Arboricídio em Santo Amaro de Oeiras

Nos últimos dias, chegou-nos, através do Núcleo Regional de Lisboa da Quercus, mais uma denuncia de abate indiscriminado de árvores. Desta vez em Santo Amaro de Oeiras, onde se prevê o abate de 90% do arvoredo das ruas. Assim, a Quercus e Árvores de Portugal decidiram emitir o comunicado conjunto, que abaixo transcrevemos.

A freguesia de Santo Amaro de Oeiras é uma das áreas habitacionais consolidadas mais harmoniosas de toda a Área Metropolitana de Lisboa. Caracteriza-se por um arranjo paisagístico agradável, constituído por árvores de grande porte que lhe conferem condições ecológicas únicas, propiciadoras de boa qualidade de vida aos seus moradores. Até agora!

Durante este Verão, a Câmara Municipal de Oeiras, tem vindo a proceder ao abate destas árvores, sem que os munícipes tenham sido de antemão informados das razões de tal intervenção.

Interpelada pelos moradores, invoca a CMO, através do Departamento do Ambiente, o alegado mau estado dos espécimes arbóreos e a “ reorganização do espaço “, que justificariam, no entendimento camarário, o sacrifício de 90% das árvores existentes.

Para o Núcleo Regional de Lisboa da Quercus-A.N.C.N. e para a Associação Árvores de Portugal, as explicações dadas pela Câmara Municipal de Oeiras, são muito insuficientes, razão pela qual foi endereçado ao Presidente da Câmara pedido de informação detalhado com carácter de urgência.

Qualquer processo de Planeamento nacional ou municipal, tanto por imposição legal, como em cumprimento das mais elementares regras de participação pública, carece de prévia e alargada divulgação junto dos interessados, de molde a permitir a participação das populações nas decisões que lhes digam respeito. O que in casu não se verificou.

Mais preocupante se mostra o facto de, segundo as próprias informações colhidas pelos moradores junto da Autarquia, não estar o plano de intervenção totalmente definido, indiciando que em nome do aumento dos lugares de estacionamento sejam sacrificados exemplares arbóreos de grande porte, como já verificado de resto noutras zonas do Concelho.

É igualmente grave que a Câmara Municipal de Oeiras invoque eventuais razões fitossanitárias sem que, no entanto, apresente publicamente análises ou relatórios de qualquer laboratório de patologia vegetal ou de outro técnico credenciado para o efeito.

A alteração da organização, imagem, paisagem e condições micro-climáticas, serão profundas, e irreversíveis, constituindo um impacte extremamente negativo, impossível de minimizar, quaisquer que sejam as medidas a aplicar, redundando num rude golpe para o ambiente urbano e a qualidade de vida dos moradores e frequentadores de Santo Amaro de Oeiras.

O abate de 90% das árvores de Santo Amaro de Oeiras, a confirmar-se, deixará marcas indeléveis na estrutura ecológica local e no bem-estar da população.

Acresce que a pretensa intenção de replantação, não minimizará de forma alguma o impacto da perda súbita de quase todo o arvoredo adulto desta área.

O Núcleo de Lisboa da Quercus-A.N.C.N. e a Associação Árvores de Portugal deploram a atitude da Câmara Municipal de Oeiras; instam à imediata suspensão dos trabalhos de abate em curso, e á divulgação pública do real estado fitossanitário dos espécimes arbóreos existentes e, bem assim, seja colocado em consulta pública o “plano” de reorganização do espaço invocado para justificar este atentado ao ambiente de todo o Concelho de Oeiras.

Lisboa, 31 de Agosto de 2011

Fotos de uma moradora que denunciou a situação.

18 Responses to “Arboricídio em Santo Amaro de Oeiras”

  1. Miguel Jorge

    É uma vergonha!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Nem a crise faz esta gente pensar.As árvores levem décadas a crescer. Não é para cortar assim.Pelas fotos o cerne paraece tão são…Bárbaros!

