Lamento ape­nas que o pro­fes­sor Jorge Paiva, outro bom con­ta­dor de his­tó­rias, não pudesse estar pre­sente neste segundo dia. Teria sido uma jor­nada ainda mais ani­mada e por certo que o pro­fes­sor Paiva teria relem­brado o nome de vários por­tu­gue­ses que con­tri­buí­ram, ao longo da his­tó­ria, para a defesa das árvo­res e das florestas.

Esta visita incluiu, como não pode­ria dei­xar de ser, uma visita ao cas­ta­nheiro (Cas­ta­nea sativa Mill.) do Cen­tro de Dia da aldeia da Mal­cata (foto­gra­fia mais à esquerda).
Para os téc­ni­cos da Auto­ri­dade Flo­res­tal Naci­o­nal (AFN), res­pon­sá­veis pela clas­si­fi­ca­ção das árvo­res, não res­tam dúvi­das de que esta­mos perante um dos mai­o­res exem­pla­res do país, com um extra­or­di­ná­rio vigor vegetativo.

Como nem todos os lei­to­res deste blo­gue me conhe­cem da Som­bra Verde, vou pro­cu­rar resu­mir a his­tó­ria rela­tiva ao pedido de clas­si­fi­ca­ção desta árvore.
Tudo come­çou com um pedido que fiz por escrito à AFN, em finais de 2007, onde soli­ci­tava a clas­si­fi­ca­ção deste exem­plar como árvore de inte­resse público.
Em finais de Julho de 2008 desloquei-me, com o Miguel Rodri­gues, à dele­ga­ção da Guarda da AFN, onde nos foi dito, por parte dos téc­ni­cos locais, que a direc­ção do refe­rido Cen­tro de Dia já tinha sido con­tac­tada por carta, aguardando-se uma res­posta à mesma.
Por último, em Outu­bro de 2008 foi-me res­pon­dido, pela AFN, que a clas­si­fi­ca­ção deste cas­ta­nheiro con­ti­nu­ava depen­dente da direc­ção do refe­rido Cen­tro de Dia.

Sabendo por pes­soas da aldeia, como o autor do blo­gue Malcata.net, que a direc­ção do Cen­tro de Dia vê com bons olhos a clas­si­fi­ca­ção deste exem­plar, con­ti­nuo a não per­ce­ber o que impede que tal se con­cre­tize. Recordo que foi atra­vés deste blo­gue que des­co­bri este exem­plar majestoso.

Sou sin­cero, pouco me importa se a res­pon­sa­bi­li­dade por este cas­ta­nheiro ainda não estar clas­si­fi­cado está do lado da AFN ou dos res­pon­sá­veis do Cen­tro de Dia.
Como sugeri, aos res­pon­sá­veis da AFN, esta situ­a­ção, de con­tor­nos quase “kaf­ki­a­nos”, pode­ria ser facil­mente resol­vida com um tele­fo­nema. Fico à espera…

Este dia ficou ainda mar­cado pela des­co­berta do cas­ta­nheiro clas­si­fi­cado da fre­gue­sia do Soito (foto­gra­fia mais à direita), exem­plar mul­tis­se­cu­lar ainda com assi­na­lá­vel vigor, e de outro exem­plar fan­tás­tico (foto­gra­fia em posi­ção cen­tral), a cerca de 50 metros do pri­meiro, de dimen­sões igual­mente acima da média e com uma cavi­dade no tronco capaz de alber­gar dez adul­tos!

Ao longo desta saída de campo, e sem­pre que nos detí­nha­mos perante um exem­plar secu­lar, era fácil veri­fi­car a bio­di­ver­si­dade asso­ci­ada a cada um des­tes exem­pla­res.
Por outro lado, foram visí­veis alguns exem­pla­res mor­tos e outros quei­ma­dos. Como cau­sas para o declí­nio dos cas­ta­nhei­ros foram apon­ta­das algu­mas doen­ças que afec­tam a espé­cie, caso da doença da tinta1 e do can­cro do cas­ta­nheiro2, bem como os incên­dios florestais.

Por último, e em jeito de con­clu­são, que­ria mani­fes­tar, em nome da Asso­ci­a­ção Árvo­res de Por­tu­gal, que todas as pes­soas envol­vi­das na orga­ni­za­ção deste semi­ná­rio se sen­ti­ram recom­pen­sa­das pelo tempo inves­tido na pre­pa­ra­ção do mesmo.

Para tal con­tri­buiu não ape­nas a qua­li­dade das pales­tras e a forma como decor­reu a saída de campo do segundo dia do semi­ná­rio mas, sobre­tudo, o agrado mani­fes­tado por todos os par­ti­ci­pan­tes, mui­tos dos quais nos demons­tra­ram inte­resse em par­ti­ci­par em futu­ras ini­ci­a­ti­vas da Árvo­res de Portugal.

1 Doença pro­vo­cada pelo para­sita Phy­tophthora cin­na­momi Rands, que a mai­o­ria dos auto­res con­sul­ta­dos con­si­dera ser um fungo.
2 Doença pro­vo­cada pelo fungo Crypho­nec­tria para­si­tica (Murr.) Barr

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