Do nosso amigo António Monteiro, que connosco partilhou a Rainha do Norte, recebemos outra extraordinária descoberta:
Cada vez que, por casualidade, vou conhecendo melhor o concelho da Guarda, mais fico a suspeitar que ali estão escondidas inúmeras e extraordinárias daquelas preciosidades botânicas que ambos admiramos. De facto, cada vez que lá vou acabo por deparar, sem andar especialmente atrás delas, com mais e mais árvores monumentais Daquelas dignas de registo vou-te dando conhecimento.
No outro dia foi à Egitorno, uma fábrica engraçada por ser uma das poucas da Guarda, lá dentro um espaço aberto onde se podem ver os mecânicos concentrados dedicados cada qual com a sua máquina furadora, quase todos com alguma pincelada de óleo escuro na face, e do outro lado da rua deparei com aquela enormidade.
Neste caso particular, para além da notícia vai também um apelo para salvar este pobre gigante mutilado.
Estou prestes a andar com uma fita métrica de 10 m no carro e começar a levar mais a sério esta paixão de procura destes adamastores de madeira, mas como ainda não ando com esse utensílio, apenas posso estimar as biometrias assim muito por alto. Neste caso, parece-me o maior castanheiro que já vi mas, por falta de medição, se calhar é ilusão de óptica
Fica aqui o relato:
- Em pleno Parque Industrial da Guarda sobrevive este fatídico e centenário castanheiro, mutilado até à medula, alcatroado até ao tronco. Ele vive em pleno parque industrial, parque bem mais jovem que ele e bem mais feio que o pobre castanheiro.
Ao olhar para as suas numerosas cicatrizes, observei algumas feridas recentes, alguém ainda este ano o tosquiou barbaramente.Por incrível que assim seja, ele subsiste vivo e nesta Primavera, que talvez seja a sua última, de muitas e muitas, ainda lançou ramos e folhas verdes, pois uma árvore nobre como esta não morre com duas cantigas
Acho que consigo obter o nome do senhor que é dono do espaço e provavelmente o autor de tão desenfreada perseguição
Poderemos tentar salvar este gigante?
Suponho que o que senti, ao ver estas fotos, tenha sido idêntico ao que sentiu o António, no seu caso de forma mais intensa, pelo contacto directo com este adamastor de madeira.
Um contentamento descontente, um misto de admiração e de revolta. Um castanheiro colossal, de dimensões majestosas, lutando por sobreviver, após ter sido despojado de quase todos os sinais de vida.
É tanta a vontade de nos alegrarmos por ver este castanheiro a lutar por um futuro, como a indignação por ver o estado em que se encontra no presente, vítima de quem não soube respeitar a sua história.
A pergunta do António (Poderemos tentar salvar este gigante?) só pode ser respondida, obviamente, de forma positiva. Enquanto houver homens que acreditam neste castanheiro, haverá uma réstia de fé que o mesmo se possa cobrir, novamente, de verde esperança e não acabe, sem honra, como tantas outras árvores monumentais, às mãos da ignorância e da indiferença.
Eu acredito e sei que o António também…
(O título deste texto e as fotos que o acompanham são da autoria de António Monteiro.)




Infelizmente tenho ou tinha fotos no telemovel do dia em que foi semi-abatido esse magnifico castanheiro.
É de facto dos maiores que conheço nesta zona e está ali enfiado no meio de pavilhões industriais…
Pode ser que consiga rebentar e fazer nova folhagem…
Abraço
Caso essas fotos ainda existam, teríamos todo o gosto em conhecer o aspecto deste castanheiro antes desse atroz evento.
Dependendo do respectivo tamanho, poderiam até ser publicadas, aqui no blogue, como forma de complementar o presente texto. Obrigado.
Um abraço.
Impressionante!
Fiquei com as lágrimas nos olhos porque me fez lembrar o Sr.L, que se encontra em fase terminal, um ser humano muito corajoso e com imensas perdas ao longo da sua vida – por sinal, muito dura e difícil, e com uma sabedoria/serenidade impressionante – um tronco majestoso, tal como este castanheiro – mas que ultimamente, diz-me estar velho e muito cansado, porque à sua volta tudo lhe “corta os ramos” – tira as possibilidades de voltar a renascer, mesmo que seja por pouco tempo…
Nós sabemos que ainda existe muita vida naquele “tronco”, mas como fazer os outros acreditarem também? É uma penosa batalha para quem gosta e sente que tudo poderia ter sido diferente…
Obrigado pela coragem em partilhares sentimentos tão íntimos.
