Abate de Árvores no Jardim do Príncipe Real

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Segundo dados for­ne­ci­dos pela Câmara Muni­ci­pal de Lis­boa: a Fre­gue­sia das Mer­cês, onde fica situ­ado o Jar­dim do Prín­cipe Real (par­ti­lhado com mais duas fre­gue­sias, S. José e S. Mamede) con­tava em 2003 com 97 árvo­res de arru­a­mento. 97 árvo­res numa fre­gue­sia onde habi­tam mais de 5000 pes­soas, onde tra­ba­lham, tal­vez, outras tan­tas e onde a cir­cu­la­ção auto­mó­vel é das mais inten­sas da cidade. Se não exis­tis­sem mais razões esta seria sufi­ci­ente para jus­ti­fi­car a indig­na­ção de todos os que, incré­du­los e impo­ten­tes, assis­ti­ram nos últi­mos dias ao abate de mais de 40 árvo­res, sem aviso pré­vio, no Jar­dim do Prín­cipe Real.

Mais de 40 árvo­res que segundo os téc­ni­cos cama­rá­rios (quais? os mes­mos que eram res­pon­sá­veis por atem­pa­da­mente pro­ce­der ao tra­ta­mento das árvo­res?) estão doen­tes (que doença?). A res­posta satis­fa­tó­ria a estas per­gun­tas era sufi­ci­ente para jus­ti­fi­car o abate, 40 árvo­res todas doen­tes ao mesmo tempo no jar­dim do Prín­cipe Real, seria um caso muito sério e preocupante.

Mas o vere­a­dor dos Espa­ços Ver­des da CML não se fica pela jus­ti­fi­ca­ção da doença das árvo­res, e é assim que assis­ti­mos estu­pe­fac­tos a afir­ma­ções (à comu­ni­ca­ção social) tão tolas (para um res­pon­sá­vel pelos espa­ços ver­des da capi­tal) como: “as árvo­res foram aba­ti­das por­que cres­ce­ram mal, são mal for­ma­das, têm ramos dema­si­ado lon­gos e esguios sus­cep­tí­veis de se par­ti­rem, cai­riam com qual­quer raba­nada de vento, apre­sen­tam indí­cios de podri­dão facil­mente detec­tá­veis a olho nu…” Rema­tando com um inte­res­sante: “não vamos aba­ter árvo­res, ape­nas subs­ti­tuir”.

A mim, parece-me evi­dente que: As árvo­res não esta­vam doen­tes. Foram aba­ti­das à pressa e sem aviso pré­vio (serão tal­vez subs­ti­tuí­das um dia e pode­rão vir a ter o mesmo tama­nho daqui a mui­tas deze­nas de anos). Foram tan­tas como metade das árvo­res de arru­a­mento de toda a fre­gue­sia das Mer­cês, e faziam parte de um dos jar­dins mais bonito e mais amado da cidade de Lis­boa que (com tudo o que isso possa ter de bom e de mau) nunca mais será o mesmo.

Mas como agir em rela­ção a um vere­a­dor da câmara que pre­po­ten­te­mente e com base em cri­té­rios dis­cu­tí­veis e pes­so­ais se per­mite aba­ter sem aviso pré­vio mais de 40 árvo­res de um dos mais impor­tan­tes jar­dins his­tó­ri­cos de Lis­boa? Essa sim é a per­gunta para a qual gos­tava de ter resposta.

(As foto­gra­fias:  Qui­os­que do Sr. Oli­veira por M. Nagashima e o Qui­os­que do Sr. Oli­veira em 24.11.2009 por Leo­nor Areal.)

  1. Flip
    Publicado 27 de Novembro de 2009 às 21:31 | Link

    é um crime. fiquei muito triste com esta noti­cia. era um jar­dim tao belo…

  2. Publicado 27 de Novembro de 2009 às 23:37 | Link

    não vamos aba­ter árvo­res, ape­nas substituir

    A frase ante­rior demons­tra bem a arro­gân­cia de quem se con­cede o luxo de poder gozar com a inte­li­gên­cia dos outros; o Sr. vere­a­dor está, obvi­a­mente, a fazer pouco de quem, como nós, con­si­dera que a ges­tão do patri­mó­nio arbó­reo urbano deve ser tra­tado por arbo­ri­cul­to­res pro­fis­si­o­nais. O que, pelos vis­tos, deve ser uma extra­va­gân­cia, aos olhos do dito vereador!

