A primeira ideia que a maioria das pessoas associa a Sintra é a de densos arvoredos. Infelizmente, quem pesquisar por Sintra neste blogue, praticamente só encontrará referências a podas ou ao abate de árvores, na vila e no concelho.
Sobre as indescritíveis podas, executadas a mando da Câmara Municipal, no passado Inverno, muito foi escrito, neste e noutros blogues, denunciando uma situação que envergonha todos os portugueses e, em particular, os naturais desta vila cuja paisagem é (ainda) Património da Humanidade.
O silêncio foi a forma mais frequente usada pela autarquia de Sintra para (não) responder à carta aberta que lhe foi enviada, sustentada numa petição pública, com mais de 1 000 assinaturas, bem como ao comunicado emitido pela nossa associação e pela Quercus.
Das poucas vezes que as fontes oficiais da autarquia quebraram o silêncio, nomeadamente quando confrontadas pela comunicação social com estes casos, foi para manifestarem a sua incredulidade perante as críticas feitas, desculpando-se com o facto de que as árvores da vila sempre assim teriam sido podadas. Que é como quem diz que estes senhores se sentem injustiçados e ofendidos por não lhes agradecerem a persistência no erro…
Por outro lado, na última semana, fomos confrontados com a informação prestada por uma cidadã de Sintra, relativa ao abate de árvores na vila. Tudo feito com extrema rapidez e seguindo o mesmo princípio de “segredo de Estado”, que a Câmara de Sintra aplica a todas as intervenções nos arvoredos públicos.
Ao contrário da rolagem de árvores, actos injustificados, praticados em Sintra e por quase todo o país, sempre que ocorre o abate de exemplares arbóreos, a nossa associação tem, por princípio, assumido a possibilidade dos mesmos poderem ser justificados, perante a apresentação de relatórios elaborados por especialistas na matéria.
No entanto, noutras situações, quando confrontámos directamente as instituições em causa, solicitando os pareceres que pudessem sustentar tais intervenções, a resposta foi quase sempre o silêncio ou a apresentação de dados insuficientes para explicar tal tomada de decisão.
Neste caso em concreto, perante o passado recente, pergunto-me se valerá a pena questionar a autarquia de Sintra, perante esta situação? Para não obtermos qualquer resposta? Para obtermos uma resposta educada, mas vaga, dizendo que as árvores estavam doentes, mas sem a apresentação de qualquer estudo que o comprovasse, de forma inequívoca?
Porém, continuaremos a ser coerentes e irei enviar, em nome da Árvores de Portugal, um e-mail à autarquia de Sintra solicitando a divulgação dos motivos que levaram a esta decisão. O mais grave de tudo isto, em termos da relação dos cidadãos com os seus representantes nas instituições do Estado, e tendo em conta o passado recente a que aludi anteriormente, é que mesmo que existissem esses tais fundamentos técnicos, as pessoas já perderam a confiança e dificilmente acreditariam em qualquer estudo que pudesse ser apresentado.
A confiança é daquelas coisas que se perde apenas uma vez e, neste caso em particular, os cidadãos de Sintra há muito que perderam a confiança nos seus autarcas, pelo menos na forma como estes gerem o património arbóreo do concelho.
(Fotografias enviadas por uma cidadã de Sintra.)




A foto do meio mostra uma eficácia que desconheciamos, rápidamente despareceram 3 árvores e o passeio já está calcetado…
E, assim vão desaparecendo as sombras das nossas ruas!