As escolas são um espelho da sociedade. Para o bem e para o mal…
As escolas são, em si mesmo, micro-sociedades, que reproduzem, a uma escala menor, o que se passa no mundo que as rodeia. Num país onde a árvore é tratada como lixo, não poderíamos esperar que as escolas fossem excepção. Mas deveriam ser, porque são espaços onde se procura educar para uma sociedade melhor. Uma sociedade, por exemplo, que respeite o papel das árvores em meio urbano.
Não basta comemorar o Dia da Árvore. Promover a escrita de composições, poemas ou desenhos que glorifiquem a árvore. Tudo isso é irrelevante se, aos olhos das crianças e jovens, as árvores são decepadas e transformadas em monstros disformes.
Uma imagem vale mais que mil palavras. É assim para um adulto. Mas, para uma criança, acreditem na minha experiência de professor, uma imagem, ou um exemplo prático, vale mais que um milhão de palavras (ou de boas intenções).
O lamentável exemplo descrito pelas fotografias ocorreu na cidade do Porto, mais concretamente na Escola Básica e Secundária do Cerco. Não é caso único, longe disso, no que concerne à forma como as árvores são maltratadas nas escolas portuguesas.
O que diferencia este caso, de outros semelhantes, é que este acto bárbaro aconteceu na sequência de uma requalificação do recinto escolar que procurou, entre outros objectivos, salvaguardar e valorizar o seu património arbóreo. Este facto está bem patente na imagem mais à esquerda, onde é visível a criação de uma estrutura específica que procurou salvaguardar uma árvore. Uma árvore que, na altura, tinha mais de uma dezena de metros.
Aliás, foi o próprio responsável por esta requalificação, o arquitecto João Serro, o denunciador desta infâmia contra as mais elementares regras de civilidade. E toda esta barbárie porquê?! Porque, nas palavras do Director da Escola, em declarações a um jornal, as árvores deitariam muitas folhas para o chão…
Pedida a autorização à empresa Parque Escolar, outra grande amiga das árvores nas escolas, a imbecilidade foi posta em prática. Agora já sabem onde é que os portugueses aprendem a odiar as árvores: nas escolas!
(Fotografias da autoria do arquitecto João Serro, a quem agradecemos a autorização para a publicação das mesmas e a coragem para denunciar este acto repulsivo.)




Um director de escola que promove esta barbaridade devia ser demitido imediatamente. Era o mínimo, porque voltar a ter árvores deste porte na escola, são três dezenas de anos, nem que esse senhor as começasse a plantar já, os pobres dos alunos voltariam a poder conviver com uma escola arborizada. Com a ironia caricata à portuguesa de toda a requalificação ter tido em conta a existência das árvores tendo ido ao pormenor de condicionar positivamente o próprio projecto.
As folhas das árvores não são lixo senhor director. Não teve meios para as varrer, mas teve meios para destruir uma das melhores partes integrantes da escola. Rua, senhor director. Já que não o demitiram, demita-se e desapareça das nossas escolas.
Uma das mais belas lembranças que tenho do tempo da escola, é de ir pelo caminho aos pontapés aos amontoados de folhas dos plátanos, que voavam em todas as direcções e de todas as tonalidades outonais.
Enfim, hoje o senhor director diz que é lixo. Concordo com o Rui: demita-se. O cargo que ocupa requer um educador, coisa que o senhor provou não ter capacidade de ser.
Não havia funcionários suficientes para a limpeza?
Não sei porquê, tenho a leve suspeita que qualquer pessoa que se desloque à escola em qualquer altura do dia vai encontrar funcionários com tempo mais que suficiente para não só apanhar as folhas caídas como também voltar a espalhar as ditas e novamente recolhê-las.
Ou então quanto mais não fosse e sendo uma escola básica, poderiam utilizar o “lixo” (que é orgânico) para ensinar as crianças sobre compostagem.
Deixo uma pergunta (que não é irónica, apenas não sei a validade da questão):
Sendo uma escola um local público e pertença do estado (pelo menos aquela penso que o seja), não poderá um qualquer cidadão ou grupo de cidadãos executar algum tipo de acção para impedir estes actos ou que este Sr. Director seja chamado a responsabilizar-se por estas acções?
Se não fôr pela destruição das árvores em si, pelo menos por ter desvalorizado o projecto de requalificação (quem sabe se apelando ao bolso do estado algo poderá ser feito…)
Caro João Coelho,
Os directores das escolas respondem perante o conselho geral da respectiva escola e/ou agrupamento de escolas. Nos conselhos gerais, para além de professores e funcionários da respectiva escola (em minoria), estão representantes dos encarregados de educação, da autarquia e da comunidade local.
Em consequência, a nomeação de um director, ou a sua recondução, já não está nas mãos dos professores/funcionários da escola.
Deste modo, será junto dos restantes elementos do conselho geral desta escola, que todos os cidadãos revoltados com esta situação deverão manifestar o seu descontentamento.
Cumprimentos.
É assustador!!!!!!!!!!!
É uma autêntica imbecilidade nacional. Uma calamidade. Um dos maiores indicadores do nosso enorme défice de cidadania. Já conseguimos quase deixar de cuspir para o chão em Portugal. Mas vai demorar a parar o arborícidio em série.
João Martins
Ao Inteligente deveriam cortar-lhe os membros todos e ver a sua cara de satisfação.
Pode ser que ainda lhe aconteça tal ao longo da vida estupida que merece.
A Escola abriu em 1980 e tive a honrra de ter sido aluno nos 5 anos seguintes.
Lembro-me bem na época de ver muitas dessas árvores amarradas a estacas no seu inicio de vida, e há um excelentissimo deficientezinho mental que faz isto.
[...] reforça a ideia que nem todos os arquitectos são arboricídas… tal como recentemente a inacreditável Escola do Cerco (Árvores de Portugal). Ainda recentemente o Papa Bento XVI se mostrou muito preocupado com a [...]