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	<title>Árvores de Portugal &#187; Dendroclastia</title>
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	<description>Site da Associação Árvores de Portugal</description>
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		<title>A Árvore e a Cidade</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jul 2010 10:55:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Nuno Teixeira Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dendroclastia]]></category>
		<category><![CDATA[hans christian andersen]]></category>
		<category><![CDATA[joaquim vieira natividade]]></category>
		<category><![CDATA[podas]]></category>
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		<description><![CDATA[A forma como lidamos com as árvores incomoda-me particularmente no Verão, quando a sua sombra mais é necessária. O nosso problema com a arborização urbana é cultural e, já no século XIX, o escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, de passagem por Lisboa, se lamentava: As cortinas estavam corridas, as portas das janelas fechadas para que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A forma como lidamos com as árvores incomoda-me particularmente no Verão, quando a sua sombra mais é necessária. O nosso problema com a arborização urbana é cultural e, já no século XIX, o escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, de passagem por Lisboa, se lamentava:<span id="more-3415"></span></p>
<blockquote><p>As cortinas estavam corridas, as portas das janelas fechadas para que não entrasse a luz quente do sol. Era uma verdadeira tortura sair, só se podia caminhar pela sombra minguada das casas (…) Cheguei atormentado pelo calor e atormentado regressei a casa…</p></blockquote>
<p>O desconforto térmico das nossas urbes, se em grande medida de deve ao nosso clima, em muito fica a dever, igualmente, à falta de espaços verdes e de uma correcta arborização.</p>
<p>Curiosamente, hoje em dia, árvores não faltam em muitas das nossas urbes, inclusive em zonas sem características físicas para as suportar. Porém, uma grande maioria dessas árvores, são como as das imagens que acompanham este texto, ou seja, árvores que apesar de terem dezenas de anos, fruto de rolagens brutais, possuem copas raquíticas, incapazes de propiciar qualquer frescura aos transeuntes.</p>
<p> Há depois as outras, aquelas árvores que, ano após ano, insistem em não crescer. Conheço várias assim! Má escolha da espécie em função do local? Espécimes de má qualidade, mais susceptíveis a doenças ou à secura? Não sei, só sei que todos nós conhecemos árvores nas nossas cidades que correspondem a esta descrição.</p>
<p>Mas voltemos a essa lusitana tradição de rolar as árvores. De todos os textos que conheço sobre o assunto, nenhum será tão eloquente como o que a seguir transcrevo, da autoria de Joaquim Vieira Natividade, o grande agrónomo que foi também silvicultor e um dos maiores especialistas mundiais do sobreiro. O texto foi escrito em 1959 mas, meio século depois, continua, infelizmente e cada vez mais, perfeitamente actual.</p>
<blockquote><p>Uma das coisas que desfavoravelmente impressiona quem visita o nosso País é a incapacidade, aparente ou real, para, com inteligência e dignidade, aproveitarmos a árvore no urbanismo. Há quem fale, à boca pequena, de atávicos instintos “arboricidas”, o que é desprimoroso, antipático, quando não degradante e sinistro, porque pode levar a crer que, apesar de baptizados e de nos termos por bons cristãos, de todo nos não libertámos ainda dos vícios e das tendências ingénitas, da infiel moirama. Para se contornarem os melindres, recorramos, não já ao neologismo “arborifobia”, porventura também cruel, mas a eufemismos suaves e eruditos, como a dendroclastia, para traduzir o desamor de muitos dos nossos municípios pela árvore ornamental. Em boa verdade, por esse País fora, em tantas caricaturas de jardins a que se dá por vezes o nome de parques municipais, raro se nos depara uma árvore verdadeira, uma árvore autêntica, em todo o esplendor da majestosa arborescência; a árvore esbelta, digna, umbrosa e acolhedora, orgulho da Criação. Onde acaso existiu, poucas vezes escapou a brutais mutilações que a transformaram em grotesco “Quasímodo”, sem o mínimo respeito pela dignidade do mundo vegetal.</p>
<p>Nos jardins, em lugar da árvore, plantou-se um reles “ersatz” uns arbustozitos burlescos, quase bobos arbóreos, tão inúteis que nem dão sombra a uma pessoa crescida: as tais falsas acácias de importação, maneirinhas, embonecadas, dengosas, com o ar, não de fazerem parte do jardim, mas de terem ali ido, em passeio, exibir ramagem, com a sua “permanente” manipulada no salão de qualquer “coiffeur” arborícola municipal. Compreende-se, num povo de fraca cultura, o desamor instintivo ao marmeleiro e ao castanheiro, árvores estas consideradas, desde remotos tempos, estimáveis ferramentas de educação e esteio dessa vida patriarcal, austera e digna, que os velhos, ao olharem o que vai pelo mundo, recordam com saudade e respeitoso enlevo. Já se não compreende, todavia, que se mutilem ou suprimam sem piedade o ulmeiro, o plátano, o umbroso freixo, o álamo esbelto, os nobres e austeros ciprestes, os cedros, os carvalhos e tantos outros soberbos gigantes vegetais que, estranhos, embora, muitos deles à nossa flora, encontraram na Lusitânia como que a sua segunda pátria.</p>
<p>Num país castigado por uma ardente canícula, dir-se-ia que temos horror à sombra; onde se pediam arvoredos frondosos e acolhedores, o ninho de um oásis a suavizar as inclemências do estio, fizemos terreiros imensos, cruamente ensoalheirados e inóspitos; quando tantos dos nossos monumentos lucrariam com uma nobre moldura vegetal que acarinhasse e aquecesse a frieza da pedra ou por vezes quebrasse, com a cortina da folhagem, a monotonia das grandes massas arquitectónicas, e num ou noutro caso escondesse até a sua real pobreza; quando a presença da árvore exaltaria o poder evocador e o poético encanto que emana de tantas ruínas, como acontece aos templos perdidos nos bosques sagrados da Grécia nós, pela calada, metodicamente, cinicamente, fomos degolando, mutilando, rapando tudo o que tivesse jeito de árvore para não prejudicar as “vistas”, tal como faria qualquer ricaço de letras gordas aos empecilhos que ofuscassem ou escondessem os arrebiques pelintras do seu “chalet”.</p></blockquote>
<p>(As fotografias são da autoria de João Paulo Hermenegildo que, amavelmente, acedeu à publicação das mesmas neste blogue. Foram captadas na freguesia de Roliça, Bombarral.)</p>
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		<title>Sintra Com Menos Árvores</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Jul 2010 15:04:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Nuno Teixeira Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dendroclastia]]></category>
		<category><![CDATA[abates]]></category>
		<category><![CDATA[câmara municipal de sintra]]></category>
		<category><![CDATA[sintra]]></category>

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		<description><![CDATA[A primeira ideia que a maioria das pessoas associa a Sintra é a de densos arvoredos. Infelizmente, quem pesquisar por Sintra neste blogue, praticamente só encontrará referências a podas ou ao abate de árvores, na vila e no concelho. Sobre as indescritíveis podas, executadas a mando da Câmara Municipal, no passado Inverno, muito foi escrito, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A primeira ideia que a maioria das pessoas associa a Sintra é a de densos arvoredos. Infelizmente, quem pesquisar por <em>Sintra </em> neste blogue, praticamente só encontrará referências a podas ou ao abate de árvores, na vila e no concelho.<span id="more-3392"></span></p>
