Este é terceiro e último exemplo daquilo que se faz às árvores por terras minhotas, em nome do mau gosto ou de práticas completamente desajustadas. Por todo o concelho de Valença me deparo com centenas de coisas erectas que, pelo menos geneticamente, devem ter sido árvores.
Sendo esta a minha terra, muito mais me dói aquilo em que se está a transformar a sua pobre paisagem. Mais ainda me preocupa o facto de não de ver qualquer indício de mudança, muito pelo contrário. Árvores adultas ou jovens, todas são e continuarão a ser sujeitas à ditadura da motosserra. Este é, aliás, o caso de alguns exemplares muito novos, aos quais foi já amputada a flecha (parte terminal do tronco principal, precisamente aquela que não deve ser cortada), possivelmente para os começar a transformar em monstros semelhantes aos que as rodeiam. Tão novas e já sem futuro.
Os responsáveis da Divisão de Ambiente por este serviço têm, sem dúvida, feito um bom trabalho. Metódico e sistemático. Desde tílias e carvalhos-americanos no centro histórico (primeiras duas fotografias, à esquerda) aos plátanos das ruas e de várias freguesias, nada escapa. Nem o jardim da cidade. Poder-se-ia, pelo menos, optar por alguma diversidade na condução das copas, mas o tratamento é generalizado, com resultados aberrantes.
Como a maioria das pessoas, cresci a olhar para estes exemplos o que me levou a pensar, durante muito anos, que isto é normal. Assim, todos olham para estas “árvores” com indiferença, mesmo estando algumas delas logo ao lado de outros exemplares magníficos, como referi neste texto. Será que as pessoas já nem as conseguem identificar como sendo da mesma espécie?
Claro que se a própria população não se insurge contra a paulatina destruição do seu património, quem decide por estas acções tem rédea livre.
Na quarta fotografia, o cenário é à porta da igreja de Friestas. O primeiro termo que me assaltou o espírito foi “Campo dos Mártires” que, por ironia, é o nome porque é conhecido o jardim Braamcamp Freire, em Lisboa, que possui onze árvores classificadas.
E se alguém continua convencido do mito de que as podas fazem bem às árvores, mesmo às ornamentais, basta ver a última fotografia. Tentou-se fazer a esta tília o mesmo que se fez aos plátanos vizinhos, mais resistentes. Não há dúvida de que se trata do melhor exemplo de saúde. Mais uma vez, não percebo do que estão à espera para eutanasiar a pobre planta.
Apesar de toda esta cega destruição, a generalidade das câmaras municipais do país continuam a optar por não recorrer aos arboricultores. Quer sejam técnicos próprios ou empresas contratadas ao melhor preço, qualquer um decide o que se deve fazer às árvores. Quando afectadas de algum mal, as pessoas recorrem aos médicos. Os animais domésticos dispõem de veterinários. Porque será que as árvores se têm que contentar com curandeiros?




Inacréditável, tem que enviar estes relatos impressos ás Câmaras relevantes para que ao menos sejam alertados de que alguém reparou nestes desastres. Estou disponível para também enviar uma cópia ou uma carta de reclamação com o conteúdo que sugerir (não estou a par de argumentos técnicos).
Cumprimentos
Caro Nuno
Agradecemos o seu apoio e preocupação com estas situações, bem como a sua disponibilidade. Estamos a ultimar uma reedição de um folheto da Sociedade Portuguesa de Arboricultura que alerta e sensibiliza para estas situações. Este folheto será depois enviado às câmaras e outras entidades que tenham responsabilidades na gestão de árvores.
Por outro lado, também estamos a ponderar publicar modelos de cartas que os nosso sócios, leitores e amigos poderão enviar (via email ou CTT) às entidades que mal tratam as nossas árvores.
Contamos consigo e com todos, neste esforço de mudar mentalidades e promover um futuro mais risonho para as árvores e para as pessoas que delas devem poder desfrutar.
[...] Valença, no mesmo concelho onde um departamento da câmara assassina as suas árvores ornamentais, um gabinete municipal de poucas, muito poucas, pessoas está a levar a cabo um [...]