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  2. Ribeiro Leite

    Já em Dezembro de 2009 a CM de Oeiras procedeu ao abate de árvores na Avenida Miguel Bombarda junto ao Condomínio do Parque Oceano, em Santo Amaro de Oeiras, e denunciei a situação na Assembleia de Freguesia de Oeiras e S. Julião da Barra do dia 14 de Dezembro de 2009. Até à data a CM de Oeiras não substituiu qualquer das árvores abatidas.
    Fiz o Registo Fotográfico da Envolvente do Parque Oceano onde se pode verificar que os troncos cortados demonstram que as árvores não apresentavam risco de queda.
    Ribeiro Leite

    Data: 1 Setembro 2011

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  3. Manuela Faísca

    Em relação às arvores abatidas na Avenida dos Aliados, estavam todas doentes, os srs que as cortaram fizeram questão de nos explicar. Aliás foi devido à queda de uma delas que veio a partir a montra de uma loja que se desencadiou o estudo das outras, De facto durante vários dias andaram a estudá-las e a seleccionar as que seriam abatidas. Seguidamente vi muitas mais em que colocaram as fitas a avisar de perigo e posteriormente o seu abate. Quero acreditar que todas elas foram abatidas pela mesma razão. Mais não digo porque mais não sei!!!

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    • Pedro Nuno Teixeira Santos

      Cara Manuela Faísca,

      Existe hoje suficiente conhecimento científico que permite identificar, nas árvores, infecções que as debilitam e que não é possível fazer regredir; e existe também maquinaria que permite determinar a sustentabilidade de uma árvore e, a partir desses dados, tomar a decisão (fundamentada) de a abater.

      Logo, não se compreende o que pode impedir uma autarquia de divulgar esses estudos. A menos que estes não existam e que as conclusões tenham sido tiradas a “olhómetro”, se me é permitida a expressão e o desabafo.

      Geralmente, o justificativo utilizado para não divulgar esses estudos é o invariável argumento de serem documentos muito técnicos, incompreensíveis para o comum dos cidadãos. Pessoalmente, quando invariavelmente se recorre ao argumento da “autoridade”, cheira-me que lhes falta a razão…

      Por último, acreditando que esses estudos existem e que havia efectivamente motivos para abater essas árvores, não se compreende porque não são as pessoas informadas antecipadamente dessa decisão, ignorando-se que as árvores são um elemento vivo das cidades que fazem parte da vida diária dos cidadãos.

      Por último, estamos infelizmente habituados a ver, nas cidades portuguesas, a queda de uma árvore servir de justificativo para, logo de seguida, proceder ao abate ou à poda selvagem de dezenas de outros espécimes perfeitamente saudáveis.

      P.S. – Nada disto invalida o facto de uma árvore poder cair, mediante condições meteorológicas extremas, mesmo estando em boas condições fitossanitárias. Há acidentes que são impossíveis de evitar. Mas se olharmos ao número de pessoas que morrem, por ano, vítimas de quedas de árvores, veremos que temos muitas mais coisas com que nos preocupar em termos de segurança nas cidades. O risco que as árvores representam, em meio urbano, é ínfimo comparado, por exemplo, com as pessoas que morrem, todos os anos, atropeladas.

      É o automóvel o verdadeiro inimigo nas cidades, não são as árvores que, pelo contrário, renovam o ar que nós respiramos.

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  4. João Evangelista

    Moro precisamente na zona em questão. Concordo a mil com todos os benefícios das árvores no nosso dia-a-dia, além do apreciar por demais a sua presença estética mas o que dizer quando é impossível, mesmo, andar num passeio sem chocar com as mesmas? O que dizer aos muitos idosos que habitam esta zona e que são obrigados a andar na estrada com as suas bangalas e evidentes dificuldades de visão e audição? O que dizer das mães que têm de ir com os carrinhos de bebé para a estrada porque as árvores não as deixam circular em tantos e tantos passeios de Santo Amaro de Oeiras? Há zonas em que o próprio canteiro é da dimensão (largura) exacta do passeio!!! Houve isso sim um péssimo processo de as plantar há uns anos atrás e agora que se pretende (penso, acredito e espero) corrigir isso mesmo, parece que se está a cometer um enorme atentado!

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    • Pedro Nuno Teixeira Santos

      Caro João,

      Não poderia estar mais de acordo, grande parte dos problemas surgem da falta de planeamento, ou seja, da escolha errada das espécies a plantar ou mesmo do número de árvores. Noutros casos, pura e simplesmente, não existe espaço para plantar árvores. Conheço situações em que se plantaram plátanos onde nem uma floreira tinha espaço!

      Tenho compreensão pelos casos que aponta, também sou pai e sei bem o que é tentar conduzir um carrinho de bebé nos passeios das nossas cidades. Mas, em 99% dos casos, os obstáculos que encontro são carros estacionados em cima dos passeios.

