Podas Radicais na Aldeia das Açoteias

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No passado dia 4 de Outubro, a Árvores de Portugal foi contactada por um morador da Aldeia das Açoteias, Olhos d’Água, Albufeira, o senhor António Mesquita. O motivo do seu contacto era a sua indignação perante a poda drástica de dois plátanos (Platanus orientalis L. var. acerifolia Aiton) do aldeamento, levada a cabo pelos jardineiros da Associação de Proprietários da Aldeia das Açoteias.

Uma das árvores estava irremediavelmente perdida, dada a rolagem levada a cabo, a qual amputou todos os ramos e boa parte do tronco. Desfigurada, perdeu qualquer semelhança com uma árvore, assemelhando-se mais a um totem grotesco, colocado quase à entrada deste aldeamento histórico para a cidade de Albufeira.

A outra árvore, mais perto da piscina, também sofreu cortes drásticos mas foi salva in extremis pelo Senhor Eng.º Rómulo da Silva, também morador neste espaço, que impediu que a acção fosse consumada. Felizmente, a respectiva formação em Agronomia dá-lhe a autoridade suficiente para que a sua opinião técnica seja levada em conta.

Depois de várias diferenças de opinião entre estes moradores e a Associação de Proprietários, o senhor António Mesquita, para além de colocar informação retirada da internet sobre as podas aconselhadas para esta espécie, contactou vários blogues e entidades relacionadas com as árvores e o ambiente, entre eles A Sombra Verde, da responsabilidade do Pedro Santos. Foi deste modo que ficámos a saber desta triste situação, tendo-me então deslocado ao local.

Impressionante!

Querendo obter diferentes opiniões comecei por falar com membros da Direcção da Associação de Proprietários. Na ausência do senhor Presidente (que ocupa este cargo há apenas alguns meses), falei com a senhora Vice-Presidente que, muito amavelmente, me esclareceu alguns pontos. Assim, confirma-se que a intervenção nas árvores foi ordenada pela direcção da Associação, sendo executada pelos jardineiros desta instituição que, usualmente, fazem a manutenção do espaço.

A justificação avançada foi, para o caso do plátano maior e que foi mais mal tratado, o facto de os seus ramos estarem inclinados por cima de uma vivenda e a ramagem, aparentemente, estar “muito pesada”. Relativamente ao plátano da piscina, o que incomoda são as folhas que ininterruptamente caem na água e entopem os filtros. Aparentemente, está prevista a continuação das intervenções neste último plátano (cuja poda foi oportunamente interrompida) e em outras árvores ao redor. Estão também planeadas algumas intervenções nas ramagens de vários pinheiros.

Dada a receptividade da senhora Vice-Presidente, aproveitei para deixar a sugestão de que, no futuro e para próximas acções deste tipo, recorram à opinião de peritos em arboricultura, em vez de seguir o exemplo que se vê pelas ruas dos municípios portugueses.

Segundo os moradores acima referidos, foram ainda avançadas outras justificações para cortar mais árvores, incluindo um pinheiro, com a justificação de que a caruma entope um algeroz. Segundo a sua opinião, vários moradores se mostraram revoltados com esta acção, facto que confirmei pessoalmente em conversa com algumas pessoas residentes neste que é o mais antigo aldeamento turístico do concelho.

Este é um aldeamento cujos preços superam largamente os praticados no resto do concelho. Uma vez que se trata de construção antiga, resta inferir que este facto se deve às condições privilegiadas de arborização que possui, quer oferecida pelos restos do pinhal original, quer pelas árvores entretanto plantadas ao longo dos anos. Destruindo esta mais-valia, qual é o atractivo especial que restará na famosa Aldeia das Açoteias?

A apreciação que fazemos deste caso é simples: uma vez mais são as árvores as responsáveis por todos os nossos problemas. Assim sendo, devem ser elas e sempre elas a pagar o preço do nosso conforto e comodismo ou da falta de vontade de encontrar soluções (aliás sugeridas por alguns moradores). Afirmamos apenas que nos parece, no mínimo, simplista a solução encontrada.
Coloca-se ainda a seguinte questão: porquê, depois de tantos anos e várias intervenções notórias nestas duas árvores, só agora foi imprescindível uma acção tão drástica e destruidora? Não se deverá esquecer que uma intervenção como esta fragiliza gravemente a estrutura da árvore e dos ramos que vierem a crescer, pondo em risco pessoas e bens. Parece, assim, traçada a triste sina deste majestoso ser vivo que, ainda há pouco tempo, protegia os seus vizinhos do escaldante sol do Algarve. Culpada de os seus ramos crescerem e as suas folhas caírem, foi sumariamente julgada e condenada à aviltação e a uma morte prematura.

