A Araucária

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A arte é das mais nobres for­mas de repre­sen­ta­ção da rea­li­dade. No qua­dro em expo­si­ção, obra do pin­tor Luís Fur­tado, há uma rari­dade entre­posta entre o fim das velhas nobres casas da antiga vila Lou­le­tana e o fio do hori­zonte, que é impos­sí­vel esca­par ao olhar de um obser­va­dor mais atento e amante do mundo da natu­reza e da vida de todos nós.

Tratava-se da mais pre­ci­osa dádiva que Deus con­ce­deu a todos os Lou­le­ta­nos. Uma arau­cá­ria gigan­tesca impu­nha as suas for­mas a toda a cidade. Infe­liz­mente, a real cru­el­dade da vida humana e das acções dos homens, levou a que a arte esti­vesse desta vez con­de­nada, a cris­ta­li­zar nas memó­rias de todos nós como o pas­sado da natu­reza lou­le­tana era bem mais belo do que o pre­sente e o futuro. A arte, pro­du­tora de um ima­gi­ná­rio que per­dura sem­pre para lá da exis­tên­cia dos homens, transformou-se sem o que­rer, desta vez, em forma de inter­ven­ção e de denúncia.

Obri­gado ao Pro­fes­sor Antó­nio Almeida, por me ter gen­til­mente cedido estas duas ima­gens para poder pro­du­zir este texto no Árvo­res de Por­tu­gal. Obri­gado ao Pro­fes­sor Almeida por ter levado estes jovens ao encon­tro de novas ima­gens do futuro.

Como todos gos­ta­ría­mos que os futu­ros artis­tas pudes­sem ima­gi­nar Loulé como mara­vi­lho­sa­mente o fez o pin­tor Luís Fur­tado. Era sinal que tínha­mos de volta a nossa árvore do conhe­ci­mento, repre­sen­tada na velha arau­cá­ria. Era sinal de espe­rança e de sabedoria.

  1. Pedro Arrabaça
    Publicado 5 de Novembro de 2009 às 22:37 | Link

    Estas com­pa­ra­ções “ontem e hoje” são sem­pre muito inte­res­san­tes. Neste caso, em que parece haver algu­mas déca­das a sepa­rar as ima­gens, impres­si­ona uma certa degra­da­ção geral, que não se resume à arau­cá­ria, mesmo com a apa­rên­cia de enri­que­ci­mento da ima­gem de hoje. Ou isso, ou a har­mo­nia da ima­gem mais antiga foi refor­çada pelo pin­tor, o que nada teria de inesperado.

    • Publicado 5 de Novembro de 2009 às 23:10 | Link

      A poda desta árvore, incon­tor­ná­vel de, pra­ti­ca­mente, qual­quer parte da cidade, é recente. Creio que não terá dois anos. No INUAF (ins­ti­tuto supe­rior que ocupa actu­al­mente o con­vento onde se encon­tra a árvore) foi-me infor­mado ofi­ci­o­sa­mente que esta inter­ven­ção foi devida às já famo­sas “ques­tões de segu­rança”, pois teria caído um ramo no telhado novo. Ainda estou para ir con­fir­mar esta infor­ma­ção com os res­pon­sá­veis. A ver­dade é que a pobre arau­cá­ria ficou des­fi­gu­rada como se vê. Cos­tumo chamar-lhe a “poda coto­nete”. Pobre gigante! Que pouca dig­ni­dade lhe deixaram.

  2. Publicado 6 de Novembro de 2009 às 7:28 | Link

    Caro Miguel; quero escla­re­cer que a des­culpa para a “poda coto­nete” foi a even­tu­a­li­dade de danos que as pre­na­das frá­geis pudes­sem pro­du­zir no telhado que, então, se encon­trava muito degra­dado e neces­si­tado de repa­ra­ção. O iró­nico e revol­tante é que tal repa­ra­ção só viria a ser feita depois de terem des­fi­gu­rado a cen­te­ná­ria araucária!

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