<p>Sobre as indescritíveis podas, executadas a mando da Câmara Municipal, no passado Inverno, muito foi escrito, neste e noutros blogues, denunciando uma situação que envergonha todos os portugueses e, em particular, os naturais desta vila cuja paisagem é (ainda) Património da Humanidade. </p>
<p>O silêncio foi a forma mais frequente usada pela autarquia de Sintra para (não) responder à carta aberta que lhe foi enviada, sustentada numa <a href="http://www.peticao.com.pt/arvores-de-sintra">petição pública</a>, com mais de 1 000 assinaturas, bem como ao <a href="http://www.arvoresdeportugal.net/2010/05/comunicado-sobre-poda-de-arvores-em-sintra/">comunicado</a> emitido pela nossa associação e pela Quercus. </p>
<p>Das poucas vezes que as fontes oficiais da autarquia quebraram o silêncio, nomeadamente quando confrontadas pela comunicação social com estes casos, foi para manifestarem a sua incredulidade perante as críticas feitas, desculpando-se com o facto de que as árvores da vila sempre assim teriam sido podadas. Que é como quem diz que estes senhores se sentem injustiçados e ofendidos por não lhes agradecerem a persistência no erro…</p>
<p>Por outro lado, na última semana, fomos confrontados com a informação prestada por uma cidadã de Sintra, relativa ao abate de árvores na vila. Tudo feito com extrema rapidez e seguindo o mesmo princípio de “segredo de Estado”, que a Câmara de Sintra aplica a todas as intervenções nos arvoredos públicos.</p>
<p>Ao contrário da rolagem de árvores, actos injustificados, praticados em Sintra e por quase todo o país, sempre que ocorre o abate de exemplares arbóreos, a nossa associação tem, por princípio, assumido a possibilidade dos mesmos poderem ser justificados, perante a apresentação de relatórios elaborados por especialistas na matéria.</p>
<p>No entanto, noutras situações, quando confrontámos directamente as instituições em causa, solicitando os pareceres que pudessem sustentar tais intervenções, a resposta foi quase sempre o silêncio ou a apresentação de dados insuficientes para explicar tal tomada de decisão.</p>
<p>Neste caso em concreto, perante o passado recente, pergunto-me se valerá a pena questionar a autarquia de Sintra, perante esta situação? Para não obtermos qualquer resposta? Para obtermos uma resposta educada, mas vaga, dizendo que as árvores estavam doentes, mas sem a apresentação de qualquer estudo que o comprovasse, de forma inequívoca?</p>
<p>Porém, continuaremos a ser coerentes e irei enviar, em nome da Árvores de Portugal, um e-mail à autarquia de Sintra solicitando a divulgação dos motivos que levaram a esta decisão. O mais grave de tudo isto, em termos da relação dos cidadãos com os seus representantes nas instituições do Estado, e tendo em conta o passado recente a que aludi anteriormente, é que mesmo que existissem esses tais fundamentos técnicos, as pessoas já perderam a confiança e dificilmente acreditariam em qualquer estudo que pudesse ser apresentado.</p>
<p>A confiança é daquelas coisas que se perde apenas uma vez e, neste caso em particular, os cidadãos de Sintra há muito que perderam a confiança nos seus autarcas, pelo menos na forma como estes gerem o património arbóreo do concelho.</p>
<p>(Fotografias enviadas por uma cidadã de Sintra.)</p>
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		<title>Podas de (De)formação</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jul 2010 15:04:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Nuno Teixeira Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dendroclastia]]></category>
		<category><![CDATA[algarve]]></category>
		<category><![CDATA[pinheiro-manso]]></category>
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		<description><![CDATA[Infelizmente, é extremamente fácil encontrar, em qualquer parte do nosso país, imagens que ilustrem a forma errada como a maioria das nossas árvores ornamentais é podada. Este é, aliás, um problema comum a muitos outros países, que não apenas o nosso. Há, porém, se me é permitida a expressão, particularidades regionais, no que concerne à [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Infelizmente, é extremamente fácil encontrar, em qualquer parte do nosso país, imagens que ilustrem a forma errada como a maioria das nossas árvores ornamentais é podada. Este é, aliás, um problema comum a muitos outros países, que não apenas o nosso.</p>
<p>Há, porém, se me é permitida a expressão, particularidades regionais, no que concerne à manutenção das árvores, que me deixam perplexo. Tal é o caso, da forma como, em boa parte do Algarve, se podam os pinheiros-mansos, transformando-os em autênticas caricaturas de árvores.<span id="more-3339"></span></p>
<p>Desconheço de onde surgiu este triste hábito persecutório aos pinheiros-mansos algarvios e quais os fins que o mesmo pretende alcançar, embora gostasse muito de ser elucidado, pelos autores destes actos mutiladores, da pretensa fundamentação técnica para tais intervenções. </p>
<p>Pessoalmente, a única coisa que me parece evidente, e que as imagens bem atestam, como resultante destas podas injustificadas, é o desvirtuar daquela que é uma das principais funções de uma árvore ornamental, ou seja, o embelezamento do espaço físico no qual está inserida.</p>
<p>E não se pense que estas práticas estão confinadas a terrenos municipais ou a espaços sob a tutela de outras entidades menos sensíveis à preservação dos espaços verdes. No caso dos pinheiros retratados nas imagens, por exemplo, trata-se de espécimes inseridos em empreendimentos turísticos de qualidade reconhecida internacionalmente, cujos amplos e elogiados espaços verdes serão mantidos, não duvido, pelos melhores profissionais do sector.</p>
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		<title>Mais Abates de Árvores no Porto</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Jul 2010 11:53:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Rodrigues</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Participação Cívica]]></category>
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		<description><![CDATA[Tendo começado por uma rolagem brutal, este intervenção da Brisa / Auto-estradas do Douro Litoral (AEDL) no nó do Itinerário Complementar (IC) 1 para o Campo Alegre (sentido Norte — Sul), no Porto, acabou com as árvores abatidas. Mais uma vez, foi uma cidadã atenta, informada e sensível a estas situações, que nos comunicou o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tendo começado por uma rolagem brutal, este intervenção da <a href="http://www.brisa.pt/PresentationLayer/textos00.aspx?menuid=243&#038;exmenuid=220">Brisa / Auto-estradas do Douro Litoral (AEDL)</a> no nó do Itinerário Complementar (IC) 1 para o Campo Alegre (sentido Norte — Sul), no Porto, acabou com as árvores abatidas. <span id="more-3181"></span></p>
<p>Mais uma vez, foi uma cidadã atenta, informada e sensível a estas situações, que nos comunicou o acontecido e, gentilmente, nos enviou as fotografias. Na altura, tratava-se da fase de rolagem. Posteriormente, apercebemo-nos que as árvores já tinham sido removidas.</p>