    Apetece-me dizer que as árvo­res de Lis­boa, como as do res­tante país, neces­si­tam de um “José Sá Fer­nan­des” que soli­cite pro­vi­dên­cias cau­te­la­res sem­pre que se anun­cie um arbo­ri­cí­dio como o do Prín­cipe Real.

  3. Publicado 27 de Novembro de 2009 às 23:43 | Link

    É caso para dizer que o Zé não faz falta nenhuma. O mais certo é nunca ter feito falta nenhuma.
    Mas… Quem per­ce­ber do assunto e tiver acesso que se pro­nun­cie. Esta árvore aba­tida parece-me efec­ti­va­mente ter gra­ves pro­ble­mas. Já esta no A Som­bra Verde, não. Mas pode ser das fotografias.

  4. Publicado 28 de Novembro de 2009 às 0:32 | Link

    Fui apa­nhado de sur­presa. Já tinha visto o jar­dim fechado para ‘recu­pe­ra­ção’. Ainda pen­sei no que iriam fazer e agora está claro. Vão aumen­tar em toda a volta do jar­dim as zonas sem árvo­res. Ou para aumen­tar esta­ci­o­na­mento (para pas­sar para espi­nha, em vez de para­lelo à via) ou algo parecido.

    Para já pare­cem ser lodãos e álamos-pretos.

    Cor­ta­ram as laran­jei­ras de Alva­lade, os plá­ta­nos no Campo Pequeno, todas as zonas inter­ven­ci­o­na­das aca­bam com menos árvo­res. Para redu­zir a des­pe­sas de manu­ten­ção, claro está.

    Mas con­cordo, a forma arro­gante, sem aviso, como é feita é que choca mais. Por­que até acre­dito que algu­mas des­tas árvo­res pre­ju­di­cas­sem o famoso cedro-do-Buçaco ou outras árvores.

  5. Maria Sousa
    Publicado 28 de Novembro de 2009 às 9:04 | Link

    Para quem conhece este jar­dim é quase impos­sí­vel acre­di­tar nas tuas pala­vras, Rosa… Todo ele repleto de acti­vi­da­des, cui­da­dos e pes­soas que se pre­o­cu­pam pelo seu espaço…
    Um jar­dim com muita his­tó­ria e mui­tas his­tó­rias tam­bém, e mesmo assim não foi sufi­ci­ente para evi­tar esta atro­ci­dade…
    Há mui­tos anos que conheço esse jar­dim e faço dele parte da minha casa, é uma dor sen­tir que metade já não existe por­que assim alguém deci­diu…
    Mais um dia triste para Lisboa…

  6. Rosa
    Publicado 28 de Novembro de 2009 às 17:11 | Link

    “o Sr. vere­a­dor está, obvi­a­mente, a fazer pouco de quem, como nós, con­si­dera que a ges­tão do patri­mó­nio arbó­reo urbano deve ser tra tado por arbo­ri­cul­to­res profissionais.”

    Arbo­ri­cul­to­res pro­fis­si­o­nais e jar­di­nei­ros pro­fis­si­o­nais. O que eu gos­tava de ver os jar­dins de Lis­boa cui­da­dos por jar­di­nei­ros a sério. Um grupo de bons jar­di­nei­ros dia­ri­a­mente no Jar­dim do Prín­cipe Real (durante um ano mesmo com o jar­dim aberto ao público) era tudo o que este jar­dim estava a pre­ci­sar. Se não exis­tem por cá, tragam-nos de paí­ses onde se leva a jar­di­na­gem a sério e aproveitem-nos para dar for­ma­ção a quem cá em Por­tu­gal gos­ta­ria de apren­der jar­di­na­gem. Esta inter­ven­ção está a ser de uma vio­lên­cia des­ne­ces­sá­ria, fecha­ram o jar­dim ao público por mui­tos meses, aquilo está cheio de máqui­nas que nada têm a ver com jar­di­na­gem, (parece um esta­leiro) e de gente que não está habi­tu­ada a lidar com jar­dins e plan­tas, des­con­fio que a ideia é mesmo arra­sar com tudo o que for pos­sí­vel. Já para não falar nos valo­res da obra, aquilo vai ser carís­simo sem neces­si­dade, aposto que depois não sobra orça­mento para a manutenção.