Por outro lado, defendemos que, caso se provasse que não havia outra solução viável, seria sempre preferível o corte da árvore, em vez do triste espectáculo de a ver transformada num monstro. Acresce ainda a futura insegurança de quantos estiverem sob os seus futuros frágeis ramos. Reafirmamos, contudo, a nossa convicção de que não deverá ser feita qualquer outra intervenção nestes exemplares, sem a opinião de um técnico credenciado em arboricultura, não nos referindo com isto aos jardineiros e técnicos camarários que espalham esta contra-cultura por todo o país.

Chamamos a atenção para esta situação, da mesma forma como poderíamos fazê-lo para uma miríade de casos semelhantes que grassam pelo país fora, para dar um exemplo daquilo que não deve ser feito e que nos propomos ajudar a evitar no futuro, tentando sempre agir de forma pedagógica e construtiva (sempre que não seja possível uma acção preventiva), e não apenas crítica.

Estamos ainda a aguardar o contacto do senhor Presidente, para que possa esclarecer alguns pontos ou apenas dar a sua opinião sobre este assunto. De qualquer forma, convidamo-lo, como a todas as pessoas, a comentar este artigo e, se for o caso, a acrescentar as informações que achar úteis. Da mesma forma, colocamo-nos à disposição da Associação de Proprietários da Aldeia das Açoteias para aquilo que necessitar, dentro das nossas possibilidades e no que refere às árvores do espaço que está incumbida de gerir.

  1. Rómulo da Silva
    Publicado 16 de Outubro de 2009 às 11:15 | Link

    Obrigado pela atenção que dedicaram ao nosso caso. Dir-se-há que uma árvore entre perto de mil que a Aldeia tem, não justifica tanta preiocupação. O problema não é tanto o plátano cortado, mas a mentalidade da actual Administração da Associação de Proprietários que parece sofrer de uma espécie de fobia em relação às árvores.
    Qualquer pretexto serve para derrubar uma árvore com mais de cem anos de existência:
    – Se uma árvore tem uma ramada perto dum telhado, não se estuda a redução equilibrada da copa, suprime-se a árvore;
    – Se as folhas de outra entopem os “skimers” da piscina (não os filtros da bomba), não se cobre a piscina com uma rede, suprime-se a árvore;
    – Se outra ainda está com uma inclinação que se julga perigosa, não se reduz a copa nem se escora o tronco, suprime-se a árvore;
    – Se é preciso limpar os pinheiros, está “limpeza” é feita duma maneira drástica, deixando só as ramadas terminais. Os pinheiros ficam assim a parecer a armação dum veado com uns pompons na ponta.
    A minha maior preocupação não é pois o mal já feito, mas aquilo que esta Administração é capaz de vir a fazer.
    Rómulo da Silva

    • Publicado 16 de Outubro de 2009 às 14:37 | Link

      De facto são motivos bem fúteis para abater ou arruinar uma árvore. E arruinado está o primeiro plátano, que na minha opinião devia agora ser removido. É um grotesco cartão de visita.
      Se a administração se vai virar para os pinheiros, será uma pena porque são árvores que não irão nunca recuperar harmoniosamente.
      Sendo um local onde os estrangeiros são presença assídua e se a administração não é sensível a todos os argumentos estéticos, ambientais e energéticos que justificam a boa manutenção das árvores, talvez entenda que com esta política irá reduzir o valor de mercado da Aldeia das Açoteias, prejudicando objectivamente todos os proprietários. Pelo menos é o que aconteceria no Reino Unido ou EUA, se não for assim cá, é um sinal de atraso imobiliário — mas creio que não, porque todos os promotores salientam meia-dúzia de metros quadrados de espaço verde que qualquer prédio ou construção tenha.
      A arborização madura na Aldeia das Açoteias contribuiu para o valor objectivo da propriedade. Há uma série de artigos na internet sobre o assunto. Lembro-me que já li que pode chegar aos 18% de valorização no Reino Unido. Se calhar cá não é diferente, as árvores também demoram uma geração a crescer.

