Enquanto por todo o país, a maioria das câmaras municipais (e outras entidades) abatem e podam árvores, a maioria das vezes sem qualquer justificação ou informação aos munícipes, ainda há quem faça um esforço por remar contra a maré.
Em Valença, no mesmo concelho onde um departamento da câmara assassina as suas árvores ornamentais, um gabinete municipal de poucas, muito poucas, pessoas está a levar a cabo um meritório trabalho de reflorestação e arborização de baldios.
O Gabinete Técnico Florestal da Câmara Municipal de Valença tem como missão florestar áreas de baldio em que as comissões, comprovadamente, não possuam capacidade técnica e financeira para o fazer, mas desejam rentabilizar ou revitalizar estes espaços comunitários. Mas o seu trabalho não se limita a “plantar e esquecer”, incluindo também a manutenção destas jovens florestas e acções de educação ambiental. Especial atenção merecem as medidas contra os incêndios, tendo sido criados vários pontos de água que incluem uma inovação muito simples – estão pintados de vermelho e branco para melhor localização.
Contando apenas com um técnico, este gabinete iniciou a sua actividade em 2005. Depois de muito esforço e dedicação, e conseguido o reconhecimento da edilidade, realizou-se em 2008 um protocolo com a Associação de Produtores Florestais do Vale do Minho, que permitiu passar a dispor de uma equipa de cinco sapadores, hoje encarregues de uma área de 6 492 ha. Destes, apenas 554 ha são de povoamento misto de eucalipto e pinheiro, contando-se ainda 3 128 ha de pinheiro bravo e 2 819 ha de folhosas diversas. Actualmente, o chefe do gabinete conta ainda com a ajuda de uma geógrafa.
Apesar de muitas das árvores plantadas pertencerem a espécies exóticas, como falsos-ciprestes (Chamaecyparis sp.), ciprestes (Cupressus sp.), carvalhos-americanos, castanheiros-da-índia, entre outras, estão também a ser usadas espécies autóctones.
O recurso às espécies exóticas prende-se, principalmente, com a disponibilidade de sementes certificadas nos viveiros florestais, bem como com a necessidade dos proprietários dos baldios de rentabilizarem minimamente estes terrenos. Mas sempre que possível, o engenheiro Eduardo Afonso, responsável pelo gabinete, promove a plantação de espécies autóctones como a cerejeira, o freixo, o pinheiro-manso, a bétula, o carvalho-alvarinho, o castanheiro e até o azevinho e o medronheiro. Se, progressivamente, se for conseguindo convencer os proprietários a recorrer a estas espécies (de rentabilização mais aprazada), em detrimento das exóticas, seria a situação ideal.
Contam já com aproximadamente 30 000 árvores semeadas e transplantadas, estando planeada a introdução em Novembro de mais 20 000 carvalhos-americanos. Mas não se pense, dada a enorme área à sua responsabilidade, que os meios são muitos. A maior parte do que aqui é feito é mais devido à boa vontade, ao esforço e à imaginação, do que a grandes orçamentos ou infra-estruturas.
Bom exemplo disso é o seu viveiro, alvo de piadas e alguma polémica por parte de alguns, mas orgulho dos seus dinamizadores. Com materiais simples e muito pouco orçamento, este viveiro já conta com 20 000 pequenas árvores à espera de transplante. A reutilização de resíduos como copos e garrafões de plástico é regra, não se desperdiçando nada. Este espaço tem a virtude de proporcionar alguma independência económica relativamente aos viveiros pois, com pouco financiamento, permite criar milhares de exemplares. Por outro lado, poderia vir a ser, se apoiado, uma mais valia para o projecto e para o concelho.
Mas até as melhores iniciativas podem ser alvo da mais vergonhosa inveja. Disso é prova o roubo de mais de 500 exemplares, muitos deles carvalhos e freixos plantados junto às margens do Rio Minho. Mas não é isso que desanima este empenhado grupo de profissionais, e todas estas árvores já foram substituídas.
Uma vez que ainda há milhares de hectares a cuidar e muitos outros a florestar, espera-se que os recursos para continuar este trabalho não venham a faltar mas, pelo contrário, se garanta o futuro destas jovens florestas.
O meu desejo é que estas iniciativas pudessem deixar de ser um bom exemplo, para passarem a ser a regra.
Nota: a fotografia à direita ilustra o kit para semear uma árvore, distribuído às crianças das escolas do concelho, e que inclui um vaso com uma base de substrato e uma semente.




Acho que vale a pena ver:
http://www.youtube.com/watch?v=QlpB3PKZ9pU
Cmpts
sintrense
Miguel,
são precisos mais exemplos, como este, contados no Árvores para dar alento e coragem, a todos os que gostam de árvores e tantas vezes desanimam perante os crimes contra elas realizados.
Muitos Parabéns a essa EQUIPA MARAVILHA e ao engenheiro Eduardo Afonso!
Gostaria de saber qual a melhor altura para transplantar um carvalho com cerca de 15 anos na proximidade de Vila Real. A deslocação da árvore será de apenas alguns metros, cerca de 4 a 5 metros.
Caro Miguel,
Para tal, deverá contactar uma empresa da especialidade. Obrigado pelo contacto.
Boas,
Só agora vi o comentário do Sr. Miguel MLP.
O mais certo é já não o conseguir contactar, mas se aparecer por cá, posso tentar ajudar.