Este é o pinheiro-manso (Pinus pinea L.) que acompanha, desde sempre, a vida da Vera e demais habitantes de São Mamede de Infesta, freguesia do concelho de Matosinhos.
Pelo que nos descreve esta leitora, não há outra árvore assim, na sua terra, capaz de encher os dias a quem é sensível à beleza arbórea. Porque há árvores assim, que nos preenchem, que nos tornam menos incompletos e que aumentam as raízes da nossa ligação a um tempo e a um espaço. Pequenos milagres que muitas árvores fazem, todos os dias, em silêncio, mesmo que a maioria das pessoas nunca tenha abrandado, tempo suficiente, da sua rotina diária, para o compreender na plenitude.
Um caso de heroísmo e de resistência, este pinheiro! Numa terra que, como tantas outras na periferia das grandes cidades, soçobrou ao avanço imparável dum urbanismo voraz, sem contemplações para com as memórias dos seus habitantes.
Possa o esquecimento de quem manda, perpetuar a sua altivez e encher de alegria os olhos da Vera e de todos os que não se resignam ao cinzentismo reinante nas nossas urbes.
P.S. – O Paulo Araújo, nosso colega da Árvores de Portugal, também se enamorou dele. Leiam as suas palavras no Dias com Árvores.
(Fotografias enviadas pela leitora Vera Silva.)




Não me canso de visitar este vosso espaço, assim como o dos amigos do “Dias com Árvores”. Bem Hajam por nos trazerem um pouco (ou muito) da beleza esquecida da natureza que nos acolhe, e dos crimes cometidos contra o património arbóreo, verdadeiramente sagrado. Obrigado amigos.
Uma coisa que reparo constantemente são nas pequenas árvores recentemente plantadas em tudo o que é canto. Felizmente vivemos num país rico, que se dá ao luxo de abater ou arruinar milhares e milhares de árvores urbanas adultas por ano, para as multiplicar por dez, certamente mais formosas e adequadas.
Que sorte tem a geração de 2100. E tanto tem a agradecer aos autarcas visionários do início do século XXI. Os Rios, os Costas, os Emídios, os Ruas, os Searas deste país. Sempre a olhar em frente. Em direcção ao futuro. Pelo progresso da nossa terra.
Os Searas são uma espécie particularmente interessante porque, num ano, gastam dinheiro em acções formativas para que os serviços camarários aprendam como se deve fazer a manutenção de árvores ornamentais para, no ano seguinte, gastarem dinheiro a fazer exactamente o contrário do que aprenderam (ou deveriam ter aprendido).
Tudo pago com o dinheiro dos contribuintes, claro!
Engraçado como esta árvore que sempre fez parte da minha paisagem diária durante anos, deixou de ser cenário, e à medida que cresço e vejo mais mundo, me apercebo que árvores assim, a quem deixaram envelhecer com alguma dignidade, são cada vez mais raras. Olhos pois para ela, hoje, com redobrado orgulho, e falo dela com muito gosto! Que possa durar bonita, respeitada e saudável por muitos anos!
Como todas as coisas boas da vida, as árvores, as árvores que fazem parte da nossa vida, persistem…mesmo quando, infelizmente, sucumbem à idade, ou pior, à estupidez humana.
Ando a tentar obter mais informações sobre quem poderão ser os actuais proprietários. Nesta pesquisas encontrei a neta do senhor que plantou a árvore a 13 de Setembro de 1922, dia de nascimento da sua filha. A senhora ainda é viva e a árvore felizmente também. Foi podada (não sei se bem, se mal, há cerca de 2 meses). Se obtiver resultados, cá vos direi. Pelo que soube seria uma grande felicidade para a senhora que a árvore viesse a ser classificada. Está muito
lúcida e com imensas memórias para partilhar!
Desde que a poda não tenha desfigurado a árvore, o que nos conta são boas notícias, nomeadamente essa receptividade, por parte da senhora, para que se proceda à classificação da árvore.
Obrigado por essa pesquisa, interesse e persistência na procura de uma solução que permita salvaguardar esta árvore, através da sua classificação.
A senhora que contactei, infelizmente, já não é a proprietária da casa há muitos anos, e não sabe quem serão os actuais residentes. Deu-me uma pista… a ver vamos!
Do que vi da poda, cortaram a maior parte dos troncos e ramos da parte inferior da copa, pelo que parece agora muito menos volumosa. Mas tenho ideia de que haveriam muitos ramos secos a fazer pressão em ramos inferiores. Havendo novidades, apareço por cá de novo,