Estes plátanos, situadas na freguesia de Colares, concelho de Sintra, são, com toda a certeza e como acontece noutros pontos do país, uma herança do tempo em que a Junta Autónoma de Estradas (JAE), hoje Estradas de Portugal (EP), plantava árvores à beira das nossas estradas.
Hoje em dia, numa altura em que o lucro a qualquer custo se tornou numa obsessão perigosa, estas e muitas outras árvores são vistas, pela EP , como um problema que urge resolver, até pelos custos associados à sua manutenção. A própria EP já assumiu publicamente, sem pudor, que não está interessada em replantar as árvores que periodicamente manda abater (para alargamento de estradas, por questões de segurança, etc.), excepto no caso de espécies protegidas por lei (como o sobreiro). As preocupações paisagísticas são, obviamente, uma coisa do passado, como tudo o que aparenta não gerar mais-valias imediatas para os accionistas.
Preocupados com as notícias da poda de 200 exemplares na freguesia de Colares, a cargo da EP, com base num pedido da própria Junta de Freguesia, um grupo de cidadãos de Sintra1, decidiu propor, à Autoridade Florestal Nacional (AFN), a classificação deste conjunto de exemplares como árvores de interesse público. Pedido que visa proteger e preservar, para as gerações vindouras, algo que é sistematicamente menosprezado no nosso país, o valor cultural de uma paisagem.
Como este pedido de classificação pressupõe, entre outros procedimentos, uma análise ao estado fitossanitário das árvores em causa, por parte da AFN, ele inclui essa vantagem adicional de clarificar o estado de sustentabilidade de cada um dos espécimes. Porque, ao contrário da EP, a AFN não é parte interessada no assunto, o que pode ajudar a credibilizar a necessidade de intervir, ou não, nestas árvores, nomeadamente por eventuais questões de segurança.
1 O mesmo grupo de cidadãos que tomou a iniciativa de enviar uma carta aberta, em forma de petição, ao Presidente da Câmara Municipal de Sintra, solicitando um esclarecimento sobre a política da autarquia para a conservação/manutenção do património arbóreo do concelho. Petição que, apesar de contar com mais de uma centena de assinaturas, continua, tanto quanto sei, a não merecer a humildade de uma resposta por parte do autarca sintrense.
[Autoria das fotografias: Susana Félix (fotografia central) e Pedro Macieira (restantes imagens).]




A evolução da EP é lamentável, de notável construtor da paisagem Portuguesa para notável destruidor.
Quanto ao silêncio da Câmara Municipal de Sintra, não é, infelizmente, nada surpreendente: a ineficiência dessa enorme autarquia é quase lendária, não se restringindo às árvores por que está incumbida de zelar! Ainda assim, pode ser que daqui a mais uns tempos, após os percursos sinuosos da sua burocracia, saia uma qualquer resposta, mesmo que irrelevante.