O destino das árvores e dos homens está ligado de uma forma intensa e perene, apesar da pequenez de certas almas ser incapaz de o enxergar.
Assustou-me logo ver estas duas categorias juntas: Dendroclastia e Árvores Notáveis. O augúrio já era mau. Realmente, ficamos sem saber se rir se chorar.
É nossa intenção tentar contactar com o proprietário no sentido de conseguir que a árvore seja preservada. Parece-me que o mais urgente é criar espaço permeável à volta do tronco evitar maior compactação das raízes. Para já não se avizinham podas… porque não há nada para podar. Mas claro que lhe pediremos para evitar outra intervenção destas no futuro.
Tal como está, duvido que a árvore seja classificável. Talvez quando a copa recuperar um poco.
Não tenho capacidade para entender isto. Se eu tivesse uma árvore destas nas traseiras da minha fábrica, armazém, casa ou sei lá o quê, o meu orgulho não teria limites. Não entendo.
Este talvez seja o derradeiro exemplo da pobreza, não compreender, nem respeitar as nossas riquezas.
Já olhei dezenas de vezes para as fotos e fico sem palavras …
Estou com um aperto na garganta por ver este colosso mutilado… seria maravilhoso conseguir a protecção e recuperação desta antiguidade viva.
Estes grandes Castanheiros mutilados mas apesar de tudo, vivos, são imagems fortíssimas. Custa a acreditar que haja quem lhes fique indiferente.
Vocês nem imaginam o alívio que é ler os vossos comentários. A situação deste castanheiro deixou-me angustiado. Como é que se tem na mão um bem tão precioso e se mostra tanta indiferença? Será que somos nós que somos líricos? Eu vejo tanta coisa naquela árvore, torno-a quase humana. Eu sei que não é humana mas também não acho que seja eu que estou a delirar. Acho que de facto a forma como se trata uma árvore destas diz muito das pessoas que a rodeiam. Quem trata assim uma árvore destas tratará melhor um idoso? A ausência de capacidade de responder com empatia aquele ser preocupa-me. É barbárie o que ali está.
O essencial está precisamente nesse pormenor, quem não respeita a vida de uma árvore, não respeita a vida, qualquer que ela seja.
A vida, incluindo a vegetal, tem uma dimensão de sagrado que, apesar de alguns serem incapazes de ver, não deixa, por isso, de ser menos real.
Caros Amigos,
Infelizmente já estava avisado (pelo Miguel) da gravidade das fotografias, pelo que o choque não foi tão grande, isto apesar de achar que o Pedro deveria ter colocado uma bolinha vermelha no canto das fotos e um aviso para que os menores não vissem estas imagens….. Simplesmente horrível…….
Quanto ao que se pode fazer em honra desta majestosa árvore, proponho o seguinte, descobrir o proprietário, ou quem tem jurisdição sobre a árvore e propor-lhe uma intervenção, sem qualquer custo, realizada pela nossa associação. Sei que a Guarda não fica já aqui ao lado da maioria de nós, mas seria uma forma de juntar-mos algumas pessoas que gostam destes seres fantásticos, confraternizávamos e tentava-mos salvar este castanheiro.
Quanto aos trabalhos a realizar penso que está em primeiro lugar a criação de uma “caldeira” em seu redor e depois acompanhar anualmente (caso a árvore se aguente) de forma a ir-lhe formando uma “copa”, através de ligeiras intervenções de limpeza.
Abraço.
Nelson Lima
NOTA: Esta intervenção poderia ter alguma atenção mediática, ganhava a árvore e a Associação.
Essa é uma boa ideia. Seria necessário, no entanto, que se juntasse um número bastante razoável de pessoas, quer para o trabalho de remoção do asfalto e abertura da caldeira, quer para que tivesse alguma possibilidade de cobertura mediática. Vamos tentar! Está na hora de os amigos das árvores portuguesas passarem aos actos!
Apoiado. Eu vou saber o nome do proprietário.
Contem comigo se quiserem desenvolver essa acção.
Proponham uma data.
Tenham medo das pessoas que não gostam das árvores!