Ainda Sobre o Abate das Árvores no Jardim do Príncipe Real

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Nem sem­pre que se decide plan­tar uma árvore em ambi­ente urbano se tomou uma deci­são acer­tada, visto nem todas as espé­cies serem uma boa esco­lha para um certo local: o tama­nho da árvore adulta pode ser exces­sivo para o espaço; a árvore pode não estar adap­tada para o ambi­ente onde é colo­cada; pode ser uma árvore cujo pólen, ou pêlos das folhas, cau­sem aler­gias e cujas raí­zes dani­fi­quem o pas­seio, os canos de água ou os edi­fí­cios pró­xi­mos; pode ser uma espé­cie de carác­ter inva­sor. Outros pro­ble­mas podem, ainda, sur­gir, com a fre­quente esco­lha errada de árvo­res pelos ser­vi­ços cama­rá­rios e a ainda pior manu­ten­ção ao longo dos anos, com podas desa­de­qua­das, fre­quente cor­tar das raí­zes sem­pre que se quer inter­vir no sub­solo, etc.

Não é por isso errado, nem cho­cante, nem sequer inde­se­jado que por vezes se decida pelo abate de cer­tas árvo­res. Mas todo o abate de árvo­res deve ser feito de modo a mini­mi­zar o impacto emo­ci­o­nal, visual e ambi­en­tal do seu desa­pa­re­ci­mento e pelas razões cer­tas. E os cida­dãos têm o direito a serem infor­ma­dos des­ses aba­tes, das suas cau­sas, e a par­ti­ci­par no pro­cesso deci­só­rio antes do facto consumado.

Nada disto foi acau­te­lado no abate de árvo­res que decor­reu no Jar­dim do Prín­cipe Real. É ver­dade que, tec­ni­ca­mente, a opção pelo corte das árvo­res feito até ao momento não é cho­cante. As espé­cies envol­vi­das — Popu­lus x cana­den­sis, Popu­lus nigra var. ita­lica, Robi­nia pseu­do­a­ca­cia — são todas de vida curta, ou seja, rara­mente che­gam ao meio século em bom estado de con­ser­va­ção, espe­ci­al­mente em ambi­ente urbano. Não são tam­bém espé­cies ide­ais para arru­a­mento e a sua subs­ti­tui­ção pro­gres­siva é neces­sá­ria. Alguns des­tes exem­pla­res esta­vam tam­bém dema­si­ado pró­xi­mos de algu­mas das árvo­res de maior inte­resse do jar­dim. Até aqui, todos de acordo.

O pro­blema é que não foi desta forma, expondo de maneira pon­de­rada as cau­sas para se que­rer subs­ti­tuir estas árvo­res, que esta ques­tão foi exposta e defen­dida pelo vere­a­dor Sá Fer­nan­des. Veja­mos. É falso que fosse urgente o abate das árvo­res este ano. A grande mai­o­ria dos exem­pla­res aba­ti­dos –se não todos — não estava em avan­çado estado de degra­da­ção, nem repre­sen­tava perigo para a segu­rança pública. As cau­sas esté­ti­cas apon­ta­das, esta­rem mal-formadas (a forma como os ser­vi­ços cama­rá­rios as podam difi­cil­mente pode­ria resul­tar nou­tra coisa), não jus­ti­fi­cam por si um abate apressado.

E é isto que deve ficar claro: tratou-se de um abate de con­ve­ni­ên­cia. Ao que tudo indica, e se pen­sar­mos no que recen­te­mente se pas­sou com as sau­dá­veis e bem-formadas laran­jei­ras de Alva­lade, para faci­li­tar a ins­ta­la­ção e pos­te­rior manu­ten­ção de uma nova cal­çada que deverá nas­cer à volta do Jar­dim do Prín­cipe Real. De facto, é difí­cil con­ce­ber que fosse urgente o abate de todas as árvo­res da peri­fe­ria dos lados Nor­deste, Sudeste e Sudo­este do jar­dim, sobrando ape­nas algu­mas árvo­res no canto Sul do lado Noro­este. Seja­mos cla­ros: foi um abate de con­ve­ni­ên­cia, tal­vez até por razões acer­ta­das. Qual­quer ten­ta­tiva de jus­ti­fi­ca­ção com con­di­ções fitos­sa­ni­tá­rias — como rela­tó­rios escri­tos depois das árvo­res tom­ba­das — é um engodo. E nin­guém gosta que lhes pas­sem um ates­tado de estu­pi­dez como o Sr. Sá Fer­nan­des ten­tou fazer a todos. Se havia boas razões para se fazer o abate, não devia ter exis­tido medo de o defen­der antes do mesmo ter sido feito. As razões para o abate devem valer por si. Ou o Sr. Sá Fer­nan­des ganhou aver­são à demo­cra­cia e ao poder dos cida­dãos de inter­vir nas deci­sões que os afectam?

