Estradas de Portugal — Podas e Abates Bárbaros em Trancoso

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Segundo um comu­ni­cado do Núcleo Regi­o­nal da Quer­cus da Guarda, a Estra­das de Por­tu­gal con­ti­nua a sua cam­pa­nha de des­trui­ção das árvo­res. Desta vez, está a acon­te­cer na EN226. Árvo­res cen­te­ná­rias, car­va­lhos e frei­xos, tudo desa­pa­rece ou é hor­ri­vel­mente muti­lado pelas moto-serras da Inte­vial, empresa que está a rea­li­zar este triste trabalho.

Abaixo, trans­cre­ve­mos esse comu­ni­cado. A Quer­cus, ape­sar das árvo­res já rola­das ou aba­ti­das, con­ti­nua a ten­tar tra­var a acção.

Estra­das de Por­tu­gal efec­tuam podas abu­si­vas em árvo­res cen­te­ná­rias na EN 226 entre Tran­coso e Aguiar da Beira

A Quer­cus rece­beu recen­te­mente denún­cias sobre o abate e podas abu­si­vas em deze­nas de árvo­res cen­te­ná­rias autóc­to­nes, a mai­o­ria carvalhos-alvarinhos e frei­xos, sem pro­ble­mas fitos­sa­ni­tá­rios que jus­ti­fi­cas­sem este tipo de inter­ven­ção, na berma da Estrada Naci­o­nal n.º 226, entre Ponte do Abade, no con­ce­lho de Aguiar da Beira, e Tran­coso, no dis­trito da Guarda.

Ao longo de cerca de 20 km da EN n.º 226, entre Ponte do Abade, Ben­vende, Vila Novi­nha, Rio de Mel, Cas­taíde e pró­ximo de Tran­coso, estão a ser rea­li­za­dos, nas últi­mas sema­nas, aba­tes e sobre­tudo podas de rola­ria abu­si­vas, cor­tando frei­xos e car­va­lhos cen­te­ná­rios quase a meio, o que é tec­ni­ca­mente incor­recto, dado ser extre­ma­mente agres­sivo para as árvo­res e poder pro­vo­car a degra­da­ção do seu estado fitos­sa­ni­tá­rio e con­se­quen­te­mente a sua longevidade.

A mai­o­ria das árvo­res não colo­cava em risco a segu­rança rodo­viá­ria, cons­ti­tuindo esta inter­ven­ção da Direc­ção de Estra­das da Guarda, da Estra­das de Por­tu­gal, S.A., uma forma de ges­tão danosa do patri­mó­nio público arbóreo.

No local, a empresa de ges­tão rodo­viá­ria Inte­vial, con­ti­nua a avan­çar com esta acção incorrecta.

A deci­são de abate e podas de árvo­res públi­cas devem ser jus­ti­fi­ca­das tec­ni­ca­mente pela empresa Estra­das de Por­tu­gal, S.A.

A Quer­cus tem rece­bido diver­sas denún­cias de abate e podas abu­si­vas de árvo­res junto de Estra­das Naci­o­nais e alerta as enti­da­des com­pe­ten­tes para um pro­blema que a Estra­das de Por­tu­gal deve resol­ver, cri­ando um sis­tema que fun­da­mente tec­ni­ca­mente a neces­si­dade de aba­ter árvo­res, recor­rendo a diag­nós­ti­cos com rela­tó­rios fitos­sa­ni­tá­rios, incluindo aná­li­ses de risco para a segu­rança rodoviária.

Relem­bra­mos que nos últi­mos anos acon­te­ce­ram outras situ­a­ções idên­ti­cas e con­ti­nua a não exis­tir um sis­tema com apoio téc­nico que fun­da­mente as inter­ven­ções no arvo­redo público junto das estra­das nacionais.

A Quer­cus espera que a EP ter­mine esta acção bár­bara, para que no futuro pos­sam pro­mo­ver a ges­tão do arvo­redo de forma sus­ten­tá­vel e coerente.

Guarda, 18 de Março de 2010

A Direc­ção do Núcleo Regi­o­nal da Guarda da Quercus”

(Foto­gra­fias e legen­das de Domin­gos Pata­cho. Da esquerda para a direita: “Abate de árvore cen­te­ná­ria”; “Árvore des­fi­gu­rada”; “Podas de car­va­lhos na EN226”.)

  1. Smak
    Publicado 21 de Março de 2010 às 23:58 | Link

    Uma pala­vra só: CRIMINOSOS!

  2. Publicado 22 de Março de 2010 às 12:13 | Link

    Fez este Verão pas­sado um ano que pas­sei nesta estrada, a EN 226, vindo de Ser­nan­ce­lhe em direc­ção a Tran­coso. A estrada era, e lamento ter que usar o verbo no pas­sado, um pra­zer para os que amam as árvores.

    Deze­nas de árvo­res, sobre­tudo frei­xos, que nos faziam acre­di­tar que um outro país era pos­sí­vel. Um país recon­ci­li­ado com as árvores.

    Admito, como nou­tras situ­a­ções, que alguns exem­pla­res pre­ci­sas­sem de algu­mas podas para remo­ver ramos doen­tes ou secos; admito que, excep­ci­o­nal­mente, uma ou outra árvore pudesse ser irre­cu­pe­rá­vel e neces­si­tasse de ser abatida.

    Mas quando vemos as árvo­res a serem rola­das per­ce­be­mos que esta gente nada per­cebe da manu­ten­ção de árvo­res e que a inter­ven­ção é pura­mente des­tru­tiva. Des­tru­tiva das árvo­res, da pai­sa­gem e de um patri­mó­nio colec­tivo plan­tado pela JAE, na altura em que este orga­nismo do Estado tinha enge­nhei­ros que ama­vam as árvores.

  3. Publicado 29 de Março de 2010 às 22:30 | Link

    É ver­dade Pedro há sem­pre alguma inter­ven­ção mínima a fazer mas não esta des­trui­ção que con­ti­nu­ará por estas estra­das fora.

    Bom tra­ba­lho

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