Frequentemente, vemos desaparecer das estradas portuguesas muitas das árvores que, desde há várias décadas, proporcionavam um fabuloso cenário para as nossas viagens. Muitos, como eu, terão ainda a recordação de infância dos túneis de sombra proporcionada pelo denso arvoredo.
Em poucos anos, tornou-se já muito difícil encontrar locais como estes. Salvo raras excepções, das vastas alamedas plantadas pela antiga Junta Autónoma de Estradas (JAE), restam apenas fragmentos isolados e, muitas vezes, severamente mal tratados.
Torna-se, assim, urgente e imprescindível que se percebam as razões que levaram as entidades sucessoras da JAE a eliminar este património dificilmente recuperável.
Claro que muitos abates e outras intervenções são inevitáveis, devido a muitos factores relacionados com a saúde e estabilidade das árvores e com a segurança rodoviária. No entanto, este processo acelerado de perda de património arbóreo ao longo das estradas portuguesas, tem sofrido de falta de informação à população. Este facto tem levando muitas pessoas a questionarem se todas estas intervenções seriam realmente necessárias e se os procedimentos adoptados terão sido os mais indicados.
No intuito de ajudar a explicar estas situações e de proteger o que resta deste património, a Árvores de Portugal enviou hoje à Delegação Regional de Setúbal da Estradas de Portugal o pedido de informação que se transcreve a seguir. (Comprometemo-nos, obviamente, a publicar a resposta que nos venha a ser facultada.)
Exmo. Sr.
Eng.º António ValenteA Associação Árvores de Portugal teve informação, através de conversa telefónica com o seu gabinete, que os serviços que dirige estão a preparar um concurso público para intervenção em árvores situadas ao longo do Itinerário Complementar (IC) 1, no troço Grândola – Alcácer do Sal. Muitas destas árvores, maioritariamente pinheiros mansos, são exemplares notáveis de grande porte, as quais se pretende que continuem a constituir uma excepção no depauperado arvoredo das nossas estradas, antigo e riquíssimo legado da Junta Autónoma de Estradas, extinta precursora da Estradas de Portugal.
O que chamou, em primeira instância, a nossa tenção foram as marcações nos troncos destas árvores, semelhantes às que assinalavam os eucaliptos abatidos na mesma via, no Distrito de Beja.
Assim, vimos requerer a Vossa Excelência a divulgação pública do plano elaborado para esta intervenção no troço acima citado e dos estudos técnicos realizados que a fundamentam, no sentido de esclarecer a população e se evitarem mal entendidos e posteriores polémicas desnecessárias.
Disponibilizamos, desde já, os nossos canais de informação, para ajudar a difundir essa informação, da mesma forma que fizemos uso dos mesmos para publicar este pedido de informação.
Agradecemos desde já a atenção prestada a este assunto e ficamos a aguardar a sua resposta.
Atenciosamente,
A Associação Árvores de Portugal




Muito pertinente. Se como dizes, uma geração beneficiou das plantações umas dezenas de anos antes, não se vislumbra que a geração seguinte vá ter a mesma sorte. Não se nota vontade desta Junta Autónoma de Estradas (com novo nome depois das denúncias de corrupção por parte do General Garcia dos Santos durante o governo Guterres) de plantar nada. Nota-se vontade é de deitar abaixo.
Estou convencido que vamos atravessar uma época em que nem verba para um bocado de piche para tapar buracos vai haver. As árvores que já eram sempre as últimas, vão de últimas para o limbo.
Infelizmente, parece-me que ainda há suficiente financiamento para esbanjar em muita vias pouco ou nada prioritárias, onde poucos veículos circulam por hora. No entanto, no que refere a qualidade, principalmente do entorno e enquadramento das próprias estradas, a aposta e desoladoramente parca.
[…] aqui a resposta da Estradas de Portugal, recebida a 27 de Janeiro, ao nosso pedido de informação enviado a 7 de […]
[…] da resposta da Delegação Regional de Setúbal da Estradas de Portugal a um pedido de esclarecimento emitido por nós a 27 de Janeiro, pedimos agora a mesma informação à Estradas da […]