As Árvores Crescem Sós

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As árvo­res cres­cem sós.
E a sós flo­res­cem.
Come­çam por ser nada.

Pouco a pouco
se levan­tam do chão, se alteiam palmo a palmo.
Cres­cendo dei­tam ramos, e os ramos outros ramos,
e deles nas­cem folhas, e as folhas multiplicam-se.

Depois, por entre as folhas, vão-se esbo­çando as flo­res,
e então cres­cem as flo­res, e as flo­res pro­du­zem fru­tos,
e os fru­tos dão semen­tes,
e as semen­tes pre­pa­ram novas árvores.

E tudo sem­pre a sós, a sós con­sigo mes­mas.
Sem verem, sem ouvi­rem, sem fala­rem.
Sós.
De dia e de noite.
Sem­pre sós.

Os ani­mais são outra coisa.
Contactam-se, penetram-se, trespassam-se,
fazem amor e ódio, e vão à vida
como se nada fosse.

As árvo­res não.
Soli­tá­rias, as árvo­res,
exau­ram terra e sol silen­ci­o­sa­mente.
Não pen­sam, não sus­pi­ram, não se quei­xam.
Esten­dem os bra­ços como se implo­ras­sem;
com o vento sol­tam ais como se sus­pi­ras­sem;
e gemem, mas a queixa não é sua.

Sós, sem­pre sós.
Nas pla­ní­cies, nos mon­tes, nas flo­res­tas,
a cres­cer e a flo­rir sem consciência.

Vir­tude vege­tal viver a sós
e entre­tanto dar flores.

Antó­nio Gedeão(1906–1997)

  1. Publicado 21 de Novembro de 2009 às 13:13 | Link

    Olá Maria SOusa,

    Em ordem inversa de tempo, gos­ta­ria de vol­tar a sali­en­tar que penso ser essen­cial num site como este identificar-se o local onde existe a árvore retra­tada. Para que outros pos­sam visi­tar. Para que outros quei­ram proteger!

    Não é, claro, obri­ga­tó­rio, mas penso ser importante!

    Obri­gado!

  2. Maria Sousa
    Publicado 22 de Novembro de 2009 às 19:55 | Link

    Olá Rui Pedro,
    como referi ante­ri­or­mente, vou ten­tar men­ci­o­nar a loca­li­za­ção das árvo­res foto­gra­fa­das.
    Este mag­ní­fico exem­plar, vive ao lado da Rei­to­ria da Uni­ver­si­dade Nova de Lis­boa, em frente à Igreja de Santo Antó­nio de Cam­po­lide.
    Obri­gado pelo seu comentário.

  3. Publicado 28 de Novembro de 2009 às 0:55 | Link

    Obri­gado!

  1. Por Passar o Dia da Árvore Entre Árvores e Amigos a 6 de Abril de 2010 às 8:37

    […] cedo e de forma sim­bó­lica, no Museu do Trajo, em Alpor­tel, com a decla­ma­ção do poema As Árvo­res Cres­cem Sós, de Antó­nio Gedeão. A lei­tura deste belís­simo poema, por parte da Dr.ª Custódia […]

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