Havia outra forma de con­se­guir o mesmo resul­tado, de forma pon­de­rada e, acima de tudo, res­pei­tosa para com as pes­soas que usu­fruem do jar­dim. É uma fór­mula sim­ples que deve­ria ser apli­cada sem­pre que é neces­sá­rio fazer este tipo de inter­ven­ções. É a forma, por exem­plo, já seguida pelos Estu­dos de Impacto Ambi­en­tal que, em tem­pos, Sá Fer­nan­des tanto defendeu.

Deve-se come­çar por infor­mar a popu­la­ção sobre o que se quer fazer e o porquê. Antes de ser feito. Vive­mos em demo­cra­cia, temos direito à infor­ma­ção. As pes­soas ganham afec­tos pelas árvo­res, pelos espa­ços que uti­li­zam. Têm direito de ser res­pei­ta­das e infor­ma­das. O com­por­ta­mento do vere­a­dor Sá Fer­nan­des foi o com­por­ta­mento de alguém que vê os cida­dãos para quem tra­ba­lha como um empe­ci­lho à sua geni­a­li­dade. Ide­al­mente, a demo­cra­cia deve ser, tam­bém, par­ti­ci­pa­tiva e as pes­soas devem ter opor­tu­ni­dade de mani­fes­ta­rem a sua opi­nião sobre um assunto antes de este lhe ser imposto. Nada disso acon­te­ceu aqui, onde se igno­rou por com­pleto as pes­soas que mais impor­tam nesta ques­tão: os Lisboetas.

Pos­te­ri­or­mente, uma vez tomada a deci­são de aba­ter as árvo­res e expli­ca­das as suas ver­da­dei­ras razões, deve ser mini­mi­zado o impacto emo­ci­o­nal, visual e ambi­en­tal de tal abate. Neste caso, foram deze­nas de árvo­res aba­ti­das, toda a cor­tina de pro­tec­ção do arvo­redo cen­tral do jar­dim. O abate do arvo­redo deve­ria ter sido feito de forma pro­gres­siva, algu­mas árvo­res por ano. Respeitava-se desta forma as emo­ções ver­da­dei­ras das pes­soas que usu­fruem e amam aquele jar­dim. É assim tão des­ca­bido, respeitarem-se as emo­ções das pes­soas, che­gando ao mesmo resul­tado de forma mais suave?

Um abate pro­gres­sivo mini­mi­zava, igual­mente, o não menos impor­tante impacto que a eli­mi­na­ção de uma só vez desta bar­reira de pro­tec­ção irá ter em mui­tas das árvo­res que de repente fica­ram expos­tas ao vento de Norte — caso das impo­nen­tes figuei­ras Ficus macrophylla1 — ou que antes esta­vam à som­bra e que de repente vão pas­sar a estar ao sol — caso, por exem­plo, de um Metro­si­de­ros excelsa2 virado a Sudeste. As con­di­ções micro-climáticas no inte­rior do jar­dim foram alte­ra­das brus­ca­mente. Espera-se que sem gran­des impac­tos futu­ros, mas o prin­cí­pio da pre­cau­ção é sem­pre bom con­se­lheiro. Algu­mas árvo­res irão, sem dúvida, bene­fi­ciar das novas con­di­ções mas a velo­ci­dade da mudança poder pio­rar o seu estado antes que venham a usu­fruir de mais luz ou mais espaço para as raí­zes. Ide­al­mente, não se reti­rava uma bar­reira de pro­tec­ção ambi­en­tal antes de outra bar­reira estar a tomar o seu lugar. Não se inter­rom­pia, desta forma, durante anos, a con­tri­bui­ção que as árvo­res têm em ambi­ente urbano para ame­ni­zar o clima, cap­tu­rar polui­ção, redu­zir o ruído, embe­le­zar a pai­sa­gem e for­ne­cer habi­tat a aves e outros animais.

