Alameda de Plátanos de Colares em Risco?

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Houve uma altura em que a extinta Junta Autó­noma de Estra­das (JAE) plan­tava árvo­res nas ber­mas dos nos­sos iti­ne­rá­rios rodo­viá­rios. Esse tempo, obvi­a­mente, já lá vai e a sua suces­sora, a Estra­das de Por­tu­gal (EP), olha para as árvo­res como um empe­ci­lho.

Mas porquê esta embir­ra­ção da EP com as árvo­res? Em pri­meiro lugar, diriam os exe­cu­ti­vos da empresa, não geram lucros…lucros ime­di­a­tos, acres­cento eu, por­que a mai­o­ria das empre­sas já apren­deu a valo­ri­zar o seu lado verde e as van­ta­gens de se asso­ciar à pro­tec­ção de espa­ços natu­rais ou a acções de reflo­res­ta­ção (ainda que muito deste mar­ke­ting verde enferme de uma ine­gá­vel hipo­cri­sia ambiental).

Na rea­li­dade, a EP não só não está inte­res­sada em plan­tar mais árvo­res, como está dese­josa de se ver livre do patri­mó­nio arbó­reo que her­dou da extinta JAE. É que, para além de não gera­rem os tais lucros ime­di­a­tos, estas árvo­res são, para a EP, uma fonte de pro­ble­mas pois há sem­pre alguém que as quer ver cor­ta­das ou, no mínimo, poda­das. Acres­cem os cus­tos com os tra­ba­lhos de manu­ten­ção de todo este patri­mó­nio espa­lhado pelas estra­das do nosso país.

Para mim, por todos estes fac­to­res, é claro que a EP está per­ma­nen­te­mente dese­josa de arran­jar argu­men­tos que sus­ten­tem qual­quer pos­sí­vel abate de árvo­res. Surgiu-lhe agora mais um, o pedido da Junta de Cola­res, no con­ce­lho de Sin­tra, para a poda de 200 plá­ta­nos na fre­gue­sia. Entre estes exem­pla­res, encontram-se uma dezena de espé­ci­mes situ­a­dos junto da Adega Regi­o­nal de Cola­res, retra­ta­dos nas foto­gra­fias1 que acom­pa­nham este texto.

A EP defende-se dizendo que pre­tende ava­liar as con­di­ções fitos­sa­ni­tá­rias des­tes plá­ta­nos e que ape­nas agirá sobre os que neces­si­ta­rem de inter­ven­ção, sendo que esta, no limite, poderá impli­car o abate de algu­mas árvo­res. Fica­re­mos aten­tos a estas boas inten­ções, sabendo de ante­mão da von­tade da Junta de Cola­res em ver as árvo­res poda­das e sabendo dos ante­ce­den­tes da EP, como os casos, ambos do ano pas­sado, ocor­ri­dos na zona de Tomar, na EN 349–3 e na EN 110.

Deste modo, o futuro dirá se será neces­sá­rio reti­rar o ponto de inter­ro­ga­ção ao título deste texto e qual a cate­go­ria a acres­cen­tar ao mesmo, Boas Prá­ti­cas ou Den­dro­clas­tia? No fundo, o meu único receio é que a EP não esteja dis­posta a cus­tear a manu­ten­ção de um patri­mó­nio público que her­dou da sua ante­ces­sora e que tem impor­tante rele­vân­cia cul­tu­ral para a comu­ni­dade local.

Alguém deve­ria expli­car aos exe­cu­ti­vos da EP que pre­ser­var este patri­mó­nio arbó­reo, assu­mindo as des­pe­sas da sua manu­ten­ção, fará mais pela ima­gem desta empresa que qual­quer anún­cio publi­ci­tá­rio. Se não que­rem pro­te­ger as árvo­res por con­vic­ção, façam-no pelo marketing!

(1 Foto­gra­fias da auto­ria de Pedro Maci­eira que, no seu blo­gue Rio das Maçãs, tem dado des­ta­que a esta situ­a­ção e a quem agra­deço a dis­po­ni­bi­li­za­ção das refe­ri­das imagens.)

  1. Rosa
    Publicado 18 de Novembro de 2009 às 22:24 | Link

    Estas são umas árvo­res que eu conheço bem. Até me arre­pia pen­sar nessa poda.

  2. Publicado 18 de Novembro de 2009 às 22:39 | Link

    Estes plá­ta­nos majes­to­sos, que já viram pas­sar mui­tas gera­ções de jun­tas de fre­gue­sia e de EPs, são o ponto alto do ali­nha­mento de exem­pla­res desta espé­cie que tor­nam tão espe­cial a estrada que liga Sin­tra a Cola­res. É um ali­nha­mento man­tido, ainda que com impor­tan­tes inter­rup­ções, ao longo de vários qui­ló­me­tros, deter­mi­nando muito o carác­ter e a per­so­na­li­dade deste lugar. A sua perda, ou a dimi­nui­ção da sua inten­si­dade, seriam uma perda local grave. Esta pos­si­bi­li­dade tem moti­vado muita apre­en­são, e, por sua vez, essa apre­en­são tem ten­tado fazer-se ouvir.

