Ontem à tarde, já perto das 20h00, um grupo de cidadãos amantes das árvores, entre eles eu e o Pedro Santos, esperou pela chegada do senhor Presidente da República, à Câmara Municipal de Loulé. Foi-lhe entregue, bem como ao senhor Presidente da Câmara, o comunicado que transcrevo abaixo. No acto, foi-lhe explicado pelo Pedro o sentido da acção, nomeadamente a preocupação dos participantes pela falta de informação técnica que pudesse justificar o que tem sido feito às árvores deste concelho nos últimos anos e, igualmente, preocupação pelo futuro que espera as demais árvores de Loulé.
Esta acção foi dinamizada por um grupo de cidadãos da cidade, autores de diversos blogues locais, que nos convidaram para tomar parte activa na mesma. O denominador comum entre todos nós é o amor às árvores e a exigência de um maior respeito pelas pessoas que delas deveriam poder desfrutar em harmonia.
Foram ainda entregues folhetos de esclarecimento à população, com uma versão resumida do mesmo texto, para além de todos envergarmos uma t-shirt, especificamente idealizada para o efeito. Assim preparados, vários participantes dispuseram-se cada um sobre um dos tocos das árvores cortadas nesta praça, no passado fim-de-semana.
Resta-nos agradecer o convite que nos foi feito pelos organizadores esta acção cívica. Agradecemos ainda a amabilidade do senhor Presidente da República e as suas palavras, emocionadas e convictas, quando o informámos que as tílias em causa tinham sido abatidas no próprio Dia da Árvore: “Nesse dia eu plantei uma árvore!”
“Exmo. Sr. Presidente da República
Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Loulé
Exmo. Sr. Presidente da Assembleia Municipal de Loulé
Exmos. cidadãos da Cidade de LouléO movimento de cidadãos de Loulé pelas árvores do Concelho, do qual fazem parte autores de diversos blogues e a Associação Árvores de Portugal, apela à sensibilidade de Vossas Excelências para os problemas patentes neste manifesto conjunto.
As árvores fazem parte da vida das cidades. Estão vivas e criam vida à sua volta. Guardam histórias e criam memórias.
É também certo que há quem as despreze. Seja porque as folhas entopem as sarjetas, porque sujam os passeios, porque tapam as vistas, porque servem de abrigo aos pássaros que nos sujam o carro, porque isto e porque aquilo. O ódio à árvore chega ao ponto de criar mitos como o de serem as árvores as principais responsáveis pelas nossas alergias, logo elas que eliminam muitos dos poluentes em suspensão no ar e produzem o oxigénio que respiramos, enquanto fixam o poluente dióxido de carbono.
A uma câmara pede-se que tenha vistas largas e que perceba e respeite a importância das árvores em meio urbano. Os nossos antepassados plantaram as árvores à sombra das quais descansamos hoje. Foi esse o seu legado para o futuro. É esse património, parte da nossa identidade regional e nacional, que
queremos ver defendido no presente.Vendo esse património perigar a passo acelerado, apelamos a que a Câmara Municipal de Loulé (CML) torne públicos os relatórios técnicos que sustentam a decisão de proceder aos abates de árvores que têm ocorrido, de forma recorrente, nos últimos anos, no concelho. Dado todo o secretismo de que estes abates se têm revestido, é justo que os cidadãos de Loulé se questionem sobre o conteúdo destes relatórios que, supostamente, sustentam algumas intervenções recentes, como o corte de árvores na Avenida José da Costa Mealha, em algumas artérias de Quarteira ou a desastrosa rolagem da araucária situada nos claustros do Convento do Espírito Santo, espécime monumental que marcava e definia o perfil da cidade.
Se esses estudos existem, e são tecnicamente inatacáveis, não seria do próprio interesse da CML, torná-los públicos, contribuindo para a dissipação de qualquer dúvida sobre as intenções por detrás destas intervenções da autarquia? O que receia a Câmara de Loulé?