  7. Publicado 3 de Dezembro de 2009 às 15:52 | Link

    Sá Fer­nan­des vem — tarde e a má hora — socorrer-se da opi­nião dos espe­ci­a­lis­tas em jar­dins e árvo­res, parece que final­mente per­ce­beu que a sua opi­nião e os seus argu­men­tos dis­pa­ra­ta­dos não ser­vem para jus­ti­fi­car a inqua­li­fi­cá­vel forma como actuou no Jar­dim do Prín­cipe Real.

    Fica­mos (Público 2/12) a saber que o Arqui­tecto Gon­çalo Ribeiro Tel­les acha que o pro­jecto para o Jar­dim do Prín­cipe Real “é bom” (nós infe­liz­mente não conhe­ce­mos o pro­jecto, mas sem­pre fica­mos um boca­di­nho mais des­can­sa­dos) e que jus­ti­fica o abate de chou­pos da seguinte forma:

    “Quando fazem 30 anos, os chou­pos de cidade mor­rem”, refere. “A polui­ção do meio urbano pode corroer-lhes a raiz, fazendo-os cair”. Ele pró­prio man­dou subs­ti­tuir esta espé­cie na sua última inter­ven­ção nos jar­dins da Gulbenkian

    Por outro lado surge tam­bém (e só agora!) a opi­nião do esti­ma­dís­simo Pro­fes­sor Fer­nando Cata­rino: Este acha que os chou­pos nem nunca lá deviam ter estado As inten­ções da Câmara de Lis­boa de os subs­ti­tuir por mais árvo­res desagradam-lhe: “É um dis­pa­rate. O jar­dim pre­cisa de mais espaço, de ar e de luz”

    Com todo o res­peito que me merece as opi­niões des­tes dois Senho­res, lamento muito que elas não tenham sido apre­sen­ta­das num con­texto de debate público sobre este assunto e que venham agora ten­tar legi­ti­mar a infe­liz actu­a­ção da câmara Muni­ci­pal de Lis­boa, mas afinal:

    1) As árvo­res foram aba­ti­das por­que esta­vam doen­tes, ou por­que eram chou­pos? Nesse caso as res­tan­tes espé­cies deviam ter sido pou­pa­das e não foram (faz falta um rela­tó­rio em que cons­tem as espé­cies e o número final de árvo­res aba­ti­das, fala-se em algu­mas árvo­res aba­ti­das perto do lago, robí­nias e ulmeiros…)

    2) As árvo­res vão ser subs­ti­tuí­das, como tem sido cla­ra­mente afir­mado pela câmara, ou o abate ser­viu para desen­som­brar o jar­dim como defende o pro­fes­sor Fer­nando Cata­rino? (gos­tava muito de saber quais vão ser as árvo­res que irão subs­ti­tuir os chou­pos, ouvi falar nas Cel­tis aus­tra­lis, árvo­res de muito maior porte do que os chou­pos e que pro­du­zem muito mais sombra)

    3) Final­mente e mais impor­tante: se o que jus­ti­fica o abate das árvo­res tivesse sido a ina­de­qua­ção dos chou­pos, e exis­tindo algu­mas deze­nas de árvo­res desta espé­cie no jar­dim, por­que é que a câmara insis­tiu (mesmo depois de mais de 30 de árvo­res já esta­rem no chão) na men­tira de que só seriam aba­ti­das 6 árvo­res que esta­vam doen­tes ou tinham cres­cido mal?

    Assim nin­guém se entende! Nenhuma opi­nião, por mais válida que seja, pode agora jus­ti­fi­car a actu­a­ção (ile­gal) da Câmara Muni­ci­pal de Lis­boa na cha­mada “requa­li­fi­ca­ção” do Jar­dim do Prín­cipe Real.
    Afi­nal em que é que fica­mos, quais é que são os cri­té­rios que jus­ti­fi­cam o abate? Por­que é que o pro­jecto não foi dis­cu­tido ou apre­sen­tado publi­ca­mente, por­que é que as árvo­res foram cor­ta­das à pressa? Como é que se pode acei­tar que 6 árvo­res doen­tes a aba­ter, pas­sem de um dia para outro a ser mais de 40, quem nos garante que não vão ser aba­ti­das mais árvores?

