O Jardim Botânico da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, fundado em 1873, representa um património de inegável interesse do ponto de vista histórico, cultural e científico.
Um dia, apaixonei-me pelo Jardim Botânico e, desde então, nunca mais consegui tranquilizar o meu coração. Não está seguro, parece que há muito disputam os seus terrenos (demasiado valiosos numa cidade que só gosta de betão…), sem ter em conta o seu extraordinário legado verde.
E mais um inimigo (bem feroz!) apareceu: o Plano de Pormenor do Parque Mayer aprovado pela Câmara Municipal de Lisboa, actualmente em apreciação na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT).
E agora, o que fazer?




Conheci este Verão pela primeira vez o Jardim Botânico de Lisboa. Gostei da sua maturidade e da diversidade de espécies presentes.
Também eu fiquei apaixonado! Contudo não sou ciumento e o Jardim Botânico certamente corresponderá a todos os amantes da natureza.
Gostei também do seu borboletário, aquisição que me pareceu relativamente recente.
A partir do desfecho desta situação poder-se-á tirar uma de duas conclusões: ou bem que Lisboa está preparada para ser uma capital moderna, onde o património natural e a qualidade de vida dos seus cidadãos são respeitados ou bem que Lisboa se afirma como uma capital terceiro-mundista onde, acima do poder dos cidadãos, está o poder da especulação imobiliária.
Sejamos muito honestos, uma parte substancial do problema, para não dizer a parte principal do problema, reside no facto da reitoria da Universidade de Lisboa apoiar este plano. Eu compreendo que as universidades tenham falta de recursos financeiros, mas, perante este cenário, impõe-se imaginação e competência para captar novas fontes de financiamento e coragem para poupar em gastos supérfluos, mesmo que tal implique um amuo por parte do Prof. Dr. A ou B.
O que uma universidade não pode fazer é “vender a alma ao diabo” e alienar parte de um património que, sendo seu em termos legais, do ponto de vista emocional, cultural, histórico e paisagístico é de todos os lisboetas.
Pergunto à reitoria da Universidade de Lisboa: e quando se acabarem as mais-valias deste negócio, daqui a uns anos, vão vender o quê? O resto do jardim?!
Revisitei este ano o Jardim Botânico que conheci há quase 40 anos. Comparando-o com a memória que guardo dessa altura e de mais algumas visitas que entretanto fiz, achei-o um pouco degradado. Na altura, era, salvo erro, o Prof. Catarino que cuidava com desvelo deste património absolutamente precioso.
Concordo com o Pedro. É preciso que se tenha consciência de quem são os responsáveis por este espaço. É à Reitoria da Universidade de Lisboa que devem ser atribuídas as consequências de uma decisão penalizante para a cidade e para o património da própria Reitoria.