Palestra sobre Plantas Invasoras, Loulé – O Resumo

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A Palestra sobre Plantas Invasoras, organizada pela Árvores de Portugal e pela Almargem, com o apoio da Câmara Municipal de Loulé, decorreu na passada Sexta-feira, 16 de Abril.

A oradora, a Drª Elizabete Marchante, do Centro de Ecologia Funcional, (Universidade de Coimbra) e do Projecto INVADER, fez uma excelente apresentação, onde deu conta dos muitos problemas associados a estas plantas, distinguindo o conceito de espécie invasora dos conceitos de infestante e exótica.

Foram também explicadas as características gerais que podem levar uma espécie, depois de deslocada do seu meio pelo Homem, a tomar um carácter invasor.

Os impactos destas plantas, podem ser de ordem ecológica (levando a drásticas perdas de biodiversidade, entre outros graves problemas) e económica, podendo ainda levar à diminuição da disponibilidade de água nos lençóis freáticos ou mesmo afectar a saúde pública. Relativamente ao impacto económico, refira-se que, só na Europa, entre prejuízos e gastos na tentativa de controlo destas espécies, as perdas ultrapassam largamente os 10 biliões de euros por ano. Segundo o Global Invasive Species Programme (GISP), “as espécies invasoras são uma das maiores ameaças ao bem-estar ambiental e económico do planeta”.

Na situação particular de Portugal, e em valores aproximados, temos actualmente registo de cerca de 40 espécies invasoras e 45 espécies potencialmente invasoras, num universo de 557 espécies exóticas introduzidas no país.

Como não podia deixar de ser, foi referida a legislação em vigor desde 1999 (Decreto-Lei nº 565/99 de 21 de Dezembro), que regula a introdução de espécies exóticas no país.

Seguidamente, foram analisadas as situações de algumas destas plantas em Portugal e o que está, ou não, a ser feito no sentido de as controlar. Alguns exemplos são: a mimosa (Acacia dealbata Link), a acácia-de-espigas (Acacia longifolia [Andrews] Willd.), a austrália (Acacia melanoxylon R. Br.), o espanta-lobos (Ailanthus altissima [Mill]) Swingle), o chorão-das-praias (Carpobrotus edulis [L.] N. E. Br.), o jacinto-de-água (Eichhornia crassipes [Mart.] Solms), a háquea-picante (Hakea sericea Schrader), a azeda (Oxalis pes-caprae L.), a trepadeira bons-dias (Ipomoea acuminata [Vahl] Roemer & Schultes), a erva-das-pampas (Cortaderia selloana [J. A. & J. H. Schultes] Aschers & Graebner) ou mesmo as vulgares canas (Arundo donax L.)

No final, a Drª Elizabete Marchante apresentou ainda o trabalho que o Projecto INVADER está a levar a cabo no sentido de controlar a acácia-de-espigas, incluído os estudos que estão a realizar com vista a uma futura aplicação de métodos biológicos, com recurso a uma vespa parasita, específica para esta espécie de acácia, já largamente utilizada na África do Sul. Para além disso, este projecto realiza outros testes de controlo para várias plantas invasoras, bem como diversas acções de divulgação, sensibilização e educação ambiental, neste caso especialmente com alunos.

Terminada a apresentação, seguiu-se um período alargado de discussão, muito participado, com a colocação de questões e troca de informação. Refira-se que, entre os mais de 30 participantes, estiveram pessoas ligadas à Universidade do Algarve, ao sector florestal (incluído técnicos da Autoridade Florestal Nacional), a empresas de jardinagem, a associações de ambiente e representantes dos municípios de Tavira e Albufeira.

A mensagem final deste evento é simples: todos temos responsabilidades no processo de tentar controlar as espécies invasoras, seja divulgando o problema, seja participando em acções no terreno. Mas talvez o principal contributo de cada um passe pelo PREVENÇÃO, de forma a reduzir a possibilidade de introdução e dispersão destas plantas.

Resta-nos agradecer à Drª Elizabete Marchante, pela sua disponibilidade e pela excelente comunicação, à Almargem, pela preciosa colaboração na organização conjunta do evento, à Câmara Municipal de Loulé, pela cedência do espaço e a todos os participantes, a quem, no final, pedimos que divulgassem o mais possível esta problemática.

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