Mais bizarro é todo o processo que conduziu ao abate de 16 tílias com cerca de 60 anos, na Praça da República. Sendo certo que uma empresa de arboricultura atestou a necessidade de abater 12 desses exemplares, cabe aos cidadãos de Loulé perguntar ao seu Presidente:
a) Tendo os decisores políticos conhecimento deste parecer técnico, por que motivo não esclareceram as pessoas e as prepararam para este desfecho, a bem da sua segurança?
b) Quais os motivos técnicos que levaram a não se optar por um abate faseado e que permitisse salvar 4 das tílias que, do referido relatório, se infere não representarem perigo para os transeuntes
e seus bens?
c) Pelo contrário, por que motivo se sonegou toda esta informação e se procedeu a uma intervenção apressada, abatendo todos os exemplares em 36 horas, com o supremo mau gosto de ter coincidido com as celebrações do Dia da Árvore? Acaso a autarquia tem os seus munícipes em tão baixa consideração que os julgava incapazes de não se indignarem com o desaparecimento destas árvores, sem qualquer explicação?Muitas questões e poucas ou nenhumas explicações. Basta! As pessoas querem ser ouvidas e que as suas opiniões e sentimentos, face à cidade que amam, sejam consideradas por quem governa os destinos do concelho.
Se é tarde para corrigir os erros do passado, ainda vamos a tempo de evitar a sua repetição no futuro. Loulé e os louletanos exigem saber se amanhã, ao acordarem, as suas árvores ainda estarão de pé ou se cairão, ao som de uma motosserra, vítimas de um pecado que nunca chegarão a conhecer.
Por último, convém relembrar a Câmara Municipal de Loulé que todos os dias são o Dia da Árvore e que de nada serve, em termos de educação ambiental, plantar uma árvore a 21 de Março se, nos restantes dias, se destrói em minutos o que levou dezenas de anos a crescer.
Seria ainda interessante se esta edilidade se tornasse, com a ajuda e colaboração dos seus munícipes, num exemplo nacional daquilo que é obrigatório fazer ao nível das autarquias para promover e preservar os arvoredos das nossas cidades, condição imprescindível para a saúde e bem-estar das populações que nelas habitam e património que deverá ser legado aos que, no futuro, irão julgar os nossos actos segundo aquilo que tivermos a capacidade e inteligência de lhes deixar.
Com os respeitosos cumprimentos dos abaixo assinados.
Loulé, 27 Março 2010António Almeida, professor, Blogue “seBastião”
Hélder Raimundo, professor, Blogue “Contra>senso”
João Martins, professor, Blogue “Movimento Apartidário da Cidade de Loulé”
Manuel Costa, Engenheiro Agrónomo
Miguel Rodrigues, professor, Blogue “Árvores Monumentais do Algarve e Baixo Alentejo” e
Associação Árvores de Portugal
Pedro Santos, professor, Blogue “A Sombra Verde” e Associação Árvores de Portugal.




É um enorme orgulho saber que existem cidadãos, em Portugal, que não ficam em silêncio e pensam que podem fazer a diferença, mesmo pouca, mas fazem!
OBRIGADO.
Obrigado Maria!
Estive lá e senti que a postura ordeira e a comunicação usada para abordar o Presidente Cavaco Silva irá produzir efeitos. Pelo menos localmente, acredito que o Protesto tenha sido assunto do repasto presidencial.
É que em Loulé têm sido devastadas as árvores urbanas numa fúria não assumida e sempre com desculpas que escondem as reais intenções. A renovação urbana para deixar marcas do poder reinante ignoram a saúde pública e as preocupações com a qualidade do ar nos Centros Urbanos… Foi isso que quisemos demonstrar e provar que os Cidadãos, estando atentos, querem ser ouvidos!