Só uma subs­ti­tui­ção pro­gres­siva per­mi­ti­ria ao Sr. Sá Fer­nan­des dizer, como disse, que as árvo­res vão ser subs­ti­tuí­das e não, sim­ples­mente, aba­ti­das. Como tudo está, no entanto, a ser feito, perdeu-se uma bar­reira de pro­tec­ção rapi­da­mente, e demo­rará anos a que uma nova (haverá uma nova? Ainda nada sabe­mos sobre os pla­nos da Câmara Muni­ci­pal de Lis­boa) ganhe alguma dimensão.

Como já foi refe­rido em alguns tex­tos, Lis­boa parece ter ganho uma certa aver­são a árvo­res. Árvo­res que som­breiam cal­ça­das e nos pro­te­gem das enor­mes flu­tu­a­ções de tem­pe­ra­tu­ras a que esta­mos expos­tos. Árvo­res que melho­ram a qua­li­dade de vida dos que habi­tam a cidade. Que pre­vi­nem ero­são. A lista dos bene­fí­cios seria comprida.

Acres­cento ainda uma nota pes­soal. Com o abate das árvo­res do Prín­cipe Real caiu tam­bém, para mim, qual­quer ilu­são que tinha que o vere­a­dor Sá Fer­nan­des era um tipo dife­rente de polí­tico, alguém pre­o­cu­pado com a cida­da­nia e cor­recto fun­ci­o­na­mento das ins­ti­tui­ções. Tornou-se claro que a pes­soa que inter­veio com uma pro­vi­dên­cia cau­te­lar para garan­tir que o pro­cesso de deci­são sobre o túnel do Marquês de Pom­bal era legal e res­pei­tava as ins­ti­tui­ções não o fez por um amor supe­rior aos direi­tos dos cida­dãos e do seu poder de inter­ven­ção. A forma como foi arran­cado um pare­cer favo­rá­vel pós facto con­su­mado ao IGESPAR (Ins­ti­tuto de Ges­tão do Patri­mó­nio Arqui­tec­tó­nico e Arque­o­ló­gico), assi­nado pelo futuro direc­tor ainda não em fun­ções, para lega­li­zar a inter­ven­ção no Jar­dim do Prín­cipe Real, a cres­cente irri­ta­ção do vere­a­dor face às mais que legí­ti­mas — e legais! — inter­ven­ções de cida­dãos a ques­ti­o­nar o que se está a pas­sar no Prín­cipe Real, a inca­pa­ci­dade que Sá Fer­nan­des mos­tra neste caso de admi­tir qual­quer erro ou pedir des­culpa reflec­tem, não um Herói da Cida­da­nia mas, um banal polí­tico a fazer polí­tica medío­cre. O herói que fez frente a San­tana Lopes tornou-se no anti-herói.

É, por isso, com dupla tris­teza que acom­pa­nho o que acon­tece no Jar­dim do Prín­cipe Real.

Mas com uma enorme ale­gria. O papel das árvo­res como con­tri­buin­tes para a qua­li­dade de vida e bem-estar das pes­soas é cada vez mais reco­nhe­cido. A von­tade dos cida­dãos de inter­vir naquilo que afecta as suas vidas é, cla­ra­mente, cres­cente. Se per­de­mos um herói, ganhá­mos uma comu­ni­dade que luta pelas árvo­res. Que luta por si.

Haja espe­rança.

1Visí­vel na ter­ceira ima­gem a par­tir da esquerda.
2Visí­vel na quarta ima­gem a par­tir da esquerda.

  1. Publicado 7 de Dezembro de 2009 às 17:42 | Link

    Mais do que um pedido de des­cul­pas do vere­a­dor, o que pre­ci­sa­mos mesmo é que ele nos escla­reça não só dos pla­nos para o jar­dim, mas prin­ci­pal­mente a forma como os vai exe­cu­tar, falam-se em valo­res exor­bi­tan­tes que serão gas­tos nesta obra, em vários meses de obras. Afi­nal em que é que se vai trans­for­mar o Jar­dim do Prín­cipe Real? O que é que o Sr. Vere­a­dor entende por “requa­li­fi­ca­ção”?
    Se isso não acon­te­cer vamos andar com o “cora­ção nas mãos” até ao fim das obras.

