O homem que é insensível ou indiferente à poesia, à música ou à pintura é um homem ensurdecido no seu ser e diminuído na sua existência. Um homem mutilado, anormal e temível. É o destruidor da alegria.
Sophia de Mello Breyner Andresen
(Rolagem de árvores em Sintra. Fotografias gentilmente cedidas por uma leitora.)




Pedro,
Imparável estes processos de destruição de árvores em Sintra. Um silêncio ensurdecedor, dos responsáveis autárquicos é revelador da sua opinião em relação à barbaridade que começa a fazer parte do quotidano de Sintra, Paisagem Cult ural de Sintra, Património da Humanidade!!!
E vale a pena fazer um esforço para não sorrir – e candidata à votação das “7 Maaravilhas Naturais de Portugal”….
http://riodasmacas.blogspot.com/2010/04/sem-mais-comentarios.html
Pedro,
o problema é que esta prática está a tornar-se “normal” em quase todas as autarquias e mesmo entre particulares que têm árvores nos seus terrenos. Os maus exemplos são imitados rapidamente!
É necessário começar a educar/formar junto das autoridades competentes (técnicos, funcionários, jardineiros,entre outros, directamente ligados ao espaço público – árvores), ou seja, fazer seminários/workshops/debates/folhetos/comunicações,etc., sobre como cuidar das árvores (principalmente, abordando as trágicas podas!). Com o apoio da Árvores de Portugal e/ou em conjunto com outras entidades/personalidades ligadas à temática.
Tens toda a razão, Maria. Mas não vai ser fácil e vai demorar bastante tempo. Temos em preparação algumas iniciativas simples que gostaríamos que sejam o princípio de um processo de mudança. Claro que precisamos, e muito, do apoio dos sócios e colaboradores para levar esta mensagem à população em geral.
Pela nossa parte, tentaremos também passar a informação às câmaras municipais e outras entidades que têm árvores à sua responsabilidade. Mas não vale a pensa pensar que todas estas entidades vão mudar as suas práticas tão entranhadas, só porque dezenas de técnicos e algumas centenas de pessoas se manifestam contra. É necessário também mudar a opinião das pessoas. Os decisores seguem as massas e enquanto sentirem que, quando destroem as suas árvores, são apoiados pelas vozes ou pelo silêncio das populações, a barbárie vai continuar.
Maria,
Absolutamente de acordo contigo, com uma pequena discordância. As rolagens nas nossas cidades não se estão a tornar numa prática “normal”. Infelizmente, as rolagens são há muito aplicadas como sendo um tratamento necessário, e benéfico, para as árvores. É por isso também, que é tão difícil mudar a mentalidade das pessoas, sobretudo das mais velhas, para quem ver uma árvore rolada é absolutamente normal.
A este propósito, vale bem a pena (re)ler o que o Eng.º Vieira Natividade escreveu, no já longínquo ano de 1959, mas que continua, infelizmente, tão actual: http://sombra-verde.blogspot.com/2009/01/retrato-da-rvore-em-portugal.html
Graças às novas tecnologias, é possível partilhar mais informação, e imagens, sobre estes atentados cometidos, contra as árvores, nas nossas cidades. Mas tens razão, denunciar e protestar não basta. É necessário, e urgente, educar! Educar para uma nova forma de gerir as árvores em espaço urbano.
Essa é aliás a razão da criação da Associação Árvores de Portugal. Para denunciar bastaria um blogue.
Como referiu o Miguel, estamos, actualmente, a planificar uma actividade que, estamos certos, ajudará a dar mais visibilidade a estas questões.
Esta vaga de destruição em Sintra é revoltante, triste e vergonhosa. Não consigo perceber porque é que esta prática foi, nas ruas aqui mostradas, abandonada há 20/30 anos, tendo-se deixado as tílias e os plátanos recuperar um pouco da sua dignidade, para tudo terminar nesta miséria, uma geração mais tarde. Há algo profundamente errado e perigoso nos serviços de ambiente deste município, que delapida e rapina os bens que foram colocados à sua guarda. Os espaços públicos desta vila tornaram-se um desconforto embaraçoso, uma sucessão lúgubre de lugares a evitar; quanto ao seu título de “Património Mundial” (atribuído pelo valor da sua paisagem cultural!) merece ser seriamente posto em causa.
Mas, o estranho é que a maioria das pessoas, passa indiferente, como se fosse a coisa mais natural, como se sentissem saudades …
Cara sintrense,
Há uma minoria de pessoas que ama as árvores e que compreende a sua importância nas cidades. Há, infelizmente, uma outra minoria de pessoas que as odeia ou que, no mínimo, não as tolera.
E depois há uma larga maioria de pessoas para as quais as árvores são indiferentes. E, para estas, é indiferente o que as câmaras fazem às árvores. Por certo, nem reparam nas rolagens, como nunca repararam verdadeiramente nas árvores antes de terem sido decepadas.
Muitas acreditarão que estas práticas são úteis, e mesmo indispensáveis, às árvores. É dramático e profundamente irónico, mas acredito que mesmo algumas das pessoas que ordenam estes actos, e daquelas que os praticam, acreditam que estão a fazer algo de benéfico para as próprias árvores.