Parabéns a todos os intevenientes. Infelizmente eu sou daqueles que reconhecendo a importância integral destas acções, penso que o seu efeito sobre os praticantes de tais actos de barbaridade ambiental são equivalentes a uma picada de mosquito. Passei hoje pelo Parque Municipal de Loulé. Os abates já começaram e fiquei mais uma vez sem palavras com o que vi. Assim, que me desculpem todos os amigos das árvores, reconhecendo eu a suprema importância dos pareces técnico científicos dos arboricultores, tenho que dizê-lo: Não há pareceres técnicos que resistam. Para que servem os mesmos, se as árvores da cidade de Loulé continuam impunemente a serem abatidas pelas autarquias? Eu quero é pareceres que evitem os abates e não pareceres que recomendem os abates.
João Martins
Boa noite João,
Mais tarde, darei uma resposta mais alargada, a todos os leitores deste blogue sobre o que se passou ontem e nos últimos dias, em relação a esta questão das árvores em Loulé.
No entanto, e especificamente sobre a questão do parque:
a) Eu e o Miguel Rodrigues não conhecemos a existência de qualquer estudo sobre o estado fitossanitário das árvores do Parque Municipal de Loulé. Como o mesmo nunca foi mencionado, duvidamos da sua existência.
b) Como compreenderás, temos dedicado horas a estas questões, em especial o Miguel, negligenciando a nossa vida pessoal e, inclusivamente, a nossa vida profissional. Estamos no limiar da exaustão.
Logo, pedimos desculpa, mas as pessoas não podem estar à espera que seja o Miguel, por exemplo, a ir, uma vez mais, à CM de Loulé em busca de respostas para esta questão. Até porque o Miguel já teve oportunidade de manifestar, há coisa de duas semanas, a um alto responsável pelos serviços de manutenção dos espaços verdes da CM de Loulé, as críticas da Associação Árvores de Portugal ao que está a ser feito no parque.
Críticas que o Miguel reforçou, na passada semana, ao Vice-Presidente da Câmara. Sem falar nas críticas que eu próprio manifestei, no dia de ontem e na presença do Senhor Presidente da República, ao próprio Presidente da Câmara.
Como compreenderás, pouco mais podemos fazer, de forma isolada, para além da publicação oportuna de um texto, neste mesmo blogue, especificamente dedicado à questão do Parque Municipal de Loulé.
Desta forma, apelamos aos louletanos para que exijam dos seus representantes políticos, nomeadamente na Assembleia Municipal, a busca dessas justificações juntos dos serviços técnicos e decisores políticos da câmara. Até para sentirmos que o nosso esforço, e de todos os que se têm dedicado a esta luta, como tu ou o António Rocha, por exemplo, não tem sido em vão.
c) Amigo João, só existe um tipo de relatório de avaliação fitossanitária bem feito: aquele que, independentemente dos resultados do mesmo, é feito por técnicos competentes, do ponto de vista técnico, e honrados, do ponto de vista da ética profissional, ou seja, insensíveis às pressões do poder político; pressões essas que, como compreenderás, são sempre no sentido de cortar ou, no mínimo, podar de forma drástica.
Um abraço.
Olá João
Foi devido a um aviso teu que ficamos alertados para a situação dramática do parque (jardim). Por isso me dirigi à CML (divisão de Projectos) e falei com a pessoa responsável por este projecto específico. Com as informações de que disponho e fotos que fui recolhendo, acho que já tenho matéria para acabar o artigo que estou a preparar. Estará para breve. Se dizes que começaram a abater árvores no parque, tenho que lá voltar para recolher mais algumas fotos. Infelizmente, como o Pedro referiu, o tempo é muito escasso. Mas vou ver o que consigo fazer.
Obrigado pela tua ajuda!
Peço imensa desculpa por algum comentário mais exaltado Pedro. Estou profundamente revoltado (não encontro outra palavra) com o apagão da minha memória e da minha identidade. As árvores da minha cidade são parte da minha pessoa.
João Martins
João,
Em primeiro lugar, não vejo motivos, absolutamente nenhuns, para pedires desculpa pelo amor que tens às árvores.
Em segundo lugar, o meu cuidado em responder-te, o mais depressa que me foi possível, é porque compreendo, tão bem, essa tua revolta e frustração. As vezes que já passei por isso na minha Covilhã natal.