      • António Mesquita
        Publicado 16 de Outubro de 2009 às 22:32 | Link

        Venho desta forma prestar o meu agradecimento ao Sr. Miguel Rodrigues, pela atenção e celeridade, com que se prontificou na abordagem desta situação. Penso que é bastante importante este tipo e acção, e fico bastante contente, haver alguém que partilhe da mesma sensibilidade ambiental.
        Acima de tudo espero que esta mesma situação sirva de alguma forma, para incutir nas pessoas envolvidas, alguma preocupação e atenção em relação ao meio Ambiente, e que tomem tudo isto, como pedagógico.
        Também espero que a Administração da Associação da Aldeia passe a ouvir e a respeitar mais as opiniões dos moradores, pois porque para mim associação é, uma organização resultante da reunião de opiniões entre pessoas, com ou sem personalidade jurídica, para a realização de um objectivo comum, e não por si só, a opinião do Presidente e vice Presidente da referida Associação.
        Além disso poderiam sempre ter consultado o Sr. Rómulo que é qualificado em engenharia agronómica, antes de fazer tal barbaridade, acto que revela grande ignorância e falta orientação estética e paisagística.
        António Mesquita

    • Publicado 17 de Outubro de 2009 às 14:15 | Link

      O homem que é insen­sí­vel ou indi­fe­rente à poe­sia, à música ou à pin­tura é um homem ensur­de­cido no seu ser e dimi­nuído na sua exis­tên­cia. Um homem muti­lado, anor­mal e temí­vel. É o des­trui­dor da alegria.

      Às pala­vras de Sophia de Mello Brey­ner Andre­sen apetece-me acres­cen­tar: ” O homem que é insen­sí­vel ou indi­fe­rente às árvo­res”. O ver­da­deiro dendroclasta!

      Como o enge­nheiro Rómulo nota, e bem, só uma den­dro­fo­bia cega pode expli­car que se mutile uma árvore por­que as suas folhas caem na pis­cina, quando para tal bas­ta­ria com­prar uma rede.

      E as podas drás­ti­cas dos pinheiros-mansos que refere, e que são prá­tica comum em mui­tas zonas do lito­ral algar­vio, urgem ser denun­ci­a­das e corrigidas.

      Força aos homens jus­tos da Aldeia das Aço­teias que lutam pelo seu direito à paisagem.

      P.S.- Dada a dimi­nui­ção dos níveis de ensom­bra­mento que as casas, na vizi­nhança des­tas árvo­res, irão sofrer, per­gunto se o Sr. Pre­si­dente e a Sr.ª Vice-Presidente da Asso­ci­a­ção de Pro­pri­e­tá­rios da Aldeia das Aço­teias, esta­rão na dis­po­si­ção de com­par­ti­ci­par nos cus­tos com os gas­tos dos apa­re­lhos de ar condicionado (?)

  2. Alice Garrido
    Publicado 17 de Outubro de 2009 às 0:01 | Link

    Ainda bem que já não vivo aí.Por vontade de muita gente as árvores seriam de betão!Há gente que nasce podada:-do cérebro.Se não sabem executar o trabalho,porque não se informam ou não contractam quem o saiba fazer.Fujam árvores,que os treekilers andam aí……!!!!!

  3. Fernando Moura
    Publicado 17 de Outubro de 2009 às 16:47 | Link

    S.O.S AÇOTEIAS
    Desejo essencialmente acentuar que não basta as pessoas inteligentes e sensíveis lamentarem-se. Contra a estupidez e a insensibilidade ao serviço da ganância, do lucro a qualquer preço, com base na destruição da natureza em prol do betão lucrativo – POIS É DISTO QUE VERDADEIRAMENTE SE TRATA – só há uma palavra possível: esta direcção não pode continuar.
    A inconsistência dos argumentos aduzidos pela vice-presidente da direcção para o crime que está a ser cometido reforça a idéia que se está a formar junto de muitos dos proprietários da Aldeia das Açoteias: de que tudo obedece a uma estratégia de criação de condições favoráveis à implementação do projecto de construção de um número elevado de apartamentos, por parte da empresa MAXIRENT, proprietária de alguma edificações na Aldeia, designada-mente a piscina, o que implica a destruição de parte do espaço arborizado e, inclusive, de outras zonas que são públicas
    Receamos ainda, dado que a mesma é tb. proprietária da antiga sala de jogos,onde prevê, no seu projecto, a construção de mais apartamentos, que o crime se estenda à destruição de pinheiros existentes nesse local para construção de estradas e estacionamentos.
    Temos conhecimento de que o presidente da associação, à revelia dos proprietários, é favorável a este projecto. SABE-SE LÁ PORQUÊ!
    Muitos proprietários têm vindo a fazer sentir o seu protesto junto da Câmara Municipal de Albufeira, que tem poderes para chumbar o projecto, pois já o fez duas vezes. Esperamos que todos vós se solidarizem, pois só a força que resultar da nossa união poderá impedir maiores prejuízos.
    Apoiem este movimento e propaguem-no.
    É necessário defender a ALdeia das Açoteias, a sua beleza, o seu micro-clima,
    as suas árvores centenárias, o seu património constituido como memória de uma comunidade que se reconhece nos espaços e nas experiências vividas que constituem o enraizamento a um lugar e à formação de uma identidade.
    Não podemos permiti-lo.
    Fernando Moura (proprietário na Aldeia)

