Pior do que Monção, Vila Nova de Cerveira possui casos verdadeiramente dramáticos de maus-tratos às suas árvores ornamentais. A moda é a mesma: adulterar a forma natural de uma copa para a transformar num golem grotesco, com ramos em forma de taça, torcidos numa orientação oposta à do seu crescimento natural, e cheios de protuberâncias devidas aos sucessivos cortes dos ramos novos, ano após ano.
Claro que este tipo de desenvolvimento, forçadamente anormal, tem os seus custos na saúde da árvore, mesmo nos resistentes plátanos, como se pode verificar em inúmeros exemplares. Exemplos desta situação são os plátanos de um estacionamento mesmo à entrada da vila (segunda imagem, a contar da esquerda).
Para além das inúmeras feridas em diferentes estados de cicatrização, dano mais comum deste tipo de poda, estas árvores apresentam exsudações abundantes em mais do que um ponto e podridões tão extensas e profundas nos ramos principais que estes, vistos de cima, parecem ter sido escavados como se fossem barcos. Assim, a parte lenhosa que sustenta toda a copa, não é já da grossura do ramo, mas apenas da sua parte exterior.
É óbvio para qualquer pessoa que isto se deve à constante tortura feita a estas pobres árvores, até porque não acontece apenas numa ou duas. É também óbvio que a segurança destes ramos, quando tiverem que suportar todo o peso da copa, não é a mesma da de uma árvore “normal”. Este é o ponto que mais me preocupa, a segurança das pessoas. E se uma só destas árvores provocar um acidente, do qual não será, certamente, responsável, já estou a ver o resultado: milhares de podas e abates pelo país fora.
Mas a ignorância não fica por aqui. Estas pessoas parecem desconhecer completamente as regras mais simples sobre as árvores como, por exemplo, que diferentes espécies apresentam diferente resistência a barbaridades. E assim, tentaram fazer com as pobres tílias o mesmo que os plátanos já suportavam. O brilhante resultado pode ver-se na terceira e quarta fotografia: o mais alto grau de podridão que já vi numa árvore deste porte! Desde o tronco a todos os ramos principais que ainda possui, toda a parte aérea é uma chaga aberta. Não sei o que espera a Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira para a abater, antes que aconteça uma desgraça.
Levando o mau gosto ao extremo, ainda se pretende sublinhar, a luzes de cores, as asneiras que se fazem. Assim, Cerveira inventou o conceito de “Poda de Natal”, à falta de árvores bem formadas para a tradicional Árvore de Natal.




Se dúvidas houvesse sobre os danos que as sucessivas rolagens provocam nas árvores, estas imagens, particularmente elucidativas, demonstram, à exaustão, as consequências destas práticas erradas.
URGENTE:
SINTRA
Hoje a R. Francisco dos Santos (Rampa do Morais) acordou com árvores marcadas para levar o mesmo tratamento da R.D.João de Castro !!!
Petição A Favor das Árvores de Sintra: assinem e divulguem, por favor.
http://riodasmacas.blogspot.com/2010/04/arvores-de-sintra_29.html
Tendo vivido um ano em Cerveira, conheço bem o cenário confrangedor de que fala e as fotos bem ilustram. Até dói ver. Em Valença, no campo da feira é a mesma coisa… em Caminha, idem… e tantas, tantas terras por onde tenho passado…
Confesso que nem sempre olhei para as árvores com olhos de ver, mas lembro-me que “abri” os olhos ao ver , em Covilhã, ao longo de não sei quantos kms, todos os plátanos, ou rolados ou cortados, sp que obstruiam a vista de alguma casa. Triste…
Infelizmente, como covilhanense, tenho que reconhecer que, na minha cidade, nos últimos 10/15 anos, foram roladas dezenas de árvores, nomeadamente plátanos e tílias de grandes dimensões. A geração do meu filho não terá a possibilidade de ver os plátanos e as tílias que eu vi.
Algumas dessas árvores, já nem sequer existem na actualidade. Por exemplo, na localidade do Canhoso, antiga entrada Norte na cidade, em meados dos anos 90, dezenas de plátanos com mais de 20 metros foram transformados em postes com pouco mais de 2 metros (!), sem qualquer ramo e vestígio da copa original.
Não duraram muito, após estas rolagens brutais, e foram, passados poucos anos, arrancados e substituídos por outras árvores. (Nesta imagem , do meu blogue pessoal, podem ver-se os únicos exemplares que sobreviveram a este massacre, para que se tenha uma ideia da dimensão original das árvores que menciono. No entanto, nada se aprendeu e, em anos mais recentes, a triste sina dos plátanos continuou, como se pode constatar neste texto, uma vez mais, do meu blogue pessoal.)
Mas se os problemas se resumissem à Covilhã ou a Cerveira, estaria o país muito bem. A verdadeira catástrofe é que estas práticas são a norma na esmagadora maioria dos municípios portugueses, de Norte a Sul. Veja-se, a título ilustrativo, o que se tem passado, e continua a passar, em Sintra, Património da Humanidade!
Dizer que estas práticas são comuns noutros países, como na vizinha Espanha, em nada atenua a gravidade do que por cá se faz, nas nossas vilas e cidades.