Crescemos a ouvir histórias e fábulas de animais falantes e de entes mitológicos, muitas das quais perduram ainda na nossa memória e imaginação. Quase invariavelmente, o cenário destes contos, habitat desses seres fantásticos, eram as montanhas, os bosques ou a água.
Na semana passada tive o privilégio de visitar um recanto deste país das maravilhas, onde estes três elementos se conjugam para criar uma paisagem de sonho – o Parque Natural de Redes, na Cordilheira Cantábrica Asturiana, terra povoada pelas criaturas da mitologia celta. Há anos que me apaixonei por esta região de ursos, lobos e camurças, faias, aveleiras e carvalhos. Este ano, a viagem levou-nos a uma zona ainda mais recôndita.
O Parque Natural de Somiedo, que visito com alguma frequência, possui várias restrições à circulação dentro dos bosques, em parte devido à presença do urso pardo. Pelo contrário, e devido à escassez desta espécie, em Redes a maioria dos percursos decorre ao longo de encaixados cursos de água, dentro de densos bosques de faias (Fagus sylvatica L.) e aveleiras (Corylus avellana L.), entre muitas outras espécies botânicas. Acresce a particularidade de que estes são bosques adultos, se não antigos, ao contrário do que ocorre noutras partes do norte da península. Aqui, as árvores que atingem portes majestosos aparecem a cada passo ou curva do caminho, ao longo dos acentuados declives dos vales, cavados pelos barulhentos cursos de água.
Mas mesmo numa zona onde abundam grandes árvores, ainda é possível surpreendermo-nos com o porte de alguns exemplares, como os das fotografias acima. No caso da última fotografia, existe uma parte de um percurso que encaminha o visitante até aos portentosos Rebollos de Llanu’l Toru [Quercus petraea (Matt.) Liebl.]. Da descrição do percurso, transcrevo esta passagem:
No resta ya más que seguir la señalización pintada en los árboles para en quince minutos alcanzar los denominados Rebollos de Llanu’l Toru, centenarios ejemplares de hasta casi diez metros de perímetro, árboles testigo de las incursiones militares que por Tarna pretendieron o consiguieron ganar el centro de Asturias: las tropas carlistas en 1836, durante la primera guerra, las cristinas algunos meses después; amigos de los viajeros medievales que ya entonces utilizaban el Camino Real de Tarna a Villaviciosa (…)
Em tais cenários encantados, e quando saíamos de um bosque já a noite caminhava a passos rápidos, não foi difícil imaginar El Diañu Burlon espreitando pela oportunidade de mais uma partida, Les Xanes e os seus encantamentos ou o Busgosu zelando por nós.
Voltar é uma promessa.
[Fotos (da esquerda para a direita):Ríu Corrulín, bacia do Alto Nalón; Prado com cabanas; Bosquete de azevinho; Regueru la Requexada, Tarna; Carvalho [Quercus petraea (Matt.) Liebl.], norte de Pendones; Rebollos de Llanu’l Toru, exemplar de maior dimensão.]




Muito bom!
Excelente meu caro amigo de inúmeras e inolvidáveis jornadas…
Adorei o conteúdo, ele me ajudou no meu trabalho.
Cara Stephanie
Fico contente por este texto poder ter sido de ajuda. Já agora, sobre que incide o seu trabalho?
Obrigado pela sua participação.