<p>No passado dia 2 de Julho, depois de múltiplos contactos, conseguimos falar telefonicamente com um responsável da Brisa / AEDL, que nos garantiu que havia motivos para a intervenção e que seríamos contactados por alguém da empresa que nos forneceria os esclarecimentos necessários. Agradecendo a atenção prestada, referimos que iríamos, propositadamente, adiar a publicação deste texto para a Segunda-feira seguinte, com o propósito de aguardar por estes esclarecimentos. </p>
<p> Até ao momento em que se publica este texto, não fomos contactados por ninguém da Brisa / AEDL, apesar de ainda termos insistido novamente, já esta semana.</p>
<p>Fica o registo de mais uma intervenção em árvores no espaço público, sem qualquer aviso prévio das populações ou publicação do relatório da avaliação dos exemplares.</p>
<p>Aguardamos ainda por qualquer esclarecimento que a Brisa / AEDL venha a fornecer, altura em que faremos uma actualização deste texto.</p>
<p>(Nota: Dada a perigosidade do local, não foi possível obter fotografias das árvores abatidas. As fotografias publicadas são da autoria de Adriana Amaral.)</p>
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		<title>Portugal dos Pequeninos</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Jul 2010 07:00:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Nuno Teixeira Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dendroclastia]]></category>
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		<description><![CDATA[A forma como um povo convive com as suas árvores, diz muito do seu carácter. Infelizmente, este é o retrato das nossas árvores e do nosso povo. (Fotografias recolhidas no concelho de Anadia pelo leitor Albano Mendes de Matos.)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A forma como um povo convive com as suas árvores, diz muito do seu carácter. Infelizmente, este é o retrato das nossas árvores e do nosso povo. </p>
<p>(Fotografias recolhidas no concelho de Anadia pelo leitor Albano Mendes de Matos.)</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O Gigante Pré-Industrial</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Jun 2010 07:00:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Nuno Teixeira Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dendroclastia]]></category>
		<category><![CDATA[Árvores notáveis]]></category>
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		<description><![CDATA[Do nosso amigo António Monteiro, que connosco partilhou a Rainha do Norte, recebemos outra extraordinária descoberta: Cada vez que, por casualidade, vou conhecendo melhor o concelho da Guarda, mais fico a suspeitar que ali estão escondidas inúmeras e extraordinárias daquelas preciosidades botânicas que ambos admiramos. De facto, cada vez que lá vou acabo por deparar, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Do nosso amigo António Monteiro, que connosco partilhou a <i><a href="http://www.arvoresdeportugal.net/2010/05/a-rainha-do-norte/">Rainha do Norte</a></i>, recebemos outra extraordinária descoberta:<span id="more-3276"></span></p>
<blockquote><p>Cada vez que, por casualidade, vou conhecendo melhor o concelho da Guarda, mais fico a suspeitar que ali estão escondidas inúmeras e extraordinárias daquelas preciosidades botânicas que ambos admiramos. De facto, cada vez que lá vou acabo por deparar, sem andar especialmente atrás delas, com mais e mais árvores monumentais Daquelas dignas de registo vou-te dando conhecimento.</p>
<p>No outro dia foi à Egitorno, uma fábrica engraçada por ser uma das poucas da Guarda, lá dentro um espaço aberto onde se podem ver os mecânicos concentrados dedicados cada qual com a sua máquina furadora, quase todos com alguma pincelada de óleo escuro na face, e do outro lado da rua deparei com aquela enormidade.</p>
<p>Neste caso particular, para além da notícia vai também um apelo para salvar este pobre gigante mutilado.</p>
<p>Estou prestes a andar com uma fita métrica de 10 m no carro e começar a levar mais a sério esta paixão de procura destes adamastores de madeira, mas como ainda não ando com esse utensílio, apenas posso estimar as biometrias assim muito por alto. Neste caso, parece-me o maior castanheiro que já vi mas, por falta de medição, se calhar é ilusão de óptica</p>
<p>Fica aqui o relato:</p>
<p>- Em pleno Parque Industrial da Guarda sobrevive este fatídico e centenário castanheiro, mutilado até à medula, alcatroado até ao tronco. Ele vive em pleno parque industrial, parque bem mais jovem que ele e bem mais feio que o pobre castanheiro.<br />
Ao olhar para as suas numerosas cicatrizes, observei algumas feridas recentes, alguém ainda este ano o tosquiou barbaramente.</p>
<p>Por incrível que assim seja, ele subsiste vivo e nesta Primavera, que talvez seja a sua última, de muitas e muitas, ainda lançou ramos e folhas verdes, pois uma árvore nobre como esta não morre com duas cantigas</p>
<p>Acho que consigo obter o nome do senhor que é dono do espaço e provavelmente o autor de tão desenfreada perseguição</p>
<p>Poderemos tentar salvar este gigante?</p></blockquote>
<p>Suponho que o que senti, ao ver estas fotos, tenha sido idêntico ao que sentiu o António, no seu caso de forma mais intensa, pelo contacto directo com este <i>adamastor de madeira</i>.</p>
<p>Um contentamento descontente, um misto de admiração e de revolta. Um castanheiro colossal, de dimensões majestosas, lutando por sobreviver, após ter sido despojado de quase todos os sinais de vida.</p>
<p> É tanta a vontade de nos alegrarmos por ver este castanheiro a lutar por um futuro, como a indignação por ver o estado em que se encontra no presente, vítima de quem não soube respeitar a sua história.</p>
<p>A pergunta do António (<i>Poderemos tentar salvar este gigante?</i>) só pode ser respondida, obviamente, de forma positiva. Enquanto houver homens que acreditam neste castanheiro, haverá uma réstia de fé que o mesmo se possa cobrir, novamente, de verde esperança e não acabe, sem honra, como tantas outras árvores monumentais, às mãos da ignorância e da indiferença.</p>
<p>Eu acredito e sei que o António também…</p>
<p>(O título deste texto e as fotos que o acompanham são da autoria de António Monteiro.)</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Resposta da EP ao Pedido de Informação à Estradas de Portugal – Plátanos da Circunvalação</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jun 2010 12:27:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Rodrigues</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dendroclastia]]></category>
		<category><![CDATA[Participação Cívica]]></category>
		<category><![CDATA[abates]]></category>
		<category><![CDATA[estradas de portugal]]></category>
		<category><![CDATA[matosinhos]]></category>
		<category><![CDATA[plátano]]></category>
		<category><![CDATA[porto]]></category>

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		<description><![CDATA[Relativamente ao abate de plátanos na Circunvalação, recebemos ontem a resposta do Gabinete de Ambiente da Estradas de Portugal S.A. (EP), que aqui transcrevemos, bem como a nossa resposta a este Gabinete. Exmos. Senhores, Numa primeira instância importa informar que, relativamente às intervenções a efectuar no arvoredo que margina as estradas sob a responsabilidade da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Relativamente ao <a href="http://www.campoaberto.pt/2010/06/17/corte-de-arvores-na-circunvalacao-resposta-da-c-m-porto/">abate de plátanos na Circunvalação</a>, recebemos ontem a resposta do Gabinete de Ambiente da Estradas de Portugal S.A. (EP), que aqui transcrevemos, bem como a nossa resposta a este Gabinete. <span id="more-3301"></span></p>
