Na passada quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010, este era o cenário no acesso à Esplanada do Príncipe Real, Lisboa, onde estão a decorrer obras de intervenção muito contestadas. Apesar da proximidade das figueiras, Ficus macrophylla, e araucária, Araucaria columnaris, classificadas – quatro árvores classificadas muito próximo umas das outras – não foi procurada uma solução alternativa para a passagem de cabos.
Abriu-se um roço de um metro, colocou-se uma manilha de betão onde antes havia raízes de figueira, passaram-se cabos, usou-se uma compactadora para compactar o solo – apesar de se estar em cima do sistema radicular das figueiras – e hoje já tudo deve estar tapado como se não se tivesse passado nada.
Mas passou. E, infelizmente, as árvores vão senti-lo. As árvores não morrem de um dia para o outro, nem de um mês para o outro, e muitas vezes nem de um ano para o outro. Mas estas intervenções aceleram o envelhecimento precoce destas árvores e fragilizam-nas.
Já se tinha visto uma escavadora gigantesca por cima de todo o jardim, em período de grande pluviosidade e solos saturados de água. O resultado foi a compactação do solo, com efeitos nefastos nas raízes do arvoredo. Também já se tinham registado danos directos à copa e raízes acima do solo das figueiras classificadas. E, agora, isto.
O problema das obras do Jardim do Príncipe Real passa não só pelo conteúdo mas também pelo processo. Bastaria ter havido a intervenção digna de alguém que perceba de árvores de grande porte e facilmente se tinham encontrado soluções alternativas.
Mas a Câmara Municipal de Lisboa tudo sabe e tudo pode. E assim se vai destruindo o nosso património.
P.S. – Entretanto, caiu no dia 28 de Janeiro de 2010, ali muito próximo mas desta vez de causas naturais, uma das mais emblemáticas árvores do Jardim Botânico da Universidade de Lisboa, um Metrosideros excelsa.




Para além de tudo o resto (infelizmente, até agora, nada tem corrido bem na obra do Príncipe Real), fazer este tipo de intervenção num raio de 50 metros em volta de uma árvore classificada, é ilegal ((Decreto-Lei n.º 28468/38, de 15 de Fevereiro). Até quando é que se vai permitir aos responsáveis pelo pelouro dos espaços verdes da CML continuar a agir ilegalmente?
Rosa, eu apresentei esta semana uma reclamação por escrito – livro de reclamações online – ao Ministro da Agricultura sobre o abandono desta obra pela AFN, no que diz respeito às árvores classificadas e à intenção expressa de plnatar Robínias. Para que ficasse registado. Porque se não registarmos por escrito eles fingem que não ouvem.
E devia-se apresentar uma à Ministra da Cultura por o IGESPAR ter autorizado a obra apesar de no projecto estar a ilegalidade expressa da intenção de plantar Robínias. Ver Publico online uma notícia sobre as robínias.
Mas tem toda a razão, claro.
Eu amanhã (31Jan2010) vou guiar uma visita, de fora, ao Jardim do Príncipe Real, às 11h30, para falar no jardim e falar no que corre mal. Junte-se a nós.
Há silêncios ensurdecedores e há silêncios intoleráveis. O silêncio da Autoridade Florestal Nacional, perante o que se passa no Príncipe Real, é do tipo intolerável, porque põe em causa a sua própria autoridade e porque é permissivo a que persistam estes atropelos perante património classificado.
[...] Para além dos exemplares que está previsto abater (para aumentar a insolação), talvez nessa altura venha a ser necessário eliminar grande parte das árvores que agora consigam resistir. Especialmente delicada será a situação das resinosas (e são muitas), grupo muito sensível à danificação das suas raízes. Acresce que, devido a uma camada de solo compacto bastante superficial, o raizame se situa, na sua maior parte, no primeiro metro de solo. No Jardim do Príncipe Real , caso muito polémico e mediatizado, a intervenção ao nível dos solos é, ainda assim, menor do que aqui (também aqui). [...]