Relativamente ao abate de plátanos na Circunvalação, recebemos ontem a resposta do Gabinete de Ambiente da Estradas de Portugal S.A. (EP), que aqui transcrevemos, bem como a nossa resposta a este Gabinete.
Exmos. Senhores,
Numa primeira instância importa informar que, relativamente às intervenções a efectuar no arvoredo que margina as estradas sob a responsabilidade da EP, principalmente trabalhos de abate, o procedimento instituído na EP é que tais operações têm que ser precedidas de um comunicado escrito endereçado às Autarquias, Juntas de Freguesia, Associações de Defesa do Ambiente locais, caso existam, e/ou outras entidades que tenham sido identificadas como interessadas, sendo ainda divulgado no site da EP e em jornais locais, caso se considere pertinente, sendo posteriormente afixado nas Juntas de Freguesia, vitrinas do Estaleiro da obra (caso exista), bem como em cafés ou restaurantes na proximidade, sem prejuízo doutros locais que se considerem relevantes.
Sempre que possível são desde logo efectuadas diligências para a replantação das zonas onde ocorreu a intervenção.A E.P. procura ainda ter total abertura para qualquer esclarecimento adicional, demonstrando assim transparência nas atitudes tomadas, até porque as decisões são sempre precedidas de análises cuidadas, e que decorrem da actividade diária da EP, não sendo por isso divulgadas constantemente, e na íntegra aos cidadãos, uma vez que se julga que tal procedimento seria desapropriado.
Sem prejuízo do referido, mas em resposta concreta à vossa comunicação de 23 de Junho, vimos esclarecer que não é prática da empresa abater árvores sem que tal seja considerado absolutamente necessário, do ponto de vista da segurança dos utilizadores da via pública ou dos espaços confinantes.
Naturalmente, muito menos o seria, tratando-se de árvores de tão grande dimensão situadas junto a uma estrada de grande circulação e importância como é o caso.A decisão de abate das árvores em questão, na sequência da inspecção e análise por parte dos técnicos da EP, responsáveis pelo arvoredo rodoviário, bem como dos técnicos de arboricultura afectos à própria empreitada, teve em conta não apenas o estado fitossanitário das mesmas, mas todos os aspectos que devem ser ponderados na avaliação do grau de perigosidade de um exemplar arbóreo. Este grau de perigosidade é avaliado em função da probabilidade de ocorrência de queda da árvore, pernadas ou ramos, da dimensão dos elementos que poderão cair (árvore, pernadas ou ramos) e da probabilidade destes, ao caírem, atingirem pessoas e bens.
Quanto ao primeiro factor, este dependerá da existência de danos ou problemas estruturais nas raízes, tronco ou ramos que possam ocasionar a ruptura de parte ou da totalidade da árvore. Entre os diversos tipos de danos a considerar, encontram-se as podridões do lenho, que podem ocorrer nos ramos ou tronco principal da árvore.
No que respeita ao segundo factor a considerar na avaliação da perigosidade de uma árvore, é facilmente compreensível que um defeito detectado num ramo ou pernada representará um risco tanto maior quanto maior for o peso desse elemento, quer porque este é determinante na probabilidade de ruptura, quer pela gravidade dos danos associados a uma eventual queda ser, também, determinada pelo seu peso e dimensão.
Por fim, há que considerar a probabilidade de, ao ocorrer a queda de uma árvore ou ramo, esta atingir um alvo humano ou material. Assim, numa situação de risco elevado, o perigo que uma árvore representa depende da utilização do espaço envolvente, o que determina que se dedique uma maior atenção às árvores situadas em meio urbano e junto a vias com elevado volume de tráfego.
Na situação em apreço, e conforme consta do parecer de 14-04-2010, verificou-se a regressão de copas em mais de 60% e que poderia chegar até aos 100% (árvore completamente seca), implicando isso em alguns casos, a queda já registada sobre a via de mais de 10% a 20% dos ramos, pondo em causa pessoas e bens. Da análise no local, verificou-se que esta regressão está associada a problemas radiculares gravíssimos que ocorreram com a construção de um parque de estacionamento pavimentado no separador central, com a sucessiva passagem de condutas (algumas de muito grande dimensão), construção de caixas e abertura de valas que foram retirando ao longo dos tempos uma parte importante do sistema radicular e mesmo determinante, como se pode agora constatar, na sobrevivência da árvore.Face ao exposto, entendeu-se que nesta situação, e ponderando os riscos para a segurança de pessoas e bens que se constataram, seria preferível promover o rejuvenescimento deste importante alinhamento da paisagem da cidade do Porto, através da plantação de novos exemplares da mesma espécie, melhor enquadrados e adaptados ao espaço actualmente disponível.