<blockquote><p>Exmos. Senhores,</p>
<p>Numa primeira instância importa informar que, relativamente às intervenções a efectuar no arvoredo que margina as estradas sob a responsabilidade da EP, principalmente trabalhos de abate, o procedimento instituído na EP é que tais operações têm que ser precedidas de um comunicado escrito endereçado às Autarquias, Juntas de Freguesia, Associações de Defesa do Ambiente locais, caso existam, e/ou outras entidades que tenham sido identificadas como interessadas, sendo ainda divulgado no site da EP e em jornais locais, caso se considere pertinente, sendo posteriormente afixado nas Juntas de Freguesia, vitrinas do Estaleiro da obra (caso exista), bem como em cafés ou restaurantes na proximidade, sem prejuízo doutros locais que se considerem relevantes.<br />
Sempre que possível são desde logo efectuadas diligências para a replantação das zonas onde ocorreu a intervenção.</p>
<p>A E.P. procura ainda ter total abertura para qualquer esclarecimento adicional, demonstrando assim transparência nas atitudes tomadas, até porque as decisões são sempre precedidas de análises cuidadas, e que decorrem da actividade diária da EP, não sendo por isso divulgadas constantemente, e na íntegra aos cidadãos, uma vez que se julga que tal procedimento seria desapropriado.<br />
Sem prejuízo do referido, mas em resposta concreta à vossa comunicação de 23 de Junho, vimos esclarecer que não é prática da empresa abater árvores sem que tal seja considerado absolutamente necessário, do ponto de vista da segurança dos utilizadores da via pública ou dos espaços confinantes.<br />
Naturalmente, muito menos o seria, tratando-se de árvores de tão grande dimensão situadas junto a uma estrada de grande circulação e importância como é o caso.</p>
<p>A decisão de abate das árvores em questão, na sequência da inspecção e análise por parte dos técnicos da EP, responsáveis pelo arvoredo rodoviário, bem como dos técnicos de arboricultura afectos à própria empreitada, teve em conta não apenas o estado fitossanitário das mesmas, mas todos os aspectos que devem ser ponderados na avaliação do grau de perigosidade de um exemplar arbóreo. Este grau de perigosidade é avaliado em função da probabilidade de ocorrência de queda da árvore, pernadas ou ramos, da dimensão dos elementos que poderão cair (árvore, pernadas ou ramos) e da probabilidade destes, ao caírem, atingirem pessoas e bens.</p>
<p>Quanto ao primeiro factor, este dependerá da existência de danos ou problemas estruturais nas raízes, tronco ou ramos que possam ocasionar a ruptura de parte ou da totalidade da árvore. Entre os diversos tipos de danos a considerar, encontram-se as podridões do lenho, que podem ocorrer nos ramos ou tronco principal da árvore.</p>
<p>No que respeita ao segundo factor a considerar na avaliação da perigosidade de uma árvore, é facilmente compreensível que um defeito detectado num ramo ou pernada representará um risco tanto maior quanto maior for o peso desse elemento, quer porque este é determinante na probabilidade de ruptura, quer pela gravidade dos danos associados a uma eventual queda ser, também, determinada pelo seu peso e dimensão.</p>
<p>Por fim, há que considerar a probabilidade de, ao ocorrer a queda de uma árvore ou ramo, esta atingir um alvo humano ou material. Assim, numa situação de risco elevado, o perigo que uma árvore representa depende da utilização do espaço envolvente, o que determina que se dedique uma maior atenção às árvores situadas em meio urbano e junto a vias com elevado volume de tráfego.<br />
Na situação em apreço, e conforme consta do parecer de 14-04-2010, verificou-se a regressão de copas  em mais de 60% e que poderia chegar até aos 100% (árvore completamente seca), implicando isso em alguns casos, a queda já registada sobre a via de mais de 10% a 20% dos ramos, pondo em causa pessoas e bens. Da análise no local, verificou-se que esta regressão está associada a problemas radiculares gravíssimos que ocorreram com a construção de um parque de estacionamento pavimentado no separador central, com a sucessiva passagem de condutas (algumas de muito grande dimensão), construção de caixas e abertura de valas que foram retirando ao longo dos tempos uma parte importante do sistema radicular e mesmo determinante, como se pode agora constatar, na sobrevivência da árvore.</p>
<p>Face ao exposto, entendeu-se que nesta situação, e ponderando os riscos para a segurança de pessoas e bens que se constataram, seria preferível promover o rejuvenescimento deste importante alinhamento da paisagem da cidade do Porto, através da plantação de novos exemplares da mesma espécie, melhor enquadrados e adaptados ao espaço actualmente disponível.<br />
Acresce referir, como nota final, que a EP tem activamente procurado poupar o abate de árvores, corrigindo práticas, reforçou enormemente a dotação orçamental para a gestão da arborização rodoviária, no âmbito de novos contratos de conservação corrente, e está envolvida em programas de reflorestação e compensação dos espécimes abatidos, o que, seguramente, demonstra o empenhamento da empresa e a importância dada a esta temática.<br />
Para o sucesso desta nossa actuação os contributos construtivos de associações como a vossa ajudarão a programar as intervenções necessárias para a convivência da estrada com a arborização, garantindo a segurança de pessoas e bens.</p>
<p>Com os melhores cumprimentos,</p>
<p>Ana Cristina Martins<br />
Directora<br />
Gabinete de Ambiente</p></blockquote>
<p>A nossa resposta:</p>
<blockquote><p>Exma. Srª<br />
Direc­tora do Gabi­nete de Ambi­ente da Estra­das de Portugal</p>
<p>Agra­de­ce­mos a sua res­posta e os escla­re­ci­men­tos nela contidos. </p>
<p>A forma de actu­a­ção que des­creve, pre­ce­dente das inter­ven­ções nos arvo­re­dos à vossa res­pon­sa­bi­li­dade, são sem dúvida de lou­var. É exac­ta­mente por isso que nos temos batido: infor­ma­ção deta­lhada vei­cu­lada pre­vi­a­mente. Mas, no sen­tido de che­gar a todas as pes­soas, dei­xa­mos uma suges­tão — a afi­xa­ção nas pró­prias árvo­res (ou, em suporte pró­prio, no local onde estas estão implan­ta­das) daquilo que vai ser feito e os moti­vos que jus­ti­fi­cam essa acção.</p>
<p>Na sua res­posta refere que “as deci­sões são sem­pre pre­ce­di­das de aná­li­ses cui­da­das, e que decor­rem da acti­vi­dade diá­ria da EP, não sendo por isso divul­ga­das cons­tan­te­mente, e na ínte­gra aos cida­dãos, uma vez que se julga que tal pro­ce­di­mento seria desa­pro­pri­ado”, o que nos sus­ci­tou algu­mas ques­tões. Em pri­meiro lugar, não per­ce­be­mos por­que motivo tal pro­ce­di­mento seria desa­pro­pri­ado, uma vez que per­mi­ti­ria escla­re­cer qual­quer mal enten­dido, como se veri­fica no caso pre­sente. Por outro lado, uma vez fei­tas aná­li­ses e pro­du­zido o res­pec­tivo rela­tó­rio, por­que não publicá-lo nos vos­sos canais, nome­a­da­mente no vosso por­tal? Rea­fir­ma­mos a nossa dis­po­ni­bi­li­dade para aju­dar a vei­cu­lar esta e outra infor­ma­ção, desde que isso sirva para escla­re­cer os cidadãos. </p>