  8. Cecília Melo e Castr
    Publicado 8 de Dezembro de 2009 às 19:14 | Link

    Esta é mais uma das tris­tes notí­cias como as que todos os dias nos mos­tram como o ambi­ente é tra­tado.
    E vão estes “senho­res do poder” para Cope­nhaga dis­cu­tir o ambi­ente e como redu­zir os peri­gos que ame­a­çam a sobre­vi­vên­cia do Pla­neta, esse sim, com Letra Grande, quando den­tro dos pró­prios paí­ses as polí­ti­cas são como se vêem todos os dias.
    Que­rido escri­tor e amigo, que com grande pena de todos te foste embora tão cedo! Acho que te enver­go­nha­rias do que aqui em Lis­boa, em Por­tu­gal e no mundo se está a pas­sar.
    Não posso dei­xar de colo­car aqui o meu lamento.

  9. Sara Serras
    Publicado 28 de Janeiro de 2010 às 23:42 | Link

    Mais um exem­plo da tris­teza que é este país! É frustrante!

  10. Daniel
    Publicado 4 de Fevereiro de 2010 às 21:48 | Link

    ver­go­nhoso, são estes os nos­sos gover­nan­tes infelizmente.

  11. Publicado 24 de Fevereiro de 2010 às 19:56 | Link

    Um res­pon­sá­vel pelo pro­jecto, veio recen­te­mente con­fir­mar em artigo no Público o que eu aqui tinha dito sobre o cri­té­rio de abate das árvores:

    “A pro­posta de subs­ti­tui­ção dos chou­pos em cal­deira por outra espé­cie deve-se, (…) a uma opção con­cep­tual de esco­lha de uma espé­cie mais ade­quada ao jar­dim histórico.”

    É caso para dizer, que foi pior a emenda do que o soneto, a esta altura do cam­pe­o­nato os res­pon­sá­veis pela “requa­li­fi­ca­ção”, faziam melhor em estar calados.

  12. Publicado 10 de Março de 2010 às 15:06 | Link

    De lei­tura obri­ga­tó­ria, artigo da auto­ria de Cris­tina Castel-Branco, pre­si­dente da Asso­ci­a­ção de Jar­dins e Sítios His­tó­ri­cos, publi­cado no jor­nal Público, de 17 de Fevereiro.

    Espe­rei pela obra para poder ver o “res­tauro”, pois os ele­men­tos que a câmara dis­po­ni­bi­li­zou não per­mi­tem qual­quer aná­lise pro­fis­si­o­nal. Há 20 anos que sou pro­fes­sora de His­tó­ria da Arte e Res­tauro de Jar­dins e tenho expe­ri­ên­cia de deze­nas de jar­dins his­tó­ri­cos para os quais cola­bo­rei ou coor­de­nei o res­tauro. Essas são as razões pró­xi­mas da reac­ção que senti face aos erros a que assisti, esprei­tando pela rede que cerca a obra do Prín­cipe Real. Foi por causa de uma indig­na­ção que senti face à des­trui­ção de um jar­dim do séc. XVI que, em 2003, resolvi criar, com um con­junto de téc­ni­cos e pro­pri­e­tá­rios de jar­dins, a Asso­ci­a­ção de Jar­dins e Sítios His­tó­ri­cos, a que pre­sido. É nessa qua­li­dade que falo. Não havendo nenhum pai­nel expli­ca­tivo e tendo a CML difi­cul­tado a infor­ma­ção, esprei­tei pela rede o jar­dim em obra, para poder falar:

    1. Assisti a uma mag­nó­lia cen­te­ná­ria a ser “asse­di­ada” pela pá de uma rec­tro­es­ca­va­dora… e arre­pi­ada apercebi-me de que as árvo­res entra­ram em obra sem qual­quer pro­tec­ção. Do caderno de encar­gos não cons­tava a pro­tec­ção da vegetação?

    2. As árvo­res foram aba­ti­das às deze­nas. É certo que fica mais barato dar uma só emprei­tada aos moto-serristas e madei­rei­ros, mas não é assim que num jar­dim his­tó­rico se deve fazer: as árvo­res vão sendo subs­ti­tuí­das gra­du­al­mente, seguindo um plano direc­tor que per­mita man­ter a som­bra nos sítios originais.