    Ao que parece, a inten­ção da EP rela­tada nesta muito per­tur­bante notí­cia tem duas ori­gens que se con­ju­ga­ram: a Junta local que­ria insis­ten­te­mente as árvo­res poda­das (verbo sem­pre assus­ta­dor) e a EP já tinha um his­to­rial pesado de indem­ni­za­ções por estra­gos em auto­mó­veis esta­ci­o­na­dos, cau­sa­dos pela queda de ramos.

    Esta “pul­são de poda”, bem docu­men­tada em mui­tas pági­nas vir­tu­ais e reais, bem merece estu­dos psi­quiá­tri­cos pro­fun­dos à nossa psi­que colec­tiva. O pro­blema dos estra­gos, por seu lado, motiva algu­mas inter­ro­ga­ções, que expo­nho sem iro­nia: em Por­tu­gal as árvo­res e os seus ramos caem mais do que nou­tros paí­ses, isto é, a árvore por­tu­guesa é mais peri­gosa? A legis­la­ção e os tri­bu­nais por­tu­gue­ses são mais inci­si­vos e efi­ca­zes na con­de­na­ção dos res­pon­sá­veis pelo espaço público? Como será que se sobre­vive nes­ses paí­ses e nes­sas cida­des sobre­po­vo­a­das de árvo­res assus­ta­do­ras que, segundo dizem, exis­tem em algu­mas par­tes do nosso planeta?

    Pre­ci­sa­mos urgen­te­mente de solu­ções que nos per­mi­tam viver em paz com árvo­res a sério à nossa volta, como um povo normal.

    • Publicado 18 de Novembro de 2009 às 23:55 | Link

      Pedro, a maneira como colo­caste estas ques­tões é magis­tral! Seria bom que pala­vras como estas che­gas­sem a todas as pes­soas, deci­so­res ou não.
      Por outro lado, acho que grande parte do pro­blema é uma carac­te­rís­tica bas­tante lusa: o sín­droma do “trei­na­dor de ban­cada”. Neste caso, parece toda e qual­quer pes­soa, por leiga e igno­rante que seja nesta maté­ria, pode dar opi­niões téc­ni­cas e chega mesmo a deci­dir o des­tino de mui­tas árvo­res.
      É por isso que sou da opi­nião que uma regra a adop­tar, seria e obri­ga­to­ri­e­dade de infor­mar quem é o téc­nico (ou equipa, empresa, etc.) que for­nece o pare­cer ou fez a ava­li­a­ção da(s) árvore(s), e que habi­li­ta­çõe spos­sui para tal.
      Eu sei, é puro lirismo. Mas venha o sonho à frente e logo se vê o que o segue…

    • Marcolino Fritz Vilç
      Publicado 3 de Dezembro de 2009 às 18:49 | Link

      Nos paí­ses sem demo­cra­cia as árvo­res são mais reprimidas !

  3. Publicado 21 de Novembro de 2009 às 13:08 | Link

    Quando é a pró­pria Junta de Fre­gue­sia a pedir o abate… a EP res­pon­derá com alegria.

    Pode­mos lutar por árvo­res que os mora­do­res da zona não que­rem? Parece que a von­tade dos locais é cor­tar as árvores.

    Já é difí­cil quando os mora­do­res que­rem pro­te­ger as árvores.

    De facto já tinha hou­vido comen­tado que estão mar­ca­das para abate. Não para ava­li­a­ção ou poda. Sim­ples abate.

    É de facto uma ave­nida de árvo­res emble­má­tica. Terei pena em vê-la par­tir. E estando den­tro de uma povo­a­ção com limite máximo de velo­ci­dade 50 km/h difi­cil­mente se pode invo­car a ques­tão da segurança.

    • Publicado 21 de Novembro de 2009 às 22:29 | Link

      De facto, quando os locais são os pri­mei­ros a não que­rer as árvo­res, é difí­cil protegê-las. E, ape­sar de ser pro­fes­sor, tam­bém conheço os limi­tes da peda­go­gia. As men­ta­li­da­des não se mudam por decreto, nem de um dia para o outro.
      Por isso, é que as autar­quias deve­riam ter à frente, inde­pen­den­te­mente dos par­ti­dos em ques­tão, quem per­ce­besse que o inte­resse de meia-dúzia ou de uma dezena de pes­soas, não se sobre­põe ao inte­resse colec­tivo.
      Admito que uma ou outra árvore possa neces­si­tar da remo­ção de algum ramo seco ou que, no limite, algum exem­plar tenha pro­ble­mas de sus­ten­ta­bi­li­dade. Mas rolar ou aba­ter todas estas árvo­res seria um acto injus­ti­fi­cá­vel, um acto cri­mi­noso de puro vandalismo.

