Preâmbulo: O presente texto é o terceiro e último de uma série que iniciei com a publicação, no passado dia 24 de Agosto, do texto Pequenos Milagres.
Continuando o percurso pela estrada que, a partir da Guarda, conduz à aldeia da Faia, no vale do Mondego, logo após um núcleo de medronheiros arbóreos, é visível um antigo solar rodeado de árvores que ultrapassam os muros da propriedade.
Trata-se da Quinta da Ponte, uma bela propriedade situada junto ao rio e que inclui o citado solar, edificado no século XVII, hoje transformado numa unidade de turismo rural. Alertados, pelo Fernando Romão, para a beleza dos seus jardins, decidimos entrar para o confirmar e, simultaneamente, conhecer melhor a respectiva riqueza dendrológica. Em boa hora o fizemos…
A partir do exterior, por cima dos muros, foi desde logo perceptível que uma árvore se destacava das demais. E que árvore! Um freixo (Fraxinus angustifolia Vahl) de proporções senhoriais, como atestam as fotografias que acompanham este texto.
Este exemplar é uma daquelas árvores capazes de nos provocar um enamoramento quase imediato. Os motivos, não sendo passíveis de ser totalmente traduzidos numericamente, requereriam, da minha parte, a enumeração exaustiva de diversos adjectivos. Felizmente, as imagens falam por si e poupam-me a necessidade de os enumerar.
Apesar de não dispormos de um instrumento de medição que nos permitisse determinar a altura deste freixo, a sua imponência está por demais ilustrada na imagem mais à direita. Olhem bem para essa imagem, pois à primeira podem não ter reparado na pessoa que serve de escala à fotografia. É uma grande árvore, não é?!
Igualmente impressionante é a altura a que se encontram os primeiros ramos, o que contribui para sublinhar a sua monumentalidade.
Possui um perímetro de tronco à altura do peito de mais de quatro metros, valor que supera alguns freixos classificados como árvores de interesse público. No total, tanto quanto consegui apurar na página da Autoridade Florestal Nacional (AFN), existem apenas cinco freixos classificados que o superam em termos de perímetro de tronco, com destaque para um exemplar localizado na freguesia de Valongo (concelho de Avis), que, com os seus 7,63 m de PAP, deverá ser o freixo mais grosso de Portugal.
No entanto, pese embora não tenha sido possível determinar a altura exacta deste freixo da Quinta da Ponte, os citados cinco espécimes classificados que o superam em PAP, parecem-me de porte inferior. Os três exemplares localizados, respectivamente, nos concelhos de Arganil, Figueira da Foz e Bombarral, aparentam, inclusivamente, já ter sido podados.
Este freixo é tão esmagador que não podemos deixar de nos interrogar como podem ainda haver árvores destas por classificar, no nosso país?
(Com a excepção da segunda imagem a contar da direita, todas as fotografias são da autoria do António Monteiro.)
Adenda: Se pensam, por um segundo, que a riqueza da Quinta da Ponte se esgota neste freixo estão muito enganados! Dentro do perímetro desta quinta, junto ao Mondego, existe ainda uma notável galeria de amieiros, com espécimes de grandes dimensões, bem como diversos loureiros e azereiros de porte arbóreo.
Todo um património arbóreo e paisagístico que urge classificar. Da proprietária do espaço, para além da simpatia e disponibilidade com que nos recebeu e conduziu numa visita guiada pelo espaço, encontrámos uma franca abertura para a concretização deste desígnio.




Um senhor freixo.
Se forem ao Norte, bem ao Norte de Portugal, não deixem de passar na Quinta do Palácio da Brejoeira, em Monção, agora aberto ao público, e com árvores lindas que datam da criação dos jardins e bosques, cerca de 1805.
Olá Vera,
Pessoalmente, apenas conheço o Palácio da Brejoeira do exterior. Mas o Miguel Rodrigues, que é de Valença, conhece os jardins e já falou com o seu responsável.
Estou confiante que, no futuro, este espaço verá o seu património dendrológico classificado e protegido.
Cumprimentos.
Ainda há uns dias propus a classificação de um freixo em Coimbra, perto do estádio junto da linha do comboio. Acho-o muito bonito, pois divide-se em dois grandes troncos perto da base, de maneira que dá para sentar na bifurcação.
Há pouco tempo cortaram pela base um grande choupo-branco na zona da Solum, por isso não me admirava nada que alguma besta se lembrasse de cortar esta árvore. Desculpem a linguagem.
Vamos ver no que dá, não é tão monumental como este, mas acho que vale a pena tentar. Graças a vocês que me lembrei de o fazer! ;)
Rúben,
Parabéns pela iniciativa!
Talvez devessem visitar este espaço também:
http://www.avozdeermesinde.com/noticia.asp?idEdicao=186&id=6132&idSeccao=1884&Action=noticia
Penso que teriam agradáveis surpresas.