Quem nunca ouviu dizer que as árvores têm que ser limpas ou que as podas dão força às árvores?! No fundo, trata-se de aplicar, de forma errada, às árvores ornamentais, as práticas ancestrais aplicadas às árvores de produção, como as árvores de fruto ou as árvores utilizadas para produção de varas, por exemplo.
É por tudo isto que denunciar não basta. É urgente educar e é o que a Associação Árvores de Portugal irá tentar por em prática, em breve.
Concordo plenamente com a Maria Sousa,
Para além de estratégias colectivas de denúncia destas barbáries, há que começar o trabalho de formação da forma que a Maria sugere. Roma e pavia não se muda num dia, mas as novas gerações podem dar um bom empurrão. Sou de opinião que estes seminários/colóquios/ foruns( worshops deveria, ter como tema central abates e podas. Disponibilizo-me desde já para fazer uma exposição fotográfica sobre o abate de árvores em Loulé. E por falar em Loulé, depois das árvores da Praça da república em frente à Câmara Municipal de Loulé continuam os abates. Agora no Parque Municipal. Um parque que era uma preciosidade ambiental.
Abraços para todos os amigos das árvores e da natureza.
João Martins
João,
A constatação de que a denúncia não basta foi o motivo que levou à criação da Árvores de Portugal. Se não acreditasse nisso, pessoalmente teria ficado pela Sombra Verde, que me ocupava muito menos horas por dia.
Estamos a preparar uma iniciativa que, assim esperamos, dará não apenas uma outra visibilidade a este problema, libertando-o das caixas de comentários dos blogues, mas, mais importante, contribuirá para uma efectiva mudança na forma como é feita, no nosso país, a manutenção das árvores ornamentais.
Abraço.
P.S. – Especificamente sobre Loulé:
- Sobre o parque: podes utilizar, a todo o momento, este espaço para escrever um texto e/ou publicar fotos, que possam complementar o que o Miguel escreveu no início do mês (http://www.arvoresdeportugal.net/2010/04/preocupante-requalificacao-de-jardim-em-loule/), neste mesmo blogue.
- Sobre a tua sugestão da exposição sobre o abate de árvores: tenho algumas ideias que prefiro partilhar via e-mail.
As fotos até agora mostradas, apresentam o início das barbaridades nesta rua – depois das tílias, no prolongamento da mesma rua, o que fizeram aos plátanos, é de arrepiar.
Publiquei um pequeno vídeo, que dá uma pálida imagem do resultado de mais esta intervenção camarária, em prol da destruição do meio ambiente.
http://riodasmacas.blogspot.com/2010/04/na-primavera-as-arvores-de-sintra-ficam.html
Pedro,
Obrigado pelo teu incansável trabalho de defesa das árvores de Sintra.
Porque é que, simplesmente, não as abatem? Falta de coragem?
Podar desta maneira as árvores das estradas de Sintra, quando as folhas se preparavam para nascer, é um absurdo.
O caricato da situação é que nem todos os que apoiam as rolagens o fazem porque odeiam as árvores. Acredito que muitos, como escrevi num comentário anterior, o fazem porque acreditam que estas práticas são benéficas para as árvores.
E porque haveriam de pensar de outro modo se assistem, todos os anos, a estas práticas na sua terra e um pouco por toda a parte?! Porque se haveriam de repugnar com a imagem de uma árvore mutilada, se essa é a imagem que associam, automaticamente, ao próprio conceito de árvore em meio urbano?!
Como referi no tal comentário anterior, muitas pessoas confundem, por ignorância e não por dendrofobia , a necessidade de podar regularmente uma árvore de fruto, no campo, com a necessidade de podar um plátano, na cidade.
E muitas destas pessoas, daquelas que vociferam a pedir, às Câmaras e às Juntas, a “limpeza das árvores” seriam as primeiras a achar criminoso se as decidissem cortar.
Digo isto por experiência própria. Vendo-me fotografar árvores, já tive pessoas que vieram ter comigo, dizendo que as árvores que fotografava precisavam de ser “limpas”; entenda-se, precisavam de ficar reduzidas aos “postes” que vemos por todo o lado. Mas, acrescentando logo de seguida, que se oporiam ao corte das mesmas!
(E não se pense que este é um problema exclusivo de cá, basta atravessar a fronteira…)
A rua dos horrores… infelizmente tenho uma rua destas mesmo à porta de casa.
Todos nós temos uma Rua dos Horrores à porta de casa. Isso é que é dramático…
URGENTE:
SINTRA
Hoje a R. Francisco dos Santos (Rampa do Morais) acordou com árvores marcadas para levar o mesmo tratamento da R.D.João de Castro !!!
[...] Continua a destruição das árvores de Sintra Consta que é região candidata a “maravilha natural”, mas o senhor presidente anda naturalmente mais preocupado com o futebol. Árvores de Portugal. [...]
[...] foi a questão que a Rosa colocou, nos comentários ao texto Destruir, publicado neste blogue, a propósito das podas radicais que têm sofrido as árvores [...]