    ATENÇÃO – Consultar YouTube – ALERTA ALBUFEIRA (ALDEIA DAS AÇOTEIAS)

    • Publicado 17 de Outubro de 2009 às 22:29 | Link

      Impressionou-me o vídeo pois algumas imagens mostram o plátano da piscina e outras foram obtidas sob a sua vasta copa. Não admira que os moradores se revoltem contra o sucedido.
      Por outro lado, o vídeo serve para dar uma pequena ideia do grau de arborização do aldeamento, árvores estas que parecem estar agora ameaçadas.
      A Aldeia das Açoteias está, hoje, numa posição privilegiada e tem a oportunidade de dar um exemplo a todo o país, segundo a opção que vier a fazer: valorizar o espaço, empenhando-se em manter saudável a sua maior riqueza, ou desprezar o património que torna este aldeamento único.
      Reafirmamos que, no que estiver ao nosso alcance, estamos ao dispor de moradores, proprietários ou Direcção da Associação para ajudar a manter a sombra destas árvores.

  4. João Pato
    Publicado 19 de Outubro de 2009 às 12:23 | Link

    Faço das minhas palavras as do Sr. Romulo, coitadas das árvores que não têm pernas para fugir desta gente….
    Joao Pato

  5. António Mesquita
    Publicado 22 de Outubro de 2009 às 14:19 | Link

    As folhas dos plátanos desprendem-se e lançam-se
    na aventura do espaço,
    e os olhos de uma pobre criatura
    comovidos as seguem.
    São belas as folhas dos plátanos
    quando caem, nas tardes de Novembro,
    contra o fundo de um céu desgrenhado e sangrento.
    Ondulam como os braços da preguiça
    no indolente bocejo.
    Sobem e descem, baloiçam-se e repousam,
    traçam erres e esses, ciclóides e volutas,
    no espaço escrevem com o pecíolo breve,
    numa caligrafia requintada,
    o nome que se pensa,
    e seguem e regressam,
    dedilhando em compassos sonolentos
    a música outonal do entardecer.

    São belas as folhas dos plátanos espalhadas no chão.
    Eram verdes e lisas no apogeu
    da sua juventude em clorofila,
    mas agora, no outono de si mesmas,
    o velho citoplasma, queimado e exausto pela luz do Sol,
    deixou-se trespassar por afiados ácidos.
    A verde clorofila, perdido o seu magnésio,
    vestiu-se de burel,
    de um tom que não é cor,
    nem se sabe dizer que nome tenha,
    a não ser o seu próprio,
    folha seca de plátano.
    A secura do Sol causticou-a de rugas,
    um castanho mais denso acentuou-lhe os nervos,
    e esta real e pobre criatura,
    vendo o Sol coberto de folhas outonais
    medita no malogro das coisas que a rodeiam:
    dá-lhes o tom a ausência de magnésio;
    os olhos, a beleza.

    António Gedeão, Poemas Póstumos,
    Lisboa, Edições João Sá da Costa, 1983

  6. Pedro Arrabaça
    Publicado 22 de Outubro de 2009 às 23:00 | Link

    Gosto desse argumento do valor imobiliário das propriedades com árvores maduras. Provavelmente, os amantes de árvores terão muito mais sucesso se, após espectáculos como este, em vez de “seu bárbaro assassino de árvores que podiam ser suas avós”, gritarem antes “seu bárbaro perdulário que acaba de motoserrar 100.000,00 euros do valor do seu imóvel”.

  7. Fernando Moura
    Publicado 26 de Outubro de 2009 às 8:09 | Link

    O presente blogue surgiu como meio para diferentes pessoas manifestarem a sua indignação contra a barbárie representada por aqueles que atacam indiscriminadamente as árvores. De acordo com esta sensibilidade, tem recebido participações diversas, que contribuem para o seu enriquecimento – poesia, prosa bem construída, enfim -. Porém, como todos os blogues, ele é vulnerável a outro tipo de visitas, pois, como sistema aberto com um suporte informático, não deixa de ser permeável à penetração de vírus de diversas estirpes.
    Os vírus são agentes infecciosos que atacam os organismos vivos, designadamente as árvores, e as suas mutações são imprevisíveis, pelo que, admitamos, podem assumir uma forma que os confunde com o género humano.
    Os vírus que inopinadamente entraram no nosso blogue possuem uma natureza peculiar. Pertencem a um tipo na maioria dos casos oriundo de um ambiente de cimento, pétreo, migrando depois para zonas arborizadas. Basicamente responde a estímulos como o dinheiro, pois, estupidamente, só conhecem das coisas o seu valor económico.
    Possui também, como todas as entidades parasitas, a necessidade de um hospedeiro onde se alojar. Mas aqui não deixo de me surpreender. Os pobres de espírito, medíocres e estreitos de visão, frequentadores certamente de lugares que correspondem ao seu nível, sentem-se normalmente mal onde a sensibilidade e o bom gosto são notas dominantes. Sentem-se mal e embaraçados. Não entram. É possível detectar neles um mínimo de qualidade perceptiva.
    Não é porém este o caso destes que agora nos visitaram, que obviamente se situam abaixo deste limiar, pois a sua percepção das árvores, selectiva como todas as percepções, se expressa grosseiramente, vislumbrando apenas nas mesmas o seu valor monetário,
    Fernando Moura