    3. O dese­nho dos cami­nhos desa­pa­re­ceu total­mente e consta dos arti­gos que li que vão ser alar­ga­das as áreas de pavi­mento, des­res­pei­tando o dese­nho ini­cial dos can­tei­ros. Mas com que cri­té­rio se altera o dese­nho de uma jar­dim his­tó­rico? Vi mais e pior, mas detenho-me nesta ideia de alte­ra­ção do dese­nho de um jar­dim do século XIX para apon­tar à auto­ria do jar­dim de 1861. Na memó­ria des­cri­tiva da obra, a autora do pro­jecto afirma que “a sua estru­tura e dese­nho devem-se ao seu autor, o jar­di­neiro João Fran­cisco da Silva”. Será que assume que o Prín­cipe Real foi dese­nhado por um jar­di­neiro, suben­ten­dendo que o jar­dim não tem pedi­gree, e que o seu traço não pre­cisa de ser res­pei­tado? Engana-se. Basta ace­der à bri­lhante tese de dou­to­ra­mento de Teresa Mar­ques, da Uni­ver­si­dade do Porto, sobre os jar­dins deste período para per­ce­ber que, nessa altura, a nossa pro­fis­são de arqui­tec­tos pai­sa­gis­tas era exer­cida pelos deno­mi­na­dos “jar­di­nei­ros pai­sa­gis­tas”. Subes­ti­mar o pas­sado de gran­des obras do século XIX é tam­bém anu­lar a ori­gem da nossa pró­pria pro­fis­são. Está mal.

    Para defen­der casos como este, o Ico­mos, orga­nismo con­sul­tor da UNESCO de que faço parte, criou, em 1981, a Carta de Flo­rença, que con­signa regras de res­tauro de jar­dins his­tó­ri­cos. Por­tu­gal subs­cre­veu, e dos 25 arti­gos da Carta de Flo­rença sali­ento que um jar­dim his­tó­rico é um monu­mento e como tal deve ser tra­tado, de forma a pre­ser­var o seu sig­ni­fi­cado cul­tu­ral, e transmiti-lo às gera­ções que se seguem. A obra do Prín­cipe Real não res­peita os prin­cí­pios da Carta de Flo­rença, senão veja-se: Artigo 14. O jar­dim his­tó­rico deve ser con­ser­vado num ambi­ente apro­pri­ado. Qual­quer modi­fi­ca­ção do meio físico que faça peri­gar o equi­lí­brio eco­ló­gico deve ser pros­crita. Estas medi­das abran­gem o con­junto das infra-estruturas inter­nas ou exter­nas (cana­li­za­ções, sis­te­mas de rega, estra­das, cami­nhos, veda­ções, muros, poços, noras, etc.). No Prín­cipe Real, os pas­seios vão ser alar­ga­dos, alegando-se razões fun­ci­o­nais. Por esta lógica, tam­bém deviam alar­gar o por­tal do Mos­teiro dos Jeró­ni­mos: um milhão de visitantes/ano merece que as con­di­ções de entrada sejam adap­ta­das à “função”.

    No Artigo 15. Qual­quer res­tauro de um jar­dim his­tó­rico só será imple­men­tado após uma aná­lise apro­fun­dada, que vai da esca­va­ção em ter­reno à reco­lha de todos os docu­men­tos que dizem res­peito ao jar­dim em causa e a jar­dins aná­lo­gos. Esta reco­lha exaus­tiva garante o carác­ter cien­tí­fico da inter­ven­ção. Antes de qual­quer exe­cu­ção, este estudo deverá levar a um pro­jecto de exe­cu­ção a sub­me­ter a um exame e a um acordo cole­gial. Os jar­dins de Lis­boa, e sobre­tudo os his­tó­ri­cos, deviam ter pla­nos de longo prazo tra­ba­lha­dos em con­junto com a Uni­ver­si­dade onde se estu­dam, expe­ri­men­tam e apro­fun­dam com tempo e método os for­ma­tos de res­tauro, rea­bi­li­ta­ção e recu­pe­ra­ção… Tal­vez ainda se vá a tempo de parar a obra e dimi­nuir os danos. A Asso­ci­a­ção de Jar­dins His­tó­ri­cos está dis­po­ní­vel para, de forma gra­tuita, pro­por solu­ções que evi­tem o que ainda se pode evi­tar e se repo­nha o que não devia ter sido alterado.

  1. Por Quinta do Sargaçal – Actualização no Climategate + a 27 de Novembro de 2009 às 23:39

    […] fitos­sa­ni­tá­rias? E plan­tam Robí­nias, que se não são inva­so­ras andam mesmo perto? SOS Lis­boa. Afi­nal já aba­te­ram. Árvo­res de […]

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