O Plátano de Portalegre

É quase imperdoável que, nos anos que levo de Sombra Verde, nunca tenha escrito sobre o magnífico plátano (Platanus orientalis L. var. acerifolia Aiton) de Portalegre. O facto de se tratar de uma árvore tão especial fez-me adiar a publicação, sempre na expectativa de, finalmente, ter a oportunidade de tirar um conjunto de fotografias que lhe fizesse justiça.

Seja por falta de oportunidade, seja por falta de talento, esse dia acabou por nunca chegar e, decidi agora, com as imagens que tenho, tiradas já com pouca luz, no final de um dia outonal, dedicar-lhe o merecido destaque no blogue em que celebramos as árvores portuguesas.

O plátano que hoje veneramos pela sua grandiosidade foi plantado em 1838 por José Maria Grande, botânico e um dos fundadores, no século XIX, do ensino agrícola no nosso país. De acordo com a obra Árvores Monumentais de Portugal, de Ernesto Goes, o mesmo terá sido plantado junto de uma linha de água, o que poderá ajudar a explicar o facto de, aproximadamente meio século após ter sido plantado, ter atingido 24 metros de diâmetro de copa e três metros de perímetro de tronco à altura do peito (PAP)1.

Este monumento vivo faz parte do grupo dos primeiros espécimes que foram classificados como árvores de interesse público, no já longínquo ano de 1939. A caminho dos 200 anos de idade, este plátano continua a apresentar uma saúde invejável, isto apesar de, no passado, ter existido uma tentativa para o cortar, facto que foi impedido por um movimento de cidadania que se gerou na altura2.

Uma das particularidades desta árvore é o facto de possuir algumas placas identificativas e comemorativas, situação rara entre os exemplares classificados. Uma dessas placas é visível na imagem mais à direita, pese embora os dados dendrométricos que constem da mesma, apresentem discrepâncias face aos valores oficiais divulgados pela AFN, datados de 2006:

  • Altura = 26,50 m
  • PAP = 6,85 m
  • Diâmetro médio da copa = 33,50 m

Esperemos que este plátano continue, por muitas gerações, a atenuar o calor aos portalegrenses e a quem demanda esta cidade do norte alentejano, em busca da sua sombra.

1 De acordo com o livro Árvores Giganteas de Portugal, de Sousa Pimentel, citado na obra de Ernesto Goes.
2 Informação constante da página da AFN.

Adenda: A partir do texto que a Manuela Ramos dedica a este plátano, no blogue Dias com Árvores, é possível a visualização de duas imagens antigas deste exemplar, uma das quais datada de 1888.
Por outro lado, na página do Flickr da Árvores de Portugal, é possível visualizar uma fotografia, de Júlia Galego, que ilustra o contraste entre a monumentalidade deste espécime e a forma como, no seu entorno, existem vários plátanos rolados.

3 Responses to “O Plátano de Portalegre”

  1. al cardoso

    De facto e uma arvore imponente!
    Na minha aldeia natal (Vila Cha, Fornos de Algodres) tambem existe um enorme platano, provavelmente nao tera tanto diametro, mas e muitissimo mais alto e e uma arvore enorme!
    Um dia destes publicarei uma fotografia dele.

    Um abraco dalgodrense.

    Responder
    • Pedro Nuno Teixeira Santos

      Caro Al,

      Conheço relativamente bem o concelho de Fornos de Algodres, mas não conheço a árvore em questão. Agradecemos caso queira partilhar com o nosso blogue algumas fotografias da mesma.

      Em relação ao plátano de Portalegre é de sublinhar que o mesmo está parcialmente soterrado, devido a sucessivos aterros do local no qual está implantado. Se assim não fosse, o seu valor de altura seria superior, mas, por outro lado, o seu valor de PAP seria certamente inferior.

      Cumprimentos.

      Responder

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