<p>Lemos aten­ta­mente o pare­cer de 14 de Abril, que lapso refe­ri­mos como sendo de 14 de Junho, pos­te­rior à inter­ven­ção. Mas este docu­mento não subs­ti­tui o rela­tó­rio das aná­li­ses efec­tu­a­das, pois não inclui a apre­ci­a­ção de cada exem­plar ana­li­sado e não deta­lha as téc­ni­cas uti­li­za­das. Infe­liz­mente, mesmo quando for dis­po­ni­bi­li­zado este docu­mento, vai ser difí­cil ame­ni­zar a des­con­fi­ança das pes­soas que se mos­tra­ram revol­ta­das com a situ­a­ção, pois as árvo­res já foram aba­ti­das e removidas. </p>
<p>No que con­cerne à segu­rança, e como já refe­ri­mos, somos os pri­mei­ros a considerá-la a prin­ci­pal pri­o­ri­dade. Tal ponto é indis­cu­tí­vel. Isto não impede que abun­dem as árvo­res e arvo­re­dos ao longo das nos­sas estra­das e ruas, pois há mui­tas déca­das que assim é, tanto no nosso país, como em mui­tos outros (Europa, Esta­dos Uni­dos, entre outros). O pro­blema prende-se, como refere, com a con­ser­va­ção e bom trato des­tas árvo­res o que, como indica na sua men­sa­gem, não acon­te­ceu neste caso. </p>
<p>Vemos, assim, neces­si­dade de que a EP rea­firme a sua auto­ri­dade perante as câma­ras (ou outras ins­ti­tui­ções) que rea­li­zem obras nas vias con­ces­si­o­na­das a esta empresa, eli­mi­nando ou con­tro­lando os danos a qual­quer parte das árvo­res ins­ta­la­das no local. Este con­trolo das obras de ter­cei­ros pode­ria evi­tar trá­gi­cos aci­den­tes, bem como pos­te­ri­o­res abates.</p>
<p>Apro­vei­ta­mos para lou­var os esfor­ços da EP que refere na sua men­sa­gem, rela­ti­va­mente à arbo­ri­za­ção e con­ser­va­ção das árvo­res exis­ten­tes. Espe­ra­mos, sin­ce­ra­mente, que este esforço se man­te­nha e se incre­mente. Mas, uma vez mais, esta­mos em crer que parte desse esforço pas­sará des­per­ce­bido se, antes de cada inter­ven­ção, não for expli­cado aos cida­dãos, deta­lha­da­mente, o motivo dos aba­tes e podas. Tam­bém seria impor­tante publi­ci­tar as situ­a­ções em que se evi­ta­ram aba­tes de árvo­res ao vosso cui­dado (por exem­plo, atra­vés de tra­ta­mento espe­cí­fico), para o que igual­mente nos colo­ca­mos à dis­po­si­ção.</p>
<p>Final­mente, gos­ta­ría­mos de dei­xar uma opi­nião final, a de que as árvo­res mais impor­tan­tes das nos­sas estra­das, são as que já lá existem.</p>
<p>Resta-nos agra­de­cer a sua aten­ção e os seus esclarecimentos. </p>
<p>Com os nos­sos melho­res cum­pri­men­tos,<br />
Associação ÁRVORES DE PORTUGAL
</p></blockquote>
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		<title>A Escola Sem Árvores</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Jun 2010 07:00:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Nuno Teixeira Santos</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Instituições]]></category>
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		<description><![CDATA[Como professor, sei bem como a qualidade do espaço físico pode ajudar a promover uma melhor relação entre a comunidade escolar e o seu local de estudo/trabalho. A renovação dos espaços escolares, tal como a aposta nas novas tecnologias, por exemplo, não serão uma panaceia miraculosa que resolverá os principais problemas do ensino no nosso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como professor, sei bem como a qualidade do espaço físico pode ajudar a promover uma melhor relação entre a comunidade escolar e o seu local de estudo/trabalho.</p>
<p>A renovação dos espaços escolares, tal como a aposta nas novas tecnologias, por exemplo, não serão uma panaceia miraculosa que resolverá os principais problemas do ensino no nosso país. Mas, admito, poderão ajudar a que todos os elementos que usufruem da Escola se sintam melhor para desempenhar o seu papel, no dia-a-dia, quer seja a ensinar, quer seja a aprender.<span id="more-3209"></span></p>
<p>É inegável que um número muito significativo das nossas escolas, do ensino primário ao secundário, precisava, ou precisa (consoante o caso), de obras de renovação e, inclusive, de ampliação. Dito isto, são compreensíveis os motivos que levaram o governo a lançar um programa de requalificação de alguns dos nossos mais antigos liceus. </p>
<p>Propositadamente, vou passar ao lado de todas as polémicas que têm envolvido a constituição e natureza da <a href="http://www.parque-escolar.pt/index.php">Parque Escolar, EPE</a>, pois este não é o melhor local para esse tipo de discussões. Pessoalmente, neste espaço, dedicado à defesa das árvores de Portugal, considero mais frutuoso analisar o impacto de algumas destas intervenções, no património arbóreo das escolas.</p>
<p>Uma dessas intervenções, por exemplo, realizada na <a href="http://sombra-verde.blogspot.com/2009/11/arboricidio-em-oeiras.html">Escola Secundária Sebastião e Silva</a>, em Oeiras, resultou no abate de mais de uma centena de árvores. Destas, apenas uma parte colidia com a ampliação das instalações escolares. Sintomaticamente, os motivos para o abate das demais árvores não aludiam a problemas fitossanitários que implicassem a necessidade de eliminar esses espécimes, antes traduzindo preferências estéticas do arquitecto, como o facto de algumas das árvores estarem “mal formadas” ou serem de folha perene.</p>
<p>Pegando neste caso da Escola Secundária Sebastião e Silva, é justo que se questione se, no caso concreto da renovação dos liceus históricos, existe algum plano para preservar o máximo de exemplares arbóreos ou se, pelo contrário, essa questão ficará, caso a caso, dependente da maior ou menor sensibilidade do arquitecto responsável pela renovação de uma dada escola. </p>
<p>Dito por outras palavras, se o arquitecto escolhido para renovar a dita escola de Oeiras tivesse sido outro, poderiam ter sido poupadas algumas dezenas de árvores, sem com essa opção comprometer a modernização da escola? É uma pergunta que carece de resposta urgente. Até porque os indícios que existem, ao nível de outras escolas secundárias, continuam a ser preocupantes, quer ao nível de obras já efectuadas, quer ao nível dos planos para intervenções futuras. </p>
<p>Dentro das obras já efectuadas, quero chamar igualmente a atenção para as imagens que acompanham este texto e que retratam uma parte da intervenção ocorrida na Escola Secundária de Avelar Brotero, em Coimbra. </p>
<p>De acordo com o relato do leitor Rúben Vilas Boas, a maioria das árvores abatidas não parecia colidir, de forma alguma, com a construção das novas instalações. No entanto, e como se vê pela imagem central, o abate destes exemplares parece ter facilitado o acondicionamento de material de construção.</p>
<p> Será que a destruição de dezenas de árvores, que funcionavam como uma barreira acústica para a própria escola, poderá ser justificada com a necessidade de acondicionar tijolos? Ou estaremos, uma vez mais, na presença de abates ditados estritamente por questões estéticas? </p>
<p>Como lembra o Rúben, e bem, no e-mail que me dirigiu, este caso tem uma carga simbólica adicional por ter ocorrido numa escola que deve o seu nome a um dos nossos maiores botânicos, <a href="http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/p6.html">Félix da Silva Avelar Brotero</a> (1744–1828). Se é que este facto alguma importância teve na hora de planear esta intervenção!</p>
