Destruir

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O homem que é insensível ou indiferente à poesia, à música ou à pintura é um homem ensurdecido no seu ser e diminuído na sua existência. Um homem mutilado, anormal e temível. É o destruidor da alegria.

Sophia de Mello Breyner Andresen

(Rolagem de árvores em Sintra. Fotografias gentilmente cedidas por uma leitora.)

  1. Publicado 22 de Abril de 2010 às 12:05 | Link

    Pedro,
    Imparável estes processos de destruição de árvores em Sintra. Um silêncio ensurdecedor, dos responsáveis autárquicos é revelador da sua opinião em relação à barbaridade que começa a fazer parte do quotidano de Sintra, Paisagem Cult ural de Sintra, Património da Humanidade!!!
    E vale a pena fazer um esforço para não sorrir – e candidata à votação das “7 Maaravilhas Naturais de Portugal”….

    http://riodasmacas.blogspot.com/2010/04/sem-mais-comentarios.html

  2. Publicado 22 de Abril de 2010 às 15:41 | Link

    Pedro,

    o problema é que esta prática está a tornar-se “normal” em quase todas as autarquias e mesmo entre particulares que têm árvores nos seus terrenos. Os maus exemplos são imitados rapidamente!
    É necessário começar a educar/formar junto das autoridades competentes (técnicos, funcionários, jardineiros,entre outros, directamente ligados ao espaço público – árvores), ou seja, fazer seminários/workshops/debates/folhetos/comunicações,etc., sobre como cuidar das árvores (principalmente, abordando as trágicas podas!). Com o apoio da Árvores de Portugal e/ou em conjunto com outras entidades/personalidades ligadas à temática.

    • Publicado 22 de Abril de 2010 às 17:19 | Link

      Tens toda a razão, Maria. Mas não vai ser fácil e vai demorar bastante tempo. Temos em preparação algumas iniciativas simples que gostaríamos que sejam o princípio de um processo de mudança. Claro que precisamos, e muito, do apoio dos sócios e colaboradores para levar esta mensagem à população em geral.

      Pela nossa parte, tentaremos também passar a informação às câmaras municipais e outras entidades que têm árvores à sua responsabilidade. Mas não vale a pensa pensar que todas estas entidades vão mudar as suas práticas tão entranhadas, só porque dezenas de técnicos e algumas centenas de pessoas se manifestam contra. É necessário também mudar a opinião das pessoas. Os decisores seguem as massas e enquanto sentirem que, quando destroem as suas árvores, são apoiados pelas vozes ou pelo silêncio das populações, a barbárie vai continuar.

    • Publicado 24 de Abril de 2010 às 0:06 | Link

      Maria,

      Absolutamente de acordo contigo, com uma pequena discordância. As rolagens nas nossas cidades não se estão a tornar numa prática “normal”. Infelizmente, as rolagens são há muito aplicadas como sendo um tratamento necessário, e benéfico, para as árvores. É por isso também, que é tão difícil mudar a mentalidade das pessoas, sobretudo das mais velhas, para quem ver uma árvore rolada é absolutamente normal.

      A este propósito, vale bem a pena (re)ler o que o Eng.º Vieira Natividade escreveu, no já longínquo ano de 1959, mas que continua, infelizmente, tão actual: http://sombra-verde.blogspot.com/2009/01/retrato-da-rvore-em-portugal.html

      Graças às novas tecnologias, é possível partilhar mais informação, e imagens, sobre estes atentados cometidos, contra as árvores, nas nossas cidades. Mas tens razão, denunciar e protestar não basta. É necessário, e urgente, educar! Educar para uma nova forma de gerir as árvores em espaço urbano.

      Essa é aliás a razão da criação da Associação Árvores de Portugal. Para denunciar bastaria um blogue.

      Como referiu o Miguel, estamos, actualmente, a planificar uma actividade que, estamos certos, ajudará a dar mais visibilidade a estas questões.

  3. Publicado 22 de Abril de 2010 às 22:47 | Link

    Esta vaga de destruição em Sintra é revoltante, triste e vergonhosa. Não consigo perceber porque é que esta prática foi, nas ruas aqui mostradas, abandonada há 20/30 anos, tendo-se deixado as tílias e os plátanos recuperar um pouco da sua dignidade, para tudo terminar nesta miséria, uma geração mais tarde. Há algo profundamente errado e perigoso nos serviços de ambiente deste município, que delapida e rapina os bens que foram colocados à sua guarda. Os espaços públicos desta vila tornaram-se um desconforto embaraçoso, uma sucessão lúgubre de lugares a evitar; quanto ao seu título de “Património Mundial” (atribuído pelo valor da sua paisagem cultural!) merece ser seriamente posto em causa.

  4. sintrense
    Publicado 22 de Abril de 2010 às 23:47 | Link

    Mas, o estranho é que a maioria das pessoas, passa indiferente, como se fosse a coisa mais natural, como se sentissem saudades …

    • Publicado 24 de Abril de 2010 às 0:23 | Link

      Cara sintrense,

      Há uma minoria de pessoas que ama as árvores e que compreende a sua importância nas cidades. Há, infelizmente, uma outra minoria de pessoas que as odeia ou que, no mínimo, não as tolera.

      E depois há uma larga maioria de pessoas para as quais as árvores são indiferentes. E, para estas, é indiferente o que as câmaras fazem às árvores. Por certo, nem reparam nas rolagens, como nunca repararam verdadeiramente nas árvores antes de terem sido decepadas.

      Muitas acreditarão que estas práticas são úteis, e mesmo indispensáveis, às árvores. É dramático e profundamente irónico, mas acredito que mesmo algumas das pessoas que ordenam estes actos, e daquelas que os praticam, acreditam que estão a fazer algo de benéfico para as próprias árvores.

