O Ulmeiro do Hotel

O título deste texto poderia muito bem ter sido O Ulmeiro Invisível. Teria sido, por certo, uma escolha mais feliz do que a que acabou por prevalecer.

Resta esclarecer o porquê da dita invisibilidade do ulmeiro (Ulmus minor Miller1) visível nas imagens, situada nas traseiras do Hotel de Turismo da Guarda2.
Em primeiro lugar, não estou certo se o ulmeiro é apenas invisível para mim ou para todos o que passam no Largo de S. Francisco, no centro da cidade.

A verdade é que levei mais de 30 anos para reparar verdadeiramente nele, para compreender o seu charme discreto. Obcecado que andei sempre pela grandiosidade dos 11 ulmeiros vizinhos, nunca o reconheci devidamente na sua existência solitária.

No entanto, suspeito que seja igualmente invisível aos olhos de outros. Só assim compreendo que tenha chegado até aos dias de hoje, livre de uma qualquer poda que lhe mutilasse o porte altivo.

Que o passar dos dias o conserve discreto ao olhar de quem passa na rua e invisível a quem manda rolar os gigantes das nossas cidades.

As Dimensões

Seguem as medidas obtidas, por mim e pelo Miguel Rodrigues, para este ulmeiro:

  • O PAP que medimos foi de 3,42 m.
  • O valor obtido para a altura foi de 25 m.
  • O maior diâmetro obtido para a copa foi de 19,50 m

1 Sinónimo de Ulmus procera Salisb.
2 O Hotel de Turismo da Guarda foi projectado pelo arquitecto Vasco Regaleira, nos anos 40 do século passado.

3 Responses to “O Ulmeiro do Hotel”

  1. Miguel Rodrigues

    O que mais me espanta neste caso é o facto de, apesar de a copa já quase tocar nas janelas do hotel, ainda não lhe ter acontecido nenhuma “desgraça”. Acreditando no que de melhor há nas pessoas, será assim de enaltecer a visão e inteligência dos proprietários, por não terem inundado a Câmara Municipal com pedidos de destruição, e a própria Câmara por não ter optado por podar os ramos que mais de perto fazem companhia e sombra aos hóspedes privilegiados deste estabelecimento.

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    • Pedro Nuno Teixeira Santos

      Olá Rui,

      Apesar de ser da Covilhã, vou à Guarda com alguma frequência desde a minha infância. E, mesmo assim, levei algum tempo até reparar nesta árvore, ou seja, até lhe dar o devido valor.

      Uma possível explicação para esta “invisibilidade”, de que falo no texto, prende-se com o facto de, na zona alta da cidade, existirem outros gigantes que nos prendem a atenção, como as árvores da Quinta do Alarcão, as da cerca do antigo Sanatório Sousa Martins ou a vizinha alameda de ulmeiros das instalações da GNR, nas traseiras do TMG.

      Apesar de conhecer a página web da “Quinta da Maúnça”, nunca tinha reparado neste guia das árvores da cidade. Considero a iniciativa bastante louvável e lamento que não haja mais cidades com este tipo de iniciativas; embora em muitas cidades seja difícil implementar este tipo de projectos, dada a destruição sistemática das árvores urbanas, promovida pelas próprias autarquias.

      No entanto, fiquei algo confuso com a localização de algumas árvores no mapa. Por um lado, não aparecem árvores importantes como a alameda de ulmeiros da GNR. Por outro, a árvore designada com o número 5 (ulmeiro ou negrilho) é colocada diante da câmara…Mas será que queriam indicar este, que fica nas traseiras do hotel?!

      Cumprimentos.

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