Preâmbulo: Este texto é o segundo de uma série que iniciei com a publicação, no passado dia 24 de Agosto, do texto Pequenos Milagres.
A melhor maneira de aceder da cidade da Guarda ao vale do Mondego é através da velhinha estrada nacional (EN) 16. O verdejante da paisagem ajuda a iludir as curvas sinuosas e, em poucos minutos, vencemos o desnível entre a inóspita continentalidade do planalto e o abrigado vale de matizes mediterrânicas.
Foi no vale do Mondego, bem perto da aldeia da Faia, que o Fernando Romão nos conduziu à descoberta de um pequeno núcleo de medronheiros (Arbutus unedo L.) de porte arbóreo.
Esta espécie, apesar de surgir na maioria das vezes na forma arbustiva, pode assumir um porte arbóreo, podendo superar, em condições óptimas, os 10 metros de altura. No nosso país, essas condições verificam-se, por exemplo, na Mata do Solitário, no Parque Natural da Arrábida, na qual o medronheiro é uma das espécies arbóreas dominantes, juntamente com o carrasco (Quercus coccifera L.), os adernos (Phillyrea sp.) e a aroeira (Pistacia lentiscus L.)
Deste pequeno grupo de medronheiros do vale do Mondego, destacam-se dois exemplares, visíveis nas imagens que acompanham este texto, com perímetros de tronco que superam os dois metros à altura do peito. Apesar de não termos nenhum instrumento para a medição da altura, para o mais alto destes exemplares, visível nas imagens mais à esquerda, estimámos um valor que andará próximo da dezena de metros.
Uma descoberta impressionante para quem, como eu, só conhecia medronheiros arbóreos de relatos em livros de botânica, como no caso dos referidos espécimes da Arrábida ou de fotografias (como estes exemplares, no concelho de Armamar, que me tinham sido dados a conhecer pelo Rafael Carvalho).
(Com excepção da imagem mais à esquerda, todas as fotografias são da autoria do António Monteiro.)




Reconheço “estes exemplares”.
Cumprimentos.
Que espectáculo! Mais umas relíquias a preservar a todo o custo.
[...] a partir da Guarda, conduz à aldeia da Faia, no vale do Mondego, logo após um núcleo de medronheiros arbóreos, é visível um antigo solar rodeado de árvores que ultrapassam os muros da [...]