      Quem nunca ouviu dizer que as árvores têm que ser limpas ou que as podas dão força às árvores?! No fundo, trata-se de aplicar, de forma errada, às árvores ornamentais, as práticas ancestrais aplicadas às árvores de produção, como as árvores de fruto ou as árvores utilizadas para produção de varas, por exemplo.

      É por tudo isto que denunciar não basta. É urgente educar e é o que a Associação Árvores de Portugal irá tentar por em prática, em breve.

  5. Publicado 23 de Abril de 2010 às 1:17 | Link

    Concordo plenamente com a Maria Sousa,

    Para além de estratégias colectivas de denúncia destas barbáries, há que começar o trabalho de formação da forma que a Maria sugere. Roma e pavia não se muda num dia, mas as novas gerações podem dar um bom empurrão. Sou de opinião que estes seminários/colóquios/ foruns( worshops deveria, ter como tema central abates e podas. Disponibilizo-me desde já para fazer uma exposição fotográfica sobre o abate de árvores em Loulé. E por falar em Loulé, depois das árvores da Praça da república em frente à Câmara Municipal de Loulé continuam os abates. Agora no Parque Municipal. Um parque que era uma preciosidade ambiental.

    Abraços para todos os amigos das árvores e da natureza.
    João Martins

    • Publicado 24 de Abril de 2010 às 0:35 | Link

      João,

      A constatação de que a denúncia não basta foi o motivo que levou à criação da Árvores de Portugal. Se não acreditasse nisso, pessoalmente teria ficado pela Sombra Verde, que me ocupava muito menos horas por dia.

      Estamos a preparar uma iniciativa que, assim esperamos, dará não apenas uma outra visibilidade a este problema, libertando-o das caixas de comentários dos blogues, mas, mais importante, contribuirá para uma efectiva mudança na forma como é feita, no nosso país, a manutenção das árvores ornamentais.

      Abraço.

      P.S. – Especificamente sobre Loulé:

      - Sobre o parque: podes utilizar, a todo o momento, este espaço para escrever um texto e/ou publicar fotos, que possam complementar o que o Miguel escreveu no início do mês (http://www.arvoresdeportugal.net/2010/04/preocupante-requalificacao-de-jardim-em-loule/), neste mesmo blogue.

      - Sobre a tua sugestão da exposição sobre o abate de árvores: tenho algumas ideias que prefiro partilhar via e-mail.

  6. Publicado 23 de Abril de 2010 às 2:40 | Link

    As fotos até agora mostradas, apresentam o início das barbaridades nesta rua – depois das tílias, no prolongamento da mesma rua, o que fizeram aos plátanos, é de arrepiar.
    Publiquei um pequeno vídeo, que dá uma pálida imagem do resultado de mais esta intervenção camarária, em prol da destruição do meio ambiente.

    http://riodasmacas.blogspot.com/2010/04/na-primavera-as-arvores-de-sintra-ficam.html

  7. Publicado 23 de Abril de 2010 às 17:50 | Link

    Porque é que, simplesmente, não as abatem? Falta de coragem?
    Podar desta maneira as árvores das estradas de Sintra, quando as folhas se preparavam para nascer, é um absurdo.

    • Publicado 24 de Abril de 2010 às 1:07 | Link

      O caricato da situação é que nem todos os que apoiam as rolagens o fazem porque odeiam as árvores. Acredito que muitos, como escrevi num comentário anterior, o fazem porque acreditam que estas práticas são benéficas para as árvores.

      E porque haveriam de pensar de outro modo se assistem, todos os anos, a estas práticas na sua terra e um pouco por toda a parte?! Porque se haveriam de repugnar com a imagem de uma árvore mutilada, se essa é a imagem que associam, automaticamente, ao próprio conceito de árvore em meio urbano?!

      Como referi no tal comentário anterior, muitas pessoas confundem, por ignorância e não por dendrofobia , a necessidade de podar regularmente uma árvore de fruto, no campo, com a necessidade de podar um plátano, na cidade.

      E muitas destas pessoas, daquelas que vociferam a pedir, às Câmaras e às Juntas, a “limpeza das árvores” seriam as primeiras a achar criminoso se as decidissem cortar.

      Digo isto por experiência própria. Vendo-me fotografar árvores, já tive pessoas que vieram ter comigo, dizendo que as árvores que fotografava precisavam de ser “limpas”; entenda-se, precisavam de ficar reduzidas aos “postes” que vemos por todo o lado. Mas, acrescentando logo de seguida, que se oporiam ao corte das mesmas!

      (E não se pense que este é um problema exclusivo de cá, basta atravessar a fronteira…)

  8. Publicado 23 de Abril de 2010 às 20:09 | Link

    A rua dos horrores… infelizmente tenho uma rua destas mesmo à porta de casa.

  9. sintrense
    Publicado 29 de Abril de 2010 às 8:57 | Link

    URGENTE:
    SINTRA
    Hoje a R. Francisco dos Santos (Rampa do Morais) acordou com árvores marcadas para levar o mesmo tratamento da R.D.João de Castro !!!

  1. [...] Continua a destruição das árvores de Sintra Consta que é região candidata a “maravilha natural”, mas o senhor presidente anda naturalmente mais preocupado com o futebol. Árvores de Portugal. [...]

  2. [...] foi a ques­tão que a Rosa colo­cou, nos comen­tá­rios ao texto Des­truir, publi­cado neste blo­gue, a pro­pó­sito das podas radi­cais que têm sofrido as árvo­res [...]

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