Vamos aguardar os próximos dias e ver se o acto de ontem teve algum efeito, nomeadamente no despertar dos partidos da oposição, na assembleia municipal, para estes problemas.
Mas mais importante era despertar os louletanos. Os cidadãos não reagem, tirando a meia-dúzia do costume, e é isso que dá força à arrogância de quem manda. A coisa já começou há pelo menos 3 anos, tanto quanto me recordo, e há tanta gente em silêncio cúmplice…
João,
O meu cuidado em responder-te, o mais depressa que me foi possível, é porque compreendo, tão bem, essa tua revolta e frustração. As vezes que já passei por isso na minha Covilhã natal.
Vamos aguardar os próximos dias e ver se o acto de ontem teve algum efeito, nomeadamente no despertar dos partidos da oposição, na assembleia municipal, para estes problemas.
Mas mais importante era despertar os louletanos…Os cidadãos não reagem, tirando a meia-dúzia do costume, e é isso que dá força à arrogância de quem manda.
A 17 de Maio de 2007 publicava, no meu blogue pessoal, o primeiro texto dedicado ao abate de árvores no concelho de Loulé.
Foi o primeiro de vários textos, dedicados não apenas a questionar o porquê desses abates, como também a denunciar podas abusivas, como a que sofreu a araucária do Convento do Espírito Santo, que marcava o perfil da cidade.
Passados 3 anos, e muitas dezenas de árvores abatidas, são muitas as perguntas que continuam sem resposta. Por exemplo, no texto que cito, de Maio de 2007, questionava qual tinha sido a entidade técnica responsável pela análise do estado fitossanitário das árvores abatidas, nesse caso, na Avenida José Mealha.
Neste espaço de tempo, a Câmara Municipal de Loulé (CML), que se saiba, nunca deu qualquer justificação aos seus munícipes para o abate destas e de muitas outras árvores. Nunca explicou se existe algum plano para os espaços verdes da cidades, planeado e executado por técnicos credíveis ou se, pelo contrário, as intervenções vão sendo pensadas e executadas em cima do joelho, ao sabor de uma maré destrutiva, servindo um ideal estético de contornos arboricidas.
Há cerca de 3 semanas, e tendo por base a busca de motivos para uma intervenção no Parque Municipal, mais uma de contornos muito duvidosos, o Miguel Rodrigues teve ocasião de questionar um responsável da Divisão de Projectos, da CML, sobre os motivos para todos estes abates.
Nenhum documento, se é que algum existe, nos foi dado a conhecer que pudesse fundamentar, de alguma forma, estas intervenções nos espaços verdes do concelho. Apenas a informação, algo vaga, que a CML solicita, previamente a este tipo de intervenções, o parecer de um engenheiro agrónomo.
Estudos para cada uma das árvores abatidas? Bom, se os há, não nos foram mostrados e continuamos, e provavelmente continuaremos sempre, sem saber se haveria motivos para cortar estas árvores.
Claro que a conversa do Miguel Rodrigues ocorreu antes de imaginarmos a surpresa, de muito mau gosto, que a CML tinha reservado para a véspera e para o próprio Dia da Árvore: o corte de 16 tílias, no coração da cidade!
Uma vez mais, e após mais esta ocorrência, o Miguel Rodrigues, em nome da Árvores de Portugal, deslocou-se à CML, em busca da verdade. Desta vez, foi, inclusivamente, recebido pelo próprio Vice-Presidente da autarquia.
Deste modo, foi possível saber que para este caso, e apenas para este, foi pedido um estudo a uma empresa de arboricultura, ou seja, a uma empresa com técnicos e equipamentos próprios para fazer o diagnóstico do estado fitossanitário de árvores ornamentais.
O Miguel Rodrigues consultou o estudo, que faz, não uma análise global das tílias, mas uma análise individualizada do estado fitossanitário, para cada um dos exemplares em causa. Ficou-se a saber, deste modo, que, das 16 árvores cortadas, 12 apresentavam sérios riscos para a segurança de pessoas e bens.
