Tal como nos tínhamos comprometido, transcrevemos aqui a resposta da Estradas de Portugal, recebida a 27 de Janeiro, ao nosso pedido de informação enviado a 7 de Janeiro.
Continuamos, como é óbvio, muitíssimo preocupados com as árvores que ladeiam a IC1 entre Grândola e Alcácer do Sal, especialmente com os majestosos pinheiros mansos, relíquias de uma época em que era comum viajar à sombra. Outros tempos, outras prioridades. Continuaremos a investigar o que se pretende fazer a estas árvores e tentaremos apurar de que mal se vêem afectadas para que penda sobre elas o machado ou, actualizando, a lâmina da motos-serra.
E cito:
Exmo Senhor Miguel Rodrigues,
As árvores que se encontram implantadas nas imediações das estradas nacionais constituem património arbóreo que a EP pretende preservar sempre que possível.
Tal desiderato, porém, nem sempre é viável, já que por vezes se apresentam situações que colocam em risco a segurança da circulação rodoviária e/ou os exemplares arbóreos evidenciam sinais de doença (como por exemplo o nemátodo) que determinam a obrigatoriedade do seu abate.
De referir que a EP — Estradas de Portugal, S.A. possui na sua estrutura um Gabinete de Ambiente com pessoal qualificado para se pronunciar sobre o estado fitossanitário das árvores propriedade da EP.
Quanto ao concurso público, em preparação, tem sido objecto de alterações por força não só do facto de parte da rede de estradas do distrito de Setúbal ter sido subconcessionada, como também pela necessidade de proceder ao abate urgente de pinheiros afectados com doença e, ainda, de exemplares de outras espécies que, pelo seu crescimento ou por quaisquer outras razões, indiciam risco para a segurança de pessoas e bens.
No que se refere à intervenção a efectuar no IC 1, nomeadamente no troço Alcácer do Sal – Grândola, qualquer intervenção de manutenção / conservação é da responsabilidade da subconcessionária Estradas da Planície, uma vez que esta via encontra-se subconcessionada.
Resta-nos agradecer a V/ disponibilidade para difusão de acções nesta área e informar que Vos contactaremos logo que tenhamos uma programação das acções a desenvolver neste domínio.
Com os melhores cumprimentos,
A. Valente
DRSTB
A nossa resposta:
Exmo Senhor Engº
António Baltazar Valente
Agradecemos a sua resposta ao nosso pedido de informação. Como compreende, preocupa-nos muito o futuro destas impressionantes árvores, património que demorará muitas dezenas de anos a ser substituído, caso venham a ser abatidas.
Assim, gostaríamos de saber do interesse da EP em publicar os estudos ou pareceres dos vossos técnicos, ou de outros serviços, sobre o estado dinâmico e fitossanitário dos espécimes a intervencionar, se possível com a identificação desses mesmo espécimes.
Tal como nos tínhamos comprometido, publicamos a sua e a nossa resposta, mantendo os nossos canais abertos à difusão de informações relevantes.
Atenciosamente,
Pela Árvores de Portugal
Miguel Rodrigues




Houve uma altura em que a entidade que antecedeu a Estradas de Portugal (EP), a Junta Autónoma de Estradas (JAE), plantava árvores nas bermas das nossas rodovias, de Norte a Sul do país.
No presente, a EP não planta árvores, apenas as corta. Talvez com a excepção da reposição de exemplares de espécies protegidas pela legislação nacional, como o sobreiro.
Ninguém contesta que há árvores que representam um perigo para pessoas e bens e que, como tal, devem ser cortadas de imediato. Ninguém contesta este facto, incluindo a Árvores de Portugal, e isto que fique bem claro.
O que nos incomoda, nos abates levados a cabo pela EP, é o facto dos relatórios técnicos que sustentam estas decisões de abate, nunca serem tornados públicos. Seria do próprio interesse da EP, até para acabar com qualquer especulação acerca das suas intenções, que as razões para abater as árvores sob sua responsabilidade fossem sempre clarificadas, de forma inequívoca do ponto de vista técnico, para cada espécime em concreto.
Mas não…Em Portugal, é mais fácil conseguir saber pormenores de certos processos judiciais, supostamente sob apertado segredo de justiça, do que conhecer uma linha destes relatórios sobre o estado fitossanitário das árvores propriedade da EP. Porque será?