Há já dois anos que junto ao principal cruzamento de Valença, por épocas natalícias, é colocado um bonito presépio. Com várias figuras que se iluminam pela noite, relembra o sentido religioso da quadra e alegra o espaço central da cidade.
No entanto, desde o primeiro dia em que o vi, tive pena das suas personagens. Tão bela disposição com tão grotesco pano de fundo.
Sobre o Menino Jesus e a sua Sagrada Família, pendem o ramos deformados de “árvores” que mais parecem saídas de um qualquer filme de terror. Em tempos, foram plátanos aos quais o futuro foi ceifado. Agora, em vez de crescerem em altura e porte majestoso, como lhes é característico, desenvolvem as suas atrozes deformidades por entre as cicatrizes da serra. Em tom de brincadeira, já comentei que não é de admirar que, tal como foi noticiado, cinco das figuras do Presépio tenham desaparecido este ano – talvez se recusassem a partilhar o espaço com seres tão feios.
Mas estes maltratados exemplares, não são caso único. Mesmo ao lado, no antigo Campo da Feira, um monstruoso exército de deformidades alinha-se para dar sombra no Verão. Mas durante o Inverno mostram a sua verdadeira aparência.
Esta é uma situação que se repete vezes sem conta por todo o Norte de Portugal e também em Espanha. Uma moda, talvez?
Duas estranhezas me assaltam quando passo neste local. A primeira é a indiferença das pessoas perante tais cenários. A segunda, é o contraste destas “árvores” com os imponentes plátanos da Avenida da Fronteira e como a mesma mão que decepou uns, soube conservar os outros.




Que visão assustadora, a desses esqueletos atrofiados. E, infelizmente, que visão tão comum. Será mesmo há mesmo quem aprecie esta forma de maltratar plátanos, que é apenas uma questão de gosto? Um gosto pouco amigo de árvores, sem dúvida. E quanto a esse paradoxo dos plátanos próximos tratados de forma tão diferente, será que a sua gestão é feita pelas mesmas entidades? Estarão uns a cargo dos poderes municipais e outros das Estradas de Portugal? Seja como for, quem trata dos segundos bem poderia influenciar os primeiros. Até porque, aparentemente, não há qualquer obstáculo visível nas fotos que impeça os mutilados plátanos de crescer como árvores normais.
Tanto quanto sei, a entidade responsável quer por uns quer outros é a mesma — a Câmara Municipal de Valença. Há já muitos anos, desde a minha infância, que vejo esta dualidade mas, na altura, era dos que não a achava estranha. O motivo para este contraste? Aparentemente, apenas diferentes opções para diferentes espaços. Mais uma vez, uma questão de gosto.
Talvez um revivalismo dos tempos da verdadeira ruralidade minhota, através desta pós-moderna recriação da “vinha do enforcado”.
[...] mostra os maltratados plátanos do Campo da Feira, à semelhança do que acontece no concelho vizinho de Valença, embora neste último caso se continue a verificar a [...]
[...] mesmo estando algumas delas logo ao lado de outros exemplares magníficos, como referi neste texto. Será que as pessoas já nem as conseguem identificar como sendo da mesma [...]