<p>Estes casos, mais do que traduzirem a maior ou menos sensibilidade para a preservação das árvores, por parte do arquitecto A ou do engenheiro B, espelham a forma como a nossa sociedade despreza, de uma forma geral, o património natural. A nenhum arquitecto, por exemplo, passaria pela cabeça desvirtuar o essencial de uma fachada com 50 anos. No entanto, cortar uma árvore com a mesma idade, em boas condições de saúde, já parece ser aceitável se a mesma ofuscar essa mesma fachada ou se a mesma não entrar dentro dos parâmetros estéticos do autor da obra.</p>
<p>Outro erro de palmatória é pensar que plantar duas árvores novas pode compensar o abate (injustificado) de um exemplar adulto, com dezenas de anos.</p>
<p>Por outro lado, ao nível das intenções, a Árvores de Portugal está seriamente preocupada, de entre os planos tornados públicos, com o que se refere à Escola Secundária de Camões (antigo Lyceu Camões), em Lisboa, e que parece contemplar o abate de um número significativo de espécimes. Este caso, aliás, já originou o aparecimento de uma <a href="http://peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2010N2245">petição pública</a> e a realização de uma <a href="http://xcamoes.blogspot.com/2010/06/sessao-de-debate-sobre-o-abate-de.html">sessão de esclarecimento</a>, promovida pela associação de estudantes. Este acaba mesmo por ser o único aspecto positivo a tirar desta polémica, ver os estudantes a liderar a luta pela preservação da memória e património do local onde estudam.</p>
<p>Em jeito de conclusão, com base nos exemplos referidos, já implementados ou em fase de projecto, fica por saber se na escola do século XXI haverá lugar para árvores com história.</p>
<p>(Duas fotografias mais à esquerda de autoria de Rúben Vilas Boas. Imagem mais à direita adaptada da página <i><a href="http://www.bing.com/maps/">Bing Maps</a></i>.)</p>
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		<title>Pedido de Informação à Estradas de Portugal – Plátanos da Circunvalação, Porto</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Jun 2010 19:02:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Rodrigues</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Participação Cívica]]></category>
		<category><![CDATA[abates]]></category>
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		<description><![CDATA[Mais uma vez, vemos as árvores das estradas portuguesas desaparecerem sem aviso, nem explicação prévia, com a excepção de um curtíssimo comunicado no portal da Estradas de Portugal S.A. (EP), que, na altura da sua publicação, incluía um erro no número de exemplares afectados. Desta vez foram 17 plátanos e um carvalho, em plena cidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mais uma vez, vemos as árvores das estradas portuguesas desaparecerem sem aviso, nem explicação prévia, com a excepção de um <a href="http://www.estradasdeportugal.pt/index.php/pt/comunicados/346-abate-de-arvores-na-estrada-de-circunvalacao">curtíssimo comunicado</a> no portal da Estradas de Portugal S.A. (EP), que, na altura da sua publicação, incluía um erro no número de exemplares afectados.<span id="more-3218"></span> </p>
<p>Desta vez foram 17 plátanos e um carvalho, em plena cidade do Porto. A estrada da Circunvalação está agora mais pobre. Mais uma vez, os cidadãos revoltaram-se e, fazendo uso dos seus princípios de cidadania, questionaram e exigiram informação a EP e às câmaras municipais (ver <a href="http://www.campoaberto.pt/2010/06/15/corte-de-arvores-na-circunvalacao/">este texto</a> e também <a href="http://www.campoaberto.pt/2010/06/17/corte-de-arvores-na-circunvalacao-resposta-da-c-m-porto/">este</a>, na Campo Aberto).</p>
<p>Neste caso, a polémica instalou-se, a meu ver, sem necessidade. Tanto quanto conseguimos apurar, até ao momento, a EP recorreu a técnicos externos credenciados. O problema está na forma como a (pouca) informação foi veiculada.</p>
<p>A informação tornada pública até ao momento parece-nos escassa e surgiu, apenas, quando a EP foi directamente solicitada, nesse sentido, por uma cidadã. Esta informação não inclui o relatório do estudo feito, mas apenas um parecer feito à posteriori, e onde se detalha, de uma forma que nos parece insuficiente, o estado em que as árvores estariam antes de serem cortadas. </p>
<p>Como noutros casos similares, é nossa opinião que estes dados devem ser sempre facultados antes das intervenções, de modo a evitar impactos emocionais nas pessoas e permitindo que outros técnicos se possam pronunciar, caso solicitados, sobre o teor desses mesmos estudos. Deste modo, ao actuar às claras, sem nada a esconder, as instituições estão a contribuir para eliminar possíveis dúvidas sobre os motivos subjacentes às suas intervenções. </p>
<p>Assim sendo, fizemos hoje um pedido de informação ao Gabinete de Ambiente da EP, no sentido de ser publicado o estudo de avaliação destas árvores. </p>
<blockquote><p>Exma. Srª<br />
Directora do Gabinete de Ambiente da Estradas de Portugal</p>
<p>A Associação Árvores de Portugal (AP) está seriamente preocupada com o que, ultimamente, se está a passar com os arvoredos das nossas vias. </p>
<p>No caso em questão — as 18 árvores abatidas na EN12 (Estrada da Circunvalação) — e apesar de alguma informação já veiculada, subsistem algumas dúvidas que seria de todo interesse esclarecer. </p>
<p>Em primeiro lugar, a AP concorda e apoia a opção tomada de recorrer a uma empresa de arboricultura para realizar a intervenção. No entanto, e apesar da documentação que nos chegou, ainda não sabemos quem fez o estudo fitossanitário e de biomecânica destes exemplares, nem este foi publicado ou facilitado na integra. </p>
<p>Como em muitas situações anteriores, defendemos que as intervenções deste tipo devem sempre ser antecedidas, em prazo alargado, de dois passos imprescindíveis: 1) publicação dos estudos de avaliação das árvores, com a indicação explícita da intervenção a executar, do seu autor e da data de publicação; 2) Informação à população por via de vários canais ao dispor, nomeadamente através da Internet e da afixação de informação, no próprio local, sobre o que vai ser feito.</p>
<p>Neste caso, a Estradas de Portugal (EP) disponibilizou no seu portal informação extremamente sucinta que, na altura, incluiu um erro (entretanto corrigido) no número de exemplares a intervencionar, indicando apenas três árvores para abate.</p>
<p>Vimos, assim, pedir a V. Exª a publicação do estudo das árvores em causa. Nem o parecer, nem o relatório (também este extremamente sucinto e incompleto) emitidos no dia 14 de Junho substituem aquele documento, até porque são posteriores à intervenção. </p>
<p>Em segundo lugar, no citado parecer de dia 14 de Junho, deparámo-nos com a referência à obrigatoriedade do “cumprimento do Aviso Prévio de Intervenção no Arvoredo, em vigor na EP”.  Esta é uma medida louvável e de acordo com o que expomos acima, mas que só terá plena utilidade e interesse se complementada com a disponibilização atempada da documentação que a justifique.</p>
<p>Aproveitamos para reafirmar que a AP está preocupada, acima de qualquer outra questão, com a segurança e bem estar das pessoas, o que inclui vias de circulação livres de perigo e com arvoredos saudáveis.</p>
<p>Por outro lado, de forma alguma pomos em causa o trabalho de técnicos devidamente habilitados na área da arboricultura, nem somos contra o abate de árvores para as quais, comprovadamente, não exista outra solução que não ponha em risco pessoas e bens.</p>
<p>Tal como em situações anteriores, comprometemo-nos a publicar a resposta que entendam por bem enviar-nos e colocamos, desde já, ao dispor os nossos canais, no sentido de ajudar a difundir essa informação, da mesma forma que fizemos uso dos mesmos para publicar este pedido.</p>
