O Ulmeiro do Hotel

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O título deste texto pode­ria muito bem ter sido O Ulmeiro Invi­sí­vel. Teria sido, por certo, uma esco­lha mais feliz do que a que aca­bou por prevalecer.

Resta escla­re­cer o porquê da dita invi­si­bi­li­dade do ulmeiro (Ulmus minor Mil­ler1) visí­vel nas ima­gens, situ­ada nas tra­sei­ras do Hotel de Turismo da Guarda2.
Em pri­meiro lugar, não estou certo se o ulmeiro é ape­nas invi­sí­vel para mim ou para todos o que pas­sam no Largo de S. Fran­cisco, no cen­tro da cidade.

A ver­dade é que levei mais de 30 anos para repa­rar ver­da­dei­ra­mente nele, para com­pre­en­der o seu charme dis­creto. Obce­cado que andei sem­pre pela gran­di­o­si­dade dos 11 ulmei­ros vizi­nhos, nunca o reco­nheci devi­da­mente na sua exis­tên­cia solitária.

No entanto, sus­peito que seja igual­mente invi­sí­vel aos olhos de outros. Só assim com­pre­endo que tenha che­gado até aos dias de hoje, livre de uma qual­quer poda que lhe muti­lasse o porte altivo.

Que o pas­sar dos dias o con­serve dis­creto ao olhar de quem passa na rua e invi­sí­vel a quem manda rolar os gigan­tes das nos­sas cidades.

As Dimen­sões

Seguem as medi­das obti­das, por mim e pelo Miguel Rodri­gues, para este ulmeiro:

  • O PAP que medi­mos foi de 3,42 m.
  • O valor obtido para a altura foi de 25 m.
  • O maior diâ­me­tro obtido para a copa foi de 19,50 m

1 Sinó­nimo de Ulmus pro­cera Salisb.
2 O Hotel de Turismo da Guarda foi pro­jec­tado pelo arqui­tecto Vasco Rega­leira, nos anos 40 do século passado.

  1. Publicado 29 de Setembro de 2009 às 11:38 | Link

    O que mais me espanta neste caso é o facto de, ape­sar de a copa já quase tocar nas jane­las do hotel, ainda não lhe ter acon­te­cido nenhuma “des­graça”. Acre­di­tando no que de melhor há nas pes­soas, será assim de enal­te­cer a visão e inte­li­gên­cia dos pro­pri­e­tá­rios, por não terem inun­dado a Câmara Muni­ci­pal com pedi­dos de des­trui­ção, e a pró­pria Câmara por não ter optado por podar os ramos que mais de perto fazem com­pa­nhia e som­bra aos hós­pe­des pri­vi­le­gi­a­dos deste estabelecimento.

  2. Rui Sousa
    Publicado 29 de Setembro de 2009 às 19:02 | Link

    Olá.

    Ape­sar de ir quase todos os fim-de-semanas à Guarda, ainda não repa­rei neste árvore…

    Já agora, apro­veito para per­gun­tar se conhece este guia:

    http://www.quintadamaunca.mun-guarda.pt/rotasnatura/trilho03.asp

    Rui Sousa

    • Publicado 30 de Setembro de 2009 às 16:26 | Link

      Olá Rui,

      Ape­sar de ser da Covi­lhã, vou à Guarda com alguma frequên­cia desde a minha infân­cia. E, mesmo assim, levei algum tempo até repa­rar nesta árvore, ou seja, até lhe dar o devido valor.

      Uma pos­sí­vel expli­ca­ção para esta “invi­si­bi­li­dade”, de que falo no texto, prende-se com o facto de, na zona alta da cidade, exis­ti­rem outros gigan­tes que nos pren­dem a aten­ção, como as árvo­res da Quinta do Alar­cão, as da cerca do antigo Sana­tó­rio Sousa Mar­tins ou a vizi­nha ala­meda de ulmei­ros das ins­ta­la­ções da GNR, nas tra­sei­ras do TMG.

      Ape­sar de conhe­cer a página web da “Quinta da Maúnça”, nunca tinha repa­rado neste guia das árvo­res da cidade. Con­si­dero a ini­ci­a­tiva bas­tante lou­vá­vel e lamento que não haja mais cida­des com este tipo de ini­ci­a­ti­vas; embora em mui­tas cida­des seja difí­cil imple­men­tar este tipo de pro­jec­tos, dada a des­trui­ção sis­te­má­tica das árvo­res urba­nas, pro­mo­vida pelas pró­prias autarquias.

      No entanto, fiquei algo con­fuso com a loca­li­za­ção de algu­mas árvo­res no mapa. Por um lado, não apa­re­cem árvo­res impor­tan­tes como a ala­meda de ulmei­ros da GNR. Por outro, a árvore desig­nada com o número 5 (ulmeiro ou negri­lho) é colo­cada diante da câmara…Mas será que que­riam indi­car este, que fica nas tra­sei­ras do hotel?!

      Cum­pri­men­tos.

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