Acresce referir, como nota final, que a EP tem activamente procurado poupar o abate de árvores, corrigindo práticas, reforçou enormemente a dotação orçamental para a gestão da arborização rodoviária, no âmbito de novos contratos de conservação corrente, e está envolvida em programas de reflorestação e compensação dos espécimes abatidos, o que, seguramente, demonstra o empenhamento da empresa e a importância dada a esta temática.
Para o sucesso desta nossa actuação os contributos construtivos de associações como a vossa ajudarão a programar as intervenções necessárias para a convivência da estrada com a arborização, garantindo a segurança de pessoas e bens.Com os melhores cumprimentos,
Ana Cristina Martins
Directora
Gabinete de Ambiente
A nossa resposta:
Exma. Srª
Directora do Gabinete de Ambiente da Estradas de PortugalAgradecemos a sua resposta e os esclarecimentos nela contidos.
A forma de actuação que descreve, precedente das intervenções nos arvoredos à vossa responsabilidade, são sem dúvida de louvar. É exactamente por isso que nos temos batido: informação detalhada veiculada previamente. Mas, no sentido de chegar a todas as pessoas, deixamos uma sugestão — a afixação nas próprias árvores (ou, em suporte próprio, no local onde estas estão implantadas) daquilo que vai ser feito e os motivos que justificam essa acção.
Na sua resposta refere que “as decisões são sempre precedidas de análises cuidadas, e que decorrem da actividade diária da EP, não sendo por isso divulgadas constantemente, e na íntegra aos cidadãos, uma vez que se julga que tal procedimento seria desapropriado”, o que nos suscitou algumas questões. Em primeiro lugar, não percebemos porque motivo tal procedimento seria desapropriado, uma vez que permitiria esclarecer qualquer mal entendido, como se verifica no caso presente. Por outro lado, uma vez feitas análises e produzido o respectivo relatório, porque não publicá-lo nos vossos canais, nomeadamente no vosso portal? Reafirmamos a nossa disponibilidade para ajudar a veicular esta e outra informação, desde que isso sirva para esclarecer os cidadãos.
Lemos atentamente o parecer de 14 de Abril, que lapso referimos como sendo de 14 de Junho, posterior à intervenção. Mas este documento não substitui o relatório das análises efectuadas, pois não inclui a apreciação de cada exemplar analisado e não detalha as técnicas utilizadas. Infelizmente, mesmo quando for disponibilizado este documento, vai ser difícil amenizar a desconfiança das pessoas que se mostraram revoltadas com a situação, pois as árvores já foram abatidas e removidas.
No que concerne à segurança, e como já referimos, somos os primeiros a considerá-la a principal prioridade. Tal ponto é indiscutível. Isto não impede que abundem as árvores e arvoredos ao longo das nossas estradas e ruas, pois há muitas décadas que assim é, tanto no nosso país, como em muitos outros (Europa, Estados Unidos, entre outros). O problema prende-se, como refere, com a conservação e bom trato destas árvores o que, como indica na sua mensagem, não aconteceu neste caso.
Vemos, assim, necessidade de que a EP reafirme a sua autoridade perante as câmaras (ou outras instituições) que realizem obras nas vias concessionadas a esta empresa, eliminando ou controlando os danos a qualquer parte das árvores instaladas no local. Este controlo das obras de terceiros poderia evitar trágicos acidentes, bem como posteriores abates.
Aproveitamos para louvar os esforços da EP que refere na sua mensagem, relativamente à arborização e conservação das árvores existentes. Esperamos, sinceramente, que este esforço se mantenha e se incremente. Mas, uma vez mais, estamos em crer que parte desse esforço passará despercebido se, antes de cada intervenção, não for explicado aos cidadãos, detalhadamente, o motivo dos abates e podas. Também seria importante publicitar as situações em que se evitaram abates de árvores ao vosso cuidado (por exemplo, através de tratamento específico), para o que igualmente nos colocamos à disposição.
