Azinheiras da Serra

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A azinheira (Quercus rotundifolia Lam.1) seria das últimas espécies que esperaríamos encontrar na Serra da Estrela, habituados que estamos a associar esta árvore, quase em exclusivo, às planícies do Sul.

Dentro da área do Parque Natural da Serra da Estrela, os bosques de azinheira (azinhais) são pouco frequentes, surgindo em zonas de difícil acesso: vale do Zêzere (sobretudo entre Valhelhas e Vale de Amoreira2) e em vales de afluentes deste rio, como o vale das Cortes e de Beijames; ocorre ainda no vale do Mondego (entre a Senhora da Assedasse e a Quinta da Taberna) ou na Mestra Brava (próximo de Loriga)3.

No entanto, mais do que os rigores invernais ou outros factores naturais, foi a progressiva humanização da paisagem, com diversas actividades agrícolas e plantações florestais, sobretudo de pinheiro-bravo (Pinus pinaster Aiton), que fizeram rarear a presença da azinheira na paisagem serrana.

Prova da resistência da azinheira a condições adversas são os exemplares (visíveis nas imagens) que crescem perto dos 1 300 m de altitude, no troço superior do vale das Cortes.
O rigor do general Inverno nos Montes Hermínios, limita estas azinheiras a um porte arbustivo ou a pequenas árvores mas, ainda assim, não lhes limita o ar austero e imperturbável. Poucas espécies arbóreas toleram, com igual espírito de sacrifício, o frio cortante e a secura estival. É assim a azinheira…

1 Sinónimo de Quercus ilex subsp. rotundifolia.

2 Pinto da Silva, A. R. & A. N. Teles (1999). A Flora e a Vegetação da Serra da Estrela. Colecção Natureza e Paisagem 14 (3ª edição). Instituto de Conservação da Natureza. Lisboa.

3 Jansen, J. (2002). Guia Geobotânico da Serra da Estrela. Instituto de Conservação da Natureza. Lisboa.

  1. Publicado 14 de Outubro de 2009 às 14:28 | Link

    Caro Pedro,

    O teu post pôs-me a pensar sobre as anotações nos textos que se escrevem e sobre as referências a bibliografia.

    É, claro, uma mais valia poder ir buscar mais informação ou saber de onde ela vem. Mas atrapalha um pouco o correr de um texto de divulgação, a meu ver.

    Aproveito para comentar sobre este assunto porque penso terá sido uma decisão recente tua, passar a referenciar mais o que escreves.

    Gostava de saber o que te levou a fazê-lo, como fizeste o teu prós e contras.

    O post em si está óptimo, claro. E lembra a eterna guerra de como classificar a azinheira em relação à OUTRA azinheira, a Quercus ilex.

    Cumprimentos,

    RPL

    • Publicado 14 de Outubro de 2009 às 17:41 | Link

      Olá Rui Pedro,

      Essa tua obser­va­ção é curi­osa e, mais do que tudo, bas­tante per­ti­nente e inte­res­sante de ser discutida.

      Ape­sar do aspecto menos posi­tivo que refe­res, acho que são mais as van­ta­gens. No entanto, con­fesso que tam­bém sou daque­les que embirra um pouco, em tex­tos cien­tí­fi­cos ou mesmo em roman­ces, com um abu­sivo pro­li­fe­rar de notas que nos obri­gam a uma cons­tante inter­rup­ção da leitura.

      Con­si­dero que ainda estou a apren­der sobre qual o melhor cri­té­rio a adop­tar. Mas, neste caso em con­creto, penso que a infor­ma­ção se impu­nha por­que efec­ti­va­mente aque­les dados não resul­tam de obser­va­ções minhas, ou de um conhe­ci­mento pré­vio que pudesse ter, mas da con­sulta das obras citadas.

      Acima de tudo, como con­cor­da­rás, acho que se deve ape­nas citar a bibli­o­gra­fia con­sul­tada espe­ci­fi­ca­mente para escre­ver um deter­mi­nado texto e que, adi­ci­o­nal­mente, con­si­de­re­mos útil caso os lei­to­res quei­ram ampliar os seus conhe­ci­men­tos sobre o assunto em causa. Neste caso, não ape­nas sobre a dis­tri­bui­ção da azi­nheira na Serra da Estrela, mas sobre o con­junto da flora deste impor­tante espaço natu­ral do nosso país.

      De resto, guer­ras taxo­nó­mi­cas à parte, este texto pre­tende ser um con­tri­buto, modesto é certo, para que as pes­soas conhe­çam um pouco melhor a capa­ci­dade de resis­tir a con­di­ções tão adver­sas, que carac­te­riza a azinheira.

      Abraço.

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