Doida Pelos Portugueses

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Subi­ta­mente — ou tal­vez nem tanto — os por­tu­gue­ses fica­ram doi­dos pelas Arau­cá­rias, não há quin­tal, logra­douro, quinta, monte ou rotunda, da res­pon­sa­bi­li­dade de um por­tu­guês, que não tenha uma (só uma, por­que os por­tu­gue­ses têm Arau­cá­rias como quem tem filhos únicos) pobre Arau­cá­ria. A res­pon­sa­bi­li­dade, tenho para mim, é daquela coisa parva do livro da árvore e do filho, mas adi­ante.

Sendo assim, quando final­mente é dada ao por­tu­guês a opor­tu­ni­dade de plan­tar a sua árvore, o que é que ele pensa? Tem de ser uma árvore asse­a­di­nha (os por­tu­gue­ses acham, sem­pre, as árvo­res umas gran­des por­cas), bem com­por­tada, pouco exi­gente, com boa arru­ma­ção e muito pre­vi­sí­vel (nada de árvo­res capa­zes de os sur­pre­en­der com folhas que mudam de cor con­forme as esta­ções ou outros tru­ques de mau gosto). Tudo qua­li­da­des da triste e simé­trica Arau­cá­ria; que é, por todas estas razões, impor­tada das flo­res­tas lon­gín­quas, onde vive feliz, para as nos­sas deso­la­do­ras urba­ni­za­ções, onde a espera uma longa e soli­tá­ria existência.

Na maior parte das vezes, as Arau­cá­rias, não ficam doi­das pelos por­tu­gue­ses. São árvo­res diói­cas, só flo­res­cem e dão fruto se exis­ti­rem, pelo menos duas árvo­res de sexo dife­rente, pro­mis­cui­dade que rara­mente os Por­tu­gue­ses con­sen­tem. Por isso é muito invul­gar ver Arau­cá­rias doi­das de feli­ci­dade como esta que eu encon­trei num quin­ta­lejo alen­te­jano. Sozi­nha, é um facto, mas conhe­ce­dora de algum estra­ta­gema mis­te­ri­oso, que lhe per­mi­tiu flo­rir e fru­ti­fi­car em beleza.

  1. Publicado 8 de Setembro de 2009 às 1:13 | Link

    Hehe… Cul­pado. Ei, mas eu não tenho só a arau­cá­ria… Tenho a des­culpa de gos­tar de ter tudo :) .
    E como esta nunca vi e gos­tei de ver.

  2. gintoino
    Publicado 8 de Setembro de 2009 às 17:20 | Link

    Devo ter, por­tanto, o único jar­dim livre de arau­ca­rias do país…Acho-as muito sem graça, enfa­do­nhas, Com essa mania de cres­cer só em altura mas gos­tei de ver essa a fru­ti­fi­car, nunca tinha visto tal coisa.

  3. Publicado 9 de Setembro de 2009 às 21:34 | Link

    Con­fesso que tenho sen­ti­men­tos con­tra­di­tó­rios face às arau­cá­rias. Ou melhor, tenho sen­ti­men­tos con­tra­di­tó­rios face à Arau­ca­ria hete­rophylla (penso que é desta arau­cá­ria que fala a Rosa).
    Gosto delas em peque­nas, quando cabem num vaso, e a folha­gem tem aquele tom verde claro…E depois, pas­sa­dos uns bons anos, volto a gos­tar delas quando se tor­nam em gigan­tes, como as arau­cá­rias de Mon­chi­que.
    Mas há ali uma fase inter­mé­dia, algu­res na sua“adolescência” de árvore, em que não me sedu­zem muito, fazendo-me lem­brar um daque­les ado­les­cen­tes “muito altos e muito magrinhos”…Suponho que nas arau­cá­rias, como nos huma­nos, a ado­les­cên­cia seja uma fase complicada! ;)

    • Publicado 9 de Setembro de 2009 às 22:00 | Link

      É isso mesmo Pedro. Filhos únicos na ado­les­cên­cia, dá quase sem­pre para o torto.
      Mas é ver­dade que há Arau­cá­rias e Arau­cá­rias a minha pre­fe­rida é a A. cun­ningha­mii, mais par­ti­cu­lar­mente a do Botâ­nico de Lis­boa. Olha, fica já pro­me­tida aqui para as Àrvo­res de Portugal.

  4. taxonomista
    Publicado 11 de Setembro de 2009 às 8:50 | Link

    Eu sei que a inten­ção é a melhor … e tam­bém sei que vocês sabem „, mas não deixa de ser um mau exem­plo e um mau ser­viço pres­tado por um site que con­si­dero impor­tante.
    As Gym­nos­per­mae não fru­ti­fi­cam!
    As árvo­res não são diói­cas, quando muito são-no as espé­cies.
    Espero que me pos­sam per­doar o atrevimento.

