No seguimento dos textos relativos às “Jornadas Europeias do Património 2010″, e depois de termos dado conta de como correu a visita ao Jardim Botânico da Universidade de Lisboa (JBUL), no passado dia 25, apresentamos aqui algumas notas sobre o debate que lhe sucedeu.
Este debate, organizado pela Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB) e pela Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagistas (APAP), visava apresentar alguns dos problemas que, actualmente, afectam o JB, bem como aqueles que poderão vir a prejudicar gravemente este espaço se a actual proposta do Plano de Pormenor do Parque Mayer (PPPM) for aprovada.
A mesa teve como moderadora a Dr.ª Luísa Schmidt (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa) e contou com apresentações do Arqt.º Gonçalo Ribeiro Telles, da Arqt.ª Manuela Raposo Magalhães (Centro de Estudos de Arquitectura Paisagista “Professor Caldeira Cabral – Instituto Superior de Agronomia) e da Dr.ª Manuela Correia (presidente da LAJB), bem como com a presença da Arqt.ª Margarida Sá Abreu (presidente da APAP).
As apresentações mostraram de que forma o PPPM irá prejudicar o jardim. Os principais problemas relacionam-se com a circulação do ar na encosta (e consequente alteração da termo regulação), com as drenagens subterrânea e superficial de águas pluviais e com toda a hidrogeologia da zona. Foi, inclusivamente, feita a apreciação do estudo hidrogeológico constante da Avaliação de Impacto, o qual foi considerado manifestamente incompleto e insuficiente. Refira-se que o dito estudo, no que refere à real análise da área, apenas lhe dedica menos de duas páginas, remetendo para outros estudos anteriores, também eles inconclusivos.
O PPPM deverá entrar em discussão pública a qualquer momento. Embora, aparentemente, este plano não preveja a construção de prédios com altura superior à cerca pombalina do jardim, estes deverão ficar contíguos a esta e possuirão estacionamentos com três andares subterrâneos. Para além disso, prevê-se a ocupação e/ou destruição de algumas áreas e equipamentos do JB, como por exemplo o viveiro. Aguarda-se, ainda, que a versão definitiva do plano seja disponibilizada pela Câmara Municipal de Lisboa (CML).
A LAJB acrescenta que o jardim ficará isolado do continuum verde da cidade, lamentando que o Reitor da Universidade de Lisboa (UL), ao dar o seu apoio a este plano, “tenha manifestado uma atitude tão ultrapassada e afastada da ciência”.
Sublinhe-se que este debate também se destacou por algumas ilustres ausências ou silêncios, uma vez que várias personalidades tinham sido convidadas a participar e dar o seu contributo. Entre elas, contam-se a CML, sucessivos directores do JB, a UL, representantes do poder político e de órgãos públicos. Também a comunicação social, mais uma vez, primou pela ausência.
Finalmente, refira-se o jardim está proposto para classificação como Monumento Nacional há cerca de 40 anos, continuando à espera de parecer do IGESPAR (e das instituições que o precederam).
A Associação Árvores de Portugal apoia e tem colaborado, na medida do possível, nos esforços que estão a ser feitos para preservar e melhorar significativamente as condições do JBUL. Pretendemos que o jardim possa continuar a ser um local de grande diversidade biológica de valor incalculável e características únicas, um monumento histórico incontornável e um espaço de bem-estar e factor de qualidade de vida, não só dos lisboetas, mas também de todos aqueles que o visitam.
Adenda:
O texto acima contem algumas incorrecções da minha responsabilidade e que, depois do que foi informado em dois comentários no blogue Amigos do Botânico, passo a corrigir.
Efectivamente, estiveram presentes três Deputados Municipais em representação do Partido Comunista Português, do Partido os Verdes e do Movimento Cidadãos por Lisboa, para além de um jornalista da RTP (embora não me tenha apercebido de nenhuma notícia relativa a esta iniciativa). No entanto, o executivo camarário responsável pela decisão sobre o Plano de Pormenor esteve ausente e foi principalmente a estes representantes que me referi cima.