    • Publicado 26 de Outubro de 2009 às 14:52 | Link

      Caro senhor Fernando Moura, ou não se percebe o que diz, ou o senhor não entendeu minimamente os comentários que refere, pelo que seria avisado uma leitura mais atenta.
      O valor monetário e objectivo das árvores é mais um argumento, a somar aos outros. Nem é menos um argumento, nem subtrai aos outros.
      A Norma Granada existe (e outras diferentes, com parâmetros diferentes) e foi uma evolução importante. Tive o cuidado de deixar um link para a Wikipedia que explica o que é. Por outras palavras, se a administração não é sensível a mais nada, talvez entenda que está a destruir património que se traduz em valor monetário das árvores e das propriedades. Não se entende em que é que isto prejudica a sua própria argumentação e defesa do património arbóreo da sua aldeia.
      Quantos os vírus e ao nível, sendo eu próprio e o Miguel Rodrigues do grupo inicial fundador e o Pedro Arrabaça um digníssimo colaborador do qual pode ler por exemplo o recente “Um Bosque Nas Traseiras“, pode-se dizer que mais que à vontade, estamos integrados. Se fosse eu, evitava falar de qualidades perceptivas.

  8. Ribeiro
    Publicado 27 de Outubro de 2009 às 22:55 | Link

    caros comentadores, do que conheço da vossa aldeia bem posso dizer que bem estava a nessecitar de uma boa limpeza no que diz respeito às arvores. Vós que não habitaram noutro local, ou não conhecem minimamente os «viros» a que se refere o sr Fernando Moura não podem falar minimamente do que não conhecem, por isso pensem bem antes de escrever ou tentar insultar quem quer que seja, pois muitos dos pensamentos e opiniões que vêm publicar é que sertamente deveriam de levar uma boa limpeza. C.Ribeiro

    • Publicado 27 de Outubro de 2009 às 23:32 | Link

      Caro senhor Ribeiro

      Ficamos todos sem perceber que autoridade técnica o senhor possuirá para afirmar, com tal autoridade, que as árvores deste espaço necessitam de uma “limpeza”, nem o que entende por este termo.

      Para esclarecimento dos nossos leitores, gostaríamos de saber se é ou foi proprietário ou morador neste aldeamento e se conhece suficientemente bem este espaço para emitir esta sua opinião.

  9. Fernando Moura
    Publicado 28 de Outubro de 2009 às 9:02 | Link

    Ainda a forma como as pessoas abordam a questão da destruição das árvores.
    José Rui Fernandes defende que não entendi o que ele escreveu.
    Repare, caro senhor.O juízo desfavorável não foi só meu, o que significa a validação da interpretação que fiz.
    Caso contrário, como entender o comentário que Miguel Rodrigues escreveu imediatamente após o seu, ( “Infelizmente, esta é a triste linguagem que estas pessoas entendem…”.) ?
    Afinal, quem é que não percebe o que, objectivamente, é dito no blogue?
    Relativamente ao comentário de C.Ribeiro, pouco há a dizer.
    Saberá ele qual a diferença existente entre tratar as árvores conforme convém – o que significa preservar a sua beleza e reconhecer a sua importância para o micro-clima existente nas Açoteias – e destrui-las selvática e estupidamente ( se calhar aquilo a que chamou “limpeza” ), indiferente aos valores que aqui referi?
    A forma como escreve parece não deixar muitas dúvidas.
    Fernando Moura

  10. Publicado 28 de Outubro de 2009 às 12:46 | Link

    Para esclarecer mal entendidos.

    É óbvio que as árvores possuem um valor económico que deve ser conhecido (ver a Norma de Granada e outras). É também óbvio que as mesmas árvores possuem um valor intrínseco, quer pelo que nos proporcionam quer pelo seu valor genético.

    A minha luta pela protecção das árvores prende-se com ambos estes valores, pois defendo que, para além de belos, estes seres nos podem dar muito.

