O Parque Termal do Peso, situado na freguesia de Paderne, no concelho minhoto de Melgaço, é um pequeno paraíso para os amantes das árvores. Porque nem tudo são más notícias, no nosso país, quando temos que conjugar as palavras parque e árvores numa mesma frase.
Este parque, também conhecido como Estância Termal de Melgaço, possui aquele condão de nos fazer sentir liliputianos perante árvores do tamanho de montanhas. Tílias, carvalhos, plátanos ou áceres assumem, dentro dos portões deste parque, um porte que, em muitas das nossas cidades, lhes é recusado.
É como se, atravessada a fronteira definida por esses mesmos portões, entrássemos num país aparte. Um país onde vigoram outros princípios, outras leis, leis de amor e de respeito para com as árvores.
Alguns dirão que tal riqueza dendrológica é fruto do acaso ou, se preferirem, do semi-abandono a que esta estância termal tem estado votada, nos últimos anos. Prefiro pensar que não.
Pelo contrário, prefiro pensar que a anunciada requalificação dos edifícios que constituem esta bonita estância, datada de finais do século XIX, se fará no respeito pelos valores presentes, os arquitectónicos e os naturais.
Uma requalificação respeitadora dos valores do passado não é, por isso, retrógrada ou menos modernista. Requalificar destruindo a paisagem e as memórias a ela associadas, é não compreender a alma desse mesmo lugar.
Já vai sendo tempo de assumirmos que o verdadeiro modernismo é inovar, mas sem fazer tábua rasa do património que nos foi legado pelas gerações anteriores. E este princípio deve aplicar-se tanto ao património construído, como ao património natural.
Um país que não sabe preservar as árvores, é um país que não sabe honrar aqueles que as plantaram.
P.S. – Um motivo adicional de interesse para quem visita este parque termal, é a possibilidade de admirar, junto à entrada principal deste espaço, na parte superior da estrada, um sobreiro (Quercus suber L.) classificado como árvore de interesse público (ver fotografia mais à direita).
Classificado desde 1940, este sobreiro centenário, igualmente de proporções gigantescas, com os seus quase 23 metros, terá sido das primeiras árvores a ser classificadas após a aprovação do Decreto-Lei n.º 28468, dois anos antes, em 1938.




Este é um dos locais que marcaram a minha infância dos passeios de família ao Domingo. Na altura, todo o parque estava cheio de gente, a esplanada do café a abarrotar. Mas grande parte do atractivo eram os barcos de passeio do lago artificial. Hoje, quase sem visitas, são os melros-de-água que frequentam a ribeira.
Infelizmente, nunca me pareceu que as pessoas dessem um valor especial às árvores, pelo menos individualmente, embora todos desfrutassem do magnífico ambiente que este arvoredo proporciona.
Esperemos que a projectada requalificação (termo que aprendi a temer), venha revitalizar este espaço e o turismo de saúde e bem-estar da região, sabendo manter, com inteligência e bom senso, os valores que em tempos fizeram do Peso uma referência nacional do termalismo.
A chamada “lufada de ar puro”.
A fotografia da folha de que árvore é?
Penso que se trata de um Acer campestre. Só não dou a certeza absoluta, pois, na altura, não observei nenhuma sâmara que me pudesse ajudar a confirmar a identificação.
permite-me que utilize o seu texto, devidamente identificado?
Sim, pode utilizar o texto na condição que propõe. Obrigado.