Há vários anos que estou a trabalhar longe da minha terra natal, Valença, fazendo apenas três visitas anuais – Inverno, Primavera e Verão. São, por isso, muitos os locais que conheci bem e que há muito não visito. Mas o rio Minho é sempre uma prioridade, embora a zona que mais frequento seja a que está à porta da minha casa.
Graças a uma fotografia de um carvalho enviada por um leitor para a nossa página no Facebook, tive novamente o ensejo e oportunidade de revisitar um destes locais – a Ínsua do Crasto, em Friestas, Valença.
Trata-se de uma língua de terra, quase transformada em ilha por um braço de rio (esteiro).
A vegetação das margens é luxuriante, com pouca presença de exóticas (com a excepção de uma mancha de mimosas), mas com vários exemplares de grande porte de espécies autóctones. Nesta estreita faixa de bosque ribeirinho, é fácil encontrar carvalhos e até sobreiros de grandes troncos cobertos de trepadeiras tão grossas como o braço de um homem. Devido à densidade de vegetação, os loureiros atingem alturas superiores a 10m, para além de uma grossura pouco usual (terceira fotografia). Junto à linha de água, os freixos, os amieiros e os salgueiros debruçam-se sobre a corrente. A sombra reina em tons esverdeados.
Não sei se consegui localizar o exemplar enviado pelo nosso leitor, uma vez que neste local a identificação de um indivíduo específico é muito difícil, mas as imagens acima dão uma ideia do porte de algumas das árvores que por aqui existem. A quarta fotografia mostra um carvalho com cerca de 3,40 metros de PAP.
Infelizmente, a imbecilidade humana não conhece limites e não há lugar no planeta que esteja a salvo da nossa estupidez. Nas últimas imagens, para além de pilhas de lixo abandonado, em grande parte, pelos pescadores desportivos e dos maus tratos às árvores, podem também ver-se os restos de fogueiras, feitas à noite. Em plena floresta!
Agradeço ao leitor que nos enviou a fotografia deste belo carvalho, por a ter partilhado connosco e por me ter dado a desculpa que precisava para voltar a este maravilhoso local.




Este carvalho é efectivamente espectacular, bem como a hera que o abraça.
Sendo também eu um carvalho, Rafael Carvalho, tenho um especial apreço pelas quercíneas.
Cumprimentos.
Sugiro visita ao Palácio da Brejoeira em Monção, finalmente aberto ao público, e cujo jardim e bosque tem árvores magníficas, algumas da época da sua crianção cerca de 1800 e de porte assinalável.
Obrigado pela dica, Vera. Realmente, este palácio possui algumas árvores de grande porte, especialmente os sobreiros que ficam junto ao muro lateral (a sua copa é visível do exterior). Ainda não entrei no bosque mas tive oportunidade de medir estes sobreiros e temos o contacto do responsável com vista a nova visita. A classificação é uma possibilidade a propor aos proprietários deste magnífico espaço, que ficaria assim ainda mais apelativo.
Sublinho a sua sugestão, a visita ao Palácio é obrigatória para quem viaja (ou vive) pelo Alto Minho.