Infelizmente, é extremamente fácil encontrar, em qualquer parte do nosso país, imagens que ilustrem a forma errada como a maioria das nossas árvores ornamentais é podada. Este é, aliás, um problema comum a muitos outros países, que não apenas o nosso.
Há, porém, se me é permitida a expressão, particularidades regionais, no que concerne à manutenção das árvores, que me deixam perplexo. Tal é o caso, da forma como, em boa parte do Algarve, se podam os pinheiros-mansos, transformando-os em autênticas caricaturas de árvores.
Desconheço de onde surgiu este triste hábito persecutório aos pinheiros-mansos algarvios e quais os fins que o mesmo pretende alcançar, embora gostasse muito de ser elucidado, pelos autores destes actos mutiladores, da pretensa fundamentação técnica para tais intervenções.
Pessoalmente, a única coisa que me parece evidente, e que as imagens bem atestam, como resultante destas podas injustificadas, é o desvirtuar daquela que é uma das principais funções de uma árvore ornamental, ou seja, o embelezamento do espaço físico no qual está inserida.
E não se pense que estas práticas estão confinadas a terrenos municipais ou a espaços sob a tutela de outras entidades menos sensíveis à preservação dos espaços verdes. No caso dos pinheiros retratados nas imagens, por exemplo, trata-se de espécimes inseridos em empreendimentos turísticos de qualidade reconhecida internacionalmente, cujos amplos e elogiados espaços verdes serão mantidos, não duvido, pelos melhores profissionais do sector.




Terrível.
Será que é para não fazerem sombra?!?!?!?!?!?!
Será por causa da queda das agulhas?!?!?!?!?!?!
Será Tupiária moderna, para criação de “Mega-Bonsais”?!?!?!?!?!
Não faço nem ideia…………………
“Há mais artistas que obras de arte”
Podar pinheiros é do pior!
Deve ser para parecerem palmeiras :(
Infelizmente pensa-se que qualquer pessoa pode ser jardineiro. Por razões fáceis de entender muitos dos “jardineiros” são de facto antigos agricultores, sem nenhuma formação especial (outros são ex-tóxico-dependentes, deficientes, emigrantes, etc.) Os ” técnicos” são também de formação agrícola mas sem formação paisagística.
Assim usam os conceitos da agricultura sem se aperceberem que a finalidade da agricultura é a produção, e a do paisagismo a beleza e a naturalidade.
Na agricultura, para que uma árvore produza bastante fruto é necessário diminuir-lhe o vigor vegetativo, e por isso se poda; no paisagismo queremos sobretudo árvores com a forma natural, e por isso não se deve podar.
Já para os arbustos de flor, como previligiamos a produção de flores, podemos usar os critérios da agricultura.
Uma outra razão motiva a poda: tradicionalmente os jardins são “natureza domesticada” são perigos nem surpresas.
Para evidenciar bem o domínio humano há que, entre outras acções (uso da linha recta e da simetria, p. ex.) podar as árvores.
Esta ideia base está hoje, em meu entender, ultrapassada, pois quase toda a natureza a que os citadinos têm acesso está “domesticada”, e por isso gostariamos de ver era alguma natureza no seu esplendor original.
António Saraiva, arquitecto paisagista
É pá, calma aí amigo! Não me parece que um antigo agricultor tivesse a ideia peregrina de esgalhar um pinheiro manso como se fosse um chaparro. Parece que estamos em presença da ignorância do mandante ou do executor, que não está, de todo, habituado ao convívio com as árvores e à sua utilização tradicional. Quanto à filosofia do paisagismo versus produção, não me escandalizava de ver este pinheiro podado e com pinhas (afinal foi sempre assim que vi os pinheiros), mas tratado com respeito. Isto é, sujeito a uma intervenção não caprichosa, com um fim entendível que não seja do tipo “deitar abaixo, porque está a estorvar”.
Era interessante ver o nível do solo e o que lá existe. Esta “poda especial” pode ter diversas razões e justificações.
Os preços exorbitantes que os profissionais da poda se habituaram a praticar junto de alguma clientela abastada no Algarve, levou-os a não aceitar trabalhos de clientes mais comuns: como resultado, criou-se no mercado espaço para uma categoria muito expedita, muito barata e nada profissional: imigrantes brasileiros muito hábeis com a motoserra na poda dos pinheiros, muito despachados, nada careiros, sempre bem dispostos, mas não preparados profissionalmente para este género de trabalhos.
Mas a culpa não é só deles, é também de quem os deixa fazer desse modo, de quem os deixa à rédea livre e sem controlo durante a realização do trbalho.