  4. Marcolino Fritz Vilç
    Publicado 3 de Dezembro de 2009 às 18:41 | Link

    Os tra­ba­lhos já estão a decor­rer no ali­nha­mento de quase 600 Plá­ta­nos entre Almo­ça­geme e Sin­tra!É triste ver como o tra­ba­lho foi adju­di­cado a uma empresa que não tem um único Arbo­rista digno desse nome e as estra­das de Por­tu­gal sim­ples­mente não fiscalizam.

    • Publicado 3 de Dezembro de 2009 às 18:48 | Link

      Caro Mar­co­lino,

      Agra­de­cía­mos o envio do nome da empresa em causa. Conhe­ce­mos algu­mas pes­soas no ramo da arbo­ri­cul­tura e pode­ría­mos ten­tar con­fir­mar se a empresa em causa tem, ou não, cre­den­ci­ais no sector.

      Infe­liz­mente, a este tipo de ser­vi­ços, manu­ten­ção de árvo­res, con­cor­rem todo o tipo de empre­sas, sendo estes ser­vi­ços ganhos, mui­tas vezes, por empre­sas de outros sec­to­res (como a cons­tru­ção civil), sim­ples­mente por­que apre­sen­tam a pro­posta com o preço mais baixo.

      • Marcolino Fritz Vilç
        Publicado 3 de Dezembro de 2009 às 19:36 | Link

        Con­tac­tei a empresa na terça feira no sen­tido de pro­por uma audi­to­ria téc­nica e for­ma­ção dos funcionários.Da parte da empresa Rapa mato Lda foi me comu­ni­cado que os “arbo­ris­tas” fize­ram um pequeno curso de poda de fru­tei­ras ‚que o tra­ba­lho está a ser rea­li­zado em sin­to­nia com o que lhes foi soli­ci­tado e que os diag­nós­ti­cos de bio­me­câ­nica e fito­sa­ni­dade serão da res­pon­sa­bi­li­dade do Ins­ti­tuto Supe­rior de Agro­no­mia não tendo mos­trado espe­cial inte­resse na minha pro­posta!
        Se os tra­ba­lhos já ini­ci­a­dos se man­ti­ve­rem as árvo­res serão “rola­das a cinco metros de altura sem o mínimo de noções téc­nico cientificas,quando agora alguns plá­ta­nos che­gam a atin­gir 45 a 50 metros de altura.
        Embora seja da opi­nião que algu­mas árvo­res deste ali­nha­mento repre­sen­tam um perigo emi­nente para a segu­rança publica,quero real­çar que isto se deve á total ausên­cia de manu­ten­ção nos últi­mos anos e a inter­ven­ções ante­ri­o­res que não se enqua­dram mini­ma­mente nas boas pra­ti­cas da Arbo­ri­cul­tura Moderna.
        Na minha opi­nião é impe­ra­tivo recla­mar ás auto­ri­da­des com­pe­ten­tes:
        1 — Um rela­tó­rio téc­nico cre­dí­vel de todas as árvo­res deste ali­nha­mento.
        2 — Que os tra­ba­lho sejam rea­li­za­dos por Arbo­ris­tas cer­ti­fi­ca­dos
        3 — A fis­ca­li­za­ção efec­tiva no terreno.

        • Publicado 9 de Dezembro de 2009 às 18:00 | Link

          Como me dizia, no outro dia, o Miguel Rodri­gues, não se pode espe­rar grande sen­si­bi­li­dade, para com as árvo­res, de uma empresa cha­mada Rapa Mato!

          Quanto à for­ma­ção em “poda de fru­tei­ras” parece-me, e a qual­quer outra pes­soa mini­ma­mente infor­mada em ques­tões de arbo­ri­cul­tura, que não é requi­sito para rea­li­zar a manu­ten­ção de árvo­res ornamentais.

          Para além das acções con­cre­tas que o Mar­co­lino sugere, e bem, para este caso de Cola­res, parece-me que, de um modo geral, se torna cada vez mais urgente que os arbo­ri­cul­to­res pro­fis­si­o­nais deste país se unam e que, atra­vés de um pro­cesso de cer­ti­fi­ca­ção de com­pe­tên­cias, escla­re­çam a opi­nião pública (e em par­ti­cu­lar as autar­quias) sobre quais as empre­sas com reais com­pe­tên­cias para inter­vir na manu­ten­ção das árvo­res orna­men­tais e quais as empre­sas que fazem con­cor­rên­cia des­leal no sec­tor. Aliás, os arbo­ri­cul­to­res deve­riam lutar para que, em ter­mos legais, a manu­ten­ção de árvo­res em espa­ços públi­cos só pudesse ser feita por empre­sas cre­den­ci­a­das do sector.

          Cabe na cabeça de alguém auto­ri­zar uma empresa de arbo­ri­cul­tura a con­cor­rer a uma emprei­tada para a cons­tru­ção de uma estrada? Claro que não! Então, por que motivo, con­cor­rem empre­sas de cons­tru­ção civil a con­cur­sos públi­cos para a poda de árvores?

  5. Ana
    Publicado 23 de Fevereiro de 2010 às 18:20 | Link

    ponham ca todas as infor­ma­çoes sobre o platano

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