No passado Domingo, dia 21 de Março, tive oportunidade de usufruir da melhor forma que um Dia da Árvore pode ser vivido: fazendo novos amigos, tendo como mote a descoberta de árvores e o amor por elas.
A proposta chegou, à Associação Árvores de Portugal, na forma de um convite, por parte da Câmara Municipal de São Brás de Alportel (CMSBA), para que pudéssemos dar um contributo na organização de uma actividade que se enquadrasse nas comemorações desta data.
Tendo como objectivo principal, propiciar às pessoas inscritas para esta actividade um momento agradável, eu e o Miguel Rodrigues planeámos uma manhã que contemplaria uma breve apresentação, para enquadrar a actividade, seguida de uma visita de campo.
Assim sendo, a manhã começou cedo e de forma simbólica, no Centro Museológico de Alportel, com a declamação do poema As Árvores Crescem Sós, de António Gedeão. A leitura deste belíssimo poema, por parte da Dr.ª Custódia Reis, da CMSBA, foi um bom augúrio para o que se passaria ao longo da manhã…
De seguida, eu e o Miguel fizemos uma apresentação centrada no trabalho de inventariação do património arbóreo dos distritos de Beja e Faro, que temos publicado no blogue Árvores Monumentais do Algarve e Baixo Alentejo. Procurou-se elucidar as pessoas, entre outros pontos, sobre os factores que determinam a monumentalidade de um dado espécime arbóreo, bem como sobre a importância de preservar este riquíssimo património.
O resto da manhã foi passado a visitar algumas árvores, em diversos pontos do concelho, que nos pareceram reunir motivos de interesse que justificassem uma (re)descoberta. Em cada paragem efectuada, aproveitámos para abordar alguns tópicos que nos pareceram importantes aquando da planificação desta visita, nomeadamente a questão da rolagem das árvores ornamentais ou a venda, muitas vezes para o estrangeiro, de muitas das nossas oliveiras centenárias.
Uma das paragens mais demorada, foi junto a uma velha alfarrobeira (Ceratonia siliqua L.), situada no lugar de Machados (duas fotografias em posição central), e cujas marcas da passagem dos anos comoveram todos os presentes. Foi sublinhada a riqueza associada a estes exemplares que são, muito mais do que simples árvores, verdadeiros ecossistemas que suportam uma enorme biodiversidade.
Como não poderia deixar de ser, a visita terminou à sombra da azinheira (Quercus rotundifolia Lam.) de São Brás de Alportel, único exemplar classificado como árvore de interesse público, no concelho (fotografia mais à direita). No caso específico deste exemplar, elucidámos os presentes sobre o que são árvores de interesse público e sobre a legislação que se aplica às mesmas, o Decreto-Lei n.º 28468/38, de 15 de Fevereiro.
Esta azinheira é, infelizmente, uma das poucas árvores classificadas de interesse público que possui uma placa identificativa. E ainda bem para esta azinheira e para todos os sambrasenses porque, ao verem a data em que a mesma foi classificada (1942), os presentes puderam sentir, de forma automática, o orgulho de terem no seu concelho, e em magnífico estado de conservação, uma das primeiras árvores que foram classificadas no nosso país.
Após uma manhã a falar sobre árvores, foi curioso observar como alguns dos presentes, tendo conhecido esta azinheira toda a sua vida, só agora pareciam estar a contemplar toda a sua grandiosidade e beleza pela primeira vez. Da minha parte, jamais esquecerei o senhor que chegou junto a mim, no final da visita, com uma bolota na mão, e perguntou: E agora, como faço para obter uma azinheira?! Missão cumprida!
(As fotografias são da autoria de Miguel Rodrigues.)
Adenda: A Associação Árvores de Portugal agradece à CMSBA, na pessoa da Dr.ª Custódia Reis, o amável convite que nos foi endereçado para participar na actividade descrita. De igual modo, manifestamos o nosso apreço ao Luís Brás, da Associação Almargem, por ter sugerido a Árvores de Portugal, como entidade co-organizadora, à CMSBA.
Por último, gostaríamos ainda de agradecer ao Coronel José Manuel Rosa Pinto, grande conhecedor da flora do Algarve, e cuja presença e esclarecimentos, ajudaram, e muito, a enriquecer a actividade.




Grande dia!
Foi um grande dia, sem dúvida! Pelo interesse que as pessoas demonstraram, patente nas diversas questões e observações que foram feitas ao longo da actividade.
Eu sei que as temáticas, e os países, não são comparáveis e o que vou dizer tem muito de utópico, mas…Gostava que um dia fosse possível fazer em Portugal, com esta temática das árvores, com regularidade e em todo o país, o mesmo que o Jamie Oliver está a fazer, no Reino Unido, com o seu programa Ministry of Food. Para quem não está familiarizado com este programa de TV, o que se pretende com o mesmo é por os britânicos a comer melhor, valorizando a comida saudável e ensinando as pessoas a cozinhar. E, pormenor importante, quem aprende estas receitas tem que ensinar os seus amigos a fazer o mesmo.
Era este mesmo princípio, aplicado às árvores, que gostava de aplicar em Portugal. Visitas regulares, com pequenos grupos, tal como neste caso de S. Brás de Alportel, alertando as pessoas para a beleza e a importância das árvores na nossa vida e, igualmente, para os factores de ameaça às mesmas. O objectivo seria que, posteriormente, cada uma destas árvores passasse estes conhecimentos e este amor pelas árvores, pelo menos a uma pessoa.
Isto, claro, a uma escala nacional, com centenas de passeios por semana, com apoio de escolas, associações locais, etc. Utópico? Sim, eu sei! Mas não deixa de ser uma ideia bonita…
Mais uma para a lista… acho que temos para uma vida inteira :) .