Apoie o movimento "Sobreiro: Árvore Nacional de Portugal" assinando e divulgando a petição criada para o efeito. Mantenha-se atento às novidades no blogue da campanha e na página do Facebook
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Debate “Jardim Botânico do Futuro” – Mais uma Requalificação Para Pior
No seguimento dos textos relativos às “Jornadas Europeias do Património 2010″, e depois de termos dado conta de como correu a visita ao Jardim Botânico da Universidade de Lisboa (JBUL), no passado dia 25, apresentamos aqui algumas notas sobre o debate que lhe sucedeu.
Este debate, organizado pela Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB) e pela Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagistas (APAP), visava apresentar alguns dos problemas que, actualmente, afectam o JB, bem como aqueles que poderão vir a prejudicar gravemente este espaço se a actual proposta do Plano de Pormenor do Parque Mayer (PPPM) for aprovada.
A mesa teve como moderadora a Dr.ª Luísa Schmidt (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa) e contou com apresentações do Arqt.º Gonçalo Ribeiro Telles, da Arqt.ª Manuela Raposo Magalhães (Centro de Estudos de Arquitectura Paisagista “Professor Caldeira Cabral – Instituto Superior de Agronomia) e da Dr.ª Manuela Correia (presidente da LAJB), bem como com a presença da Arqt.ª Margarida Sá Abreu (presidente da APAP).
As apresentações mostraram de que forma o PPPM irá prejudicar o jardim. Os principais problemas relacionam-se com a circulação do ar na encosta (e consequente alteração da termo regulação), com as drenagens subterrânea e superficial de águas pluviais e com toda a hidrogeologia da zona. Foi, inclusivamente, feita a apreciação do estudo hidrogeológico constante da Avaliação de Impacto, o qual foi considerado manifestamente incompleto e insuficiente. Refira-se que o dito estudo, no que refere à real análise da área, apenas lhe dedica menos de duas páginas, remetendo para outros estudos anteriores, também eles inconclusivos.
O PPPM deverá entrar em discussão pública a qualquer momento. Embora, aparentemente, este plano não preveja a construção de prédios com altura superior à cerca pombalina do jardim, estes deverão ficar contíguos a esta e possuirão estacionamentos com três andares subterrâneos. Para além disso, prevê-se a ocupação e/ou destruição de algumas áreas e equipamentos do JB, como por exemplo o viveiro. Aguarda-se, ainda, que a versão definitiva do plano seja disponibilizada pela Câmara Municipal de Lisboa (CML).
A LAJB acrescenta que o jardim ficará isolado do continuum verde da cidade, lamentando que o Reitor da Universidade de Lisboa (UL), ao dar o seu apoio a este plano, “tenha manifestado uma atitude tão ultrapassada e afastada da ciência”.
Sublinhe-se que este debate também se destacou por algumas ilustres ausências ou silêncios, uma vez que várias personalidades tinham sido convidadas a participar e dar o seu contributo. Entre elas, contam-se a CML, sucessivos directores do JB, a UL, representantes do poder político e de órgãos públicos. Também a comunicação social, mais uma vez, primou pela ausência.
Finalmente, refira-se o jardim está proposto para classificação como Monumento Nacional há cerca de 40 anos, continuando à espera de parecer do IGESPAR (e das instituições que o precederam).
A Associação Árvores de Portugal apoia e tem colaborado, na medida do possível, nos esforços que estão a ser feitos para preservar e melhorar significativamente as condições do JBUL. Pretendemos que o jardim possa continuar a ser um local de grande diversidade biológica de valor incalculável e características únicas, um monumento histórico incontornável e um espaço de bem-estar e factor de qualidade de vida, não só dos lisboetas, mas também de todos aqueles que o visitam.
Adenda:
O texto acima contem algumas incorrecções da minha responsabilidade e que, depois do que foi informado em dois comentários no blogue Amigos do Botânico, passo a corrigir.
Efectivamente, estiveram presentes três Deputados Municipais em representação do Partido Comunista Português, do Partido os Verdes e do Movimento Cidadãos por Lisboa, para além de um jornalista da RTP (embora não me tenha apercebido de nenhuma notícia relativa a esta iniciativa). No entanto, o executivo camarário responsável pela decisão sobre o Plano de Pormenor esteve ausente e foi principalmente a estes representantes que me referi cima.