<p>Agradecemos desde já a atenção prestada a este assunto e ficamos a aguardar a sua resposta.</p>
<p>Atenciosamente,<br />
A Associação Árvores de Portugal.</p></blockquote>
<p>Resta-nos agradecer às pessoas que nos alertaram para esta situação e que, não se conformando com o que está a acontecer às árvores do nosso país, continuam a questionar e a manifestar-se pela sua preservação.</p>
<p>(Fotografias gentilmente cedidas por Elisa Fonseca.)</p>
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		<title>Mitos Urbanos</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jun 2010 07:00:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Nuno Teixeira Santos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ninguém sabe como começa um mito urbano, tal como um boato. Num caso, como no outro, não é fácil determinar onde e como começaram, sabe-se apenas que se vão espalhando, como um vírus, de boca em boca, ganhando contornos de verdade, de tantas vezes repetidos. Os boatos são, a priori, mais nefastos, pois tendem a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ninguém sabe como começa um mito urbano, tal como um boato. Num caso, como no outro, não é fácil determinar onde e como começaram, sabe-se apenas que se vão espalhando, como um vírus, de boca em boca, ganhando contornos de verdade, de tantas vezes repetidos.</p>
<p>Os boatos são, <i>a priori</i>, mais nefastos, pois tendem a centrar-se na vida íntima das pessoas, procurando, através da difamação, achincalhar e humilhar. Aparentemente mais inócuos, os mitos urbanos, muitas vezes difundidos como evidências científicas inquestionáveis, não são, por isso, menos perigosos. <span id="more-2936"></span></p>
<p>O assunto é sério, pelas consequências que, ainda que involuntariamente, pode acarretar. Recentemente foi até publicado um livro, em Portugal, sobre este assunto e, no canal <i>Discovery</i>, existe inclusive um programa denominado <i>Caçadores de Mitos</i>.</p>
<p>No entanto, quer no caso do livro, quer no caso do programa de televisão, duvido que existam referências a mitos relacionados com árvores. Mas eles existem, pelo menos em Portugal, e são a base para uma perigosa paranóia persecutória, que me atrevo a baptizar de “choupofobia”.</p>
<p>A “choupofobia”, ou seja, a aversão generalizada aos choupos plantados nas nossas cidades, deriva da convicção que estes são uma das principais espécies causadoras de alergias em meio urbano. Esta ideia tem sido usada como justificação para o abate de dezenas de árvores deste género, por todo o país e mesmo na vizinha Espanha (ler <a href="http://www.farodevigo.es/gran-vigo/2009/05/27/gran-vigo-molestias-vecinales-obligan-concello-retirar-chopos-avenida-castelao/331603.html">este artigo</a> sobre o abate de 450 choupos, em Vigo).</p>
<p>Por cá, nos últimos dias, tivemos conhecimento do abate de choupos em Matosinhos, através do texto <i><a href="http://www.arvoresdeportugal.net/2010/05/por-um-punhado-de-polen/">Por Um Punhado de Pólen</a></i>, publicado neste blogue, pelo José Rui Fernandes. No caso das imagens que acompanham este texto, o abate de choupos ocorreu na Póvoa de Varzim, onde a solícita autarquia local não se fez rogada face ao pedido de alguns moradores.</p>
<p>O leitor Nuno Oliveira, que nos alertou para este caso, teve a oportunidade de questionar um dos técnicos camarários presentes no local, que confirmou que todas as árvores abatidas, sem excepção, estavam saudáveis. O mesmo técnico camarário, sem citar qualquer estudo ou artigo, em jeito de justificação, atirou com aquele tipo de frase com que se pretende dar por encerrada uma discussão:<br />
<blockquote>Os médicos já sabem todos que esta árvore faz mal às alergias!</p></blockquote>
<p>É com este tipo de argumentos, escassos em pormenores técnicos mas aludindo a uma autoridade pretensamente inquestionável (“os médicos já sabem todos”…), que se pretende reforçar a veracidade do mito, convencendo os mais cépticos.</p>
<p>Correndo o risco de me tornar repetitivo, face ao citado texto do José Rui Fernandes, vou tentar desmontar alguma da argumentação que sustenta esta “choupofobia”.</p>
<p>Os choupos (género <i>Populus</i>) são árvores com espécimes masculinos e femininos. São os espécimes masculinos que libertam o pólen, no início da Primavera. Nos dados que consegui apurar, não encontrei estudos que pudessem sustentar a teoria de que o pólen de choupos tem um potencial alérgico elevado. Pelo contrário, os dados disponíveis apontam em sentido contrário:</p>
<p>- Na página da rede francesa de aerobiologia, <a href="http://www.pollens.fr/le-reseau/les-pollens.php">Réseau National de Surveillance Aérobiologique</a> (RNSA), o pólen dos choupos é classificado com um potencial alérgico de dois, numa escala de zero a cinco. Dos 17 géneros de árvores referidos, 11 têm uma alergenicidade igual ou superior a três, ou seja, os choupos estão entre o grupo de árvores cujo pólen tem menos potencial para criar alergias.<br />
– Na página da <a href="http://www.ilpolline.it/archives/1844">Associazione Italiana di Aerobiologia</a> (AIA) é referido não serem conhecidos estudos específicos que comprovem a alergenicidade do pólen de choupo-branco (<i>Populus alba</i> L.), embora se acrescente que o pólen desta espécie não aparenta ser uma causa comum de alergias, pese embora as enormes quantidades de pólen que esta espécie liberta. Em consonância com esta observação, estão os resultados de um estudo<sup>1</sup> comparativo feito em Ancara, na Turquia, entre o pólen de choupo-branco e o de gramíneas, e no qual se concluiu ser o pólen destas o principal causador de reacções alérgicas.<br />
– Na página da <a href="http://www.uco.es/rea/part-alergogenas/populus.htm">Red Española de Aerobiología</a> (REA) é referido, citando a obra <i>Polen Atmosférico en Europa</i>, de Spieksman et al., que a relação do pólen de choupo com reacções alérgicas é muito limitada.<br />
– Por último, na página da <a href="http://www.rpaerobiologia.com/dicionario/?iml=PT&#038;imr=3n23n&#038;fmo=ver&#038;polen=39">Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica</a> (SPAIC), não existem referências a uma possível alergenicidade do pólen de choupo. Existe informação sobre os salgueiros, espécie que pertence à mesma família dos choupos (<i>Salicaceae</i>), e cujo pólen é considerado como tendo uma alergenicidade baixa.</p>
<p>A ausência de estudos que indiciem o pólen de choupos como importante causador de alergias é um dado seguro para não temer os grãos libertados por estas árvores. Aliás, a fobia das pessoas aos choupos não surge em Março e Abril, quando os exemplares masculinos libertam o pólen mas, em Maio, quando os exemplares femininos libertam as sementes agarradas a substâncias filamentosas, vulgarmente designadas por “algodão dos choupos”. </p>
<p>Um dos primeiros pontos a desmistificar é precisamente este, ou seja, estas substâncias filamentosas e sedosas, libertadas pelos espécimes femininos dos choupos, nada têm a ver com os grãos de pólen libertados pelos espécimes masculinos, algumas semanas antes. </p>