    Infelizmente, algumas pessoas apenas são capazes de entender o valor económico das coisas. Assim, e apenas relativamente a este segmento (infelizmente grande) da população, vemo-nos forçados a recorrer simples a argumentos economicistas, o que não me repugna desde que isto permita salvar árvores. Talvez, com tempo e muito trabalho, as mentalidades vão mudando. Entretanto, recorremos ao que podemos.

    Assim, o comentário que fiz tentava explicar somente isto. Dado que o sr. Fernando Moura escreveu, relativamente aos tais “vírus”, “vis­lum­brando ape­nas nas mes­mas o seu valor mone­tá­rio” (repare-se no “apenas”), excluo-me automaticamente desta sua classificação, bem como ao Rui e ao Pedro Arrabaça, que defendem pontos de vista semelhantes ao meu.

  11. Fernando Carneiro
    Publicado 4 de Abril de 2010 às 17:05 | Link

    Embora concorde com algumas criticas/medidas propostas, há um facto que, como proprietário e assíduo utilizador da Aldeia não posso deixar de referir: Na sua grande maioria as opiniões emitidas (e o seu objecto) são, acima de tudo, um pretexto para “refrega” pessoal. Num espaço que se deseja sempre melhorado em benefício DE TODOS o EU e meus interesses pessoais não têm cabimento.
    Infelizmente é a sociedade que ainda sobrevive a tempos passados ou, passadistas. E, neste caso, a tão útil, agradável e amiga ÀRVORE está a ser indevidamente utilizada.

    • Publicado 6 de Abril de 2010 às 17:56 | Link

      Caro Fernando

      O texto foi escrito apenas na defesa das árvores e das pessoas que delas deveriam poder usufruir. Infelizmente, e como muito bem diz, num espaço como este os interesses colectivos deveriam estar acima dos interesses pessoais. Neste caso, o interesse colectivo não foi, de forma alguma, salvaguardado. Árvores como estas eram uma riqueza e uma mais valia a vários níveis (incluindo ao nível económico e da saúde e bem estar) para todos os moradores. Quanto a interesses pessoais que motivassem a destruição deste património do aldeamento, desconheço. Aliás, nem é nossa intenção saber ou aprofundar as causa da mesma, simplesmente gostaríamos que se acabasse de vez com estas acções, aqui como no resto do concelho e do país.

      Quando refere que se pretende que o espaço seja sempre melhorado em benefício das pessoas, eu acrescentaria que o dano feito a estas árvores e aquele que possa vir a ser feito a outras no futuro, não beneficia em nada, absolutamente em nada, os residentes na Aldeia das Açoteias. A minha sugestão para melhorar o espaço seria: plantem mais árvores, criteriosamente escolhidas e nos locais apropriados, e tratem melhor das que já possuem. Poderão sempre contar com a Árvores de Portugal para ajudar naquilo que pudermos.

  12. Antonio Mesquita
    Publicado 5 de Abril de 2010 às 20:38 | Link

    Boa Tarde, vejo afinal, que toda a minha preocupação em relação á mutilação dos respectivos Plátanos, suscitou o interesse por parte de outros proprietários e arrendatários e que não se tratava apenas de um capricho meu, ou uma observação despropositada como me foi dito pelos responsáveis pela Ass. de Proprietários da Aldeia das Açoteias. Aproveito também dizer, (isto no sentido de actualizar informação em relação ao estado dos Plátanos), que estes encontram-se com o mesmo aspecto aquando vítimas da poda drástica, (com excepção do exemplar na segunda foto, que após tal polémica ainda tiveram a coragem de cortar toda a área verde que se encontrava no mesmo) e não geraram rebentos novos como seria de esperar nesta época de desenvolvimento vegetativo. Dada esta situação, tenho agora uma dúvida. O que será melhor, cortar os mesmos pela raiz ou simplesmente deixa-los lá, como símbolo da ignorância ou falta de vontade de saber. Em relação ao comentário de o Sr. Carlos Ribeiro “sertamente” se pode perceber a forma catártica como foi redigido e que denota a quantidade de pessoas afectadas pelo referido “viros”. Este vírus sim deveria levar uma boa limpeza.

  13. Fernando Carneiro
    Publicado 26 de Abril de 2010 às 15:40 | Link

    Milagre !!! então não é que estão a despontar vários rebentos nos plátanos ! (será má notícia para alguém?).
    Já agora, Sr.Miguel Rodrigues, agradeço a sua colaboração e, não duvido das suas boas intenções. Pela minha parte garanto que darei toda a contribuição para aumentar o nível florestal da Aldeia. Já quanto a algumas opiniões tenho sérias dúvidas que o objectivo seja o mesmo.

