Eu sei que este é um blogue sério e que não devia vir para aqui com estas conversas, mas… Não resisto, tenho de vos dizer que o Castanheiro-da-Índia se fosse gente, era um sedutor. A coisa ainda não tem uma explicação totalmente científica, mas as evidências são muitas, senão vejam.
Primeiro o nome comum: Castanheiro-da-Índia dá-lhe o ar pomposo, exótico e viajado de que qualquer sedutor não prescinde para causar boa impressão. Depois vai-se a ver com mais atenção e este nome é enganador, é uma árvore nativa aqui mesmo da Europa ali para os lados da Grécia, mas isso não interessa nada até porque tem a vantagem de garantir que por cá consegue com facilidade sentir-se em casa.
Depois reparem no porte: Elegante, imponente, magnifico… Lindo de morrer, ninguém lhe consegue ficar indiferente logo à primeira vista.
Temos ainda de considerar a forma impecável como se adapta às estações do ano: As nuances do colorido outonal e a forma tranquila como, ano após ano, se desfaz de todas as suas enormes folhas; a dignidade e elegância com que – despido – se apresenta durante todo o Inverno; a beleza rara das suas grandes flores na Primavera; um toque de humor refinado (não há sedutor que não tenha uma pequena dose de humor refinado) quando as flores se começam a transformar em pequenos ouriços espinhosos, mas inofensivos, onde se desenvolve secretamente o fruto. E que fruto é este? Apetitoso, quase irresistível mas ao mesmo tempo venenoso e intragável, em nada igual às verdadeiras e nutritivas castanhas que embora aparentem semelhanças e tenham o mesmo nome nem sequer lhe são aparentadas. Mas surpreendentemente é um fruto cheio de qualidades medicinais para quem os sabe utilizar com sabedoria. E quando chega o Verão, o nosso castanheiro-da-índia está coberto de folhas lindas, do verde mais refrescante que existe e atrai para a sua sombra todos os que ainda não tinham sucumbido aos seus encantos.
Deve ser por tudo isto, que Paris – a cidade da sedução – tem tantos Castanheiros-da-índia. Já Lisboa tem falta destas árvores: Sedutoras, irresistíveis e capazes de ensinar aos mais renitentes tudo o que precisam de saber sobre o amor pelas árvores.
Nas fotografias: Os Castanheiros-da-Índia do Parque Eduardo VII, poucas horas atrás.




Castanheiro-da-Índia, grande mentiroso!
Então não é da Índia e ainda por cima nem sequer é castanheiro?!
Como todos os sedutores Rafael. Mas são mentiras inofensivas.
Sedutores, talvez sejam. Mas conheço um grupinho dado a partidas agressivas: neste Outono, os da Quinta da Regaleira, à saída Sintra para Seteais, andaram a divertir-se alvejando com as suas falsas castanhas os turistas incautos. Diz-se que repetem a brincadeira todos os anos!
Pudera! Sintra transforma os sedutores em atrevidos. Que felizes devem ser os Castanheiros-da-Índia em Sintra.
LINDO…nunca vi tal coisa…ou então…passei sempre ao lado distraído sei la com o quê…
É realmente uma bela árvore, com belas flores. Estará tudo dito? Falta dizer que as flores são em cachos e têm cores que vão desde o branco ao rosa forte, Vi-as em pela primeira vez em Londres e fiquei deslumbrada. Desde então procuro por elas sempre que me desloco a qualquer sítio. Infelizmente, no meu Montijo só conheço uma e bem escondida por sinal, apesar de estar no centro, perto da Praça da República. Em Lisboa vi algumas cor-de-rosa, na zona que me parece ser perto das Olaias, na passagem do autocarro que vai da Gare do Oriente a Algés.