No passado dia 18, estive com o António Monteiro e com o Fernando Romão, da Associação Transumância e Natureza (ATN), com o objectivo de preparar uma actividade conjunta, a realizar no final do próximo mês de Outubro e sobre a qual serão dados, brevemente, mais detalhes.
A tarde foi ainda aproveitada para visitar algumas árvores monumentais, no concelho da Guarda. Esse conjunto de árvores dará origem a um pequeno conjunto de textos, que hoje inicio mostrando os dois plátanos (Platanus orientalis L. var. acerifolia Aiton) de Amoreiras, uma pequena aldeia da freguesia de Sobral da Serra. (Os mesmos plátanos que tinham sido dados a conhecer, na sua versão invernal, num texto de Abril passado.)
Um dos plátanos, parcialmente visível à esquerda, nas três fotografias mais à direita, possui dimensões inferiores ao outro. No entanto, as copas de ambas as árvores formam uma unidade que aumenta o efeito estético que cada um dos espécimes teria de forma isolada. Daqui resulta, na minha opinião, a necessidade de pedir a classificação do conjunto formado por estes dois exemplares, e não apenas do plátano de maiores dimensões.
Enquanto contemplávamos estas árvores, não pudemos deixar de pensar no(s) motivo(s) do pequeno milagre perante os nossos olhos: qual a razão que tem poupado estes plátanos ao mesmo (triste) destino de tantos outros?
Desde logo se nos afigurou como mais plausível a teoria de que estes plátanos, nomeadamente o de maior porte, devem ter alguma utilidade para a comunidade. Efectivamente, a sua sombra resguarda da canícula uma boa dezena de automóveis. Infelizmente, alguém descobriu outra utilidade para o seu tronco, o qual funciona como local privilegiado para a afixação de cartazes, situação visível na imagem mais à esquerda.
Como habitualmente, nestas pequenas aldeias, é natural que alguém se aproxime quando observa pessoas a fotografar árvores. À curiosidade junta-se, muitas vezes, a vontade de transmitir algum pedido, muitas vezes para podar as árvores em questão.
Também neste caso, se aproximou de nós um habitante da aldeia. Contrariamente ao que seria expectável, não fez perguntas, nem pediu para podar ou cortar os plátanos ou transmitir essa vontade a outras instâncias. Pelo contrário, confirmou a estima dos habitantes de Amoreiras por estes dois plátanos. Mas, logo após confessar este amor, lá foi dizendo que as árvores estão a ficar grandes e que lhes deveriam cortar alguns ramos…
Pareceu-nos evidente que, no dia em que um ramo caia sobre um carro e lhe faça um risco, o amor a estas árvores será seriamente posto à prova. Para evitar tentações populistas, o mais adequado será solicitar a sua classificação quanto antes.
(A fotografia mais à esquerda é da autoria do António Monteiro.)




[...] Preâmbulo: Este texto é o segundo de uma série que iniciei com a publicação, no passado dia 24 de Agosto, do texto Pequenos Milagres. [...]
[...] Preâmbulo: O presente texto é o terceiro e último de uma série que iniciei com a publicação, no passado dia 24 de Agosto, do texto Pequenos Milagres. [...]