Subitamente – ou talvez nem tanto – os portugueses ficaram doidos pelas Araucárias, não há quintal, logradouro, quinta, monte ou rotunda, da responsabilidade de um português, que não tenha uma (só uma, porque os portugueses têm Araucárias como quem tem filhos únicos) pobre Araucária. A responsabilidade, tenho para mim, é daquela coisa parva do livro da árvore e do filho, mas adiante.
Sendo assim, quando finalmente é dada ao português a oportunidade de plantar a sua árvore, o que é que ele pensa? Tem de ser uma árvore asseadinha (os portugueses acham, sempre, as árvores umas grandes porcas), bem comportada, pouco exigente, com boa arrumação e muito previsível (nada de árvores capazes de os surpreender com folhas que mudam de cor conforme as estações ou outros truques de mau gosto). Tudo qualidades da triste e simétrica Araucária; que é, por todas estas razões, importada das florestas longínquas, onde vive feliz, para as nossas desoladoras urbanizações, onde a espera uma longa e solitária existência.
Na maior parte das vezes, as Araucárias, não ficam doidas pelos portugueses. São árvores dióicas, só florescem e dão fruto se existirem, pelo menos duas árvores de sexo diferente, promiscuidade que raramente os Portugueses consentem. Por isso é muito invulgar ver Araucárias doidas de felicidade como esta que eu encontrei num quintalejo alentejano. Sozinha, é um facto, mas conhecedora de algum estratagema misterioso, que lhe permitiu florir e frutificar em beleza.




Hehe… Culpado. Ei, mas eu não tenho só a araucária… Tenho a desculpa de gostar de ter tudo :) .
E como esta nunca vi e gostei de ver.
Devo ter, portanto, o único jardim livre de araucarias do país…Acho-as muito sem graça, enfadonhas, Com essa mania de crescer só em altura mas gostei de ver essa a frutificar, nunca tinha visto tal coisa.
Confesso que tenho sentimentos contraditórios face às araucárias. Ou melhor, tenho sentimentos contraditórios face à Araucaria heterophylla (penso que é desta araucária que fala a Rosa).
Gosto delas em pequenas, quando cabem num vaso, e a folhagem tem aquele tom verde claro…E depois, passados uns bons anos, volto a gostar delas quando se tornam em gigantes, como as araucárias de Monchique.
Mas há ali uma fase intermédia, algures na sua”adolescência” de árvore, em que não me seduzem muito, fazendo-me lembrar um daqueles adolescentes “muito altos e muito magrinhos”…Suponho que nas araucárias, como nos humanos, a adolescência seja uma fase complicada! ;)
É isso mesmo Pedro. Filhos únicos na adolescência, dá quase sempre para o torto.
Mas é verdade que há Araucárias e Araucárias a minha preferida é a A. cunninghamii, mais particularmente a do Botânico de Lisboa. Olha, fica já prometida aqui para as Àrvores de Portugal.
Eu sei que a intenção é a melhor … e também sei que vocês sabem ,,, mas não deixa de ser um mau exemplo e um mau serviço prestado por um site que considero importante.
As Gymnospermae não frutificam!
As árvores não são dióicas, quando muito são-no as espécies.
Espero que me possam perdoar o atrevimento.
Caro Taxonomista, atreva-se sempre, corrija, contradiga, refile até se for caso disso… Estamos cá para isso mesmo.
De facto o termo frutificar, neste caso, deixa um bocadinho a desejar, deixei-me levar pela generosidade da araucária alentejana.
Volte sempre.
Interessante… A questão “Gymnospermae não frutificam” e a da linguagem e do que se pode esperar deste site…
Eu sou a favor de algum rigor na linguagem, mas da lista de autores, não sei se haverá mais de quatro biólogos. Nos textos julgo que deve ser dada alguma liberdade criativa — os comentários estão abertos, qualquer imprecisão pode ser rapidamente assinalada e erros corrigidos, julgo que acrescenta ao total e não melindra ninguém.
Se os textos forem de características científicas, é diferente, julgo eu.
Hoje recebemos uma solicitação para serem publicados poemas e prosa alusiva às árvores e pessoalmente estou favorável. Não posso considerar mau serviço se o autor não for cientificamente correcto.
Viva taxonomista,
Obrigado pelo seu comentário, todos os “atrevimentos” que possam melhorar e aperfeiçoar a nossa página serão sempre bem-vindos.
Efectivamente, sendo as araucárias espermatófitas, como as angiospérmicas, não produzem frutos (como estas). Tratou-se, estou certo, de uma forma de reproduzir por escrito aquilo que dizemos no dia-a-dia, ainda sabendo que não está correcto, como quando chamamos “fruto” à gálbula baciforme do zimbro ou quando nos referimos aos pinhões como “frutos secos”.
No entanto, sendo o rigor científico um dos objectivos de todos os que escrevem neste blogue, os textos não deixam de reflectir a forma como cada um vê as árvores no dia-a-dia…E por vezes, ao reproduzirmos essas sensações diárias para a escrita, acabamos por cometer estas pequenas imprecisões. Repare que nem todas as pessoas têm formação científica na área.
Agradecia-lhe, no futuro, que nos voltasse a contactar (se não for pedir muito) sempre que verificar alguma incorrecção ou imprecisão científica.
Aliás, falo por mim e penso que pelos demais autores, que agradecemos qualquer correcção não apenas na parte da Botânica, mas igualmente no domínio da Língua Portuguesa.
Cumprimentos.
Eu também não tenho Araucárias… porque não sou fã!!! Adoro árvores de aspecto robusto, cheias de folhagem que muda de cor… adoro as folhas que se espalham no chão…
Ora aí está uma coisa que mais portugueses deviam adorar… :)
Eu também prefiro essas… Árvores com personalidade.
( Eu sei, desculpem. As árvores não têm personalidade)
Pois não Rosa, são as espécies! ;-) (perdoem-me a brincadeira)
No Jardim Botânico da Universidade de Lisboa há uma que dá uns cones gigantescos. Mas penso que a Rosa via falar nela?!
Está prometido Rui Pedro, brevemente aparecerá aqui a Araucária dos raminhos tufosos, uma vaidosa! (bem… Na verdade as árvores não são vaidosas)
Sugiro cohecerem esta espécie de Araucária, presente na região Sul do Brasil, mais precisamente no estado do Paraná: http://pt.wikipedia.org/wiki/Arauc%C3%A1ria