  2. carlos
    Publicado 7 de Dezembro de 2009 às 20:20 | Link

    Adoro este site e há momen­tos em que me comovo até às lágri­mas com a insu­pe­rá­vel gene­ro­si­dade e inte­li­gên­cia de quem aqui defende as nos­sas irmãs árvo­res. Toda­via, como os anos me ensi­na­ram, haverá muito pouco que seja tão qui­xo­tesco como esta luta inter­mi­ná­vel a favor das árvo­res. Meus irmãos, os por­tu­gue­ses NÃO gos­tam de árvo­res. Tornámo-nos um país de novos-ricos, de cul­tura subur­bana, em que as novas gera­ções rene­gam vigo­ro­sa­mente a sua ori­gem rural e coram de ver­go­nha quando se lem­bram dos tem­pos de pé-descalço da sua juven­tude e do fre­quente anal­fa­be­tismo dos pais e avós. Tra­zer árvo­res para a cidade é implan­tar no espaço urbano uma parte dessa rura­li­dade que os enver­go­nha e repugna. Esta­mos sós, irmãos; nós e as árvo­res, que já nem dei­xam mor­rer de pé, com a dig­ni­dade que mere­ce­riam. Abra­ços solidários.

    • Publicado 9 de Dezembro de 2009 às 19:14 | Link

      Caro Car­los,

      Essa é uma das carac­te­rís­ti­cas dos por­tu­gue­ses que mais me desa­grada, a aver­são às nos­sas ori­gens. A rura­li­dade enver­go­nha, tudo o que cheire a campo, tudo o que trans­pire por­tu­ga­li­dade. Isso vê-se nas ques­tões de arbo­ri­za­ção urbana, estou total­mente de acordo. Tal verifica-se, como refere, na aver­são de tan­tas pes­soas em rela­ção às árvo­res (é assus­ta­dor ver como milhões de por­tu­gue­ses se con­for­mam em viver nas sel­vas de betão da Grande Lis­boa e Porto), mas verifica-se, igual­mente, na forma como se des­preza o poten­cial orna­men­tal de tan­tas espé­cies autóc­to­nes nos nos­sos jar­dins e arruamentos.

      No entanto, a forma como as árvo­res são rola­das está longe de ser um exclu­sivo naci­o­nal, basta, para tal, atra­ves­sar a fron­teira. Aliás, penso que em todos os paí­ses em que tenham ocor­rido alte­ra­ções rápi­das e dra­má­ti­cas ao nível da ocu­pa­ção do ter­ri­tó­rio, como as que ocor­re­ram em Por­tu­gal nas últi­mas deze­nas de anos, haverá uma certa difi­cul­dade para que o urbano aceite e con­viva com o rural.

      Em rela­ção ao blo­gue e à Asso­ci­a­ção Árvo­res de Por­tu­gal, que­re­mos que fun­ci­one não ape­nas como um muro das lamen­ta­ções, mas que ins­pire os que, como nós, gos­tam de árvo­res, para que usem esse amor na defesa diá­ria das árvo­res e na pas­sa­gem desse sen­ti­mento aos outros, nome­a­da­mente aos mais novos. Aque­les que, no futuro, pode­rão fazer a diferença…

      Cum­pri­men­tos.

  3. Victor
    Publicado 8 de Dezembro de 2009 às 3:35 | Link

    Em Abran­tes, no largo onde moro, houve abate total das bétu­las de que sem­pre me lem­bro. Mui­tas pode­riam con­ti­nuar, ms o arbo­ri­cí­dio total foi deci­dido sem dizer “água vai”.
    Ver que a minha tris­teza e indig­na­ção era par­ti­lhada por mais gente não foi con­solo para a sel­va­ja­ria.
    Se tivesse havido um pro­cesso como o que refere, com a par­ti­ci­pa­ção dos cida­dãos, tudo seria mais supor­tá­vel. Já não se lhes pede sen­si­bi­li­dade e bom gosto, mas mero bom senso e algum res­peito pelos outros.
    Mui­tos para­béns pelo seu “post” e pelo blog.