Finalmente, gostaríamos de deixar uma opinião final, a de que as árvores mais importantes das nossas estradas, são as que já lá existem.
Resta-nos agradecer a sua atenção e os seus esclarecimentos.
Com os nossos melhores cumprimentos,
Associação ÁRVORES DE PORTUGAL




Assim sendo, cabe perguntar se alguma associação do Porto, como a Campo Aberto ou o FAPAS, foram informados, previamente, desta intervenção?
Dificilmente, seria possível construir outro parágrafo tão contraditório. Ou seja, a Estradas de Portugal (EP) está empenhada na transparência e em prestar esclarecimentos adicionais, mas divulgar a informação na íntegra para esclarecer todas as dúvidas? Não, isso não fazem porque é desapropriado?! Como?! É desapropriado divulgar a informação que permitiria justificar o abate de árvores na via pública? É isso a transparência?
Tal como o Miguel Rodrigues escreveu, e bem, só há uma maneira de clarificar a situação e é tornando público o estudo que ditou o abate de todos os exemplares, com a informação detalhada, para cada um dos espécimes, dos factores que ditaram essa decisão.
Menos do que isto é nada. Menos do que isto é prolongar a suspeição.
Se a EP está tão convicta de que a razão está do seu lado, que motivos poderão impedir a publicação dessa informação? Ou não será a publicitação dessa informação, em primeiro lugar, do próprio interesse da EP?
Por último, folgo em saber que a EP recuou nas suas intenções anteriores e decidiu mudar a sua política recente, repondo as árvores que abate. A Árvores de Portugal oferece o seu blogue para publicitar, caso a caso, essas acções de replantação. Ficamos à espera que nos cheguem as imagens.
P.S. – Continuamos à espera, igualmente, do estudo sobre os plátanos de Colares. Não estamos esquecidos…
Estou ainda seriamente preocupado com a “não postura” das câmaras municipais do Porto e de Matosinhos. Pelos documentos que analisei e pela resposta do Gabinete de Ambiente da EP, o abate seria justificado pela destruição das raízes, devida às obras aí realizadas.
Para começar, a EP deixou fazer essas obras, sendo responsável por esta via e pelas árvores que lá estão (estavam). Mas estas duas edilidades são, aparentemente e até prova em contrário, os principais responsáveis pela destruição das árvores. Mas até agora, estão a tentar passar despercebidos, deixando a polémica para os outros.
No entanto, tem-se visto como é que estes dois municípios tratam as suas árvores, o historial não é nada abonatório.
Deixo também a ligação para o parecer da Quercus. Cada vez se torna mais premente que o relatório aparece rapidamente, sob pena de tanto a EP como a empresa que realizou o abate caírem no total descrédito.
http://www.quercus.pt/scid/webquercus/defaultArticleViewOne.asp?categoryID=567&articleID=3228
Mas será que ainda não foi entendido que o assunto não é de descrédito mas sim de negócio? Será que ninguém ainda percebeu que É TOTALMENTE FALSO QUE “…conforme consta do parecer de 14-04-2010, verificou-se a regressão de copas em mais de 60% e que poderia chegar até aos 100% (árvore completamente seca), “… QUE É O QUE CONSTA DO RELATÓRIO elaborado, sem que até hoje se tenham sequer descoberto ou posto a público os fundamentos de tal relatório? Porque será que ninguém esclarece a posição do “arboroicultor” que fez o relatório,alegadamente, sócio da empresa que terá realizado o abate e ficado com a madeira???
Caro Jorge Lira
Ninguém pode esclarecer a posição do senhor Paulo Moura, a não ser ele mesmo. Já lhe dirigi, neste blogue, o mesmo pedido que fizemos à EP. Infelizmente, até agora o relatório ainda não apareceu. O documento a que chamaram “relatório” e que contém apenas dois parágrafos e uma fotografia de uma secção de um troco relativamente saudável, não pode de forma alguma ser tido como tal.