      E, para além da falta evidente de civismo e comodismo dos nossos automobilistas, e da permissividade das autoridades, muito haveria a dizer da falta de qualidade de quem planeia os nossos arruamentos, incluindo a dimensão dos passeios que, nitidamente, não são pensados por pais ou por pessoas com dificuldades de locomoção.

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    • Miguel II

      Caro João,
      Todos compreendemos o seu argumento sobre a necessidade de garantir a acessibilidade nas ruas de Sto. Amaro. No entanto, julgo que há várias maneiras para a resolução deste problema. Entre outros, poderá passar pela manutenção das árvores com a concepção de arruamentos partilhados onde o peão terá prioridade em relação ao automóvel ou mesmo com um compromisso na realização de percursos acessíveis onde se minimize o abate das árvores.
      Proponho que algo seja feito para parar esta intervenção cega da CM Oeiras. Penso que se poderia recolher assinaturas para um abaixo assinado ou mesmo fazer-se um pedido de providência cautelar até encontrarmos um compromisso da Câmara para a resolução deste problema.

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  5. Dionísia Fernandes

    Não se justifica o “Arboricídio” indiscriminado… No que respeita ao abate de árvores por uma questão de segurança, estas têm de ser devidamente analisadas, quer na sua vertente fitossanitária quer estrutural. Não obstante da sua queda seja provocada por factores abióticos ou situações climatéricas muito adversas, o modo como a arboricultura urbana tem sido exercida nas nossas cidades, deixa muito a desejar.
    O abate de árvores tem de ser precedido de uma avaliação fitossanitária com o maior rigor possível e com o recurso a meios e mecanismo para aferir a sua sustentabilidade. Estes estudos devem ser feitos por profissionais da área e têm de ser consideradas muitas variáveis físicas e biológicas. Nos casos onde o perigo de queda seja iminente “a olho nú”, evidentemente que não haverá tempo para estudos.
    Não conheço a realidade de Santo Amaro de Oeiras, mas não creio que um abate “em massa”, seja adequado. Tudo depende das razões pelas quais elas foram abatidas… Nas zonas urbanas o mais premente é a segurança de pessoas e bens. Mas muitas vezes são estas mesmas pessoas que atentam conta a integridade das próprias árvores, deixando-as num estado tal, que por vezes o melhor é mesmo o abate. Seja como for a autarquia terá muito que explicar aos seus munícipes… e a comunidade em geral.

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  6. Maria

    Denuncio a afronta da CMO à Natureza, à Árvore.
    A Árvore é Vida, é Conhecimento, é Sabedoria.
    É o símbolo do Universo e do Homem.
    O Homem é livre? Só o será de acordo com o seu grau de evolução e volto a perguntar: Será que evolui? Arrancando, decepando, destruindo indiscriminadamente a Natureza? Pois é, no decurso da sua existência, o homem vai ter de se confrontar com as transgressões que cometeu, uma vez que, ele continua a transgredir e a destruir. Vai ter de pagar: reparando, reconstruindo e aprendendo.
    De facto concordo com a ideia de um comentador político que diz o seguinte: “UM DOS GRANDES PESOS DO ESTADO ESTÁ NOS SÍTIOS ERRADOS, NOMEADAMENTE NOS MUNICÍPIOS QUE USAM O PODER A SEU BELO PRAZER”:
    Peço-vos em nome do BEM COMUM – tentem trabalhar correctamente para nós e, não contra nós.
    Não contribuam mais para o genocídio ambientalista.
    E as avesque, nelas encontravam o seu refúgio? O que lhes vai acontecer?
    Resta-me a esperança de que reponham rápidamente a situação.

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  7. Rúben Vilas Boas

    Concordo que existe falta de planeamento, mas o caso das fotografias acho que não é assim tão grave para se justificar o abate. Há casos bem piores. E ultimamente, vejo em arruamentos novos, passeios e caldeiras ridículos. Os projectistas não pensam no futuro, não conseguem perceber que deviam conceber os espaços tendo em conta as dimensões das árvores, quando estas tiverem 100, 200, 300 anos.
    Nota-se bem, por aqui a falta de planeamento que existe em Portugal, que nos levou à crise. Não só a crise económica, como ambiental, que na minha opinião são quase a mesma coisa.