Como já escrevi anteriormente, a CML pode, e deve, ser criticada neste caso das tílias, da Praça da República, pelos seguintes factos:
a) Não divulgou os resultados do estudo, permitindo que as pessoas pudessem ter questionado, de forma directa, os próprios autores do documento em causa, de forma a compreenderem os riscos envolvidos caso se tomasse a opinião de preservar as tílias;
b) Deste modo, a decisão de cortar as árvores foi mantida em segredo, com o intuito óbvio de não criar polémicas, como se isso fosse mais importante que os sentimentos das pessoas face a estas árvores. As pessoas deveriam ter sido informadas e preparadas para a inevitabilidade deste desfecho.
c) Pelo contrário, optou-se pela arrogância do “quero, posso e mando”, com o supremo mau gosto, quase a roçar a provocação, do corte das árvores ter ocorrido no fim-de-semana em que se celebrava, precisamente, o Dia da Árvore.
d) Por último, a autarquia não explicou, e continua sem explicar, os motivos porque decidiu, adicionalmente, abater 4 tílias que não apresentavam qualquer perigo para a segurança dos transeuntes.
No entanto, o pormenor mais significativo do dito relatório é quando o mesmo sublinha que, se não tivesse sido a incorrecta manutenção destas árvores, com podas desadequadas, não se teria chegado ao estado de degradação que ditou a necessidade de proceder ao corte destes exemplares.
Percebe-se melhor agora o incómodo da CML em divulgar este estudo técnico, pois no mesmo está escrito, preto no branco, a sua culpa neste desfecho. Se as árvores não podiam ser salvas foi porque a autarquia delas não soube cuidar.
Curiosamente, no tal texto de Maio de 2007, perguntava precisamente: “Para além de todas as questões ambientais inerentes a estes abates, será que uma correcta gestão do património arbóreo não seria também proveitosa para o erário público?” Dito por outras palavras, se as árvores fossem tratadas com profissionalismo, ao longo dos anos, não seria necessário, às câmaras municipais, proceder sistematicamente ao seu abate e substituição por novos exemplares, como neste caso de Loulé. Para além dos custos ambientais e paisagísticos, poupava-se o dinheiro dos contribuintes.
Claro que o corte destas 16 tílias, dada a sua idade e localização, acabou por ter um impacto muito maior do que o corte das dezenas de exemplares, no concelho, que o precedeu. Mas o pior deste caso é que, uma vez que a CML, no passado, nunca deu explicações aos seus munícipes sobre os cortes de árvores no concelho, agora que existe um estudo tecnicamente credível, muitas pessoas recusam-se a aceitar os resultados do mesmo.
E isto é que é particularmente grave, pois demonstra o divórcio dos cidadãos de quem os representa e governa. Tal só levará a que, no futuro, os cidadãos se distanciem cada vez mais das políticas para a sua cidade, com o efeito agravante de deixar quem manda na autarquia mais livre para implementar os seus desígnios.
Porque, verdade seja dita, a Câmara de Loulé, como qualquer autarquia deste país, sabe que conta com o apoio de uma larga maioria de cidadãos que, independentemente da sua cor política, odeia as árvores e apoia qualquer acto arboricida. É triste, mas tem que ser recordado que, em 2008, o professor António Rocha lançou um manifesto em defesa das árvores de Loulé que teve 66 assinaturas…sessenta e seis!
É esta passividade e cumplicidade da sociedade civil que alimenta a arrogância de quem manda e que cauciona, por omissão, muitos dos seus actos. No entanto, inconformados com esta situação e prontos a lutar contra o desânimo, um grupo de cidadãos de Loulé decidiu mostrar o seu descontentamento, no passado Sábado, ao Presidente da autarquia, Dr. Seruca Emídio, aproveitando a passagem do Presidente da República, Professor Cavaco Silva, pelo concelho onde nasceu.