    • Publicado 26 de Abril de 2010 às 16:35 | Link

      Caro Fernando
      Obrigado pelo comentário. Não tem que agradecer, este é o papel que nos propusemos desempenhar e que esperamos estar à altura de o conseguir.

      O facto de os pobres plátanos estarem a emitir alguns rebentos novos, seria já de esperar, uma vez que se trata de uma espécie bastante resistente. No entanto, não nos iludamos com a sua recuperação. O dano feito a estas árvores foi muito grande e nunca mais recuperarão a sua forma natural. Para além disso, a inserção destes novos ramos é muito mais frágil, pelo que não será de estranhar se alguma vez tiverem que ser novamente podados para evitar acidentes. Foi apenas isto que se conseguiu com esta intervenção: reduzir o valor do espaço, aumentar as despesas com a manutenção das árvores e diminuir a segurança das pessoas.

  14. Pascoal Santos
    Publicado 2 de Agosto de 2010 às 18:15 | Link

    Porque é que desde Abril não houve mais comentários sobre este Blog? Será porque ninguém estava à espera do mais natural? As árvores não rebentaram por milagre, milagre é sim a natureza.
    Quem mandou fazer a limpeza dos Plátanos tinha plena consciencia do que estava a fazer. Sabia, por experiência, que os mesmos rebentariam no início da primavera, não era a primeira vez que o estava a fazer e certamente também não será a última.
    Mais uma vez aprendemos que: NÃO DEVEMOS FALAR OU COMENTAR SOBRE ASSUNTOS QUE NÃO TEMOS CONHECIMENTO…

    • Publicado 2 de Agosto de 2010 às 19:21 | Link

      O senhor chama “o mais natural”, uma rolagem completamente desastrada e ignorante, porque os plátanos rebentaram? Caro senhor, quem disse aqui que não rebentariam? A seguir corte-os pela base e eles voltam a rebentar.
      Quem mandou “fazer a limpeza” como eufemisticamente apelida esta barbaridade, destruiu as árvores e transformou-as em tocos. Não foi a primeira vez e muito menos a última, por isso está o patrimóneo arbóreo do país no estado que aqui se vai denunciando.
      Aproveito para informá-lo, que a resistência mecânica destes ramos que agora se vão formar é muito menor que numa árvore bem tratada e por quem sabe. Quando um cair na cabeça de alguém, culpe os plátanos. Leve os seus milagres para longe.

    • Publicado 2 de Agosto de 2010 às 21:22 | Link

      Caro Pascoal Santos,

      Começo por lhe dizer que lamento profundamente que quem fez este acto execrável aos plátanos da aldeia das Açoteias, já seja reincidente neste terrorismo arbóreo e, mais ainda, que tenha vontade (e poder) para o voltar a fazer.

      De facto, há apenas uma coisa mais difícil de erradicar do que um plátano, a arrogância de quem persiste em práticas erróneas, recusando-se a aprender e a evoluir, tão só e apenas porque sempre se fez assim…

      Aconselhava-se um pouco mais de modéstia. Por exemplo, não necessita de escrever as frases em letras maiúsculas; não intimida ninguém, não demonstra ter mais razão, apenas sublinha que não possui outros argumentos.

      Mas, já que falou em autoridade para falar de árvores e das práticas bárbaras e terceiro-mundistas, como as rolagens que tanto aplaude nas Açoteias, aconselho-o a ler o que sobre este assunto, escreveu:

      - Sociedade Americana de Arboricultura. (A menos, claro, que os “técnicos em plátanos da aldeia das Açoteias” saibam mais sobre o assunto, do que as dezenas de técnicos de uma das mais credenciadas instituições internacionais do sector.)
      - Francisco Coimbra, arboricultor e ex-Vice-Presidente da Sociedade Portuguesa de Arboricultura. (A menos, claro, que os “técnicos em plátanos da aldeia das Açoteias” saibam mais sobre o assunto, do que um arboricultor profissional que trabalha há anos, precisamente porque tem formação para tal, na manutenção de árvores ornamentais.)
      - Ou, por último, pode ainda ler este texto do falecido engenheiro Vieira Natividade, publicado há mais de 50 anos mas, infelizmente, sempre actual (A menos, claro, que os “técnicos em plátanos da aldeia das Açoteias” saibam mais sobre o assunto, do que aquele que foi um dos maiores nomes da ciência florestal portuguesa do século passado).

      Como vê, basta ter vontade de aprender, para encontrar inúmeras publicações que demonstram, preto no branco, o erro das práticas de que os senhores tanto se orgulham. Nunca é tarde para aprender, o Sr. Pascoal Santos ainda vai a tempo, isto, supondo, que lhe interessa defender o património arbóreo de Portugal.