  4. Publicado 8 de Dezembro de 2009 às 12:42 | Link

    É de facto insu­por­tá­vel ser-se tra­tado como idi­ota, ser enga­nado por cima e per­ce­ber tudo desde o pri­meiro minuto. O mínimo que podia ser feito pela CML nesta altura era dis­cu­tir publi­ca­mente o pro­jecto que está na manga. Espe­ra­mos que não esteja cheio de neces­si­da­des de afir­ma­ção, como as casotas-design nas tipu­a­nas de San­tos. O comen­tá­rio do Car­los enqua­dra muito bem o nosso pavor arbó­reo: temos muita ver­go­nha da lama que tra­ze­mos agar­rada às solas.

  5. Publicado 9 de Dezembro de 2009 às 20:48 | Link

    Como diz o Rui Pedro, e muito bem, por vezes não é pos­sí­vel con­tor­nar o abate de árvo­res nas cida­des. As pes­soas devem estar cons­ci­en­tes de que, numa cidade, não se pode cor­rer o risco de que uma árvore possa tom­bar e cau­sar danos mate­ri­ais avul­ta­dos ou, pior, víti­mas huma­nas. Para além des­ses danos, esta­ria cri­ado o ambi­ente para jus­ti­fi­car a rola­gem de deze­nas de outras árvores.

    Mas esta ques­tão, ou seja, o abate de uma árvore por moti­vos fitos­sa­ni­tá­rios, remete-nos para uma pala­vra: con­fi­ança. Con­fi­ança que os polí­ti­cos toma­ram a deci­são com base em rela­tó­rios téc­ni­cos de seri­e­dade inques­ti­o­ná­vel, con­fi­ança de que os polí­ti­cos não têm segun­das intenções,…Ora, como muito bem se sabe, a con­fi­ança é daque­las coi­sas que só se perde uma vez!

    Que con­fi­ança se pode ter em vere­a­do­res, como o Sr. Sá Fer­nan­des, e no seu res­peito pelo patri­mó­nio arbó­reo de Lis­boa, quando o mesmo pro­mo­veu o abate de várias laran­jei­ras sau­dá­veis, que não inter­fe­riam com nenhuma estru­tura urbana, ape­nas para pro­lon­gar uma cal­çada? Com este tipo de ante­ce­den­tes, Sá Fer­nan­des deve­ria saber que as pes­soas jamais acre­di­ta­rão na sua bon­dade para com as árvo­res e com os jar­dins e que, agora como no futuro, as pes­soas exi­gi­rão sem­pre pro­vas escri­tas que sus­ten­tem as inter­ven­ções, deste exe­cu­tivo cama­rá­rio, nos espa­ços ver­des da cidade.

    Mas, para além da con­fi­ança, tam­bém faz falta alguma humil­dade. A humil­dade de ouvir pes­soas e ins­ti­tui­ções, a humil­dade de expli­car.
    Humil­dade que fal­tou, por exem­plo, no caso da inter­ven­ção que envolve uma tipu­ana clas­si­fi­cada, no Jar­dim de San­tos, e a forma como esta foi anun­ci­ada como sendo (quase?) defi­ni­tiva. Não saberá a CML aquilo a que obriga o Decreto-Lei n.º 28468/38 e a neces­si­dade impe­ri­osa da Auto­ri­dade Flo­res­tal Naci­o­nal auto­ri­zar qual­quer inter­ven­ção numa árvore clas­si­fi­cada? Ou dará a Câmara de Lis­boa por garan­tida, ante­ci­pa­da­mente, essa apro­va­ção? Ou será que nem sequer pon­de­rou (pon­dera) esse pedido de autorização?

    Con­fi­ança e humil­dade, Sr. Sá Fernandes…Ainda sabe o que isso é?

  6. Publicado 10 de Dezembro de 2009 às 1:17 | Link

    No que refere ao pare­cer do IGESPAR (Ins­ti­tuto de Ges­tão do Patri­mó­nio ARQUITECTÓNICO e ARQUEOLÓGICO), não che­guei a per­ce­ber qual a auto­ri­dade com que se pode­rão pro­nun­ciar acerca das árvo­res dos espa­ços públi­cos. A não ser que pos­suam téc­ni­cos habi­li­ta­dos para tal. Possuem?

  7. Beatriz Katchi
    Publicado 12 de Dezembro de 2009 às 10:43 | Link

    Incrí­vel.… Custa acre­di­tar!!!!!
    O que é que se passa na cabeça des­tes senho­res???
    Sem­pre foi um local de refe­rên­cia de Lis­boa.
    Espero que ainda este­ja­mos a tempo de inver­ter este disparate.

