As árvores crescem sós.
E a sós florescem.
Começam por ser nada.Pouco a pouco
se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.
Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,
e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores,
e então crescem as flores, e as flores produzem frutos,
e os frutos dão sementes,
e as sementes preparam novas árvores.E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas.
Sem verem, sem ouvirem, sem falarem.
Sós.
De dia e de noite.
Sempre sós.Os animais são outra coisa.
Contactam-se, penetram-se, trespassam-se,
fazem amor e ódio, e vão à vida
como se nada fosse.As árvores não.
Solitárias, as árvores,
exauram terra e sol silenciosamente.
Não pensam, não suspiram, não se queixam.
Estendem os braços como se implorassem;
com o vento soltam ais como se suspirassem;
e gemem, mas a queixa não é sua.Sós, sempre sós.
Nas planícies, nos montes, nas florestas,
a crescer e a florir sem consciência.Virtude vegetal viver a sós
e entretanto dar flores.
—António Gedeão(1906–1997)




Olá Maria SOusa,
Em ordem inversa de tempo, gostaria de voltar a salientar que penso ser essencial num site como este identificar-se o local onde existe a árvore retratada. Para que outros possam visitar. Para que outros queiram proteger!
Não é, claro, obrigatório, mas penso ser importante!
Obrigado!
Olá Rui Pedro,
como referi anteriormente, vou tentar mencionar a localização das árvores fotografadas.
Este magnífico exemplar, vive ao lado da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa, em frente à Igreja de Santo António de Campolide.
Obrigado pelo seu comentário.
Obrigado!
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