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  8. Miguel

    Ao cidadão preocupado com o facto de não se conseguir andar pelo passeio por cauda das arvores, também lhe digo que mesmo se não existem lá as árvores o comportamento dos transeuntes seria igual(continuariam a andar pela estrada), isto devido ao simples facto da própria calçada: a pior invenção portuguesa de todos os tempos. Se portugal fizesse os passeios como se fazem lá fora (cimento ou mesmo alcatrão), as pessoas (de qualquer idade) teriam todas as condições de usá-los. Por mais manutenção que se faça a uma calçada, esta nunca ficará em condições aceitáveis. Além de que a pedra usada na mesma provém de muitas pedreiras que estão a arruinar as nossas montanhas, suja as estradas quando chove(parece que nunca estão limpas). Por isso o problema não são as árvores.

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  9. maria clotilde morei

    Esta furia da CMO també tem vindo a a contecer aqui em Algés. As fa Av dos Bombeiros ainda não foram repostas porque estão à espera de umas GRANDES OBRAS (?) As da Av doss Combatentes fora colocadas algumas junto ao muro do Sapor Algés e Dafundo, mas falta muitas árvores em Algés. Vejam o blogue Oeiras Local de 2009 e 2010 onde muitas coisas estão lá.

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  10. J Roque Melo

    Na minha modesta opinião, é indispensável saber se o abate das árvores em causa resultou, ou não, das respectivas condições fitossanitárias, isto é, se eventuais podridões no seu interior ou cerne, que não são observáveis do exterior, foi determinante na decisão do abate.

    Resumidamente:

    1. a madeira das árvores em pé, particularmente de árvores idosas, é muito susceptível ao ataque de fungos xilófagos;

    2. as árvores ornamentais são muito sujeitas a podas intensivas (podas camarárias) que deixam verdadeiras portas de entrada, para além de fendas e fissuras no tronco, que facilitam a instalação de esporos dos citados fungos que assim iniciam a podridão sem que se observem sintomas no exterior. Quando estes são posteriormente detectados, pelo aparecimento dos vulgares cogumelos, o interior já pode estar totalmente perdido, carcomido.

    3. as árvores ornamentais idosas quando infectadas, nas condições anteriormente mencionadas, constituem um perigo grave e de algum modo imprevisível, se não se proceder a uma análise atempada: queda de ramos e das próprias árvores pela acção do vento, etc., que pode provocar danos muito graves em pessoas e bens (automóveis em particular);

    4. a Unidade de Investigação de Silvicultura e Produtos Florestais, sediada na Quinta do Marquês, e a Quercus, obviamente, têm técnicos e meios que podem esclarecer, sem a emotividade de alguns fregueses e vizinhos, esta questão;

    5. conheço casos evidentes em que o abate se impunha, mas também admito haver exageros. Os testemunhos de alguns vizinhos, cito Manuela Faísca, Dionísia Fernandes, P. N. Teixeira Santos, merecem o meu destaque pela sua prudência e bom senso.

    6. se o abate das árvores e respectiva substituição tivesse sido feito de forma faseada não teríamos as queixas pertinentes que nos chegam; agora, infelizmente, já está feito; mas, quando se pensar em substituir as árvores abatidas, pedimos à CMO: por favor evitem palmeiras.

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  11. Alexandra

    DATA, HORA E LOCAL DA REUNIÃO SOBRE ABATE DE ARVORES:
    Na próxima 3ª feira, dia 13 de Setembro, às 17h00 no Auditório da Biblioteca da Câmara Municipal de Oeiras.

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  12. Fernando Lopes

    Deixo em baixo entradas para um Blogue Local “ValedaTerrugem” com entradas para um assunto idêntico, relacionado com abate de amoreiras, ocorrido no final do ano passado em Caxias.
    http://valedaterrugem.blogspot.com/2010/11/prontas-para-abate.html
    http://valedaterrugem.blogspot.com/2010/11/ainda-as-amoreiras-da-croft-de-moura-em.html
    http://valedaterrugem.blogspot.com/2010/11/consumatum-est.html
    http://valedaterrugem.blogspot.com/2010/12/as-arvores-cortadas.html

    FL

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  13. Miguel Pinto

    Não desistam. Exijam o Plano de Requalificação.
    Vão à reunião da Assembleia Municipal de Oeiras na próxima segunda, dia 26 na Biblioteca Municipal. A reunião começa às 15 horas.

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  14. Miguel Pinto

    Podem enviar para o meu endereço fotografias de árvores saudáveis que foram abatidas? A Câmara de Oeiras só tem fotos de árvores doentes.
    Pretendo utilizá-las na minha intervenção na minha qualidade de depputado municipal.

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