Nos limites dos mapas antigos, o fim das terras representadas costumava ser ilustrado com desenhos fantásticos e sobrenaturais, sinalizando o início dos mundos desconhecidos. Pois bem, estas três fotografias pretendem ter o mesmo efeito: foram recolhidas no fim do mundo conhecido do Parque de Monserrate, em Sintra, no limite ocidental do mapa que é fornecido aos visitantes, à porta de caminhos onde não se pretende que deambulem. Em primeiro plano há uma comunidade tropical a que chamam “México”, em recuperação após um longo abandono; logo depois, um bosque denso onde, há três semanas, sobressaía o cobre de três ciprestes-dos-pântanos e o amarelo encarnado de um grande liquidâmbar.
Quem quiser reviver as aventuras perigosas dos antigos exploradores das terras ignoradas pode dirigir-se a este parque e, corajosamente, avançar para fora do mapa sem se deixar intimidar pela luxúria vegetal extravagante que aí habita.




Está correcta a descrição — terras ignoradas. Estas fotografias fazem-me lembrar banda desenhada, tipo “O Raio U” de Edgar P. Jacobs.
Concordo. Qualquer coisa que parece inspirar-se na realidade sem ser realmente real. E embora o modelo destas fotos exista mesmo, todas as fotos mentem sempre descaradamente. O Ernst Gombrich diz uma coisa com muita graça, algo como “as fotografias parecem-se com o mundo, mas o mundo não se parece com as fotografias”.