Ninguém, e muito menos nós os lisboetas, como eu, doidos por árvores, pode racionalmente dizer mal dos lódão-bastardos, são as árvores que nos estão no sangue, nas recordações, nas ruas, nos parques, nos quintais, nos logradouros, nos jardins, no meio do caminho, por todo o lado… Seria preciso não gostar de árvores para ter a coragem de dizer mal destas árvores tão familiares e tão bem comportadas. Em certas alturas do ano, podemos até ficar encantados com elas, mas, mais cedo ou mais tarde convém perguntarmo-nos e até — sem querer ofender ninguém — perguntar a quem de direito: Ó Senhores, mas porquê tanto, tanto lódão-bastardo?
Árvores Notáveis
A Associação Árvores de Portugal agradece o envio de informação sobre exemplares arbóreos passíveis de classificação como árvores de interesse público, pela Autoridade Florestal Nacional. Para tal, sugerimos o envio dos respectivos dados através da nossa página de contacto.




Antes lódãos, árvores autóctones, que eucaliptos ou outras exóticas mal comportadas.
Cumprimentos.
Não diga isso Rafael, as exóticas em Lisboa, normalmente, portam-se com uma enorme dignidade, são tantas vezes elas que nos animam os dias.
Rosa, não resisto a dizer que a qualidade das tuas fotografias realça de tal maneira a beleza dos lódãos, que os efeitos práticos do teu texto podem ser contrários aos teus objectivos iniciais. ;)
Eu penso que os jardins devem, tal como as cidades, ser espaços de diversidade. Da mesma forma que me agrada a diversidade étnica e cultural de uma grande cidade, agrada-me que essa variedade de cores e aromas se reflicta nos seus espaços verdes.
O problema, em Portugal, é que se menospreza o potencial ornamental de muitas das nossas espécies autóctones, algumas das quais de beleza ímpar, como é o caso do raríssimo Rhododendron ponticum, das serras de Monchique e do Caramulo.
Dito por outras palavras, o problema não está no uso de espécies exóticas, mas no menosprezo das potencialidades de muitas das nossas espécies.
Queria ainda sublinhar que uma espécie exótica não é necessariamente invasora. Aliás, há espécies autóctones que, em determinadas condições ecológicas, podem revelar comportamento invasor.
O verdadeiro problema, ao nível das espécies invasoras, está no respectivo desconhecimento por parte de muitos técnicos municipais responsáveis por espaços verdes. Só assim se pode compreender que organismos do Estado, como as câmaras, continuem a plantar espécies que o mesmo Estado reconhece, através de legislação específica, como sendo invasoras.
Pedro, os lódãos são árvores muito bonitas principalmente no Outono (altura em que fotografei estes no Parque Eduardo VII) não é meu objectivo dizer ou mostrar o contrário. Só me aborrece esta insistência em plantar mais lódãos numa cidade que já está cheia deles e em que algumas árvores — mesmo autóctones — são quase inexistentes.
Rosa, compreendi e concordo com o teor das tuas palavras.
No meu comentário anterior, tentei apenas, confesso, subverter um pouco o teor da tua mensagem; ou seja, perante a beleza dos teus lódãos outonais, é quase irresistível conter a vontade de os plantar!
O lódão-bastardo (Celtis australis), não é uma espécie autóctone. Em Lisboa recorre-se frequentemente a esta árvore porque é a super-árvore de arruamento, pelas suas características e comportamento em meio urbano. As suas folhas decompõem-se facilmente, são pequenas, a madeira é resistente, a árvore resistente à secura e poluição urbana. Mais importante, conseguem habitar nos solos de cubo de calcário, exiguamente. Porém, como ilustra a fotografia, falta criatividade a alguns projectistas e jardineiros da CM Lisboa, para a promoção do uso de outras espécies e de introdução de novas, para o aumento da diversidade visual e biológica. Neste lugar não há estrada, não há carros — a melhor das oportunidades. Vale o elogio ao lódão.
Felizmente são males que vêm por bem, mas que descredibilizam o papel da árvore na cidade, pois é vulgarizada e condensada na palavra árvore: “Querem árvores? Tomem árvores!” (e lá vem lódãos outra vez).
Caro André Santos,
Obrigado pelo seu comentário. Gostaria de saber, por curiosidade científica, em que bibliografia sustenta a sua afirmação acerca do lódão não ser uma espécie autóctone.
Antecipadamente grato, cumprimentos.