Do nosso amigo, António Monteiro, o relato da descoberta de um belo ancião, na primeira pessoa:
Em boas terras de aluvião à beira da Ribeira de Pousade (concelho de Guarda) é onde cravou as raízes um estranho, e certamente “pluricentenário” Freixo (Fraxinus angustifolia) que fomos encontrar aquando de um passeio às Terras do Jarmelo. Esse passeio veio comprovar mais uma vez como a faixa oriental do concelho de Guarda, um pouco esquecida dos itinerários turísticos tradicionais, com os seus planaltos (a 700 m) e uma intrincada rede de pequenas linhas de água que correm para o Côa, é terra pródiga em árvores antigas, nomeadamente carvalhos negrais, castanheiros e freixos. O abandono agrícola é sem dúvida o responsável pela profusão de bosques e bosquetes (recentes) que domina esta paisagem mas terá sido a sabedoria da comunidade local que manteve os muitos exemplares antigos que aqui se têm descoberto. Fica aqui uma vénia aos muitos proprietários rurais e agricultores que nos deixaram estas árvores seculares.
Mas voltando ao Freixo de Pousade, este encontra-se profundamente degradado, estando fendido na zona virada a norte e apresentando enormes cavidades no seu interior, alguma delas abrem como janelas para o exterior. Á árvore mostra ainda enormes deformações exteriores que resultam de drásticas podas que sofreu ao longo da vida, algumas delas ainda recentemente, o que é pena pois a pobre precisava apenas de repouso nesta que será a fase final da sua existência. Apesar de toda essa situação, a árvore apresenta algum vigor em termos de rebentação e uma aparente bom estado sanitário e alguma robustez estrutural. O Freixo de Pousade é o protagonista principal da simpática “área recreativa” da aldeia, dotado de um parque de merendas com rústicas mesas de granito (algumas delas antigas mós de algum moinho perdido no tempo) e de um pequeno parque infantil. Este idoso Freixo é centro das atenções de miúdos e graúdos, que entram espontaneamente no seu interior, espreitam para fora por alguma das janelas, trepam-lhe para cima e se sentam nas suas enormes saliências que de facto são como poltronas acolchoadas por musgos. Este pesaroso anfitrião de Pousade, recebe os visitantes como que de braços abertos, que são os seus rugosos ramos, e não parece incomodado com essas intromissões. Se passarem por cá parem dois minutos par abraçar este velhote.
(Texto e fotografias de António Monteiro.)




esta arvore centenária tem muitas histórias, ela é mais frondosa quando jovem
agora ela meio caidinha, com poucas folhas e galhos mas já foi muito bonita, e foi testemunha de muitos amores que iniciaram embaixo do freixo á beira da ribeira
desde que me entendo por gente ele está lá.
isabel lopes