      Com os melhores cumprimentos,

      Pedro Santos.

      P.S. – A Associação Árvores de Portugal agradece-lhe ter-nos reavivado a memória para este assunto. Em Setembro, por certo, arranjaremos tempo para aí voltar e podermos mostrar a todo o país, os “maravilhosos plátanos” que nasceram de tão “profissional e sábia” intervenção. Por certo, irão deslumbrar-nos com a sua beleza e a sua sombra e fazer-nos esquecer os “horríveis plátanos” que subsistem neste país, como estes de Ponte de Lima, que nunca tiveram a “sorte” de ser rolados!

    • Publicado 3 de Agosto de 2010 às 3:02 | Link

      Aparentemente, depois da informação que o Pedro disponibilizou acima (e muita mais para quem quer realmente fundamentar o que diz e escreve), o senhor Pascoal Santos tropeçou e caiu precisamente naquilo que critica em letras maiúsculas: “NÃO DEVEMOS FALAR OU COMENTAR SOBRE ASSUNTOS QUE NÃO TEMOS CONHECIMENTO…”

      Mas podemos felicitar quem ordenou semelhante intervenção. Agora vai haver muito menos folhas para limpar, muito mais calor e insolação durante o Estio, possivelmente menos valor nas casas do aldeamento e, claro, maior insegurança para pessoas e bens, devido à conhecida fragilidade dos novos ramos de que o senhor Pascoal tanto se orgulha.

      É o método científico à portuguesa: as árvores dão folhas? Só pode ser porque estão saudáveis.

  15. Fernando Carneiro
    Publicado 6 de Maio de 2011 às 13:36 | Link

    O meu primeiro comentário sobre este assunto bateu certo. A vida continua as àrvores ESTÃO DE PÉ, resistem aos problemas “individuais”, a vida continua, o espaço está cada vez melhor, enfim, o objectivo central não pegou porque… a natureza assim não quiz. Já a outra natureza, a humana, infelizmente é o que se vai vendo…

    • Publicado 6 de Maio de 2011 às 22:27 | Link

      Caro Fernando Carneiro,

      Ninguém aqui afirmou, pelo menos no que concerne a membros da Árvores de Portugal, que a rolagem de árvores ornamentais conduz, automaticamente, à sua morte nos meses seguintes. O que não invalida casos em que tal possa acontecer, inclusivamente com plátanos (espécie particularmente resistente às podas radicais). Eu conheço várias situações em que tal aconteceu, pode ver um exemplo desses através da seguinte hiperligação: http://sombra-verde.blogspot.com/2007/07/todas-as-histrias-tm-um-fim.html

      O que aqui foi escrito e defendido pelos membros da Árvores de Portugal foi o seguinte:

      - As podas, tal como foram executadas neste caso, não têm qualquer justificação técnica, são grosseiras e apresentam, no imediato e a prazo, diversos problemas para as árvores, a saber:
      a) Ao perderem a forma natural, as árvores perdem valor estético (pormenor importante numa árvore ornamental), o que se estivéssemos num país civilizado, que não estamos, contribuiria, inclusivamente, para diminuir o valor patrimonial de toda a propriedade. Ou, explicado de outra forma, na Europa do Norte ou na América da Norte, a presença de árvores (de árvores a sério) valoriza o valor comercial das casas.
      b) A rolagem contribui para diminuição da longevidade da árvore, com implicações monetárias a médio/longo prazo, uma vez que antecipa a necessidade de substituir essas árvores por novos exemplares.
      c) A rolagem contribui para debilitar a árvore, aumentando a probabilidade de ocorrerem quedas de ramos, por exemplo. O que põe em causa a segurança de pessoas e bens.
      d) A poda radical é cara porque, uma vez iniciado o processo de rolagem, porque este dá origem a ramos frágeis e desordenados, obriga a que se tenha que intervir ciclicamente na árvore (com todos os custos iniciados).

      Uma vez que, por norma, muitos portugueses valorizam mais a opinião de peritos estrangeiros, do que a de peritos nacionais, deixo-lhe a hiperligação para uma página da International Society of Arboriculture, na qual, de forma sucinta, se explica por que é errado podar de forma radical as árvores ornamentais: http://www.treesaregood.com/treecare/topping.aspx

      P.S. – Se tiver curiosidade, aconselho-o a que visualize o que acontece aos plátanos após várias destas podas: http://www.arvoresdeportugal.net/2011/04/monstruosidades-urbanas-e-hipocrisias/

      Se, por oposição, quiser ver o aspecto de plátanos que nunca foram rolados, delicie-se com a alameda de Ponte de Lima: http://sombra-verde.blogspot.com/2010/08/um-sonho-de-alameda.html

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