Esse grupo de cidadãos, que inclui o António Rocha (autor do blogue Sebastião), o João Martins (autor do blogue Movimento Apartidário da Cidade de Loulé) e o Hélder Faustino Raimundo (autor do blogue Contra>Senso) decidiu convidar a Associação Árvores de Portugal , na minha pessoa a na do Miguel Rodrigues, a juntar-se a esse protesto simbólico. Aceitámos por ser um protesto em defesa das árvores e por ser um protesto apartidário.
Deste modo, em nome de todos os cidadãos de Loulé, tive ocasião de entregar ao Senhor Presidente da República, o documento que podem neste texto, escrito pelo Miguel Rodrigues. Uma cópia do mesmo foi, obviamente, entregue igualmente ao autarca de Loulé.
Ao Presidente da República agradecemos a amabilidade que demonstrou em querer ouvir as razões da nossa indignação e, deste modo, ter criado as condições para que as pudéssemos transmitir, na primeira pessoa, ao Presidente da CML. Por seu lado, o Presidente da autarquia, a quem também agradecemos a atenção de nos ouvir, teve o cuidado de prestar algumas justificações mas que, mesmo tendo em conta que aquele não era o momento para conversas exaustivas e demoradas, nos parecem claramente insuficientes:
a) Sobre o facto das tílias terem sido cortadas no Dia da Árvore, foi-nos dito que a urgência desses abates foi ditada precisamente pelo conteúdo do dito relatório técnico. Situação que contestei, pois o relatório foi concluído em Novembro passado.
Logo, se os técnicos tivessem descrito uma situação de perigo iminente, o corte deveria ter sido imediato. Como tal não foi feito, presume-se que a necessidade de abater as 12 tílias não era urgente, pelo que o período de tempo que decorreu após a entrega do dito documento deveria ter servido para a sua divulgação/discussão.
b) Precisamente sobre a falta de divulgação deste relatório, o Senhor Presidente da CML esclareceu-nos que o mesmo tinha sido dado a conhecer aos comerciantes da Praça da República. Sem desprimor para os ditos comerciantes, tive ocasião de relembrar o Senhor Presidente da autarquia que estes representam uma ínfima parte dos cidadãos do concelho.
c) Sobre os motivos para todos os outros abates ocorridos, nestes 3 últimos anos, na cidade e no concelho, nada foi dito. Nem sobre a já citada intervenção no Parque Municipal da cidade, que decorre na actualidade.
Deste modo, continuamos sem saber qual a estratégia e a fundamentação, se é que existem, para todas estas intervenções nas árvores e espaços verdes municipais.
Deste modo, e para que esta acção não tenha sido em vão, cabe aos cidadãos de Loulé continuar a pressionar os seus representantes na Assembleia Municipal, de modo a obter as respostas necessárias por parte do Executivo Municipal. É aos louletanos que cabe mostrar o seu descontentamento. Só eles e apenas eles poderão conseguir uma mudança de rumo na forma como estas questões têm sido tratadas, no concelho.
P.S. – Algumas questões adicionais:
1º) A Árvores de Portugal irá manifestar, brevemente, a sua opinião sobre as obras de remodelação no Parque Municipal de Loulé.
2º) A Árvores de Portugal defende que a gestão das árvores ornamentais deve ser feita, em exclusivo, por empresas ou técnicos com formação em arboricultura. Deste modo, a menos que alguém nos prove a falta de idoneidade e de competência técnica da empresa que efectuou a análise das tílias da Praça da República, continuaremos a defender, como credíveis, as conclusões do citado estudo técnico.
3º) A Árvores de Portugal, em conjunto com a Almargem, acordou realizar, num espaço da autarquia, uma palestra sobre espécies invasoras, no próximo dia 16 de Abril.
Sobre este assunto, queremos reafirmar que, como é por demais evidente, tal facto não condiciona a nossa isenção e liberdade.
Por outro lado, como não confundimos o Executivo Municipal com a autarquia em si, enquanto instituição, não vemos motivos para anular esta iniciativa e privar os louletanos de aceder a uma palestra que nos parece extremamente importante.
[...] Manifestação pelas árvores de Loulé entrega manifesto ao Presidente da República Árvores de Portugal. [...]