Diz Que é o Ano Internacional da Diversidade Biológica

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Nin­guém, e muito menos nós os lis­bo­e­tas, como eu, doi­dos por árvo­res, pode raci­o­nal­mente dizer mal dos lódão-bastardos, são as árvo­res que nos estão no san­gue, nas recor­da­ções, nas ruas, nos par­ques, nos quin­tais, nos logra­dou­ros, nos jar­dins, no meio do cami­nho, por todo o lado… Seria pre­ciso não gos­tar de árvo­res para ter a cora­gem de dizer mal des­tas árvo­res tão fami­li­a­res e tão bem com­por­ta­das. Em cer­tas altu­ras do ano, pode­mos até ficar encan­ta­dos com elas, mas, mais cedo ou mais tarde con­vém perguntarmo-nos e até — sem que­rer ofen­der nin­guém — per­gun­tar a quem de direito: Ó Senho­res, mas porquê tanto, tanto lódão-bastardo?

  1. Publicado 19 de Março de 2010 às 21:47 | Link

    Antes lódãos, árvo­res autóc­to­nes, que euca­lip­tos ou outras exó­ti­cas mal com­por­ta­das.
    Cumprimentos.

    • Publicado 19 de Março de 2010 às 22:20 | Link

      Não diga isso Rafael, as exó­ti­cas em Lis­boa, nor­mal­mente, portam-se com uma enorme dig­ni­dade, são tan­tas vezes elas que nos ani­mam os dias.

  2. Publicado 20 de Março de 2010 às 22:04 | Link

    Rosa, não resisto a dizer que a qua­li­dade das tuas foto­gra­fias realça de tal maneira a beleza dos lódãos, que os efei­tos prá­ti­cos do teu texto podem ser con­trá­rios aos teus objec­ti­vos iniciais. ;)

    Eu penso que os jar­dins devem, tal como as cida­des, ser espa­ços de diver­si­dade. Da mesma forma que me agrada a diver­si­dade étnica e cul­tu­ral de uma grande cidade, agrada-me que essa vari­e­dade de cores e aro­mas se reflicta nos seus espa­ços verdes.

    O pro­blema, em Por­tu­gal, é que se menos­preza o poten­cial orna­men­tal de mui­tas das nos­sas espé­cies autóc­to­nes, algu­mas das quais de beleza ímpar, como é o caso do rarís­simo Rho­do­den­dron pon­ti­cum, das ser­ras de Mon­chi­que e do Caramulo.

    Dito por outras pala­vras, o pro­blema não está no uso de espé­cies exó­ti­cas, mas no menos­prezo das poten­ci­a­li­da­des de mui­tas das nos­sas espécies.

    Que­ria ainda subli­nhar que uma espé­cie exó­tica não é neces­sa­ri­a­mente inva­sora. Aliás, há espé­cies autóc­to­nes que, em deter­mi­na­das con­di­ções eco­ló­gi­cas, podem reve­lar com­por­ta­mento invasor.

    O ver­da­deiro pro­blema, ao nível das espé­cies inva­so­ras, está no res­pec­tivo des­co­nhe­ci­mento por parte de mui­tos téc­ni­cos muni­ci­pais res­pon­sá­veis por espa­ços ver­des. Só assim se pode com­pre­en­der que orga­nis­mos do Estado, como as câma­ras, con­ti­nuem a plan­tar espé­cies que o mesmo Estado reco­nhece, atra­vés de legis­la­ção espe­cí­fica, como sendo invasoras.

    • Publicado 20 de Março de 2010 às 23:39 | Link

      Pedro, os lódãos são árvo­res muito boni­tas prin­ci­pal­mente no Outono (altura em que foto­gra­fei estes no Par­que Edu­ardo VII) não é meu objec­tivo dizer ou mos­trar o con­trá­rio. Só me abor­rece esta insis­tên­cia em plan­tar mais lódãos numa cidade que já está cheia deles e em que algu­mas árvo­res — mesmo autóc­to­nes — são quase inexistentes.

      • Publicado 20 de Março de 2010 às 23:57 | Link

        Rosa, com­pre­endi e con­cordo com o teor das tuas palavras.

        No meu comen­tá­rio ante­rior, ten­tei ape­nas, con­fesso, sub­ver­ter um pouco o teor da tua men­sa­gem; ou seja, perante a beleza dos teus lódãos outo­nais, é quase irre­sis­tí­vel con­ter a von­tade de os plantar!

  3. André Santos
    Publicado 4 de Abril de 2010 às 12:58 | Link

    O lódão-bastardo (Cel­tis aus­tra­lis), não é uma espé­cie autóc­tone. Em Lis­boa recorre-se fre­quen­te­mente a esta árvore por­que é a super-árvore de arru­a­mento, pelas suas carac­te­rís­ti­cas e com­por­ta­mento em meio urbano. As suas folhas decompõem-se facil­mente, são peque­nas, a madeira é resis­tente, a árvore resis­tente à secura e polui­ção urbana. Mais impor­tante, con­se­guem habi­tar nos solos de cubo de cal­cá­rio, exi­gua­mente. Porém, como ilus­tra a foto­gra­fia, falta cri­a­ti­vi­dade a alguns pro­jec­tis­tas e jar­di­nei­ros da CM Lis­boa, para a pro­mo­ção do uso de outras espé­cies e de intro­du­ção de novas, para o aumento da diver­si­dade visual e bio­ló­gica. Neste lugar não há estrada, não há car­ros — a melhor das opor­tu­ni­da­des. Vale o elo­gio ao lódão.

    Feliz­mente são males que vêm por bem, mas que des­cre­di­bi­li­zam o papel da árvore na cidade, pois é vul­ga­ri­zada e con­den­sada na pala­vra árvore: “Que­rem árvo­res? Tomem árvo­res!” (e lá vem lódãos outra vez).

    • Publicado 4 de Abril de 2010 às 20:03 | Link

      Caro André Santos,

      Obri­gado pelo seu comen­tá­rio. Gos­ta­ria de saber, por curi­o­si­dade cien­tí­fica, em que bibli­o­gra­fia sus­tenta a sua afir­ma­ção acerca do lódão não ser uma espé­cie autóctone.

      Ante­ci­pa­da­mente grato, cumprimentos.

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