Este arboricultor já se mostrou disponível para ir ao local demonstrar a debilidade e danos das raízes. Seria de todo o interesse que um grupo de pessoas, incluindo técnicos de arboricultura e responsáveis de associações, pudessem participar deste esclarecimento in-situ. É uma ideia a considerar se, entretanto, o verdadeiro relatório não aparecer.
Sinceramente estou cansado de trabalhar e não tenho mais tolerância para alimentar polémicas injustificadas e imaginárias. Não devo justificações a ninguém nem temo o que dizem de mim.
Tenho um grande sentido de orientação. Só que… perco-me muitas vezes.
Caro Paulo,
A Árvores de Portugal tem procurado, através dos textos e comentários aqui publicados, bem como do pedido de esclarecimentos enviado à Estradas de Portugal (EP), contribuir para o cabal esclarecimento desta situação.
Como pessoas responsáveis que somos, temos evitado tornar este assunto numa questão pessoal, tendo optado por pedir que se torne público toda a fundamentação técnica que terá estado por detrás da decisão de abater as árvores referidas.
Esse esclarecimento, seria do interesse de todos e não apenas dos que, como nós, se preocupam com as árvores. Torna-se imperiosa que a EP divulgue o que sabe até porque, através do seu silêncio, acaba por prejudicar a credibilidade profissional de outros.
O prolongar desta polémica, apenas contribui para o avolumar de suspeitas sobre as intenções da EP e para se entrar num perigoso jogo de ataques pessoais, no qual não queremos alinhar.
A Árvores de Portugal fez tudo o que podia fazer para esclarecer esta situação. Deste modo, enquanto associação, estamos de consciência tranquila, pois tudo fizemos para ajudar a clarificar a situação, sem nunca entrarmos em ataques pessoais.
Para concluir, apelamos à EP, pela última vez, para que clarifique esta situação e para que, em casos semelhantes, e de futuro, forneça toda a informação de que dispõe, antes de intervir no terreno, informando as pessoas e promovendo, inclusive, sessões de esclarecimento.
Cumprimentos.
>>(…)tais operações têm que ser precedidas de um comunicado escrito
>>endereçado às Autarquias, Juntas de Freguesia, Associações de Defesa
>> do Ambiente locais
>>Assim sendo, cabe perguntar se alguma associação do Porto, como a >>Campo Aberto ou o FAPAS, foram informados, previamente, desta >>intervenção?
que eu saiba não. acho que vamos ter que pedir à estradas de portugal para nos passar a avisar destas situações.
vitor silva
campo aberto
Publico aqui a curta resposta da EP à mensagem que enviamos e que transcrevemos no texto acima. Do relatório das análises efectuadas às árvores, ainda nada.
“Exmos. Senhores,
Agradecemos a Vossa resposta, referindo que a EP terá em devida conta as sugestões nela contidas, continuando a adoptar procedimentos de precaução no âmbito da gestão da arborização rodoviária, que considera serem uma mais-valia para os utentes da própria estrada. A disponibilidade e sugestões que as Associações como a V. podem acrescentar ao trabalho diário efectuado nestas matérias, constituirá seguramente um apoio válido neste processo.
Com os melhores cumprimentos,
Ana Cristina Martins
Directora
Gabinete de Ambiente”
Conforme a carta das “Estradas de Portugal ” a necessidade do abate está associada a problemas radiculares gravíssimos que ocorreram com a construção de um parque de estacionamento pavimentado no separador central, com a sucessiva passagem de condutas (algumas de muito grande dimensão), construção de caixas e abertura de valas que foram retirando ao longo dos tempos uma parte importante do sistema radicular e mesmo determinante, como se pode agora constatar, na sobrevivência da árvore”.
De facto visitando o local, verifiquei a existência das referidas obras.
Por outro lado pondo a mão no toco cortado não se notava nenhuma frescura, isto é, a quantidade de seiva era muito diminuta.
Assim o(s) culpado(s) foi (foram) quem autorizou essas obras.
Haveria assim que eliminar esses parques “espúrios” de voltar a dar esse espaço às árvores. Como mínimo reduzir o parque, e pavimentá-lo com pavimento permeável.
António Saraiva