Braga é uma cidade tipicamente portuguesa. As imagens são esclarecedoras e deixam poucas dúvidas sobre isso. Se o país vive, pelo menos de forma aparente, no século XXI, as árvores, infelizmente, estão ainda presas à Idade das Trevas.
Não me vou alongar em considerações sobre o que se tem passado, nestes anos mais recentes, no que concerne à manutenção das árvores ornamentais de Braga, para não ter que repetir o que já escrevi, há algum tempo, no meu blogue pessoal. Apesar disso, reitero duas características desta cidade que tornam esta situação particularmente incompreensível.
Em primeiro lugar, numa cidade sem um parque urbano consentâneo com a dimensão da sua malha urbana, era de prever que a autarquia valorizasse e cuidasse, de forma digna, a arborização das ruas e avenidas. Neste particular, convém referir que Braga tinha, até anos recentes, o privilégio da sombra proporcionada por dezenas e dezenas de árvores de bom porte, com a dupla vantagem de tornarem o Verão menos abrasivo e de tornarem mais amistosa e humana uma cidade onde o betão cresceu, e cresce, a um ritmo imparável.
Admito, obviamente, que algumas destas árvores necessitassem de podas para redução da sua copa. Admito que algumas tivessem que ser abatidas por questões de segurança. Mas a rolagem é vandalismo puro e simples e não encontra, aqui ou em qualquer outra cidade, qualquer justificação técnica.
Em segundo lugar, se estas rolagens são intoleráveis independentemente do local onde ocorrem, é particularmente incompreensível que as mesmas ocorram numa das maiores cidades do país, com supostas elites culturais e universitárias, sem que exista um mínimo de arrepio e de sobressalto perante estas atrocidades.
Se a câmara local persiste nestes crimes contra o património arbóreo da cidade é porque sabe que conta com a cumplicidade silenciosa da maioria. É assim em Braga e é assim no resto do país. A única diferença é que em Braga, cidade jovem e universitária, era de esperar que houvesse uma minoria que se indignasse e ajudasse a alterar, progressivamente, a forma como a árvore é tratada em meio urbano.
Mas provavelmente, no que toca à forma como a arborização das cidades é vista, a mentalidade em Braga é tão tacanha como no resto do país. A árvore é um empecilho que retira lugares de estacionamento, tapa as vistas para a vizinhança, produz folhas que entopem sarjetas e liberta substâncias pegajosas que se colam aos passeios. Tem a árvore ainda o péssimo hábito de atrair os pássaros, criaturas barulhentas e pouco dadas a grandes pudores na hora de defecarem sobre os automóveis.
A árvore, nas cidades, é uma chatice! Sem alterar este preconceito, nada se conseguirá de quem manda nas autarquias. E quem manda, manda para as maiorias e estas não têm as árvores em grande apreço.
Para a maioria dos portugueses, o progresso da sua cidade mede-se pelo tamanho do centro comercial ou pelo número de túneis ou rotundas. Quando a qualidade de vida passar a estar no topo das prioridades dos portugueses, talvez aí haja uma oportunidade para as árvores…




A enumeração das razões para odiar árvores são um portento. Recentemente, ouvi o incrível argumento das folhas caídas serem escorregadias e ameaçarem precipitar os pobres transeuntes desprevenidos no chão. O factor aterrador suplementar (porque o argumento em si próprio já era suficientemente mau) foi o facto de a afirmação ter partido de um técnico municipal com responsabilidades na gestão do espaço público, que por acaso não era de Braga. E assim se vai vivendo nas nossas nas nossas hostis, desérticas, incultas cidades.
Seria muito interessante a realização de um estudo psico-sociológico que analisasse a influência da arborização e da desarborização na saúde psicológica das populações urbanas. Os benefício físicos e fisiológicos para as pessoas, já ninguém os questiona embora, tacitamente, quem se sente incomodado pelas árvores, os desvalorize.
O mais interessante´é a já existência dos estudos que mencionas
[...] no coração das cidades, mesmo das cidades atormentadas pela febre arboricida, árvores que resistem. Por esquecimento de quem manda podar, mal e de forma cega, ou, pura e [...]