<p>No entanto, muitas pessoas acreditam, ao verem esta substância a esvoaçar, que os choupos estão a libertar o seu pólen. Esta é uma constatação que se retira não apenas das conversas que ouvimos no dia-a-dia, mas também, por exemplo, através das pesquisas feitas na Internet. Este mês, por exemplo, e ao contrário do que sucedeu nos dois meses anteriores, várias pessoas acederam ao nosso blogue, ao citado texto do José Rui Fernandes, através de pesquisas como “pólen dos choupos” ou através de outras frases similares.</p>
<p>É este <i>algodão</i>, chamemos-lhe assim, e não os grãos de pólen, o principal instigador do ódio aos choupos, pela convicção generalizada que esta substância é uma das principais causadoras de alergias, em meio urbano. Uma vez mais, e como no caso do pólen, não há fundamentação científica para esta crença popular, antes pelo contrário. </p>
<p>É certo que esta substância pode, em grandes quantidades, provocar irritação se entrar em contacto directo com os olhos ou com as mucosas nasais, por exemplo. Trata-se de uma acção irritativa por contacto, ou seja, por acção mecânica, e não por inalação e consequente reacção do nosso sistema imunitário, tal como acontece com os grãos de pólen. </p>
<p>A este propósito, é particularmente esclarecedor o que pode ser lido na página do <a href="http://www.pollenwarndienst.at/index.php?language=en&#038;nav=_n7&#038;module=article&#038;action=first_page&#038;id=2229&#038;id_parent=2057">European Pollen Information</a>:<br />
<blockquote>Algumas pessoas acreditam, de forma errónea, que ele (o “algodão dos choupos”) causa os sintomas da febre dos fenos. Na realidade, as sementes dos choupos e o primeiro (e invisível) pólen das gramíneas a ser libertado no ano, costumam coincidir no tempo…</p></blockquote>
<p>O problema relacionado com a libertação das sementes dos choupos é precisamente o referido na citação anterior, ou seja, coincide no tempo com a libertação de milhões e milhões de grãos de pólen de outras espécies, nomeadamente o das gramíneas, com elevada alergenicidade. A este propósito, a alergologista Maria da Graça Castel-Branco, em declarações ao <i><a href="http://jn.sapo.pt/paginainicial/interior.aspx?content_id=480150">Jornal de Notícias</a></i>, reconhece:<br />
<blockquote>Entre Março e Maio (…) é o período em que maiores quantidades dessas substâncias (dos choupos) estão no ar, salientando, porém, que é o pólen das gramíneas (ervas selvagens), mais agressivo, o responsável pela maior parte das alergias em Portugal.</p></blockquote>
<p>Particularmente significativa é ainda a informação que consta de um <a href="http://www.box.net/shared/k6xdfgp95g">esclarecimento da Provedoria do Ambiente e da Qualidade de Vida Urbana de Coimbra</a>, do qual constam os pareceres do Professor Jorge Paiva e da Dr.ª Ana Todo Bom, especialistas académicos em flora e alergologia. Da muita informação que consta deste documento, retive particularmente a seguinte citação do Dr. Antero Palma Carlos, iminente especialista nacional em alergologia:<br />
<blockquote>As alergias primaveris são uma reacção do organismo aos pólenes dos fenos (gramíneas), de algumas urtigas e das oliveiras e não às flores e/ou sementes do choupo e plátanos que enchem o ar de flocos de algodão.</p></blockquote>
<p>Deste modo, sendo certo que o “algodão dos choupos” pode provocar irritações de índole mecânica, não existe fundamentação que valide a ideia, largamente difundida, que esta substância provoca alergias. Infelizmente, apesar de inúmeros esclarecimentos, muitas autarquias vão continuar a abater os choupos, caucionando um ódio popular baseado na ignorância ou, se preferirem, em mitos urbanos. O que as autarquias não podem fazer é valer-se da ciência para tentar justificar esta espécie de caça às bruxas.</p>
<p>É incontestável que o pólen de certas espécies pode provocar reacções alérgicas, que originam diversos tipos de desconforto a milhões de pessoas. No entanto, ao contrário do que a indústria farmacêutica nos pretende convencer, nomeadamente através de um recente anúncio televisivo, as plantas não estão em guerra com o ser humano.</p>
<p>Nas cidades, a falta de qualidade do ar é um efeito causador de problemas respiratórios, incluindo sintomas associados à asma e a reacções alérgicas. Esses efeitos podem, inclusivamente, surgir logo nos primeiros anos de idade<sup>2</sup>. (Consultar, adicionalmente, os artigos citados no texto <i><a href="http://www.arvoresdeportugal.net/2010/05/por-um-punhado-de-polen/">Por Um Punhado de Pólen</a></i>, publicado neste blogue, por José Rui Fernandes).</p>
<p>Estes estudos, mais não fazem do que fundamentar, com bases científicas, uma explicação para aquilo que se sabe há muito, ou seja, que as alergias são um problema sobretudo dos países industrializados, onde uma acentuada percentagem de população reside em meio urbano. </p>
<p>Se assim não fosse, ou seja, se o cerne do problema estivesse nas plantas e no pólen por elas libertado, há muito que as populações rurais, sujeitas ao pólen de mais plantas do que as populações urbanas, teriam procurado refúgio nas cidades. O êxodo rural é real, bem sei, mas deve-se a tudo menos a questões de saúde pública! </p>
<p>Se persistíssemos nesta ideia incoerente de que o pólen das plantas, e o das árvores em especial, é o verdadeiro problema por detrás do crescente número de pessoas que sofre de alergias desde tenra idade, então o corolário natural de tal ilógica convicção, seria que numa cidade, quantas mais árvores se abatessem, mais saudáveis seriam os seus habitantes. Absurdo, não é?!</p>
<p>Bem pelo contrário, as árvores são o nosso melhor aliado, nas cidades, contra a poluição. Nos Estados Unidos, por exemplo, estima-se que as árvores em meio urbano sejam as responsáveis por retirar da atmosfera, anualmente, o equivalente a cerca de 711 mil toneladas de substâncias poluentes<sup>3</sup>. </p>
<p>Assim sendo, cortar árvores, como os choupos, mais não fará do que agravar a qualidade do ar que respiramos nas cidades, potenciando o surgimento de reacções alérgicas e de outras graves doenças, em particular do foro respiratório. </p>
<p>Os meus alunos de Ciências de 5º ano conhecem bem os efeitos benéficos das árvores. Sinceramente, não me interessa se os adultos sabem mais, ou menos, do que uma criança de dez anos, mas gostava que compreendessem que abater árvores, nas cidades, como forma de prevenir alergias, é tão absurdo como aumentar o consumo de sal como forma de prevenir acidentes vasculares cerebrais.</p>
<p><sup>1</sup><i><a href="http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15971469">Poplar pollen-related allergy in Ankara, Turkey: how important for patients living in a city with high pollen load?</a></i>[National Center for Biotechnology Information (PubMed.gov)]<br />
<sup>2</sup><i><a href="http://171.66.122.149/cgi/content/full/166/8/1092">Air Pollution from Traffic and the Development of Respiratory Infections and Asthmatic and Allergic Symptoms in Children</a></i> (American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine).<br />
<sup>3</sup><i><a href="http://www.sciencedirect.com/science?_ob=ArticleURL&#038;_udi=B7GJD-4J7B12G-2&#038;_user=10&#038;_coverDate=04%2F03%2F2006&#038;_rdoc=1&#038;_fmt=high&#038;_orig=search&#038;_sort=d&#038;_docanchor=&#038;view=c&#038;_searchStrId=1336410201&#038;_rerunOrigin=google&#038;_acct=C000050221&#038;_version=1&#038;_urlVersion=0&#038;_userid=10&#038;md5=00c42b295c0bbf37b5306cde1df460bf">Air pollution removal by urban trees and shrubs in the United States</a></i> (ScienceDirect)</p>
<p>(Fotografias de Nuno Oliveira.)</p>
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