    • Publicado 11 de Setembro de 2009 às 11:33 | Link

      Caro Taxo­no­mista, atreva-se sem­pre, cor­rija, con­tra­diga, refile até se for caso disso… Esta­mos cá para isso mesmo.
      De facto o termo fru­ti­fi­car, neste caso, deixa um boca­di­nho a dese­jar, deixei-me levar pela gene­ro­si­dade da arau­cá­ria alen­te­jana.
      Volte sempre.

    • Publicado 11 de Setembro de 2009 às 14:17 | Link

      Inte­res­sante… A ques­tão “Gym­nos­per­mae não fru­ti­fi­cam” e a da lin­gua­gem e do que se pode espe­rar deste site…
      Eu sou a favor de algum rigor na lin­gua­gem, mas da lista de auto­res, não sei se haverá mais de qua­tro bió­lo­gos. Nos tex­tos julgo que deve ser dada alguma liber­dade cri­a­tiva — os comen­tá­rios estão aber­tos, qual­quer impre­ci­são pode ser rapi­da­mente assi­na­lada e erros cor­ri­gi­dos, julgo que acres­centa ao total e não melin­dra nin­guém.
      Se os tex­tos forem de carac­te­rís­ti­cas cien­tí­fi­cas, é dife­rente, julgo eu.
      Hoje rece­be­mos uma soli­ci­ta­ção para serem publi­ca­dos poe­mas e prosa alu­siva às árvo­res e pes­so­al­mente estou favo­rá­vel. Não posso con­si­de­rar mau ser­viço se o autor não for cien­ti­fi­ca­mente correcto.

    • Publicado 11 de Setembro de 2009 às 23:08 | Link

      Viva taxo­no­mista,
      Obri­gado pelo seu comen­tá­rio, todos os “atre­vi­men­tos” que pos­sam melho­rar e aper­fei­çoar a nossa página serão sem­pre bem-vindos.
      Efec­ti­va­mente, sendo as arau­cá­rias esper­ma­tó­fi­tas, como as angi­os­pér­mi­cas, não pro­du­zem fru­tos (como estas). Tratou-se, estou certo, de uma forma de repro­du­zir por escrito aquilo que dize­mos no dia-a-dia, ainda sabendo que não está cor­recto, como quando cha­ma­mos “fruto” à gál­bula baci­forme do zim­bro ou quando nos refe­ri­mos aos pinhões como “fru­tos secos”.
      No entanto, sendo o rigor cien­tí­fico um dos objec­ti­vos de todos os que escre­vem neste blo­gue, os tex­tos não dei­xam de reflec­tir a forma como cada um vê as árvo­res no dia-a-dia…E por vezes, ao repro­du­zir­mos essas sen­sa­ções diá­rias para a escrita, aca­ba­mos por come­ter estas peque­nas impre­ci­sões. Repare que nem todas as pes­soas têm for­ma­ção cien­tí­fica na área.
      Agradecia-lhe, no futuro, que nos vol­tasse a con­tac­tar (se não for pedir muito) sem­pre que veri­fi­car alguma incor­rec­ção ou impre­ci­são cien­tí­fica.
      Aliás, falo por mim e penso que pelos demais auto­res, que agra­de­ce­mos qual­quer cor­rec­ção não ape­nas na parte da Botâ­nica, mas igual­mente no domí­nio da Lín­gua Por­tu­guesa.
      Cumprimentos.

  5. Publicado 11 de Setembro de 2009 às 17:56 | Link

    Eu tam­bém não tenho Arau­cá­rias… por­que não sou fã!!! Adoro árvo­res de aspecto robusto, cheias de folha­gem que muda de cor… adoro as folhas que se espa­lham no chão…

    • Publicado 11 de Setembro de 2009 às 18:20 | Link

      adoro as folhas que se espa­lham no chão…

      Ora aí está uma coisa que mais por­tu­gue­ses deviam adorar… :)

    • Rosa
      Publicado 12 de Setembro de 2009 às 17:03 | Link

      Eu tam­bém pre­firo essas… Árvo­res com per­so­na­li­dade.
      ( Eu sei, des­cul­pem. As árvo­res não têm personalidade)

      • Publicado 17 de Setembro de 2009 às 15:16 | Link

        Pois não Rosa, são as espé­cies! ;-) (perdoem-me a brincadeira)

        No Jar­dim Botâ­nico da Uni­ver­si­dade de Lis­boa há uma que dá uns cones gigan­tes­cos. Mas penso que a Rosa via falar nela?!

        • Rosa
          Publicado 17 de Setembro de 2009 às 19:21 | Link

          Está pro­me­tido Rui Pedro, bre­ve­mente apa­re­cerá aqui a Arau­cá­ria dos rami­nhos tufo­sos, uma vai­dosa! (bem… Na ver­dade as árvo­res não são vaidosas)

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