  8. TalvezTeEscreva
    Publicado 12 de Dezembro de 2009 às 15:41 | Link

    «Com o abate das árvo­res do Prín­cipe Real caiu tam­bém, para mim, qual­quer ilu­são que tinha que o vere­a­dor Sá Fer­nan­des era um tipo dife­rente de polí­tico, alguém pre­o­cu­pado com a cida­da­nia e cor­recto fun­ci­o­na­mento das ins­ti­tui­ções. Tornou-se claro que a pes­soa que inter­veio com uma pro­vi­dên­cia cau­te­lar para garan­tir que o pro­cesso de deci­são sobre o túnel do Marquês de Pom­bal era legal e res­pei­tava as ins­ti­tui­ções não o fez por um amor supe­rior aos direi­tos dos cida­dãos e do seu poder de inter­ven­ção».
    .
    Claro que não. Fê-lo por­que pre­ci­sava do medi­a­tismo de uma causa frac­tu­rante para a sua pró­pria pro­jec­ção pes­soal; para levar as pes­soas a acre­di­ta­rem que o Zé fazia falta na Câmara de Lisboa :)

  9. Publicado 18 de Dezembro de 2009 às 0:53 | Link

    Tomei hoje conhe­ci­mento que foi ini­ci­ada a 24 de Novem­bro, logo no iní­cio dos tra­ba­lhos no jar­dim do Prín­cipe Real, uma peti­ção sobre esta ques­tão. Con­vido todos a lerem o texto e subs­cre­ve­rem se con­cor­da­rem aqui:
    http://www.petitiononline.com/prpreal/petition.html

    Sexta-feira, 18 de Dezem­bro de 2009, vai decor­rer às 21h00 uma ses­são pública de escla­re­ci­mento sobre o que se passa no Jar­dim do Prín­cipe Real. no audi­tó­rio Quin­ta­ni­lha na ex-FCUL à rua da Escola Poli­téc­nica (entrada pelo cami­nho para o Jar­dim Botânico).

    Foram con­vi­da­dos para este debate várias enti­da­des envol­vi­das no pro­jecto:
    Pre­si­dente e vere­a­dor do pelouro dos espa­ços ver­des da CML, IGESPAR, Auto­ri­dade Flo­res­tal Naci­o­nal, Junta de fre­gue­sia das Mercês,e orgãos da comu­ni­ca­ção social.

    Des­co­bri que um grupo de “Ami­gos do Prín­cipe Real” tem se mobi­li­zado para defen­der o Jar­dim e per­ce­ber o que se passa. Convidaram-me a estar pre­sente no debate e ten­ta­rei não faltar.

    Fica aqui tam­bém a infor­ma­ção para que todos os que quei­ram pos­sam par­ti­ci­par. Serão todos cer­ta­mente bem vindos.

    Con­se­guir este debate é uma vitó­ria, para que se per­ceba que há quem ame os nos­sos jar­dins e o defenda. Que as árvo­res em Lis­boa não desa­pa­re­cem sem que alguém note e as chore. E nem tudo está encer­rado sobre o Jar­dim. É pre­ciso per­ce­ber exac­ta­mente o que é que a Camara quer fazer.

    Tal­vez com ini­ci­a­ti­vas popu­la­res como esta se con­siga evi­tar bara­ba­ri­da­des futuras.

  10. António Manuel de Pa
    Publicado 15 de Julho de 2010 às 23:12 | Link

    Ape­nas uma nota téc­nica: A árvore do género Ficus, clas­si­fi­cada como “Ficus macrophylla” é de facto um Ficus micro­carpa.
    Sei isto por­que tra­ba­lhei mui­tos anos em Macau, onde estas árvo­res são muito fre­quen­tes, quer plan­ta­das, quer espon­tâ­neas.
    Antó­nio Saraiva

  1. Por Preocupante Requalificação de Jardim em Loulé a 2 de Abril de 2010 às 11:56

    […] super­fi­cial, o rai­zame se situa, na sua maior parte, no pri­meiro metro de solo. No Jar­dim do Prín­cipe Real , caso muito polé­mico e medi­a­ti­zado, a inter­ven­ção ao nível dos solos é, ainda […]

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